As árvores ou a vida

arvores
Há qualquer coisa de belo e essencial numa velha oliveira. Quem está atento sabe que, pelo nosso país, as há com mais de dois milénios. Sempre vivas, sempre oferecendo os seus frutos aos humanos que transitoriamente junto a elas habitam.

Elas mergulham as raízes nas lonjuras da história. Estiveram na ascensão e queda do Império Romano, eram já antigas quando Cristo terá andado pela terra, são como uma linha de continuidade em que se enleia a nossa identidade como povo, geração após geração. Por isso inspiram a tantos de nós uma espécie de respeito, uma quase veneração.

Mas agora, os selvagens descobriram-nas. Enfastiados do último capricho, procurando novos e exóticos luxos, viraram-se agora para a compra de oliveiras milenares. Vendidas por dezenas de milhares de euros, elas vão partindo. Há uma profunda tristeza em tudo isto. E sordidez no tom de orgulho com que se noticia esta emigração vegetal.

“As nossas oliveiras milenares têm muita procura e vendem-se a abastados compradores dos países Árabes e da Alemanha” dizia, mais palavra menos palavra, uma notícia ouvida há pouco. Não quero julgar os que, quantas vezes em desespero de causa, as vendem, já que não encontram ajuda nem outro caminho. Mas não consigo evitar esta sensação de que alguém, em nosso nome, está a vender-nos a alma ao diabo.