O mérito.

Nesta conversa sobre os ordenados dos políticos, secretários e boys, há algo que eu não compreendo: porque é que sempre que se fala de um tecto para os salários no Estado, alguém vem com o exemplo do Presidente da República? porque é que se devem tabelar todos os ordenados pelo de um homem que apenas existe por existir, que não salva vidas como os médicos, que não apaga fogos como os bombeiros ou que não ajuda a manter a segurança como os polícias? Que se atribua à figura um salário digno – digno do seu papel “simbólico”, tudo bem. Mas que se venha endeusar a criatura como o cargo principal e supra-sumo da nação, isso parece-me exagerado.
Eu concordo que se pague bem a quem é competente, mas competentes pelo seu mérito. E quando digo isso não me refiro a carreiristas políticos, como o senhor professor Cavaco Silva. A ética não passa, neste caso, por criar uma hierarquia de ordenados, ou pela apresentação das nomeações e dos seus salários como se fosse uma coisa comum. Passa por terminar com o clientelismo partidário, pela contratação justa de indivíduos cujo curriculum o justifique. E só isso.

Oferece-se ordenado

Motorista TIR precisa-se. Oferece-se ordenado, regalias compatíveis, empresa bem conceituadaO que nos tempos que correm me parece um luxo. Não é com estas extravagâncias que se combate a crise. Este tipo de comportamento leva os empresários à falência, o que no caso de uma empresa bem conceituada é uma pena. Ainda por cima também oferecem regalias, ou seja privilégios, mesmo que compatíveis. Está mal. Não podiam oferecer só o trabalho?