A Senhora Árvore

arvores_inglaterraTenho a religião desta árvore.

Árvores dendrites

 

Árvores dendrites

A árvore dendrite encosta ao céu as mãos
enquanto come luz
e fala distraidamente com os pássaros.

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Eu e as árvores

arvores

[António Manuel Ribeiro]

Hoje um vizinho decidiu terminar com a vida florescente de um pinheiro com uns bons 15 metros de altura. Quando cheguei vi o estandarte, a moto-serra começou a debitar ruído desesperado e os ramos começaram a cair, seguros por cordas que um operário, empoleirado no alto do tronco, faz descer para a relva. É uma decisão.
Comecei a estudar ecologia pelas páginas do vespertino A Capital, anos ’70, onde um senhor jornalista, de nome Afonso Cautela, nos avisava do mal que andávamos a fazer ao planeta e por junto ao bem-estar humano – esse bem-estar não coincide de todo com a política de terra queimada de alguns: matar tudo, cortar tudo.
Mas obrigaria, se houvesse inteligência para tanto, a extirpar a ganância e a arrogância, factores da queda humana continuada. A bem de alguns PIBs, claro, que enchem de regozijo qualquer ministro das Finanças – isolado na sua cátedra, deixa passar o que não lhe diz respeito. É um especialista, logo sabe cada vez mais sobre cada vez menos, para mal colectivo. A propaganda faz o resto.
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Isaltino mãos-de-tesoura

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Fotografia: Manuel de Almeida/Lusa@Visão

Isaltino Morais voltou a fazer das suas. Não, não voltou a ser acusado de branqueamento de capitais, fraude fiscal ou abuso de poder. Nada disso. Desta vez decidiu podar as árvores em Oeiras, contrariando o parecer dos técnicos da autarquia, o que já lhe valeu o epíteto de Isaltino mãos-de-tesoura. Muito melhor do que Isaltino mãos-de-branqueamento.

A árvore, esse objecto que suja e atenta contra o betão…

João Paulo Forte *

A ecologia é uma palavra vã na cabeça de muitas pessoas, talvez pela preocupante iliteracia ambiental. À medida que o Ser Humano traça um caminho divergente face ao mundo natural, numa espécie de ambiente asséptico, este começa a perder algo de fundamental. O discernimento acerca da importância das interacções entre os seres vivos e o meio físico tem-se perdido a uma velocidade vertiginosa, talvez causado por um capitalismo feroz, onde o dinheiro e a posse são quem mais ordena. E isto tudo numa sociedade dita informada, onde há um evidente excesso de informação em termos quantitativos, mas um défice crónico em termos qualitativos. É a ironia das ironias, conseguimos fazer evoluir várias tecnologias e, ao mesmo tempo, enquanto sociedade, perdemos capacidades fundamentais para uma vivência sã e devidamente sustentada. Cada vez são menos o que efectivamente entendem que a afectação de um elemento afecta a dinâmica do todo, do geossistema. [Read more…]

As árvores ou a vida

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Há qualquer coisa de belo e essencial numa velha oliveira. Quem está atento sabe que, pelo nosso país, as há com mais de dois milénios. Sempre vivas, sempre oferecendo os seus frutos aos humanos que transitoriamente junto a elas habitam.

Elas mergulham as raízes nas lonjuras da história. Estiveram na ascensão e queda do Império Romano, eram já antigas quando Cristo terá andado pela terra, são como uma linha de continuidade em que se enleia a nossa identidade como povo, geração após geração. Por isso inspiram a tantos de nós uma espécie de respeito, uma quase veneração.

Mas agora, os selvagens descobriram-nas. Enfastiados do último capricho, procurando novos e exóticos luxos, viraram-se agora para a compra de oliveiras milenares. Vendidas por dezenas de milhares de euros, elas vão partindo. Há uma profunda tristeza em tudo isto. E sordidez no tom de orgulho com que se noticia esta emigração vegetal.

“As nossas oliveiras milenares têm muita procura e vendem-se a abastados compradores dos países Árabes e da Alemanha” dizia, mais palavra menos palavra, uma notícia ouvida há pouco. Não quero julgar os que, quantas vezes em desespero de causa, as vendem, já que não encontram ajuda nem outro caminho. Mas não consigo evitar esta sensação de que alguém, em nosso nome, está a vender-nos a alma ao diabo.

À Minha Pyrus Centenária

Pereira

Fez-se aqui um debate frondoso e sumarento. Belo. Que inveja da saudável ternura e paixão nele colocados! E logo eu que venero todas as minhas árvores e as desejo, verde-luz dos meus olhos.

Mais uma Primavera, e a Pereira centenária do meu quintal oferece-nos uma impressionista floração rósea de neve. Pensar que a minha avó a viu assim, ano após ano, década após década. Saber que nem sequer o meu bisavô a plantara. Já estaria ali. Disse cá em casa e redigo que tê-la, vê-la, a cada ano, neste desabrochar amplo e promissor, é um sinal do Amor de Deus, generosidade do Cosmos, sorriso tenaz da Vida, transe e trânsito para o Mistério de onde provimos. E eu tenho uma relação íntima de quarenta anos e pico com esta árvore. [Read more…]

Uma boa notícia para as árvores

O lançamento pela Amazon de um Kindle (leitor de e-books, ou livros digitais, não confundir com tablets) é um salto na progressiva substituição do livro em papel pelo livro digital. Adeus Gutenberg, o suporte de leitura mudou, numa revolução só comparável à da impressão em papel substituindo a cópia manual em pergaminho.

Isto é possível (pese que o baratucho só está disponível nos States e inclui publicidade no screensaver) porque a Amazon vende livros, e quem adquirir este produto estará agarrado a comprá-los à Amazon. Quem quiser fornecer-se onde lhe apetece continuará a pagar mais, mas o preço vai rebentar com o mercado. E com os velhos livros em papel também.

Uma boa notícia para as árvores dos países produtores de papel. Se pensarmos no custo de produção de um livro digital, uma boa notícia para a leitura também.

Na mesma data o mundo dos tablets também mudou, mas sobre isso recomendo que leiam este artigo do José Freitas.

O ódio às árvores

Jardim Salgueiro Maia, Massamá

Li há dias e acabo de confirmar:

«Desde o início do verão que a Câmara de Oeiras tem desenvolvido um plano de intervenção que prevê o abate de 90 por cento de árvores na freguesia de Santo Amaro de Oeiras, uma decisão que tem sido alvo de protestos.» na Rádio Ocidente

A Câmara de Oeiras justifica a acção como decorrente de várias reclamações devido às árvores terem “elevado risco de rutura” mas que estão previstas “novas plantações e melhores acessibilidades (zonas de passeio e estacionamento)”. Sem conhecer o caso mas atendendo ao habitual modus operandi aqui deixo a minha aposta de as reclamações terem vindo da parte da tesouraria da câmara, que novos estacionamentos pagos e árvores era coisa incompatível. Os protestos decorrem mas têm os políticos em Portugal este velho hábito de os ignorarem e, mesmo assim, conseguirem fazer-se eleger na mesma. Até com processos em tribunal e condenações à vista, já agora.

O ódio às árvores, particularmente entre o poder local, é algo de longa data. [Read more…]

O Verão em Barcelinhos

…é como noutros sítios do Minho, é verde, tem sol, chove…

 

A árvore mais velha de Portugal

árvore mais antiga de PortugalAté hoje, eu fazia parte dos que pensavam que a oliveira mais velha de Portugal se situava em Pedras d’el Rei, perto de Tavira, árvore dentro da qual estive – literalmente – algumas vezes.

Hoje fiquei a saber que existe pelo menos uma árvore – outra oliveira – ainda mais velha, em Santa Maria da Azóia. Os números impressionam: 10,15 metros de perímetro na sua base, 7,60 por 8,40 metros de diâmetro de copa e 2850 anos de idade, 640 aniversários mais do que a de Tavira.

Tamanha longevidade não me espanta. Espanta-me, isso sim, que tenham resistido a tanto pato-bravo e tanto construtor civil nos últimos 50 anos. É fantástico.

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Os Jacarandás floriram

António Barreto ” observador – mor dos jacarandás” já hoje assinala no Público que a avenida D. Carlos l, em Lisboa, exulta de cor, “tal como outros seus santuários, Largo de Santos, em Belém e no Parque Eduardo Vll”.

“…ainda por cima, em tempos de mentira, reviravolta e ocultação, é bom perceber que há coisas eternas, cuja repetição sazonal nos dá a garantia de que a vida nos oferece permanência e lealdade”!

Vinda do Brasil, esta bonita árvore que pode alcançar grande envergadura, enche-se de côr roxa, e hoje é frequente encontrá-la em muitos pontos da cidade.
As suas flores são duráveis, perfumadas e grandes, de coloração azul ou arroxeada, em forma de trompete e arranjadas em inflorescências do tipo panícula. A floração se estende por toda a primavera e início do verão (de agosto a novembro).

Estão a desaparecer no seu habitat natural, Bolívia e Uruguai, mas felizmente que em Lisboa não faltam exemplares centenários e que são objecto de admiração e carinho!

As árvores, o verde e Tom Jobim

(Penedo, Estado do Rio de Janeiro, Brasil)

Pra sempre verde

Tempos de flores,de primavera
Tempos de amores, de abrir a janela
Tempos de luz,de sabiá
Deixa o mato verde se espalhar
Nosso planeta precisa carinho
De muito ar puro e riacho clarinho
Vamos tentar nossa Terra viver
Deixa o mato verde florescer…

Mas tudo que ficou foi um deserto…
(um deserto)
Venenos nas lagoas e no mar …
(e no mar)
A vida acabada para sempre…
(para sempre)
Um dia vamos ter que perguntar …
(onde está)

Cadê o azul do céu
E o verde do mar…
E o paraíso onde está,onde está
A maravilha de um lugar…

E a floresta a serra,o mar
Onça pintada e Jequetibá
Vamos tentar,nossa Terra salvar
Passarinho gosta de voar,e cantar pra sempre deixa o mato verde se  espalhar…

Cadê o azul do céu
E o verde do mar…
E o paraíso onde está,onde está
A maravilha de um lugar
(maravilha de…)
A maravilha … de um lugar.

(Tom Jobim)

Blogue local – Praça da República

O Praça da República está muito enxofrado com o mail que recebeu lá em casa, estilo inquérito e que termina a pedir o voto para Rangel. Diz o Praça da República que até pode ser legal mas é muito, muito feio!

O nosso Fernando tambem acha que sim, que não se faz. Como temos esta sintonia de posições aqui está o blogue local da semana. Bem merecido!

Falta dizer que é de Beja e que tem uma bela fotografia de uma praça tipicamente Alentejana, cheia de sol, de árvores e de reformados ao Sol! Não deixem de visitar !

Orçamento, frio, greves e companhia

O Governo, a ser esmiuçado em todas as suas contas de défice, despesa, investimento e impostos, cuja redução do défice Bagão Felix considera “frouxo” (considera isso e outras coisas mais…), assume uma faceta cada vez mais ecológica, usando até o Orçamento do Estado em prol do ambiente. Uma das medidas para combater o aquecimento global passará por congelar os salários na função pública. Duvido é que tal não vá aquecer os ânimos… Valerá a vaga de frio com ventos e temperaturas negativas, mas por quanto tempo?…É que as negociações com os sindicatos arrancam a 9 de Fevereiro. E o que irão fazer os gestores de órgãos executivos, que vão passar a ver os seus parcos bónus afectados?
Por falar em ambiente, em Portalegre o vento derrubou árvores. Esta natureza tem muito mau feitio.
A Aple está decidida a fazer concorrência ao nosso Magalhães, lançando hoje um novo computador táctil. Mais uma razão para Sócrates puxar as orelhas a Teixeira dos Santos que não usar um Magalhães na apresentação do Orçamento.
Entretanto Sócrates já percebeu que não é só o PS quer quer estar no Governo. O PSD também quer que o PS governe, como terá sido o caso da Lei das Finanças Regionais por causa da Madeira. A isto chama-se fritar em lume brando.
Na greve dos enfermeiros que durará até Sexta começou o festival dos números de adesão. Como em todas as greves sectoriais, lá vamos assistir a mais um marralhar de números entre sindicatos e Ministério.

Andam a vender os meus jarros

A maioria das árvores que embelezam a minha rua, não estariam grandes e viçosas se não fosse o meu trabalho, incompreendido, diga-se de passagem, noite dentro em pleno verão, a chegar-lhe água.

 

Entre a minha casa e a garagem do prédio há um pequeno jardim, que cresceu graças à minha força de trabalho e a algumas situações rídiculas, porque as pessoas nunca acreditam que alguem faça alguma coisa por altruísmo,  ou porque pura e simplemente gostam de jardinar.

 

Não senhor, passei a ser o encarregado da câmara que trata dos jardins e vá de mandar bitaites, o senhor não quer varrer ali aquelas folhas, está tão feiínho, ou aquela árvore  precisa de poda e eu a ver se não me desmancho, assim talvez tenham alguma consideração pelo encarregado e não estraguem.

 

Bem, um dia (há sempre um dia) cheguei à rua e tinham-me roubado os jarros lindos que cresciam numa mancha de branco, que davam nas vistas, mas isto é como um pai que tem uma filha linda, sabe que um dia lha vão roubar, é a lei da vida e ainda bem que é assim, não se pode esconder.

 

Pior que estragado, torno a colocar a tabuleta " este jardim é seu, proteja-o" e vou até à Guerra Junqueira ver as "teens" enquanto almoço, e ler uma horinha ali debaixo do frondoso arvoredo quando, entre o barulho de conversas, ouço um tipo a gritar " um molho de jarros, um euro" e, aparece-me o facínora com os meus jarros a querer vender-me os meus jarros!

 

Não perdi a cabeça porque o preço, enfim, fazia juz à beleza dos jarros e além disso, não me ofereceu desconto…