Educação espartana – o apartheid

corredor_separador_generos_liceu_camoes

«O Ministério da Educação decidiu “abanar” uma instituição de grande gabarito e tradição no panorama do ensino nacional, introduzindo turmas femininas num liceu há décadas vocacionado para o ensino de rapazes, exclusivamente. Eu fiz parte do primeiro contingente de raparigas a estudar no Liceu de Camões. (…) Vivíamos com regras peculiares, como, por exemplo, estarmos confinadas ao pátio norte, não podermos ter qualquer tipo de contacto com os colegas rapazes, sob pena de processo disciplinar (o que era recíproco para os rapazes, que tentavam sempre espreitar e ver as meninas…), termos maioritariamente professoras, e estarmos sob a tutela de uma vice-reitora (…). A disciplina era implacável, tendo nós a sensação de que o reitor buscava o mínimo pretexto para nos colocar dali para fora.» (Ana Paula Russo)

Em 1971 chegavam ao Liceu Camões, de uma assentada, mais de cinco centenas de raparigas. [Read more…]