Postcards from the U.S. #2 (Washington D. C.)

‘Life is like a short movie and your smile is like a million dollars’, the ethiopian taxi driver told me

 

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Devo sair do hotel às 11h da manhã, Não sei por que razão, mas o despertador não toca às 9h e meia… e eu acordo um bocado sobressaltada às 10h. Despacho-me e saio. Deixo as malas no hotel. Afinal ainda tenho algumas horas até ao comboio que me há de levar até Nova Iorque. Apanho um taxi em frente ao hotel para Georgetown, a viagem é curta e o preço é bastante barato. O taxista é falador e, venho a descobrir mais tarde, filósofo e poeta. Já não sei como a conversa começa, suponho que me perguntou de onde vinha eu. Disse-lhe. Ele não falou no Cristiano Ronaldo o que me pareceu logo um ponto a seu favor. Queria saber como era o país, a economia. Lá lhe contei resumidamente a situação. Perguntei-lhe de onde era. Da Etiópia, mas cidadão americano. Claro. Todos os taxistas, seja lá de onde forem originalmente,, me têm dito com orgulho que são cidadãos canadianos ou americanos, conforme o local onde me encontre.
Pergunta-me se gostei de Washington D. C., o que vi, etc. Fala bastante e é realmente simpático. Digo-lhe que vi isto e aquilo e aqueloutro e que agora queria dar um passeio de barco no rio Portomac e ver um bocadinho de Georgetown. Acha que faço muito bem. Que Georgetown é muito bonita e muitas pessoas importantes têm aqui vivido. Deixa-me junto ao porto. Pago-lhe (é bastante barato) e quero deixar-lhe uma gorjeta (aqui as gorjetas são quase obrigatórias): Além do que lhe paguei, só tenho 2 dólares, de dinheiro ‘pequeno’. Dou-lhos e digo que desculpe não ser muito mas que (como lhe expliquei) o meu país está numa situação económica complicada. Vira-se para mim e diz ‘a senhora’, assim em português e tudo, perguntando ‘lady is a senhora, right?’. ‘Right’. Continua dizendo que o dinheiro não interessa muito, que a vida ‘is like a short movie, you know’?. Que o que é importante é a saúde, a família, os amigos. Quando ele diz que a vida é como um ‘short movie’ rio-me’ e ele acrescenta à lista das coisas importantes: ‘your smile, you know? That is a million dollars’ smile’! Rio-me mais. E despeço-me. Ele pergunta como se diz em português ‘have a nice day’, digo-lhe ‘tenha um bom dia’ e ele repete.

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Postcards from the U.S. #1 (Washington D. C)

‘Freedom is not free’ and a ‘stone of hope’

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De manhã, com o sol a entrar por entre as frestas dos estores das duas janelas do quarto, e depois de ter dormido algumas horas, o hotel parece-me muito menos mau que ontem à noite. No entanto, não é bom. É limpo e a cama é razoável e, já o disse ontem, tem ar condicionado. Chega para duas noites. Também não tem, como uma boa parte dos hotéis nos Estados Unidos, pequeno almoço incluído. Assim, saio do hotel e tomo o pequeno almoço no Starbucks mais próximo. Isto é um Starbucks em cada esquina, sempre idênticos, sempre com as mesmas coisas. O expresso é razoável, já o disse. E isso, por agora, tem de me chegar. Em frente ao hotel fica a Igreja dos peregrinos com uma torre muito alta e uma escultura bem bonita de Taras Shevchenko, poeta ucraniano. A estátua visa honrar o poeta que lutou pela liberdade no seu país. Porque está ali, não compreendo exatamente, mas, repito, é uma estátua bem bonita.
 
A área em redor do hotel, muito próximo de Dupont Circle, é afinal bastante agradável, com cafés e restaurantes e passeios largos e casas baixas. Aliás, os edifícios não são geralmente muito altos aqui. Batsante diferente de Toronto, a cidade e, seguramente, muito diferente de Nova Iorque. Basicamente a cidade vive de e para a política. Todas as instituições relevantes se concentram aqui: o tesouro, a casa branca, o banco dos Estados Unidos, o quartel-general do FBI, etc, etc, etc. Isso é dezenas de memoriais, a todos os presidentes mortos, a alguns senadores, a batalhas, a cientistas, a poetas estrangeiros como já se viu… Washington é a cidade da política e dos memoriais. Está visto.

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Postcard from between Niagara Falls and Washington D.C.

‘You are all set to go’ or ‘welcome to the land of the free and the home of the brave’

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Levanto-me às dez da manhã em Niagara Falls, com a vista absolutamente delirante das American Falls, ali mesmo à minha frente. Tomo banho, constato que tenho cada vez mais borbulhinhas de que não sei bem a origem (alergia ao calor, provavelmente… nunca me tinha acontecido) e saio para tomar o pequeno almoço. Tenho de fazer o check out até ás 11h, por isso despacho-me e regresso ao hotel. Pago e fico um bocado no átrio, à espera que sejam horas do meu autocarro para Burligton, onde hoje apanharei o comboio para Toronto. Não havia comboios diretos à hora que pretendia regressar e esta foi a solução encontrada.
 
O taxista que me levou a mim e ao trambolho que me acompanha, agora já com muita roupa suja dentro, fez um caminho diferente do de ontem. Não me falou no Cristiano Ronaldo e conduziu em silêncio. Até que eu lhe disse que o caminho por onde seguíamos, junto ao Niagara Parkway primeiro e depois serpenteando o rio, era muito bonito. Disse que sim e que todos os dias fazia dezenas de viagens por ali mas que lhe era impossível não ficar embasbacado a olhar para as cataratas. É mesmo. São poderosas. Já o disse ontem. E maravilhosas. E torrenciais, como convém a cataratas.
 
Apanho o autocarro, em frente à estação de caminhos de ferro. A viagem dura cerca de uma hora. Em Burlington a estação está em obras e não é muito agradável. O comboio das 14h07 foi cancelado, anuncia uma voz mecânica aos passageiros da plataforma 3. Teremos de apanhar o próximo, às 14h37, para a Toronto Union Station. Para ali ficamos. Fumo uns dois ou três cigarros. Ninguém me recrimina. O tempo está agradável, sem estar muito calor. Corre mesmo uma vaga brisa na estação. O comboio chega. É diferente do que tomei ontem, o rápido para Nova Iorque. Mais tarde neste dia hei-de arrepender-me de não ter apanhado hoje esse comboio, ou amanhã. Mas agora ainda não. A viagem de comboio dura mais uma hora. É simpática. Sossegada. Dá para ir apreciando a paisagem. Adoro viajar de comboio, já se sabe. Lamentavelmente tomei uma decisão errada: voltar para trás, para Toronto e apanhar o avião para Washington D. C. no aeroporto Billy Bishop, no meio do lago.
 

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