Parasitólogos

Francisco da Cunha Ribeiro

fotografia-1A independência crítica é o bilhete de identidade que dá foro de cidadania ao  ser humano. O seguidismo ideológico, ou a simples e quotidiana aversão à crítica caracteriza o grau zero do racionalismo. É preciso muito esforço e um enorme amor ao pensamento livre para nos comportarmos como seres racionais. Julgo que essa é também a única forma de sermos fiáveis perante os outros. A preguiça do pensamento é a melhor amiga do irracionalismo. Não significa isto que quem não pensa deixe, só por isso, de ser homem ou mulher, e passe a ser uma besta, nada disso. Quem, por exemplo, passa os seus dias a trabalhar, a discutir futebol, e a jogar a sueca pode não treinar o pensamento, mas não deixa de ser capaz de gostar ou de amar. Mas esse amor tanto pode subir à altura do céu, como descer  ao fundo do Inferno. Quem pensa e ama nunca ama de mais, mas também nunca chega a odiar ninguém. Porquê? Porque sabe melhor relativizar emoções, sentimentos e equilibrar os valores. O homicídio sentimental (pelo ciúme) é, a meu ver, o exemplo mais veemente do que a falta de exercício do pensamento lógico pode ter como consequência.
 Aos que pensam pela cabeça dos outros poderíamos chamar  “parasitólogos”. Os parasitólogos são, pois,  seres racionais  que  alimentam as suas ideias com as ideias dos outros. E como as suas são, afinal,  as dos outros,  podemos dizer que este tipo de gente não muda nada, não cria nada, apenas copia.  Cerebralmente não evoluíram muito além do homo-sapiens. Por isso os poderemos também designar de “macacos de imitação”, sem qualquer desprezo pelos macacos.Já todos tivemos experiências de vida onde contracenámos com parasitólogos. Por exemplo na Escola, desde a primária à Faculdade, há sempre um parasitólogo perto de nós. Na faculdade, recordo-me de colegas que a meio dos testes lhes dava imensa vontade de urinar… Uma verdadeira aflição… Pediam ao professor para se aliviarem, mas em vez de esvaziarem a bexiga, enchiam a cabeça … com a  matéria do teste, devidamente acautelada na intimidade  inviolável  de uma peça de roupa. O que é espantoso é que essa gente tinha por vezes notas altíssimas, e por mais que o professor duvidasse da real sabedoria das ditas, faltava-lhe o “flagrante delito” para as corrigir.
 Na política temos o célebre caso “Manuel Monteiro” – lembram-se? Manuel Monteiro era ainda um jovem político quando tomou conta do CDS. Verdade  seja dita, Manuel Monteiro tinha o dom inato da  palavra, o seu discurso era fluido e  cativante. Mas quanto a ideias, parece que nem uma tinha luz própria. O seu reportório ideológico, a “pia” onde bebia tudo o que depois debitava em comícios, era  pertença do então diretor do Jornal Independente, Paulo Portas.
Talvez por isso, há muito tenhamos deixado de  ouvir Manuel Monteiro na rádio e na televisão, e no seu lugar vai permanecendo intacto e inamovível o “dono da pia”.

Comments

  1. Gottlieb says:

    Oha um post da virgem Maria sem pecado rogai por nós

  2. Ricardo Ferreira Pinto says:

    Nunca tinha percebido que o Manuel Monteiro e o José Mourinho eram tão parecidos.

  3. portela says:

    “O sistema político português está completamente capturado e foi capturado, por aquelas pessoas que compreenderam a falta de carácter e de coluna vertebral de quem está na vida política.

    Um exemplo; a privatização do Totta e Açores pedi ao Governo e ao BP os documentos sobre o negócio: os papéis tinham desaparecido.

    Os grandes empresários portugueses são apenas grandes porque vivem à custa do Estado”
    .

    “Manuel Monteiro na TVI24, – Olhos nos Olhos
    .
    Neste país falar assim e, disse muito mais, tem um preço; a factura aí está.


  4. Para os que gostam de boas receitas!
    http://bigchefe.pt

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