Pod do Dia – Apito dourado

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Pod do Dia – Apito dourado
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Confinamento Silencioso

Alheando-nos do excessivo ruído dos tontos negacionistas e de quem fez previsões catastrofistas para esta altura, sente-se um silêncio profundo neste confinamento, profundo e geral.
Já não ouvimos quem queira desconfinar ou confinar mais, ou quem queira abrir escolas ou mantê-las em regime lectivo online, quem pretenda abrir cafés, restaurantes ou postigos… Silêncio…
Silêncio de medo…, da natural prudência de quem pouco sabe?
Mas ouve-se, sim, ouve-se o silêncio acomodado de quem está confinado sem perda de rendimento, o silêncio abnegado de quem não tem alternativa senão trabalhar e deslocar-se em transportes públicos sem protecção bastante e segura e ouve-se, sim, os gritos de silêncio de quem está confinado na pobreza, no pão para os filhos, em dívidas por amortizar, em falências certas e quase certas, um silêncio de estertor.
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“Neste país é só artistas!”

 

@Imagem: Bryant Arnold

 

Oh, quantas vezes ouvimos o “artista” para nomear alguém pouco sério ou habilidoso para fugir aqui ou ali às responsabilidades. Concepções que criam uma ideia, no imaginário comum, do que é o artista verdadeiro, aquele que decide, muitas vezes contra o mundo, dedicar a vida à arte.

É ver miúdos com sonhos de música, de dança, de literatura, de teatro, enfim, de tanta arte ser-lhes dito que podem fazer isso, sim, mas como “hobbie”. Podem fazer isso, sim, mas depois de assegurarem a sua carreira dentro da “shortlist” de carreiras tidas por dignas e, claro, economicamente viáveis.

Porque, afinal, o problema será sempre o dinheiro que teima em ser resolvido. É ele que molda as nossas ideias e concepções. É ele que faz com que a arte não seja considerada trabalho mas ocupação de tempos livres. Se alguém se dirige à sua fábrica, à sua loja, ao seu escritório, vai trabalhar, por muito que passe 8h por dia com a cabeça na lua. Temos a percepção de que está a trabalhar e, afinal, a percepção é que interessa, não é?; pelo contrário, se alguém está sentado a escrever, a pintar um quadro, a esculpir uma peça, está a passar o tempo. Ou porque o ganho financeiro não é imediato (nem sequer garantido!), ou porque simplesmente “ninguém vive da arte”. [Read more…]

A mentira e o lapso

A propósito da nomeação de José Guerra para a Procuradoria da UE, ficamos a saber que ao indicar dados falsos, com vista a fundamentar a nomeação de João Guerra em detrimento de outros candidatos, pelos vistos o Governo não mentiu: cometeu lapsos.

Ainda assim, apesar dos dados falsos invocados, o Governo continua a entender que a escolha está bem feita.

É cada vez mais notório, na sociedade coeva, que uma mentira rotulada de lapso é mais um passo para que a sociedade assimile a falsidade como normal. Ou, pior, como verdade. Tal como a administração Trump tentou implementar a lógica da verdade alternativa, para transformar a mentira em factos.

Donde se conclui que, neste aspecto, não há diferença ideológica na transformação da mentira em lapso, verdade, facto ou qualquer outra coisa que vise normalizar a falsidade e torná-la impune.

Este sinistro caminho, só serve para aumentar a descrença na governação e nas instituições. Bem como para alimentar os ódios que servem de pasto para os oportunismos mais extremistas e boçais que começam a mostrar força. Que serão mentirosos, inventores de patranhas e mestres do engano e da ilusão. Mas, jamais teriam oportunidade para vencer por tais meios, se outros antes tivessem sido, pelo menos, um pouco mais sérios.

Feminismo vs Liberdade Individual

Há certezas absolutas que ninguém pode refutar quando falamos nas desigualdades entre homens e mulheres. Temos o exemplo dos salários ganhos por cada género, sendo que por cada euro ganho por um homem, uma mulher recebe 84 cêntimos. O problema coloca-se quando nos questionamos pela razão desta desigualdade factual. O movimento feminista fala de uma sociedade patriarcal, uma sociedade em que o homem tem predominância apenas pelo género. As feministas, que tanto criticam o capitalismo e aqueles que têm o lucro como algo positivo, são as primeiras a falar das diferenças salariais. Pelos vistos, o dinheiro não é assim tão irrelevante quanto isso. O movimento feminista, que não podemos confundir com as mulheres, não defende a igualdade de oportunidades para os indivíduos de ambos os géneros, mas sim uma igualdade de resultados. Se antes, as pessoas viviam numa ditadura pela ordem, agora vivem numa obsessão pela igualdade. Colocaram essa obsessão à frente da liberdade individual, não permitindo que as mulheres sigam o seu caminho, mas impondo uma luta identitária contra os homens.

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Leite, tabaco e droga: o triângulo do Inferno

Luís Cabral da Silva, especialista em transportes, lacticínios e estupefacientes, explicou, por assim dizer, que, com a baixa dos preços dos passes, as pessoas mais necessitadas poderão comprar leite, tabaco e, já agora, droga.

O pobrezinho, como se sabe, só está como está porque quer, porque o mundo está cheio de oportunidades, assim ele quisesse trabalhar. O pobrezinho, na realidade, é só um parasita que anda a ser sustentado com o dinheiro dos impostos das pessoas que trabalham. Com esse dinheiro, que não ganhou, na melhor das hipóteses, o pobrezinho irá comprar, como se sabe, um pacote de leite, um maço de tabaco e um saquinho de erva. Sabonete não precisa, porque o pobrezinho é naturalmente porco e, se cheirasse bem, já não era pobrezinho. [Read more…]

Assédio Sexual, Sedução e Crime

Confusões atrás de confusões sobre conceitos de o que é o assédio sexual, a sedução e o crime de assédio sexual poderão ter consequências graves para a liberdade sexual e para a configuração do próprio crime.
Vejamos, o crime de assédio sexual foi configurado na “Convenção de Istambul”, em 2011, também conhecida por “Convenção para a Prevenção e o Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica”. No seu Artigo 40 encontramos o que se entende por crime, dizendo que os Estados da União Europeia:
“deverão adotar as medidas legislativas ou outras que se revelem necessárias para assegurar que qualquer tipo de comportamento indesejado de natureza sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o intuito ou o efeito de violar a dignidade de uma pessoa, em particular quando cria um ambiente intimidante, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo, seja passível de sanções penais ou outras sanções legais.”
assedio sexual
Poderá parecer claro, mas a expressão “comportamento indesejado” levanta, desde logo, algumas hesitações [Read more…]

#esefosseeu ?

Se calhar, não tenho bem a certeza, porque percebo bem a dificuldade que é sairmos de nós mesmos, esta campanha da RTP – ‪#‎esefosseeu‬ -até era bem intencionada. Isso mesmo, se calhar tinha apenas a intenção de convidar as pessoas para esse exercício difícil que é colocar-se no ‘lugar do outro’ e chamar a atenção para a questão dos refugiados.

 

Ao ver este vídeo (e outros, como por exemplo o do Sérgio Godinho, o do Nuno Markl, o do Marcelo Rebelo de Sousa, mas sobretudo este da Joana Vasconcelos) percebemos quão difícil é esse exercício, quão difícil é sair da superficialidade com que atulhamos o quotidiano, quão difícil é imaginar que, de repente, temos de sair de casa e levar apenas o essencial. É um bocado deprimente pensar que o essencial da Joana (como o de muitos outros ‘entrevistados’) é absolutamente acessório e fútil. As ‘jóias’ diz a Joana, como se atravessar o mar, as fronteiras, deixar para trás uma vida inteira em nome do grande desconhecido, enfrentar processos absolutamente desumanos e injustos, numa situação de extraordinária vulnerabilidade, fosse o mesmo que ir a um jantar dançante ou a uma soirée no Palácio da Ajuda.

#esefosseeu até podia ter sido (se calhar em alguns sítios foi) uma boa campanha de sensibilização. Com estes exemplos, é só mais uma palhaçada.

Já agora #esefosseeu, eu mesma, quero dizer, levava-me a mim. O resto talvez se encontrasse depois. Não é o que se leva que importa, mas o que se encontra. E o que muitos dos refugiados encontram é a desumanidade e a humilhação. A espera interminável pelo futuro. E algumas vezes, como sabemos, o regresso ao sítio de onde fugiram.

O resto são futilidades.

Transporte de emigrantes portugueses – relato na primeira pessoa

Mini bus

Joel Martins

Introdução: Sou filho de emigrante, e eu próprio já fui emigrante várias vezes, ainda que em curtos espaço de tempo.

Esta introdução serve para atenuar as críticas que se irão seguir pelo que vou escrever.

Há dois motivos muito simples para isto acontecer (o transporte de emigrantes da França e da Suíça para Portugal em mini-bus ou carrinhas ligeiras de transporte de mercadorias adaptadas):
1. A capacidade de carga: o emigrante quando vem de férias traz a mala cheia de chocolates, rebuçados, e um salpicão comprado em Espanha. É certo que se podia comprar isto num qualquer intermarche, mas recordo-me da emoção de ver o que o meu pai trazia no saco quando chegava de férias, por menos que fossem umas botas “made in portugal” compradas em França, true story …..
2. A comodidade: as “carrinhas” apanham os passageiros em casa, e largam-nos em casa, dado que muitos dos nossos emigrantes são de zonas remotas que ficam a centenas de km’s dos aeroportos.

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A ciência da austeridade

Sempre bom recordar:

L, história do menino que não pediu para nascer

Conhecemo-lo muito antes de nascer, mal se anunciou a inesperada gravidez da mãe, que nascera poucos meses antes de nos mudarmos para esta casa – faz agora 18 anos. Vimo-lo crescer na barriga dela, assistimos ao tsunami que aconteceu na porta do lado, depois disso, e que resultou numa família desfeita. Sempre preferi o barulho, porque só ele nos permite saborear o silêncio. Dos que vivem em silêncio, nunca sabemos o que esperar. Como aconteceu com a J., mãe do L, que naquele dia em que a mãe dela me pediu que lhe falasse, para a tentar convencer a (pelo menos) perceber as mudanças que a vinda de uma criança iria implicar na sua ainda tão curta vida, com a agravante de ter feito uma delicada cirurgia havia ainda pouco tempo. Para o resto da vida hei-de lembrar-me do silêncio, de como ocasionalmente levantava os olhos do ecrã do telemóvel para me dizer, com meio sorriso, “vai correr tudo bem”. E correu, até há dois dias. [Read more…]

A Última Habitante*

drave

(imagem da aldeia de Drave tirada daqui)

Há alguns anos li A Chuva Amarela do espanhol Júlio Llamazares. Aí se fala de Ainielle, uma aldeia dos Pirinéus de Huesca esquecida por todos os Homens, menos por um. Ele, o último habitante, que espera a única coisa a esperar, revivendo os habitantes que partiram, assistindo ao passar das estações, sempre do mesmo modo. O último habitante de Ainielle era uma personagem de ficção e acabou por partir sem sair da sua aldeia. Mas Ainielle existe. Ainda há indicações na estrada para quem quiser seguir o caminho para lado nenhum. Um lugar que antes se agitava nas tarefas agrícolas que marcavam o passar (quase sempre lento) do tempo. Que festejava os santos e as boas colheitas. Em que nasciam pessoas e morriam. Em que se vivia. Hoje Ainielle é apenas um recorte de ruínas contra o céu demasiado azul do verão da Catalunha. No Inverno aventuram-se por ali alguns adeptos dos desportos na neve. De resto, entre a neve e a urze, no tempo adequado, é tudo solidão. [Read more…]

Não te preocupes, está tudo bem!

Não penso

A corrupção não existe. A corrupção, o tráfico de influências ou qualquer forma de clientelismo. Pelo menos na política. Existem uns quantos chanfrados, que se escudam nestes argumentos patéticos como forma de desculpar a sua inércia enquanto pessoa, enquanto empreendedor, porque na verdade não passam de invejosos egocêntricos que mais não sabem fazer do que se queixar e criticar.

São tudo teorias da conspiração. Um político quer, por princípio, ser reeleito. Existem leis que impedem delitos. Existem grandes escritórios de advocacia que ajudam na criação dessas mesmas leis para que se tornem infalíveis. E também esses escritórios querem continuar a trabalhar e o Estado, os organismos públicos, são clientes que pagam e que por norma são muito sérios. Até porque alguns dos seus funcionários são também funcionários do Estado logo seria uma loucura achar que estas pessoas, idóneas, seriam potenciais criminosos.

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esguichos de estupidez

mamar

Ontem esta notícia indignou-me, como imagino que tenha indignado todas as pessoas que tenham um cérebro e que conheçam minimamente o que podem fazer com ele. Tipo pensar. Tipo conhecerem os seus direitos (e deveres), entre os quais, os direitos e deveres das mulheres que amamentam e os direitos e deveres dos pais (mulheres e homens) relativamente à aleitação dos seus filhos.

Eu ajudo um bocadinho, recorrendo à notícia que antes mencionei:

«A dispensa para amamentação é um direito previsto no Código de Trabalho. O artigo 47.º prevê que a mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito durante o tempo que durar a amamentação. No primeiros 12 meses, mesmo que não haja amamentação, qualquer um dos pais pode usufruir de dispensa de trabalho para aleitação até o filho perfazer um ano.

A dispensa diária é gozada em dois períodos distintos com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador. Está previsto que constitui contra-ordenação grave a violação do disposto neste artigo.

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Minuta de Acórdão (para as várias instâncias)

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Enquanto procedia à análise forense de uns quantos cadáveres – de bivalves e crustáceos diversos – ocorreu-me a ideia de simplificar o trabalho dos nossos Juízes Criminais, que pudesse servir de minuta às várias instâncias, para usar no caso Marquês (do Sócrates) mas não só. Abaixo fica o resultado desse labor.

“Aos (data) reunido o colectivo (expressão válida mesmo que se trate de apenas um Juiz) e depois de considerar os fatos, sempre contingentes e imprevisíveis, mas muito caros, usados pelo indiciado, e ponderadas todas as circunstâncias que conformam o caso em apreço, o do tipo que nos retirou uma série de privilégios a que estávamos habituados, considerou e deliberou o seguinte:

– Este colectivo anda “há muitos anos a virar frangos” e não se deixa iludir com conversas da treta do tipo das alegações do indiciado. [Read more…]

Admissão de culpa

6.egas[1]

 Foto (http://cativarparaaprender.blogspot.pt/2012/05/uma-questao-de-honra.html)

Tenho consciência, não estou esquecido, conheço a Lei, fui notificado várias vezes. Infelizmente, devido à política seguida pelo Governo nos últimos 4 anos, não tenho é dinheiro!

Versão integral publicada originalmente em: http://wp.me/p29WGc-AU

Informação da maior importância: a quem interessar

Conheço-alguns-perfeitos-idiotas

Com muita humildade venho por este meio dar conhecimento a todos os meus credores – pretéritos, presentes e futuros -, independentemente da sua natureza – privada ou pública -, ou da natureza do crédito – venal, afectivo, lúdico ou outros -, ser muito possível, e até mesmo provável, que não venha a honrar as minhas obrigações ou a fazê-lo fora do prazo e apenas parcialmente, sempre com grande humildade, enfatizo, inerente a tal incumprimento ou procrastinação, com fundamento em qualquer das razões a seguir elencadas, isolada ou cumulativamente:

1 – Desconhecer a obrigação;

2 – Esquecer-me da dívida;

3 – Escassez de recursos, financeiros ou emocionais;

4 – Receio de que o cumprimento atempado possa ser interpretado como uma forma de induzir na comunidade a ideia de que sou cumpridor.

Versão integral do post, publicado originalmente em http://wp.me/p29WGc-AD

Auschwitz, agosto de 2014

Conhecia a estatística dos campos de morte. Mas não conhecia o lugar, nem o efeito que provoca nos homens.

Auschwitz2014A

Li bastante sobre as experiências atrozes do Dr. Mengele, foram leituras duras mas sem sequelas. Em Auschwitz I essa paz abandonou-me.

Auschwitz2014C

Os ciganos eram considerados seres associais pelos teóricos do nazismo. Muitos combateram com uniforme romeno na frente russa lado a lado com os soldados alemães. Quando regressaram da guerra as suas famílias tinham sido eliminadas e as suas casas destruídas pelos nazis. [Read more…]

Saúde CUF patrocina Júlia Pinheiro e vice-versa

cuf-saude-hospital-julia-pinheiroTelevisão é tudo, é a vida e a morte em directo, é a publicidade encapotada e a propaganda também.
Júlia Pinheiro está doente e manda beijinhos, o hospital da CUF agradece a preferência. Muito obrigado.

Rescrever a História? – II

-O assunto nem merece toda esta polémica que se levantou à volta dos bustos. Mas estão porque não retirar os quadros de todos os Presidentes da República que estão expostos no Palácio de Belém. Durante 40 anos ninguém levantou a questão. Nestes 40 anos em sucessivas audiencias aos diversos P.R. terão passado extremistas e radicais durante o PREC, enquanto líderes de oposição Álvaro Cunhal, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã entre outros. Quando este programa foi para o ar na RTP, ocupava o Palácio de Belém como chefe de Estado, Mário Soares. Será ele também um perigoso revisionista que pretende branquear o passado? Os quadros podem ficar expostos em Belém, mas os bustos em S.Bento já são intoleráveis? Porquê agora, passados 40 anos? Ou tem apenas a ver com o momento político e querem à força arranjar mais uma disputa ideológica?

O PSD está melhor, mas o país está pior

“Sabes Pai, o Miguel fez anos hoje. O bolo dele era fixe. Mas ele estava triste”, diz o miúdo no banco de trás.

Ocupado por outras conversas mais telefónicas, questiono:

– “Porquê? Ele não é do BENFICA?”

– “Não é isso. Ele até chegou a chorar depois do almoço. O pai dele foi para outro país trabalhar e foi embora mesmo hoje. Nem sequer ficou para os anos dele. Ele está muito triste. Eu também chorei porque não queria perder o meu pai.”

Sem palavras, só pedi a Deus que me colocasse à frente do carro o Luís Montenegro e até podia ser na passadeira…

Sobre as pensões

Prefiro contratar um seguro de vida, que pode ser capitalizado ao longo dos anos, mas sempre de forma voluntária, com regras claras e montantes definidos, ao poder discricionário do Estado, que obriga os clientes cidadãos a contribuir para um sistema de segurança social, construído em pirâmide, onde as receitas podem ser manipuladas ao sabor do governo de turno. O problema mais uma vez é o excessivo poder do Estado, que dá e tira quando lhe convém.

As greves do nosso umbigo

Pari numa maternidade lisboeta em plena greve nacional de médicos. Era primeiro ministro Cavaco Silva de cognome O Palhaço, é da tradição portuguesa eles terem cognomes e se o Afonso II não se queixa e já lá vão uns anos desde que lhe chamam Gordo se este agora não gosta que se faça ainda mais de morto porque com o outro isso parece que resulta.

Naqueles tempos, nos do Palhaço e não nos do Gordo, apesar de estes também serem tempos do Palhaço o que diz muito dele mas muito mais de nós, pari eu e pariram muitas outras, pariram tantas, era primavera, deve ser isso, que não havia mãos a medir e os poucos médicos de serviço ou ao serviço não chegavam para tantas parideiras. E eu pari e ali fiquei, parida, e fiquei, e fiquei, e fiquei tanto que ia ficando para sempre e só não fiquei de vez porque a sepsis que entretanto foi ficando comigo levou duas traulitadas numa sala de operações para onde fui levada dois dias depois assim num rés vés campo de ourique.
Aquela greve prejudicou-me? Pois se calhar sim, se calhar a minha filha mais velha esteve em riscos de nunca ter sabido o que era palmada de mãe e o mundo quase perdeu a enorme vantagem de poder conhecer a minha filha mais nova e se de quando em vez penso neste zig que não foi zag só hoje me voltei a lembrar da puta da greve dos médicos que me ia dando cabo da vida no sentido, sim, nesse, mais literal de todos.
As minhas filhas já não têm aulas e a greve dos professores não afecta grandemente as nossas vidas e deve ser por isso, só pode ser, que concordo com ela e a aceito, tal como aceito todas as outras greves, sejam elas de quem forem e quando forem, mesmo que não concorde com as razões delas ou mesmo que esteja parida no meio delas. Não me prejudicam, nunca fui prejudicada por nenhuma, deve ser isso.

Viagem a Atenas e ao futuro de Portugal

Aviso à navegação: este relato não é  asséptico, nem imparcial. É a história de uma ida a Atenas, o berço da democracia, agora transformado em laboratório de experiências pela Troika, que todos os dias mata em todos nós mais um pouco de esperança. É o relato do contacto, na primeira pessoa, com um estado policial, que nos deixa o sentimento de que, na Grécia, a polícia é um dos principais inimigos dos cidadãos. É a narrativa de uma perda pessoal. Do vazio que fica depois de nos roubarem algo que nos é precioso e vital. De nos sonegarem a memória. Mas é também a história de gente que resiste. Que teima em idealizar um sonho colectivo. Que persiste em ser solidária. E que acredita que todos os povos são irmãos. [Read more…]

Uma Luz Cívica ao Fundo do Túnel Político

E pronto, chegados a 12 de Março, nasce-me a única esperança digna desse nome no que à transformação urgente do Sistema Político Português diz respeito. Não importa que eu vote CDS ou BE, não importa, nunca importou, o que o Presidente da República viesse dizer, interrompendo o seu letargo de velho funcionário político prudentíssimo, segundo uns, acovardado, segundo outros; não importa ainda o que a morta social democracia dentro do PSD ou a falecida democracia cristã que havia no CDS ousem perorar só agora, saídas da tumba. Esperei por elas e defraudaram-me. Hostilizadas pela nova lei da selva na economia, desvaneceram-se. A Europa, na verdade, já não é região recomendável para a tradução renovada de um pensamento cristão da política. No entanto, há esperança. A rua semeou um princípio de mudança no Anquilosado Sistema Político Português, cujo bloqueio à cidadania vem sendo todo um tratado de opacidade e traição.

O principal fruto da rua parece desenhar-se e é este, [Read more…]

Pontapé oficial

Levantei-me muito cedo no Sábado. Eram mais de 300 os quilómetros que nos separavam da Manifestação de Professores. Como eu, alguns milhares de professores (o SPN levou 60 autocarros) usaram a A1 para chegar a Lisboa.

Já depois das portagens, mesmo à entrada da capital, parou tudo! Alguns minutos depois, nem para trás, nem para a  frente. O diz que disse, os telemóveis que tocam e rapidamente se percebe que aconteceu alguma coisa.

Ficamos muito tempo dentro do autocarro  – para quem fuma, foi um tempo sem fim!

Chegámos, ainda sem almoçar, atrasados à Manifestação. Fomos a pé do Marquês ao Rossio e no fim o nosso autocarro estava parado 500 metros depois do viaduto, isto no sentido Santa Apolónia / Parque das Nações (são, segundo o Google Maps cerca de 5 km).

A viatura que nos transportou para casa tinha um problema no motor e tivemos que parar em todas as estações de serviço para meter água.

Quando chego a Gaia, um colega havia deixado a carteira num outro autocarro que já se tinha dirigido para Aveiro. Sim, isso mesmo – ainda fui a Aveiro!

Eram quase 4 da manhã quando consegui descansar.

Mas, mesmo assim, não compreendo este comportamento do Militar da GNR!

Aparições

Lourdes (França), 1959
Lourdes (França), 1959

Hoje é o dia da votação do orçamento de Estado

 

Se orçamento do Estado Português for votado hoje e a maioria ganha a sua aprovação, estamos condenados. Vamos perder subsídios, escolas, emprego, assistência à saúde, os novos profissionais vão continuar na emigração, haverá um vazio profissional de uma geração, a polícia vai perder membros, as farmácias não serão fornecidas com remédios, hospitais vão ser encerrados e mais pedras de rua serão atiradas a Assembleia da República. Tenho a impressão que será o diluvio universal.

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Mulheres no Aventar

Corro o risco de ser politicamente incorrecto, mas vou procurar escrever sobre algo que, admito, poderá não ser motivo para um texto – as mulheres no Aventar.

Não há qualquer tipo de novidade na presença feminina na web, mas parece-me que há ainda uma relação muito desigual entre os dois géneros, ou não?

Nas últimas semanas temos tido a felicidade de ver entrar na nossa equipa alguns novos aventadores, todos eles a escrever no feminino. Não creio ter havido por cá uma negociação em torno da paridade que até se encontra legislada  – esta Lei  de Agosto de 2006 vem estabelecer

“que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos.”

E a nova realidade do Aventar levou-me a pensar de que modo está ou não mais igual a participação das Mulheres na nossa sociedade, no  seu sentido mais amplo. Será que hoje a Mulher saiu realmente do espaço doméstico para o espaço público? Será que faz algum sentido discutir esta temática?

Há quem ache que sim: Sofia Silva apresenta na sua Tese de Mestrado um estudo nesta área e procura pensar a relação entre as vidas pessoais e profissionais sob o ponto de vista feminino.

Em diferentes espaços sociais tenho percebido que é menos fácil a participação das mulheres – nas associações de pais, nos clubes e associações, nos sindicatos, nos partidos…

Que factores concorrem para essa realidade?

Lá está, o costume! Escrevi, escrevi e não disse nada… Confesso que tinha uma ideia na cabeça quando comecei, mas com o percurso dos dedos no teclado fui-me afastando e já não consigo regressar…

Sejam bem-vindas.

Vai ser passada a quem?

Mas está tudo tolo?

O Secretário de Estado do Nuno Crato vai passar a informação a quem?

Qual é o objectivo?

Dar bifes aos putos?