Flat tax, baixos salários e outras falácias

Sempre que vem a baila alguma discussão sobre flat tax, aqui d’el rey que perigosos Liberais ou neoliberais, estão a cumprir a agenda escondida de defender capitalistas, investidores financeiros ou cidadãos ricos.
Neste post, ver quadro acima, irel apenas abordar salários brutos inferiores
a mil Euros, normalmente aplicáveis a empregados por conta de outrem, com baixas qualificações, os tais
que os bonzinhos de Esquerda defendem e que os malditos Liberais como eu, querem
prejudicar com alteracões à política fiscal. nomeadamente a tal flat tax, para que fiquem a pagar mais… [Read more…]

Zaidu: Desculpa!

Caro Zaidu,

Eu sei que tu não me conheces de lado nenhum. Eu apenas te conheço de te ver a jogar com a camisola do meu clube, o FC Porto. E, enquanto tal, fartei-me de te criticar. Muito. Fosse no blogue Aventar, nas “Conversas Vadias” ou no meu facebook. Sem dó nem piedade. É verdade, Zaidu, não fui meigo.

Tu pertences a uma vasta linhagem de jogadores que só Deus saberá o porquê, foram (são) escolhidos pelo meu clube sem que ninguém perceba: Manafá ou Carraça, por exemplo. No teu caso foi do Mirandela para os Açores e daí para o Porto em menos de um piscar de olhos. Para substituir uma lenda: Alex Telles. É verdade que corrias que nem uma gazela. Mas os centros…os passes….as marcações….a forma como parecia que a bola te queimava nos pés….nada jogava a teu favor. E eu fui um dos que não perdoei. Depois veio um tal de Wendell cheio de pergaminhos e eu pensei que a coisa estava resolvida. Não estava. Bem pelo contrário. De repente, dei por mim a gritar: foda-se, mete o Zaidu. A partir daí, a minha opinião ficou mais moderada. Mas negativa.

Até ontem, Zaidu. Ontem tu foste o herói improvável. É verdade que andavas a prometer, nos últimos jogos, fazer o gosto ao pé. Mas contra o Benfica, no terreno do eterno rival, com um golo que decidiu o 30º título? Ao minuto 94? Com o estádio de pé a gritar “coiso, coiso, coiso”? Nem nos melhores sonhos molhados!

O teu golo não foi um estalo, foi uma lostra. Uma gigantesca lostra na cara de muitos que, como eu, te consideravam o patinho feio da nossa equipa. Ontem, Zaidu, ganhaste o teu lugar na história do FC Porto, o teu lugar no nosso museu, o nosso eterno respeito e consideração. E no meio da festa, aos microfones do Porto Canal, do fundo do teu coração, com toda a raiva contida até ontem soltaste um grito que calou fundo na nossa alma: TRABALHO! Muito trabalho. E é por isso que, meu caro Zaidu, estou hoje que nem Egas Moniz, com a corda ao pescoço e aqui, publicamente, a pedir-te DESCULPA!

 

3 lições que aprendi no mundo do trabalho

Devemos praticar a consciência sobre o que nos acontece. Pensar nas situações que vivemos e retirar delas lições, ensinamentos, pequenos insights que podemos usar no futuro a nosso proveito.

Tenho pensado muito no aglomerado das minhas experiências profissionais, sobretudo aquelas que envolveram trabalhar para outras pessoas. E penso que aprendi várias coisas, retirando várias lições, de situações que me aconteceram transversalmente. Ou seja, que acabaram por ser familiares com todas as experiências profissionais que tive.

Eis o que aprendi em 8 anos de trabalho para outros.

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A chapada e a queda das máscaras

Após dias de autêntica vergonha nacional, em que o respeito pelo votos dos emigrantes andou a ser arrastado pela lama, valeu o Tribunal Constitucional ter tido a coragem de obrigar a classe política a fazer algo que deveria ser básico, mas, infelizmente, não é: cumprir a lei.

Foi uma bela e firme chapada que o Tribunal Constitucional deu, de forma a arrancar as máscaras que escondiam os rostos hipócritas dos partidos políticos que há anos andam a brincar com os votos dos emigrantes. Como se os partidos políticos tivessem qualquer tipo de legitimidade para violar a lei aplicável, só porque estão de acordo em fazê-lo.

Os mesmos partidos que durante anos não mexeram uma palha para estabelecer um regime de votação justo, ágil e consentâneo com a realidade social e tecnológica dos dias de hoje.

Mas, porquê esta desconsideração pelos emigrantes?

É que, num país que tanto tempo e dinheiro gasta a celebrar a famosa “diáspora”, a emigração é, na verdade, uma pedra no sapato dos partidos políticos. Pois é a prova cruel e peremptória da incompetência da classe política em concretizar o país justo, coeso, solidário e próspero, que a Constituição da República consagra.

Ao fim de mais de 40 anos de democracia, continua-se a emigrar para buscar fora o que aqui não há: melhores salários, melhores carreiras, respeito e estímulo à progressão e à valorização, etc. Ou seja: continua-se a emigrar para encontrar o respeito que por cá não mora. Respeito por quem investe nos estudos, na inovação, no conhecimento, no apuramento de aptidões. Respeito pelo valor do trabalho.

E esta é a melhor prova de que os partidos políticos intervenientes em todo este processo – os mesmos que não legislam quando e como devem, antes se põem de acordo em não cumprir a lei de acordo com as conveniências -, são incompetentes e hipócritas.

Sindicalizei-me

Mais lágrima de crocodilo, menos lágrima de crocodilo, o choradinho é quase sempre o mesmo e já lá vão quase dois séculos de choradeira. E a cada luta, a cada conquista, a ladainha do apocalipse economico-empresarial nunca se consuma. Nunca. E é também por isso que os trabalhadores nunca podem baixar a guarda. Porque no dia que o fizerem, no dia em que se desmobilizarem e permitirem que o movimento sindical comece a desvanecer, a choradeira levará a melhor. Vai daí, decidi fazer a minha parte e sindicalizar-me. Uma decisão que peca por tardia, muito tardia, mas que vem sempre a tempo. Nunca é tarde para lutar por direitos laborais e dignidade no trabalho.

Efeitos secundários do Estado de Emergência

Quando o normal funcionamento do mercado de trabalho é travado por decreto, os trabalhadores são os principais lesados. Sob o pretexto de combater a pandemia, muitos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos foram restringidos ou até eliminados.
Presidente da República e Governo, usaram e abusaram do Estado de Emergência, adiando vidas, anulando projectos, destruindo sonhos, prejudicando a vida de muitas pessoas. Como sempre acontece, os mais qualificados, são os primeiros a porem-se ao fresco, longe do Estado, antes que os políticos voltem à carga com mais Leis…

Isto é sobre a TAP, mas podia ser sobre outra coisa qualquer

Uma vez na Grécia, um estudante a quem eu disse – depois de saber que não se pagam propinas naquele país – que era privilegiado, respondeu-me o óbvio (que na verdade eu sabia, porque óbvio desde sempre para mim, mas usei mal a palavra) – «não é um privilégio, é um direito».

Mais nada! É só isto. Aplicado a tanta coisa, não apenas à educação. Ao trabalho e aos direitos dos trabalhadores. Aos serviços e aos direitos dos consumidores. À saúde e aos direitos de todos nós a ela. E por aí fora. [Read more…]

A ler

O recuo dos rendimentos do trabalho, por Alexandre Abreu.

Sobre padarias e não só…

Não faltou indignação perante as declarações menos conseguidas por parte do responsável da Padaria Portuguesa, entrevistado pela SIC-N. Até poderia começar por perguntar aos indignados quantos empregos já criaram, mas nem vou por aí, prefiro antes dizer que declarações medíocres, porque incapazes de explicar o que se pretendia, geraram reacções também elas medíocres. Estão bem uns para os outros…
Mais interessante foi ver invocada a velha luta de classes para vociferarem contra o capitalismo, misturando conceitos como liberalismo e capitalismo no mesmo saco, muitos sem a mínima noção do que dizem. Traduzindo a coisa às mentes menos esclarecidas eu diria que pode existir bom e mau capitalismo. O desejável é que exista sempre uma concorrência livre e saudável, porque muitos capitalistas instalados não querem concorrência, preferem a estagnação, o status quo, que lhes permita manter ganhos e privilégios sem grande esforço. No mesmo barco costumam estar os seus trabalhadores, principalmente os que se sentirem confortavelmente instalados, levando uma vidinha sem grandes sobressaltos, sem nunca correr o risco de desemprego que seria inevitável caso a empresa se torne obsoleta e encerre. [Read more…]

Do Egipto a Lutero, numa conversa sobre a Escola a Tempo Inteiro

O mais novo vai ter teste a história e o Egipto é um dos temas em avaliação. Na dimensão religiosa da temática ele percebeu a importância do estudo “destas coisas porque elas explicam as nossas religiões”. Lá foi caminhando a conversa e o mais velho, “especializado” em Lutero (no ano passado) foi dizendo que a “aposta dos Protestantes na Educação foi importante porque as pessoas tinham que ter acesso livre à palavra de Deus.”

Chega à conversa a aula de Geografia onde a Europa foi apresentada às fatias, a do sul, a do norte. Sugeri a ligação entre as dificuldades do sul, hoje conhecidas, e a dimensão histórica que tínhamos conversado. E a conversa continuou pelo jantar dentro.

E, lembrei-me de partilhar consigo, caro ou cara leitor(a), esta pequena prosa a propósito da notícia de hoje do público :”Empresas obrigadas a dar horário flexível a mães e pais.”

Já o escrevi e mantenho – sou completamente a favor de Educação a tempo inteiro, como resposta à não Educação. Houve um tempo – talvez o meu, em que a rua fazia parte da minha educação. A responsabilidade era partilhada por todos os putos, ali no Meiral, nas ruas de Rio Tinto. Cada um de Nós, além da responsabilidade individual era igualmente responsável por “tomar conta” de todos os outros. E, todos, mais novos e mais velhos, rapazes e raparigas, aprendiam com todos. Claro que havia sempre por perto, muitas mães, que à janela gritavam quando os horários das refeições apertavam. Havia toda uma rua para educar cada uma das crianças. [Read more…]

Sobre greve, apenas isto…

Não sou dos que defendem o fim do direito à greve. Bem pelo contrário, considero a greve uma legítima forma de luta. Que apenas deveria ser utilizada em último recurso, perante situações excepcionais. Não é exactamente o que acontece em Portugal, onde a greve se tornou uma banalização, utilizada vezes sem conta, principalmente pela CGTP e sindicatos seus filiados para usar a rua muitas vezes para motivos políticos, em vez de procurar resolver problemas laborais. É pena que o faça, perdem credibilidade, sendo essa a razão para perderem sistematicamente o apoio do cidadão comum, também ele trabalhador e frequentemente o mais afectado com a greve. Nos transportes públicos deficitários é por demais evidente que não são as empresas as principais lesadas, mas os utentes. Mas para os sindicatos isso pouco importa, querem é gente na rua, promovendo a sua manifestação ou concentração que depois receberá o tempo de antena no jornal televisivo em horário nobre. [Read more…]

Uma surreal entrevista de emprego:

acontece tanto que parece ser normal.

A Voz Laboral

Via Partido Obrigado Troika.

Conjugação

Eu trabalho / Tu trabalhas/ Ele trabalha/ Nós trabalhamos / Vós trabalhais/ Eles lucram.

A verdadeira Troika da direita

O grupo de boys incompetentes que nos tem roubado nos últimos anos procura vender a ideia que a salvação está mesmo a chegar e que, ali ao virar da esquina, está a luz.Só não dizem que a luz ao fundo do túnel é ainda a luz da frente do comboio que nos vai trucidar

Podiam ser sinceros e apresentar a verdade toda. Confesso que, pessoalmente, teria o mesmo comportamento, mas pelo menos tinha a certeza que lutava contra alguém que tinha apenas ideias diferentes das minhas. Mas, não. Esta gente não se dá a esse respeito.

As verdadeiras intenções deles podem ser arrumadinhas em três pacotes: [Read more…]

Da garrafa para o brinquedo

Verdadeiramente brutal porque nos confronta com as nossas práticas que são solidárias com esta violência!

Dúvida

Se num ano diminuem os empregos e aumenta o número de  fortunas superiores a 22 milhões de euros, podemos concluir que a acumulação de riqueza é inversamente proporcional ao trabalho?

Aumento do horário de trabalho dos professores

E quem se lixa são os putos

Desculpem lá o simplismo da afirmação, mas isto não está para falinhas mansas.

Ao que parece os idiotas de serviço resolveram trocar uma hora diária de AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular) por mais uma hora de apoio ao Estudo.

Na prática e sem qualquer tipo de eufemismo o que o MEC quer é simples: despede os professores precários que hoje estão nas AEC e no seu lugar coloca os dos quadros. Como?

A cada um dos professores do 1ºciclo (antiga primária) acrescenta uma hora de trabalho por dia (isto é 5/semana, ou seja, aumenta o horário de trabalho de 35h para 40h) e arranja as horas necessárias para o Apoio ao Estudo.

A outra hora ficará a cargo dos professores dos quadros que ficando com horário zero saltam para esta amostra de serviço.

E assim se poupam uns milhões, dizem que 75.

Perguntará a esta hora, algum leitor mais atento, mas então qual é o problema: [Read more…]

Saindo do armário

Este quer que se comprem horas ao patrão. E que tal pagar para ter trabalho?

Os professores explicados aos não professores (II)

Escrevi há dias sobre o facto de Nuno Crato estar a despedir professores à custa de menos escola – é verdade que a Escola Pública tem hoje menos, muito menos, Professores, mas isso foi conseguido, fundamentalmente, à custa de menos horas com os alunos.

Por outro lado, Nuno Crato não conseguiu mexer na pérola que Maria de Lurdes Rodrigues deixou na escola pública – a burocracia.

O comentador falou em acabar com o MEC, deixar para os professores a tarefa de “ensinar”, seja lá o que isso for, mas a verdade é que tudo continua na mesma, para não dizer pior.

E, na Escola, a Burocracia manifesta-se de muitas formas, mas tem como principal argumento a necessidade da cadeia de comando se defender do chefe, isto é, quem está abaixo justifica-se ao de cima e de papel em papel fica para trás o mais importante – educar. [Read more…]

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Encontrei o Paulo esta semana à porta da festa de Natal da minha filha. Já não o via há mais de um ano desde quando Dias Ferreira apresentou a candidatura a presidente do Sporting em Coimbra e ele me assistiu nas coordenadas cénicas do evento.
Convivi com ele sempre por assuntos de espétaculo. Desde os tempos da Associação Académica, nos anos 90; ele, no Centro de Estudos Fotográficos sofria com as tiranias do Albano enquanto eu, na Rádio Universidade, sofria com as democracias de todos os sócios.
O Paulo é uma espécie de trendy descuidado que alterna brilho com diletância visando um único objetivo: viver o melhor possível com o menor esforço. Confesso que quanto mais o tempo passa mais me agrada essa ideia.
Foi a propósito deste rendez vouz natalício, à porta do Teatro Gil Vicente, outrora palco de muitas noites de boémia e agora transformado em altar da responsabilidade parental que a conversa apareceu.
Como é que vais? O pá! O governo isto e aquilo! Enganam a malta. Incompetentes mentirosos, e os impostos e as dívidas e o camandro e vai daí, atiro com um cliché dos tempos da troika: vamos acabar todos a emigrar! Surpresa. O Paulo, no desengonço feliz de sempre, responde. Não é preciso! Eu emigrei cá dentro. Neste país só não trabalha quem não quer.
Eh pá explica-te lá melhor. Isto não batia certo. Adianta-se: Portugal tem uma estrutura física de internet do melhor que há no mundo e os empregos estão em toda a parte. Com a vantagem de levarmos horas de vantagem em fuso horário. [Read more…]

Pampilar não é só papel

Ontem ao jantar ouvi falar desta empresa de produção de artigos de papel para consumo doméstico (Vila Nova de Gaia): a Pampilar, nome difícil de fixar. Mas fica na memória a sua filosofia empresarial. Pensam nas pessoas, nos funcionários. É feita de gente que lhe dá as cores.

Em tempo de crise é um exemplo que chama a atenção, sem dúvida: divide os lucros anuais com os trabalhadores. Em média, a Pampilar oferece por ano até 5 mil euros aos funcionários.

“A empresa está a funcionar bem e pondera até contratar mais 20 pessoas.”

Queremos isto para todos os trabalhadores: o reconhecimento do seu trabalho; considerá-los como peças fundamentais do sucesso das empresas; um tratamento humano e justo, no fim de contas.

Disse um dos funcionários mais velhos da Pampilar: “esta é a minha segunda casa”.

Trabalhar tem que ser bom (ou suportável). Não pode ser um castigo, um inferno, «uma merda», uma prisão… Ninguém ganha com isso.

Trabalhadores satisfeitos, resultados alcançados.

Da próxima vez que fôr às compras, procuro a marca Pampilar!!

A direita portuguesa é desonesta

Eu sei que corro o risco de me dizerem que não faz muito sentido utilizar um pleonasmo no título, mas há muito que confessei as minhas múltiplas incompetências, de entre as quais, destaco, a escrita. Pensei no descer para baixo ou no subir para cima, mas acabei por juntar direita e desonestidade.

E antes de baterem, permitam que explique.

Em Portugal, segundo dados do Eurostat, a hora de trabalho, em 2011, tinha um custo de 10,30€. Ou seja, 30,1% do custo na Alemanha.

Mas, comparando a nossa produtividade com a do país de Merkel, podemos verificar que a nossa é 72,6% da alemã.

Ou seja, se os nossos salários estivessem em linha com o que recebem os alemães, de acordo com as respectivas produtividades o nosso custo de hora laboral seria de  24,9€, isto é, mais de 100% do que realmente é.

Os portugueses, caros defensores do regime, são mal pagos! Muito mal pagos!

Umas contas bem simples que mostram a verdade e que colocam uma interrogação aos aldrabões que por aí andam – vão continuar a dizer que o problema em Portugal são os elevados custos do trabalho?

E se tentassem investir numa gestão com menos boys e com mais competência não conseguiriam aumentar a produtividade?

E se o dinheiro do país fosse usado para aumentar a produtividade da nossa economia em vez de ser entregue à TROIKA?

E se em vez de tirarem dinheiro às pessoas para safarem os bancos e os juros da TROIKA, porque é que não deixam de pagar os juros e entregam o dinheiro à economia real?

Quanto vale um professor?

No dia em que será apresentado o orçamento que empobrecerá os remediados e levará os pobres à miséria, deixo aqui um texto aparentemente corporativista, sendo que as aparências nem sempre iludem, não sendo menos certo que são insuficientes.

Os aprendizes de economista que parasitam o governo do país têm o hábito de confundir os rendimentos que os professores auferem com despesa, enchendo a boca com a necessidade de reduzir custos. Os referidos aprendizes olham para o professor e perguntam “Quanto custa?” Depois, pressionados pela necessidade de reduzir um défice e incapazes de o fazer pelo lado das PPPs ou da nacionalização dos prejuízos bancários, pegam no salário do professor e cortam, porque é despesa.

Mesmo em tempos de crise, todos conseguimos reconhecer quando um produto está a preço de saldo. Sabemos isso, quando somos capazes de dizer “Isto está muito barato!” Nessa ocasião, sempre que podemos, compramos, aproveitando o facto de que o objecto da compra custa menos do que aquilo que vale. [Read more…]

MEC vai negociar vinculação dos Professores?

O Ministro da Educação falou, está falado!

Apesar de ninguém lhe ter perguntado nada, o ex-comentador repetiu vezes sem conta a vontade política de vincular professores, isto é, vai “meter nos quadros” os professores que trabalham há muitos anos a contrato.

Confesso que não acredito muito (nada!) nas palavras de Nuno Crato – penso, aliás, nos milhares de docentes dos quadros que ainda estão sem horário.

Mas por economia de tempo, vamos assumir que desta vez as palavras são coerentes com a intenção e o Governo pretende mesmo “meter nos quadros” alguns professores – da última vez foram pouco mais de trezentos, mas isto poderá servir para a FNE fazer o frete do costume.

Com Nuno Crato a educação passou a viver sobre uma matriz – a do despedimento. Se o ano passado foram uns milhares, este ano não lhe fica atrás. Estão hoje em casa alguns milhares de professores com muitos anos de serviço: há dois anos estavam no sistema mais de 38 mil contratados. Este ano, nem 10 mil estão a trabalhar. [Read more…]

A seguir a independência, as lutas reivindicativas. Carrillo

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A história tem uma argumentação nos factos. O que denomino a lógica da história. Primeiro, luta-se pela independência, a seguir, a república cresce e nascem indústrias, trabalhadores que eram soldados e passam a ser heróis não da guerra, mas sim do trabalho. Reivindicam os seus direitos, não são ouvidos. Rebelam-se, ninguém se interessa. Os governos caem, aparece uma esperança que passa a ser uma frustração. Os lutadores persistem, como Santiago Carrillo, que faleceu no dia em que se comemoram 202 anos da libertação do Chile. Com 98 anos. Habituado as lutas, a vida não o perdoo. Como antes, a Dolores Ibarburri, La Passionária, Presidenta do Senado Espanhol, por honra.

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Mães africanas

É uma delícia…
Os filhos bem juntinho à mãe que trabalha. Muitas vezes eles dormem ao «som» do trabalho que ela faz e do ambiente que a ambos cerca, no sobe e desce do corpo de sua mãe.
Isto não é pensável no nosso continente. Mas se eu pudesse tê-los, senão às costas deste jeito enquanto são pequeninos, pelos menos debaixo do mesmo tecto para puder dar uma espreitadela e um beijo ao longo do dia!
 

Mais de metade dos trabalhadores jovens portugueses têm contrato a prazo

É evidente que o motivo da pouca eficiência do trabalho são as leis demasiado protectoras do trabalhador. </sarcasmo>

Utopia

Em Utopia, o humanista Thomas More critica o quadro sociopolítico do seu país, a Inglaterra do século XVI, o despotismo das monarquias europeias, o servilismo, a venalidade dos altos funcionários, o luxo e a injustiça dos nobres e monges.

Pedi emprestado a uma amiga, ela que tem livros extraordinários no seu T1, uns atrás dos outros, raridades de se encontrar, escondidas umas atrás das outras, tesouros para se descobrir com ajuda de mapa!

Abro à sorte, curiosa, «talvez encontre uma frase inspiradora», entre tantas palavras escritas num tamanho de letra tão pequenino.

Escritas no Renascimento longínquo, elas são tão utópicas, tão impossíveis. Contudo, tão desejadas:

Nesta ilha [da Utopia] divide-se o dia e a noite em 24 horas exactas e destinam-se e destinam-se ao trabalho apenas 6 horas: 3 antes do meio-dia, com intervalo (…), duas de descanso, seguindo-se mais 3 horas de trabalho e a ceia. (…) O tempo livre entre o trabalho, as refeições e o sono é ocupado livremente por cada indivíduo, como melhor o entender. (…) libertos das suas ocupações, se ocupem e empreguem a sua actividade variadamente na arte ou na ciência que mais lhe agrade.”

6 horas de trabalho (fazemos muito mais que isso), 8 para dormir e 10 para nós.

6. 8.10 – uma boa relação para o dia-a-dia. Era bom, não era?

A Utopia tem outro nome: «férias». 15 dias por ano, para quem as pode ter, podemos sonhar com a Utopia.

Em certos sentidos, ainda vivemos na Idade Média…

P.S.: esse tempo de utopia será também a reforma? Ainda me falta tanto… Era agora que me queria cumprir! Tanto que quero fazer e não fazer e não há tempo.

Voluntários à força

RSI: quem recebe obrigado a trabalhar