A Última Habitante*

drave

(imagem da aldeia de Drave tirada daqui)

Há alguns anos li A Chuva Amarela do espanhol Júlio Llamazares. Aí se fala de Ainielle, uma aldeia dos Pirinéus de Huesca esquecida por todos os Homens, menos por um. Ele, o último habitante, que espera a única coisa a esperar, revivendo os habitantes que partiram, assistindo ao passar das estações, sempre do mesmo modo. O último habitante de Ainielle era uma personagem de ficção e acabou por partir sem sair da sua aldeia. Mas Ainielle existe. Ainda há indicações na estrada para quem quiser seguir o caminho para lado nenhum. Um lugar que antes se agitava nas tarefas agrícolas que marcavam o passar (quase sempre lento) do tempo. Que festejava os santos e as boas colheitas. Em que nasciam pessoas e morriam. Em que se vivia. Hoje Ainielle é apenas um recorte de ruínas contra o céu demasiado azul do verão da Catalunha. No Inverno aventuram-se por ali alguns adeptos dos desportos na neve. De resto, entre a neve e a urze, no tempo adequado, é tudo solidão. [Read more…]