Se Me Apoiares, Perduro!

Há um antes e um depois contando a partir do momento em que o peso-morto Relvas, autêntico São Sebastião da política, se arrastou para fora do Governo. Miguel Poiares Maduro tem moral interior e intelectual para defender ideias com substância mobilizadora na infecta e conspirativa arena doméstica e no areópago europeu, o qual, como se sabe, é uma casa em cacos, entregue às hienas do egoísmo dos mais fortes e respectivo cinismo político. A União Europeia, fenómeno que no Brasil testemunhei ser admirado como milagre de força coesiva político-económico, necessita de mais democracia e não de menos, mais participação cívica ascendente e menos directório verticalista. Nada mais deprimente que o desprestígio da UE, os seus impasses, o ritual ineficaz das suas cimeiras, a lentidão e impotência para apagar fogos e para o que realmente importa. A União, gigantesca e disforme, é um Ciclope Cego na iminência de tropeçar e tombar com estrondo. Daí que a ideia da eleição directa do presidente da Comissão Europeia pelos cidadãos dos 27 seria, como advoga Maduro, um bom passo para a União Europeia ter um capital político mais forte e para se ver livre de fantoches e canas agitadas pelo vento como Barroso e mesmo o simpático nulo Herman Van Rompuy, os quais falam, falam, mas não revestem a aventura europeia nem de carisma nem de rumo.

A imagem das instituições europeias degradou-se terrivelmente e o estalinismo funcional dos seus métodos exaspera os povos mais pressionados na austeridade e desequilibrados nos seus orçamentos, povos pouco tidos e pouco achados no processo edificador da União Económico-Burocrática dos últimos vinte anos.  [Read more…]