A Opus Gay e eu própio congratulamo-nos com a promulgação da nova lei das Uniões de Facto, fórmula pela qual nos vinhamos batendo quase isoladamente, há muitos anos, desde que a discussão foi aberta, e que defendemos perante partidos, deputados – e alguns hipócritas aparecem agora a defender o que antes diziam não ser possivel – e publicamente.
Cheguei a ouvir da voz de uma distinta defensora do casamento dizer que eu não podia defender isso, senão ninguém queria mais casar!! Tal o moralismo e a ética destes próceres de algumas mudanças sociais…
Hoje as minhas posições encontram-se ainda mais justificadas, pois sabe-se que mais de 30% dos casais do país encontra nesta fórmula o modo de constituir família. A promulgação desta lei é um acto republicano, pois legisla igualmente para todos os cidadãos, independentemente da orientação sexual.
Visões algo conservadoras pretendem defender a exclusividade do casamento civil, ou do matrimónio religioso, para legitimar a constituiçao da familia, pois para alguns deles de certo modo o casamento civil é uma especie de antecâmara da sacristia da Igreja para o casamento religioso, desconhecendo outras realidades sociais.
Hoje, uma visão alargada da sociedade deve prever as várias formulas que os cidadãos encontram de serem felizes e constituirem familia, dando-lhes a dignidade republicana da igualdade da lei para todos, tanto mais que o casamento se encontra em declínio, independentemente da sua dignidade e utilidade e pelo qual nos batemos aquando da aprovação da lei sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
Não subscrevemos a teoria da oposição de direita, sem preapostada em travar mudanças, de que “o que é diferente deve ser tratado de modo diferente”, pois essa é uma fórmula que pretende criar novas formas de exclusão, salvo quando servir para criar modos de discriminação positiva, excepcionais.
Saúde-se, portanto, o Partido Socialista, que finalmente teve a coragem de avançar com a nova lei agora promulgada, e o PCP, BE e Os Verdes, que o coadjuvaram no Parlamento.






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