Postcards from Greece #11 (Thessaloniki)

O dia em que fui mordida por…

…percevejos ou, mais fino, bed bugs… isso mesmo… não se riam…eu, a obcecada com a limpeza e ordem e ausência de bicharada, fui pela primeira vez na vida… picada ou mordida ou o raio por bed bugs.
Depois de dois dias deitada no sofá da casa, porque estava ultra constipada, hoje acordei com umas bolhas no pescoço em cluster. Lindo, como devem imaginar. Poupo-vos às fotos do meu pescoço, cheio de borbulhas nojentas.
Foi a gota de água. Se já ia mudar segunda feira de casa, depois de ser reembolsada pela airbnb, mudei-me já hoje para um hotel, depois de dizer ao dono da casa onde estive até agora que a casa tinha bed bugs e que me tinham picado. Depois de tanta treta, digamos que mais isto (ou sobretudo isto) era inaceitável.

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Postcards from Greece #10 (Thessaloniki)

Estou há dois dias fechada em casa…

porque tenho uma grande constipação. Ainda bem que trouxe os cêgripes de Portugal. Sinto-me melhor, um bocadinho pelo menos.
 
Apesar de estar há dois dias fechada em casa, quando vou ali à varanda tenho o mundo inteiro, ou quase, à minha frente. Apesar de estreita, a rua Evripidou é movimentada, frequentada por gatos e pessoas de todos os feitios e medidas, que me entretenho a observar. Já sei quem mora ali em frente e hoje uma das rapariguinhas acenou-me. Já sei que gatos se dão melhor e quais nem se podem ver e já conheço também as preferências do senhor da loja das motas aqui defronte, no que se refere aos gatos. É sobretudo ele que os alimenta.

Postcards from Greece #8 & #9 (Thessaloníki)

Aγροτική κοινωνιολογία, política e uma grande constipação

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αγροτική κοινωνιολογία, quer dizer ‘agrotikí koinoniología’, ou seja sociologia rural. Foi a Maria que é também uma ‘agrotikós koinoniológos’ ou socióloga rural, que me ensinou a escrever isto e, mais importante, a pronunciar. É certo que poderia ter ido ao google tradutor (e acabei por ir, para copiar para o postal a expressão) mas preferi que ela me ensinasse. Rural diz-se αγροτικές ou ‘agrotikés’ e parece mesmo uma língua. Que eu e a Maria falamos. Quanto ao grego, o meu é praticamente inexistente, se descontarmos os habituais kalimera, kalispera, kalinýchta, efvaristó e parakalo. Já consigo ler relativamente bem os caracteres para me orientar num sítio qualquer, mas não vou muito além disso. Ao contrário do ‘agrotikés’, o grego é mesmo uma língua difícil.

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Postcards from Greece #7 (Thessaloniki)

Os gatos de Salónica

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Nunca vi tantos gatos em toda a parte, numa cidade, como aqui em Salónica. Os gatos parecem ser omnipresentes. Bem tratados pelos residentes, como estes aqui da rua, a quem vários vizinhos colocam comida e água, são amistosos e amáveis e deixam-se acariciar. Ou pedem mesmo carícias. Gostam de pessoas, por estranho que pareça, e querem – na maior parte das vezes – apenas mimo.
 

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Postcards from Greece #6 (Thessaloniki)

‘As you are Portuguese, we have to take good care of you’…

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foi o que disse a rapariga grega trazendo um vinho do Porto à mesa da esplanada onde eu comia a melhor tarde de chocolate do mundo, acompanhada de um café cheio. A esplanada pertence ao Portogalo*, um wine bar na rua Komninon, mesmo à beira da Praça Liberdade (Plateia Eleftherias), numa das zonas mais bonitas e movimentadas da cidade. Tinha passado lá ontem à noite, debaixo de chuva, depois do jantar no Coquille e, naturalmente, achado graça ao bar/restaurante chamado Portugalo e que exibia vinhos portugueses na montra. O vinho do Porto foi oferecido. Assim, sem mais nem menos, depois de eu ter dito que era portuguesa. ‘Se é portuguesa, temos de cuidar de si’. O Porto foi oferecido com a mesma generosidade e simpatia que se encontra em praticamente qualquer grego, já o disse um destes dias. E o Porto soube bem e ficou a promessa de voltar lá para um jantar como deve ser, quando sentir saudades de Portugal.
 

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Postcards from Greece #3 to #5 (between Athens and Thessaloniki)

‘It’s illegal by the law, but not by the people’s law’

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Disse o taxista que me transportou hoje até à White Tower (ou Tower of Blood atendendo ao seu passado como prisão), depois de eu ter perdido, porque me enganei na paragem, o autocarro 50 que faz a chamada ‘cultural route’ em Salónica, numa viagem que numa hora percorre a cidade. Custa 2 euros e leva-nos perto das várias atrações turísticas. Como o perdi e o próximo era só daí a uma hora, com partida da Torre Branca, apanhei então um táxi. Os táxis na Grécia são bastante baratos, deve dizer-se que dentro da cidade uma viagem não ficará por mais de 5 euros. O taxista quis saber de onde vinha. Portugal. Repetiu Portugal com a voz mais doce e disse que tinha um amigo português. Nisto um homem aproxima-se do táxi e diz um destino que não entendi. O taxista diz que não passa por lá. Eu pergunto se é habitual na Grécia as pessoas dividirem táxis com estranhos, já que antes tinha reparado também na mesma situação. É habitual mas não legal… ou melhor, explica, o taxista, é ‘ilegal pela lei, mas é legal pela lei das pessoas’. Esclarecidos, portanto.

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A single postcard from Krakow

«Sou muito cosmopolita…

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sinto-me o mesmo desgraçado em toda a parte», escreveu Manuel Rivas, num livro de crónicas que li há uns anos. Pensei nisto hoje quando realizei que tinha tomado o pequeno almoço em São Petersburgo, o almoço em Moscovo, o lanche em Viena e o jantar em Cracóvia, onde estou neste momento. Não que me sinta desgraçada, ou sequer cosmopolita, mas a frase de Rivas veio-me à cabeça. Por muito que andemos, por muito que vamos e regressemos a casa, somos sempre os mesmos, pelo menos no modo como sentimos as coisas, no modo como olhamos para as coisas.

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