Vamos então fingir tudo não passa de histeria

Façamos de conta que a história à volta de Paula Brito Costa, essa que acrescentou o “e”  ao nome, talvez para dar um toque de raridade, não é de nepotismo, vaidade e ambição desmedida. Ignoremos o salário chorudo, acrescido em 50% para ajudas de custo, o carro de gama alta e o pagamento de despesas pessoais, para optarmos pela explicação de tudo não passar de mais uma onda  do Facebook, apenas uma questão de curvas de indignação. E depois ouçamos Bruno Nogueira dizer umas quantas verdades na brincadeira.

Findo o ciclo das grandes obras públicas e das privatizações desenfreadas, confirma-se que os sectores da segurança social, saúde e educação são as presentes fontes para ida ao pote.

Uma Cabala muito bem feita

Uma das pessoas envolvidas na corrente polémica sobre a Raríssimas terá vindo a público em protesto e auto-defesa, afirmando que toda essa controvérsia era “uma Cabala muito bem feita”. Entre as expressões que as pessoas – principalmente os políticos – acusadas publicamente de vigarice têm sempre à mão, contam-se algumas de fino recorte literário, metafórico e etimológico, como “campanha negra”, “conspiração”, “calúnias”, “interesses ocultos”, “vêm aí eleições” e a famosa “Cabala” que aqui nos traz entretidos por instantes.

Ora, a verdade é que a Cabala, que é um sistema de conhecimento (gnose) esotérico e de transmissão oral chegado até nós por via hebraica, nada tem que ver com as raríssimas tendências da direcção de uma IPSS povoada de gente famosa – principalmente políticos – com especial atracção por marisco, viaturas de alta cilindrada e a praia de Copacabana.

A Cabala, a verdadeira Cabala, chegou ao povo judeu por influência e transmissão dos Caldeus, através do profeta Daniel e do escriba e sábio Esdras. Aos israelitas anteriores ao desaparecimento das dez tribos ditas “não-judaicas” – todas com a excepção de Judá, Benjamim e Levi -, a Cabala chegou através dos egípcios, pelas mãos de Moisés.

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