Há pessoas que nos fazem, começa sempre por duas, e depois nos foram fazendo, continuado o labor das mesmas duas, chegam outras, os amigos.
Sendo o meu pai um particular amigo do Manuel, tive o acrescido benefício de o conhecer desde pequenino. Confesso-me, de muito puto, fiel admirador e copiador no meu quarto daquela casa minúscula na Rua da Mãozinha onde as estantes acumulavam o desarrumo ordenado do que gostamos; livros, instrumentos, objectos com uma história e pessoas lá dentro e a contar para fora; mais que não seja serviu-me tantas vezes de justificação perante a minha mãe habituada às prateleiras ordenadas da loja dos avós, onde ela chamava desarrumado eu garantia, estética e funcionalmente, está muito mais arrumado que a nossa cozinha, sei onde está tudo e hei-de trazer o resto do mundo para casa. Coisas de puto, já não sei onde andam coisas e papéis, e cada vez menos trago o mundo para casa.
A Lápis de Memórias editou um livro que é uma conversa, entre o melhor conversador do mundo, o Manuel Louzã Henriques, a Manuela Cruzeiro e a Teresa Carreiro, acrescido do testemunho de um muito pequenino grupo dos seus amigos, houvesse espaço para todos e não cabiam numa lombada. Ficou-se pelas 460 páginas.
Algures Com Meu(s) Irmão(s) pode parecer mais uma daquelas coisas das gentes de Coimbra, muito dadas ao saudosismo e suas estórias (esquecendo que essa cantada saudade dos tempos juvenis brota da nascente dos que entre nós estudaram, e a estas terras, mares e suas serranias até eram estranhos). Também sendo, e qual o mal, não o é. [Read more…]








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