Importam-se de explicar?

Anda TGV, não anda TGV. Vai a 350 Km/hora ou a uma “velocidade razoável”? Vem ou vai com passageiros ou mercadorias, é ou não é o tal comboio dos negócios de Sócrates, sim, esses mesmo que cheiram a comissões depositadas um pouco por todo o lado?

Gostava que alguém me explicasse o que se passa. É manigância? É aldrabice? É o confirmar daquilo que se sabe mas utilizando outras palavras? Pelo que hoje se diz, mais umas centenas de Km da “via férrea tradicional” serão liquidados. Seria bom imaginarmos a cara dos Fontistas, vendo mais uma das suas obras ser transformada em ferro velho, quiçá mais um pasto para certos sucateiros que se foram transformando paulatina, mas irreversivelmente, numa espécie de tutores do regime.

Já não bastava o papaguear de uma “história” de cem anos que afinal não passa de estória, talvez comparável às Aventuras da Anita. Já não bastava a ferrenha mastroncização das Avenidas Novas que um dia Ressano Garcia felizmente concebeu, hoje vítima de Zés que não fazem falta nem ao Menino Jesus, Salgados duplos – BES+CML – e Costas, apelido que em Lisboa parece sinistra sina. Não, não basta. O legado daquilo que de melhor a Monarquia Constitucional – a única e verdadeira precursora da actual democracia – nos deixou, será dentro de pouco tempo uma mera recordação patente em livros à venda em qualquer supermercado. Aqueles que têm estampado nas capas o sugestivo título “Lisboa Desaparecida.

É de facto Portugal que para sempre desaparecerá. Triste fim.

O TGV descarrilou

Há, em tudo isto – um troço em andamento, outro suspenso, indemnizações a pagar, teimosia até ao precipício, avanços e recuos, fugas em frente, etc. – um amadorismo, uma falta de sentido de estado, um desgoverno, um malbaratamento do dinheiro público, um desprezo pela verdade, uma insistência nas aparências – não é por acaso esta suspensão hoje, com o “líder” incontestado reconfirmado ontem e o FMI a aterrar na Portela em breve – que faz doer a alma e desejar ter nascido noutro sítio.

O TGV descarrilou a alta velocidade, como se estava mesmo a ver. E quem era o maquinista? José Sócrates, por supuesto, o homem que diz hoje o contrário do que vai dizer amanhã, sempre com 100% de certezas. Praticamente a mesma percentagem que teve no congresso do PS.