Oportunismo, incompetência e uma suposta prioridade que continua a não o ser, em directo de Monchique

Fotografia via Região Sul – Diário Online

Acabo de assistir à conferencia de imprensa na qual participou o Secretário de Estado da Protecção Civil, a propósito do incêndio na serra de Monchique, que continua a lavrar sem dar tréguas, com a fúria a que já estamos habituados. Felizmente, ainda não morreu ninguém. Ainda.

A conferência de imprensa resume-se de forma simples: por um lado o governo, que se esquiva como pode das perguntas dos jornalistas, e que tenta justificar as lacunas que ainda persistem, apesar dos incêndios de 2017. Por outro um grupo de jornalistas, com ordens para não sair dali sem uma manchete polémica. A certa altura, há uma jornalista que alega ter feito um percurso alternativo à N266, afirmando ter visto muita lenha pelo caminho. O que é que isso significa? Que o governo se desleixou e deixou postos de abastecimento para as chamas ao longo das zonas criticas? Parece ser essa a intenção, apesar da falta de objectividade da jornalista, empenhada na busca da polémica que lhe garanta o máximo de clicks possível. Podia tal lenha pertencer a indivíduos ou entidades privadas, e estar empilhada no interior de propriedades privadas? Podia, mas o sensacionalismo e a indignação rendem sempre mais uns trocos.  [Read more…]

Os politólogos estão estupefactos: O PS consegue governar mais à Direita do que o PSD

Podia dar o exemplo da Educação, em que uma imbatível Maria de Lurdes Rodrigues, no que diz respeito ao ataque à Escola Pública em geral e aos professores em particular, é perseguida nos seus feitos pelo actual titular da pasta.
Podia dar o exemplo da Saúde, cujo SNS está pior do que alguma vez esteve – cortesia do Partido que o fundou.
Podia dar ainda o exemplo da Energia – no meio de todas as vergonhas de Pinho e Sócrates, o actual Governo consegue transformar uma dívida da EDP ao Estado numa dívida do Estado à EDP.
Pois, não há dinheiro. Mas para os mesmos de sempre há sempre dinheiro.
Podia dar n exemplos, mas não é preciso. O fim da austeridade é uma treta e a merda é a mesma de sempre. Desde o início mas sobretudo desde que é presidente do Eurogrupo, o ministro dos bilhetes do Benfica mais não faz do que sacar aqui e ali, cativar tudo o que mexe, meter-se com quem tem menos e acobardar-se perante os poderosos. Um corrupto moral que não passa disso mesmo – de um corrupto moral.
Quanto à Esquerda, continuará até ao fim da Legislatura refém do PS. A engolir sapos perante um Governo mortinho por que o façam cair para depois poder governar em maioria absoluta. Perante um Governo que actualmente está mais próximo do PSD do que da Esquerda.
Alguma vez esteve mais longe?

Chorai, miseráveis!

e contemplai o Céu em adoração!

Como é triste, a trincheira onde jazem os restos do passismo

Fotografia: Mário Cruz/Lusa@Renascença

Aparentemente, existem vários sociais-democratas incomodados com o facto de Rui Rio procurar entendimentos com António Costa, em áreas como os fundos comunitários, a descentralização ou a Saúde, acusando a nova liderança do PSD de se encostar em demasia ao governo. Para estes, a negociação política e a convergência, em áreas fundamentais para a sociedade portuguesa, são motivo de preocupação, pois, como todos sabemos, o apocalipse tende a dar o ar da sua graça quando os partidos políticos com assento parlamentar chegam a consensos. E viveram orgulhosamente sós para sempre!

Manuel Pinho: a minha humilde homenagem a um trabalhador singular

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No dia em que se celebra o Trabalhador, poucos portugueses serão tão dignos de homenagem como Manuel Pinho. O homem, o académico, o político independente, que se entregou de corpo e alma às funções ministeriais para as quais foi chamado, que desempenhou com mérito e distinção.

Porém, o ex-ministro foi mais do que um político excepcional. Durante o seu mandato, conta-nos a revista Visão, Manuel Pinho não se rendeu ao ócio ou à preguiça, nem nos raros momentos que lhe restavam, depois de toda a azáfama governativa e das coisas do dia-a-dia de um homem normal. Não. Nos tempos mortos, tão mortos que quase não se encontrava registo deles, Manuel Pinho trabalhava para ajudar a desenvolver e a elevar a banca portuguesa. Ministro durante o dia, consultor do BES nas horas vagas. Pela módica pechincha de 14 mil e tal euros mensais. O Ronaldo faz isso em duas horas. E o Capelo Rego está ali no canto a rir-se. [Read more…]

As rendas excessivas da EDP no país da imprensa comunista

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Fotografia: Paula Nunes@ECO

António Mexia é o exemplo acabado de um homem de sucesso em Portugal. Deu aulas, foi para a política, daí para organismos e empresas públicas, com a passagem da praxe pelo BES, e regressou à política, de onde em bom rigor nunca chegou a sair, para integrar o executivo Santana Lopes, entre Julho de 2004 e Março de 2005. Dai seguiu directo para a cadeira de presidente do Conselho de Administração da EDP, onde continua, hoje sob a batuta do regime chinês. Em 2014 recebeu de Cavaco Silva a mais alta condecoração da Ordem de Mérito Empresarial. Três anos depois, foi constituído arguido no caso relacionado com as rendas excessivas da EDP. Aquele percurso clássico.  [Read more…]

As contas públicas e o garrote fiscal

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Via Diário de Notícias

O governo reviu em baixa os valores do défice para 2018, que passa de 1% para 0,7% do PIB, sendo que a mais recente projecção para o crescimento económico deste ano cresce uma décima face ao previsto no Orçamento de Estado, com o PIB a avançar 2,3%.

Perante esta sucessão de números animadores, os mais animadores em muitos anos, seria expectável uma maior folga orçamental para a população portuguesa. Seria expectável uma diminuição mais acentuada da carga fiscal e uma melhoria dos serviços públicos, que cada vez menos se distinguem dos tempos da Troika, nomeadamente em áreas como a Saúde e a Educação. Mas não é isso que está a acontecer. [Read more…]

Diz o roto ao nu

PSD acusa governo de “fracasso da política cultural. Que saudades dos velhos tempos do passismo, quando a cultura prosperava.

Propaganda, disse a direita do costume

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via Uma Página Numa Rede Social

A direita radicalizada indignou-se ontem com a presença de vários membros do executivo socialista numa série de acções de sensibilização para a protecção da floresta. E sim, é claro que há ali a dose do costume de propaganda, que as Legislativas estarão aí num abrir e fechar de olhos, apesar da ausência de oposição à direita que possa preocupar António Costa, por muitos saltinhos que Assunção Cristas tente dar.

Desconhece-se por onde andaria essa mesma direita, como de resto vem acontecendo em muitos outros casos que em pouco ou nada se distinguem deste, quando Cristas, Portas e João Almeida, entre outros, se dedicavam a acções similares. E nem quero imaginar o que por aí se diria se tivesse sido um partido de esquerda a convidar Nádia Piazza para colaborar na elaboração do programa eleitoral para 2019.

O milagre da multiplicação dos ministros

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Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

O governo minoritário de António Costa tem 17 ministros, número ao qual acresce o próprio Costa, como 18º e primeiro-ministro. Já a SIC Notícias detectou 20 ministros a acompanhar as operações de limpeza de matas e florestas que ontem se realizaram. É o milagre da multiplicação dos ministros, que convém não se repetir muitas vezes, que não há erário público que aguente tanta ajuda de custo.

A Medicina Tradicional Chinesa

Huang Di Nei Jing

Foi publicada no passado dia 9 de Fevereiro, em Diário da República, a Portaria nº 45/2018, que “regula os requisitos gerais que devem ser satisfeitos pelo ciclo de estudos conducente ao grau de licenciado em Medicina Tradicional Chinesa”.

Esta é uma medida muito positiva e importante – talvez uma das mais importantes que este governo tomou – que abre a possibilidade de introduzir no sistema de saúde português, de modo regulado, a prática de uma Medicina cujas vantagens são de grande significado e expressão. Sendo uma Medicina preventiva e profilática, a Medicina Tradicional Chinesa é também curativa, sendo que se baseia em conceitos que, uma vez apreendidos e convenientemente aplicados, podem suscitar importantes alterações no quadro da prestação de cuidados de saúde à população e até na viabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

O que se afigura fundamental, a partir de agora, é que a Medicina Tradicional Chinesa seja de facto colocada ao serviço daqueles que, até aqui, a ela não podiam aceder, por motivos de ordem económica. A sua democratização trará significativos benefícios não apenas no quadro estrito dos cuidados de saúde, mas na própria ordem social, que não deixará de sentir os efeitos de uma transformação profunda, que se deseja, no conceito de Saúde.

Parabéns ao Governo por este passo decisivo e, reconheça-se, corajoso.

Em 2016 emigraram 100 mil portugueses

Há aspectos estruturais da organização da sociedade portuguesa, principalmente na área laboral, que não sofreram, com a entrada em funções do actual governo, as modificações necessárias a uma inversão das tendências e dos indicadores mais negativos que marcaram a governação anterior de PSD e CDS.

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Pedro Santana Lopes não acredita em Pedro Santana Lopes

Fotografia via ECO

Depois do que passei, em 2004, 2005, depois do que aconteceu, com mais culpa minha ou não, acho que se concorresse a primeiro-ministro não tinha possibilidades de ganhar as eleições. Não tenho dúvida nenhuma sobre isso, nem que o vento mudasse 10 vezes

Pedro Santana Lopes, CMTV, 2013

O fim da indignação no reino da indignidade

Um partido político é um instrumento de materialização de uma ideologia. Não é uma ideologia em si mesmo. Um partido político que seja uma ideologia em si mesmo já não é estritamente um partido, mas uma organização fascista. É nisso que o sistema partidário português se está a transformar – um sistema fascista dominado pela corrupção.

Uma sequência interminável de acontecimentos veio mais uma vez expor aos olhos de todos a promiscuidade das relações entre representantes dos poderes públicos e empresas ou instituições privadas. No caso das IPSS o assunto toma dimensões raras, levando essa promiscuidade a níveis que mesmo o mais céptico anarquista teria dificuldade em imaginar.

A verdade é que se houvesse em Portugal três jornalistas como a Ana Leal, da TVI, o país desapareceria, simplesmente. Deve desenganar-se quem pense que o caso da Raríssimas é uma excepção, pois o que realmente se verifica é que ele é a regra. E é desta regra que Portugal é feito e foi isto que o 25 de Abril construiu – um poço de miséria moral. E em face dessa miséria, da promiscuidade que campeia na política de alcova, em que um secretário de Estado se demite em directo depois de lhe mostrarem imagens de uma romântica praia brasileira, que faz o Governo? Segue a lógica inatacável da psicologia analítica de Carl Jung – “se te vires a afundar num pântano, não tentes sair, mergulha!” – e nomeia para o seu lugar a mulher de um deputado europeu militante do partido no poder. Isto é o fim da indignação no reino da indignidade. Fechem a porta e apaguem a luz à saída.

O PS é permeável aos grandes interesses económicos. Qual é a novidade?

Ontem, ou talvez até na Quinta-feira, recebi uma notificação de um jornal, penso que do Diário de Notícias, que fazia referência à tensão no seio do PS, a propósito das declarações de Catarina Martins. Fui espreitar, curioso, e percebo que fui enganado. Afinal, era apenas Francisco Assis a exigir que o seu partido defendesse a sua honradez. E todos sabemos que Assis é tão representativo deste PS como Pacheco Pereira do PSD passista.

Como ainda não tinha ouvido as declarações da líder do Bloco, aproveitei a deixa. Vou a ver e a senhora não diz nada de novo. O PS é permeável aos grandes interesses económicos? Oh my fucking God, por esta é que eu não esperava! Qual é mesmo a novidade? [Read more…]

O preço certo em euros do número de propaganda de António Costa

A grande indignação da passada semana girou em torno dos 36.750€ que o governo derreteu num número de propaganda, com o qual decidiu assinalar os dois anos de vigência do executivo Costa. Apesar de ser prática corrente noutras latitudes, e do modelo escolhido não ser propriamente uma novidade, torrar dinheiro deste endividado país em exercícios desta natureza é, a meu ver, uma falta de respeito por todos os portugueses. Já agora, querida direita partidária, tu que vives de desgraças e indignações, por onde andavas quando o Passos fez exactamente o mesmo? Em lado nenhum? Deixa lá, não faz mal. Todas as ocasiões são boas para te ver fazer essas figuras. [Read more…]

O Presidente disto

 

Imagem: TVI

 

“Uma coisa é um isto”
Heidegger

Na escala do grotesco, só o Presidente disto alcançou resultados superiores aos do Governo. Letrado como ninguém na filosofia dos malditos, de Maquiavel a Napoleão, passando por Átila, Nero ou Himmler, cujas vidas certamente conhece como as palmas das suas mãos, o senhor Presidente disto ofereceu, sobre as brasas de um país extinto, um espectáculo único de cinismo e uma lição de baixa política como há muito não se via.

O senhor Presidente disto instrumentalizou de modo rasteiro, grotesco e sumamente hipócrita os últimos homens e mulheres de Portugal onde morou a dignidade humana, eremitas de um país morto e risível, vivendo entre cabras e montes onde aguardam com paciência infinita a chamada do Altíssimo. Antes que essa trombeta soasse, os bichos urbanos decidiram extinguir-lhes a alma pelo fogo, fazendo nele também arder os seus últimos trastes terrenos – o casebre, o cão, a sachola, as ovelhas, a macieira antiga. Até as panelas.

Esta gente não merecia a falta de respeito e o canibalismo político-mediático do mais alto magistrado desta espelunca astral, prestidigitador exímio das emoções, especialista reconhecido no abraço do urso.

Governo português manda boca a André Ventura

apelando à abolição universal da pena de morte. Estes geringonços não deixam os passistas em paz, carago!

À consideração dos professores do meu país

Santana Castilho

“Quando eu tinha cinco anos, a minha mãe dizia-me que a felicidade era a chave da vida. Quando fui para a escola, perguntaram-me o que queria ser quando fosse grande. Escrevi feliz. Então eles disseram-me que eu não tinha entendido o exercício. E eu disse-lhes que eles não entendiam a vida.” (John Lennon)

Como qualquer humano explicado por Freud, somos o resultado da disputa entre o nosso “id”, vertente primária subjugada pelo instinto, o nosso “ego”, bússola de navegação pela realidade externa, e o nosso “superego”, o árbitro implacável que vigia e obriga os outros dois estádios a permanecerem entre os limites da moral vigente e a considerar os seus dilemas.
Poderemos falar de um “superego pedagógico”, que obrigue os que têm por missão orientar os seres em crescimento a não lhes dar o que não lhes deve ser dado, mesmo que imposto pelos normativos modernistas dos que mandam, prolongando a abulia e subjugando as vontades? Deverá esse “superego” atípico impedir que os professores empurrem as crianças pelos corredores da pressa e do utilitarismo, quando as deviam guiar pelos trilhos calmos do personalismo e dar-lhes tempo para terem tempo? Trilhos onde os livros tradicionais ganhem aos meios electrónicos, a memória seja uma qualidade intelectual respeitada e o silêncio cultivado como meio para nos encontrarmos connosco próprios, aprendendo que até um cabelo projecta a sua sombra.
A missão de um professor é também impulsionar e acelerar a evolução da humanidade dos seus alunos, tornando-os mais sensíveis, ensinando-os a distinguir a verdade da mentira, a justiça da injustiça, a humildade da vaidade, a bondade da inveja. [Read more…]

Os polémicos blocos de actividades*

Inicialmente, de férias e afastado do mundo real, tomei conhecimento do polémico caso através das redes sociais. A tentação para me indignar foi imediata: havia um plano de discriminação de género em marcha, orquestrado pela Porto Editora e por um qualquer gangue de arrojas misóginos, através de cadernos de actividades que tratavam o macho como alfa e a fêmea como uma patega incapaz de concluir labirintos complexos. [Read more…]

Assunção Cristas, ombro a ombro com Hugo Soares no ranking da falta de noção do ridículo

Recorte: TSF via Uma Página Numa Rede Social

Enquanto milhares sofrem e lutam contra o flagelo dos fogos florestais, um bando de oportunistas sem vergonha na cara ou noção do ridículo continua a instrumentalizar a tragédia com vista à obtenção de mais-valias político-partidárias e eleitorais. Hoje foi a vez de Assunção Cristas, que acusou o governo de “não saber lidar com situações sérias, difíceis e onde é preciso ter comando e autoridade“. Sim, esta pérola tem como autora a mesma senhora que assinou de cruz a resolução do BES. A mesma que, perante a seca de 2012, tranquilizava o país com a sua fé inabalável de que a chuva estaria para chegar. Que se calou bem caladinha quando o seu irrevogável líder lançou o país e a governação no caos, ao apresentar uma demissão de ocasião, apenas para colher dividendos para si e para o CDS-PP, à custa de uma subida de juros como não há memória desde que este executivo assumiu funções. Que atulhou a Parque Expo com as suas clientelas partidárias. Eis como Assunção Cristas lida com situações sérias, difíceis e onde é preciso ter comando e autoridade. Só ao alcance de quem não tem noção do ridículo.

Tramóia do Governo

Uma nova era vai ser inaugurada e instaurada na Europa a partir de Setembro próximo. Chega-nos pela mão do CETA, o ominoso Acordo Económico Comercial Global entre a UE e o Canadá que vai consagrar no velho continente direitos especiais para investidores estrangeiros poderem processar Estados, exigindo indemnizações milionárias quando considerarem que as suas expectativas de lucros foram prejudicadas por nova legislação.

O Acordo, que dedica dois dos seus 30 capítulos especificamente à defesa dos investidores, nada de vinculativo contém quanto a defesas para os Estados, por exemplo, no caso de prejuízos ambientais.

Os Estados, no CETA, apenas têm obrigações. [Read more…]

Galp, futebol e política

Foto: Lusa

Há quem, legitimamente, questione o sentido de proporcionalidade da actuação do Ministério Público no caso das viagens da Galp, que teve como consequência, até agora, a exoneração de alguns valiosos membros do executivo. Pode, de facto, argumentar-se que o favorecimento de que esses governantes foram objecto não justifica o abalo causado ao governo da República nem a dimensão judicial que ao caso foi atribuída pelas autoridades às quais cabe atribuí-la ou não. Esse argumento poderia até ter acolhimento parcial se vivêssemos num país sem corrupção endémica, ética e deontologicamente preparado para um exercício isento do poder público, onde não imperasse o conflito de interesses e o tráfico de influências. Mas não é o caso.

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Somos inimputáveis

A estratégia adoptada pelo governo, pelo Presidente da República e por todos os partidos com representação parlamentar, sem excepção, na gestão política da tragédia de Pedrógão Grande, é a da afirmação da suprema inimputabilidade do poder.

Foi perceptível, no próprio dia dos acontecimentos, que o Estado tinha falhado o seu dever de protecção dos cidadãos e do território. Foi igualmente claro que esse fracasso não resultava de um episódio agudo, fortuito e extraordinário, mas de uma condição degenerativa e crónica do poder público e das suas estruturas fundamentais.

Ê claro que essa degeneração não começou ontem, nem teve início com este governo. Ela é um processo gradual de captura e diluição do interesse comum pelas redes dos interesses económicos privados. É o roubo quotidiano da soberania e dos instrumentos que a podem garantir.

Se uma tragédia desta magnitude não leva os responsáveis públicos nela implicados a um acto de brio cívico e dignidade política, nada levará. É essa a mensagem que o poder político quis fazer entendida pelo povo que ainda se ocupa em procurar entender: somos inimputáveis.

Crónicas do Rochedo XVIII – Incêndios, uma tragédia portuguesa

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No dia em que Portugal assistiu a uma das suas maiores tragédias colectivas escrevi, na minha página no facebook: “Nesta hora triste da nossa história colectiva aqueles que, como eu, não são “especialistas” devem remeter-se ao silêncio. E deixar quem sabe fazer o seu trabalho. É a melhor forma de respeitar quem está no terreno a trabalhar e quem está a ser vítima desta calamidade nacional“.

Já passou o tempo suficiente para o silêncio. Agora, mais a frio, vamos procurar uma análise política. Melhor dito, ao comportamento político dos agentes da dita.

Deve a Ministra demitir-se? O Governo de António Costa é culpado? De quem é, politicamente, a culpa?

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Incêndios: Bloco de Esquerda arrasa Governo

“Incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”

“Sabemos que as condições meteorológicas constituem uma variável importante no número de ocorrências de fogos florestais, mas não é legítimo responsabilizar apenas as condições meteorológicas como o Governo está a tentar fazer”, avançou. Para o dirigente bloquista, “a incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”.“Sabemos que a região sul da Europa e Portugal têm condições da floresta e meteorológicas propícias para a deflagração de incêndios, mas compete a um Estado competente colocar um dispositivo no terreno que permita contrariar os efeitos, tanto ao nível do ataque directo como da prevenção”, salientou o membro da comissão permanente do Bloco.“Não se conhecem deste Governo políticas florestais nem políticas de prevenção para a florestas”, acrescentou, sublinhando que, pelo contrário, o executivo tem apostado na liberalização do eucalipto e no ataque aos baldios, com a recente revisão da legislação.

Profundamente anti-católico

Contra uma tolerância de ponto ridícula.
Contra todos os feriados religiosos.
Contra uma ditadura católica que chega ao ponto de condicionar todo o ano lectivo e um 3.º período que é incrivelmente pequeno por causa da Páscoa. Contra a existência de uma disciplina de Educação Religiosa Católica nas Escolas. Contra a existência de padres como Directores de Agrupamento.
Contra a Concordata e qualquer outro acordo entre um Estado laico e uma religião, seja ela qual for.
Contra a vergonhosa isenção de impostos da Igreja Católica e contra os Governos – este e os outros – que pactuam com esta vergonha.
Contra uma Igreja Católica que é uma das principais causas do atraso cultural de Portugal.
E no entanto, se Cristo foi aquelas coisas todas que dizem que foi, então eu sou mais cristão do que esse beatério todo que vai para a missa ao Domingo bater no peito.

Uma República Laika

laika

Laika como a cadela russa conhecida por ter sido o primeiro ser vivo terrestre a ser lançado no espaço. E não laica por assumir uma posição oficialmente imparcial no domínio religioso, não apoiando nem descriminado nenhuma religião.

De acordo com as versões oficiais, Laika morreu, como aliás antecipadamente se sabia, cerca de uma semana após o lançamento do Sputnik 2, em 3 de Novembro de 1957. No entanto, a experiência, que visava testar a capacidade de resistência animal no espaço, não traria grandes contributos para o conhecimento científico da época, tanto mais quanto a cadela morreu, afinal, devido ao pânico e ao sobreaquecimento, algumas horas depois de o satélite ter sido lançado.

O Sputnik 2 viria, com o cadáver de Laika a bordo, a dar 2.570 voltas ao redor da Terra, até incendiar-se na atmosfera no dia 14 de Abril de 1958, depois de 162 dias em órbita. Menos, é certo, do que o Governo que pretende decretar agora, a pedido dos bispos, tolerância de ponto na função pública, no dia 12 de Maio.

Não depositando grande expectativa na fundamentação desta decisão, seja ela assente no respeito pelos sentimentos religiosos maioritários do povo, em razões de segurança ou nas eleições autárquicas que se avizinham, todas elas ilegítimas e desapropriadas, e não obstante a aparente complacência da esquerda, resta saber quanto tempo demorará a tornar-se cadáver um Governo que comete o pecado de violar os princípios republicanos em que se diz sustentar.

 

Uma decisão vergonhosa de um Governo ridículo

A decisão do Governo de dar tolerância de ponto aos funcionários públicos por causa da visita a Portugal do chefe de Estado do Vaticano é das decisões mais vergonhosas e mais ridículas dos últimos anos.
Podia relembrar que é apenas um chefe de Estado em visita a Portugal – um entre muitos. Podia relembrar que Portugal é um país laico segundo a Constituição da República que este Governo jurou respeitar. Podia destacar que todos têm o direito de ir a Fátima se quiserem – metem um dia de férias e, se for autorizado, lá vão eles.
Podia ainda informar que nesse dia os meus alunos tinham um teste marcado. Que outros meus alunos iam ao teatro. Que havia um Dia Aberto para os alunos das Escolas Básicas irem conhecer a Escola Secundária. Que havia consultas e operações marcadas nos Centros de Saúde e nos Hospitais. Julgamentos nos Tribunais. E por aí fora.
Podia dar um sem-número de argumentos, mas acho que não vale a pena. Esta decisão não tem ponta ponta por onde se lhe pegue.
A patranha das visões, uma das maiores patranhas do último século, fica para depois, porque não é isso que está em causa. Tiago Barbosa Ribeiro percebeu-o e merece por isso os maiores elogios. Infelizmente, o Governo não o percebeu, porque eleitoralmente lhe interessa não perceber. Da mesma forma que o Presidente da República e a Direita não o perceberão, porque são beatos.
Como eleitor da Esquerda, espero que pelo menos o Bloco e o PCP condenem firmemente esta decisão. Se não o fizerem, mostrarão que são tão hipócritas como todos os outros.

Câmara de Gaia: Governo chamado a intervir

O caso revelado pelo jornal PÚBLICO sobre a alegada rede de influências em IPSS de Vila Nova de Gaia, ligadas a membros do actual executivo da Câmara Municipal, ameaça tornar-se um assunto com contornos e dimensões bem mais graves do que à partida seria de esperar.

O PÚBLICO avançou inicialmente a informação de que a “Mulher do presidente da Câmara de Gaia viu a sua remuneração aumentada 390% em cinco anos”. Esta notícia foi negada pelo próprio presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, segundo o qual “Não se compara o vencimento de uma pessoa usando o mês do subsídio de férias”, numa versão dos factos que foi amplamente difundida por diversos meios, através dos quais se acusou também a jornalista do PÚBLICO de mentir e de estar ao serviço de “interesses obscuros”.

O que se verifica agora, através de prova documental dada a conhecer publicamente pelo jornal, é que quem mentiu não foi a jornalista. Ou seja, segundo o PÚBLICO, o presidente da Câmara de Gaia enganou os gaienses e os portugueses, pois a notícia avançada inicialmente pelo jornal corresponde à inteira verdade dos factos.

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