O mérito.

Nesta conversa sobre os ordenados dos políticos, secretários e boys, há algo que eu não compreendo: porque é que sempre que se fala de um tecto para os salários no Estado, alguém vem com o exemplo do Presidente da República? porque é que se devem tabelar todos os ordenados pelo de um homem que apenas existe por existir, que não salva vidas como os médicos, que não apaga fogos como os bombeiros ou que não ajuda a manter a segurança como os polícias? Que se atribua à figura um salário digno – digno do seu papel “simbólico”, tudo bem. Mas que se venha endeusar a criatura como o cargo principal e supra-sumo da nação, isso parece-me exagerado.
Eu concordo que se pague bem a quem é competente, mas competentes pelo seu mérito. E quando digo isso não me refiro a carreiristas políticos, como o senhor professor Cavaco Silva. A ética não passa, neste caso, por criar uma hierarquia de ordenados, ou pela apresentação das nomeações e dos seus salários como se fosse uma coisa comum. Passa por terminar com o clientelismo partidário, pela contratação justa de indivíduos cujo curriculum o justifique. E só isso.

Comments

  1. nunoanjospereira says:

    Olá homónimo. Tens umas piadas giras, tens, tens! Já dizia não sei quem. Assim sendo haveria por aí muito policia a ganhar mais do que muito militar graduado.


  2. Sim! Porque é que sempre que alguém ganha muito acima do que é supostamente devido às funções que ocupa, quando se trata de funções do estado, traz-se a colação o vencimento do Presidente da República? Será pelo que ele faz merece o que ganha? Como figura simbólica deve receber um vencimento de acordo com o que produz, ou seja simbólico, talvez o ordenado mínimo e as regalias que tem por inerência a função que desempenha. Assim sendo o seu ordenado não deve servir de bitola para ninguém.

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