Os sucessivos líderes políticos criaram um sistema que resolveu, durante décadas, todos os nossos problemas. Mas quem nos deu tudo secou tudo à nossa volta
O António trabalha na suíça numa pastelaria. O patrão diz que é o melhor empregado que já teve, e diz mais: Os portugueses são os melhores trabalhadores que há lá na terra dos cantões. António já fazia o mesmo na padaria Miranda em Freixo de Espada à Cinta, mas nota uma diferença fundamental – Aqui tenho mesmo que trabalhar, não conheço ninguém. Estou entregue a mim próprio.
O Rui trabalhava em Coimbra na construção civil mas regressou a Toronto no Canadá. Foi a família que o devolveu a Portugal num turbilhão de emoções feitas de barrigas de freira, crédito bancário e pasteis de Tentúgal. Quando a crise entrou foi-se outra vez embora. Ninguém lhe pagava. Os anos que viveu na Lusa Atenas foram feitos alegria, projetos sem orçamento, sol e praia, trabalhos a mais, simpatia e incompetência.
O problema de Portugal não é uma questão económica. É um questão de atitude. Qualquer trabalhador português emigrado é um Cristiano Ronaldo da vida. Pasteleiros na Suíça! Golo. Trolhas no Canadá! Vai buscar! Futebolistas em toda a parte? É sempre a aviar. Mas cá dentro, como sempre fizeram tudo por nós, ficámos uns calaceiros incorrigíveis. Só funcionamos bem quando estamos órfãos. [Read more…]






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