Sem Remédio

Sem RemédioQuanto ao IVA da restauração, antes da mudança do sistema de faturação, 95% das transações dos restaurantes fugiam aos impostos.

Da Mastigação de Primeiros-Ministros

Eleições já? Não. Não é medo. É pragmatismo. Baralhar e tornar a dar para quê? Para a ingovernabilidade, a perda de tempo e a tonteria?! Parece absolutamente claro que assim como Passos Coelho não é, nem poderia ser, a melhor solução segregada por um Regime há muito posto em causa, e mais recentemente posto em causa pela Máquina de Fazer Bancarrotas-PS, Seguro não o será certamente e é tudo menos líquido que vença as próximas eleições, a menos que a garagem dr. Soares esteja a postos para fazer dinheiro, para evitar os cortes nas pensões e os despedimentos na Função Pública, conforme a Troyka pressiona o Estado Português, matéria assustadiça Espanta-Portas.

A constante mastigação mediática e comentadeira de cada Primeiro-ministro, uns por serem fracos, outros por debandarem a meio dos mandatos, outros por serem corruptos, despóticos e completamente desvairados pela própria imagem, e agora Passos, por ter tido no próprio Governo duas linhas opostas e um só saco de gatos, tem de ter um basta. Nada mais absurdo que considerar que, para liderar Portugal, há credibilidade na actual classe política, no espectro político em geral, num Regime onde o único sucesso é a corrupção política impune, as bancarrotas com os media a ajudar e a encobrir, a falta de lata dos Sócrates a comentar, a incompetência e malícia em larga escala. Gaspar compreendeu bem que teria demasiados entraves à magna tarefa de conferir credibilidade externa a Portugal e algum reformismo radical.

Por isso quis demitir-se em Outubro: Portas, para todos os efeitos, representa o ranço instalado no Regime, representa a sua resistência, o statu quo e a aspiração a ascensão dos quadros do CDS-PP pela mesma escada por onde subiram os competentíssimos quadros políticos do PS e do PSD. Passos deve continuar a resistir o mais possível: que resista um dia, dois dias, uma semana, um mês, um trimestre, um semestre, até à evacuação da puta da Troyka, com o Governo adestrado e remodelado e capaz de uma mensagem esperançosa e mobilizadora. [Read more…]

A greve de hoje e a “reforma” do Estado

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Mais do que uma vez escrevi no Aventar sobre o subdesenvolvimento português, cuja verdadeira dimensão talvez só agora comece a ser plenamente visível. A greve que os professores fizeram hoje demonstrou a que ponto o debate está inquinado pelas retóricas que colhem sempre entre os ignorantes sensíveis aos bons sentimentos, e a que a maioria acaba por aderir: a ideia de que o futuro dos estudantes ficou ameaçado por esta greve é uma delas. [Read more…]

Lusa Bipolaridade

Em público, toda a gente quer que o Governo caia. Em privado, até o mais esquerdeiro se borra à conta da turbulência atómica desse transe.

Governar Como Quem Perde Finais

CristasA todos aqueles que redutoramente me acusam de defender Passos Coelho, uma vez que não investem suficientemente numa leitura também nas entrelinhas, reitero que não o defendo. Comparo-o e, sobretudo, situo-o. Tivemos sempre maus governos, coisa em que só reparávamos no término das legislaturas. Aceitámos por sistema más mentiras e más desculpas, maus investimentos e más apostas.

Pela primeira vez, temos um Governo, por acaso chefiado pelo ex-marido de Fátima Padinha, que é o melhor de todos os péssimos governos que tivemos, apesar de covarde com os fortes e instantâneo e impante com os fracos, mau grado os esforços silenciosos e discretos de Álvaro Santos Pereira na renegociação das PPP, ainda impotente contra os pressupostos bimbos do champanhe pimba do dr. Mexia, os seus honorários insultuosos, mai-la sua obscena EDP. Não é só o Governo que não tem espinha dorsal para resistir à tentação do discurso bonzinho, em ziguezague, inócuo e não molestador da nossa paz de espírito, réstia de capacidade para dormir sossegados, má notícia após má notícia. [Read more…]

Temos Aqui um Problema

E grave! Mas isso agora não interessa nada ao Credo de Esquerda. Porém, o problema move-se:

A promessa do “Estado social”, de uma garantia de uma pensão em função dos descontos feitos ao longo da vida contributiva, é, logo à partida, fraudulenta. O sistema de pensões equivale a um esquema de pirâmide em que os da base pagam as pensões dos do topo, e em que as verbas que estes últimos recebem, longe de estarem garantidas pelo tal “contrato”, dependem do número de pessoas (e montante de dinheiro que conseguem gerar) a alimentar o sistema na base. A proposta do Governo, por muito que ofenda as sensibilidades dos que a criticam, é a consequência natural do “modelo” que querem proteger.

Reside aí o erro de ver o sistema de pensões público como moralmente superior aos privados. Os socialistas de todos os partidos costumam dizer que estes últimos comportam um risco maior, que implicam entregar as pensões à “economia de casino” da “especulação bolsista”. Mas o “contrato social” não oferece maior segurança. Permite até que um dos contratantes (o Estado) altere os seus termos unilateralmente, sem qualquer compensação. Quem acha que entregar as pensões “aos privados” equivale a ir com elas para Las Vegas, ficando à mercê da sorte, devia compreender que, no nosso “Estado Social”, elas ficam à mercê da demografia e da discricionariedade de quem tem a “força” para impor condições. Em vez de Las Vegas, temos Chicago nos anos 20.

Bruno Alves

A Desconsolação da Honra

Ambrose Bierce escreveu nas suas “Fábulas fantásticas” um conto chamado “Consolação”. Reza assim: “Depois daquele grande país ter dado provas da bravura dos seus soldados, graças a quinze derrotas (…) o respetivo primeiro-ministro decidiu pedir paz.

– Não vou ser duro convosco, declarou o vencedor. – Podereis conservar tudo quanto vos pertence, menos as colónias, a liberdade, o crédito e a dignidade.

– Ah! – exclamou o primeiro-ministro. – Sois, na verdade, magnânimo, pois nos deixais a honra”. Um destes dias, a nós nem essa consolação nos resta.

Paulo Ferreira

Vota, Camarada!

Se Me Apoiares, Perduro!

Há um antes e um depois contando a partir do momento em que o peso-morto Relvas, autêntico São Sebastião da política, se arrastou para fora do Governo. Miguel Poiares Maduro tem moral interior e intelectual para defender ideias com substância mobilizadora na infecta e conspirativa arena doméstica e no areópago europeu, o qual, como se sabe, é uma casa em cacos, entregue às hienas do egoísmo dos mais fortes e respectivo cinismo político. A União Europeia, fenómeno que no Brasil testemunhei ser admirado como milagre de força coesiva político-económico, necessita de mais democracia e não de menos, mais participação cívica ascendente e menos directório verticalista. Nada mais deprimente que o desprestígio da UE, os seus impasses, o ritual ineficaz das suas cimeiras, a lentidão e impotência para apagar fogos e para o que realmente importa. A União, gigantesca e disforme, é um Ciclope Cego na iminência de tropeçar e tombar com estrondo. Daí que a ideia da eleição directa do presidente da Comissão Europeia pelos cidadãos dos 27 seria, como advoga Maduro, um bom passo para a União Europeia ter um capital político mais forte e para se ver livre de fantoches e canas agitadas pelo vento como Barroso e mesmo o simpático nulo Herman Van Rompuy, os quais falam, falam, mas não revestem a aventura europeia nem de carisma nem de rumo.

A imagem das instituições europeias degradou-se terrivelmente e o estalinismo funcional dos seus métodos exaspera os povos mais pressionados na austeridade e desequilibrados nos seus orçamentos, povos pouco tidos e pouco achados no processo edificador da União Económico-Burocrática dos últimos vinte anos.  [Read more…]

Esquerda Protestatória, Cura-te a ti Mesma!

Passos não representa a ruptura que esperávamos com um modus operandi político-partidário que nos trouxe até às agruras presentes. Até pela forma como falha clamorosamente na moralização e robustecimento psíquico das pessoas, como o seu discurso é deprimente e passivo e pelo modo como encolhe os ombros perante o desfalecimento da esperança, dado não passar de longa manus dos incompetentes do EuroApupo. Só.

Abertura do sistema político aos cidadãos e a formas modernas de intervenção? Zero. Continuação dos velhos hábitos e das velhas submissões a banqueiros, aos rendeiros da Energia, dos combustíveis, aos que se penduraram no Estado, mamões das parcerias público-privadas e outros esquemas de dependência dos mais fortes no Estado Fraco que nos falha? Zero. Ruptura com a insultuosa mesquinhez dos belmiros? Zero. Mudar, de facto, não foi a praia de Passos. Federar-nos no reformismo por que se clama há décadas muito menos. Claro que os Bancos necessitavam de protecção e salvamento. Ok. Qualquer coisa como o contrário disto, na óptica desmiolada do PCP e do BE, representaria o colapso do País. As poupanças de uma vida salvam-se salvando efectivamente um Banco que ameaça colapsar, ou dois, ou três, por muito que os seus gestores merecessem prisão, talvez a forca, certamente a liminar inibição de conduzir os destinos daquele tipo de instituições. [Read more…]

Espiral Recessiva e Espiral Demagógica

Não há ilusões. Até que estes nossos olhos traídos vejam investimento significativo, nacional e estrangeiro, qualquer coisa de novo emergindo dos escombros deixados pela chupice socialista, primeiro, e depois pela atabalhoada ingerência troykista, não será possível dar uma enésima oportunidade nem aos rapazolas-JSD, ainda de serviço, nem aos inefáveis cromos do PS novamente à bica pelo Poder, afinal o mesmo esterco e a mesma garantia de desastre. Portugal gera muito mais competência, criatividade e rasgo que a tralha que se aloja nesses Partidos. Onde estão os espíritos livres e lúcidos? O próximo capítulo da nossa desgraça poderá ser o de um Governo de Emergência e Convergência Nacional. [Read more…]

Não Aguento 24 Horas de Indignação

Tenho sido um indignado crónico, especialmente a partir de 2005. Não me perguntem porquê. Foi um flash negro, uma impressão fortíssima de aviltamento, uma sensação de traído da Política, de espectador impotente de uma desgraça anunciada, apesar da palavra longa e afiada que passei a desembainhar no Palavrossavrvs Rex. O facto de testemunhar o desleixo dos Partidos, todos os Partidos, para com as pessoas concretas, de ver desfilando a avidez sectária arrogante e a incúria demente com que o Partido Socialista foi poder absoluto e impudico, até ao crescendo de sofrimento social que hoje afinal se transforma no caos da agenda cacofónica de 15 de Setembro e 2 de Março, determinou me revolvessem as vísceras da mais funda abominação. Mas nada acontece. Nada acontecer em Portugal tem sido o golpe de misericórdia nas minhas energias de protesto, no meu ímpeto reformista e amoroso-revolucionário. [Read more…]

Nós Derrubamos Governos!

Não poderia estar mais de acordo com este resumo do relvismo: da flébil emergência à crassa inexistência de um ministro. Só nos saem figuras tristes, personagens para esquecer, coladas ao assento pelo cuspo do hábito. Que Relvas fosse evacuado, regressando à sua vida empresarial ‘dinâmica’, génio que é dos mil contactos e dos mil favores devidos e a haver, seria uma folga dada desde logo ao baraço no pescoço do Governo Passos. Pode não chegar. Sinto-me globalmente traído. Confiei em que, com Passos, o critério da delicadeza, da verdade, e da sensibilidade para com as pessoas concretas estaria antes de qualquer decisão gizada na frieza de um gabinete nacional ou europeu. Enganei-me e enganei-me ainda mais tendo em conta a falta desesperante de resultados positivos. Eu e milhões de portugueses, num protesto contínuo e incansável, derrubamos o Governo Sócrates porque era uma escandalosa obscenidade em movimento, feérica, estúpida, movida talvez a cocaína. Um embuste. Uma loucura. Provavelmente, milhões de portugueses e eu voltaremos a mover o polegar, como o Imperador. Não haja ilusões: com a queda deste Governo, toda a classe política, cega, surda, tacticista, tagarela, seria vergastada e derrubada igualmente. Cresce-nos um nojo que pode não poupar nem o menino [a vestigial democracia, sistema de castas] nem a água do banho [queda em desgraça de mais um Governo].

A Bosta Nunca é Rigorosamente a Mesma

Cartaz 15Sobre Soares já escrevi de mais. Em 1974, aparecendo como um herói com as costas aquecidas pela CIA, passou a defender a democracia em Portugal no século XX como negócio a que foi persuadido à última da hora: foi especialmente bom para a elite soberba que, com o mesmo pedantóide Soares, substituiu a soberba corporação que dominara Portugal e envelhecia no Estado Novo. Sobre Soares não há nada que se possa dizer que suplante as figuras miseráveis, mesquinhas, conspirativas, que anda a fazer: falam por si e não são de agora. De todos os pecados mais grosseiros do desbragado idoso desbocado, apoiar Sócrates, comparecer em comícios de apoio a tal figura e voar baixinho no meio da devastação centro-africana deixada pelo socratismo, foi por demais imperdoável. O que deveras me encanita é que esse Soares e o pessoal degenerado do socratismo, demasiado alive and kicking no seu impudor, unidos a uma só voz-bosta, apareçam hoje a ultrapassar a Realidade pela Esquerda, desenvolvendo uma crítica à governação Passos fora de uma complementar crítica honesta que varra a eito todo o espectro político português, que os inclua a eles todos e os condene igual e inapelavelmente.

A essa cambada de abutres que nos não representa no sentido sagrado do termo esperava-se que não gastasse o mau latim a fomentar o fosso ignominioso entre um Nós e um Eles, quando PS, PSD, CDS-PP são um todo quase homogéneo na malfeitoria gerada ao País, hoje divididos apenas porque o PS confortavelmente não quer assumir o odioso, o abominável ónus, de cooperar na refundação do Estado Português segundo novas bases tão realistas quanto miseráveis, covardia em que é manifestamente secundado por Paulo Portas e a parte do CDS-PP ainda com veleidades eleitorais. BE e PCP mostram-se arcaicos na retórica, lastro bloqueador e empobrecedor nas formas de luta, e por isso não concitam confiança de espécie nenhuma. Ninguém vota nisto. [Read more…]

Da Opinião Ordinária, Insidiosa e Habitual

Hoje é dia de mais opinião ordinária e habitual. Ordinária, porque finge que nasceu ontem. Habitual, porque é palavra de donos disto, arrogados donos morais e institucionais disto-Portugal. Só os que se concebam donos do Regime, como Soares, se alarmam sobremaneira com o confisco que lhes sucedeu impensável também a eles: cansativamente, pronunciam-se sobre a Europa, sobre o País, mas o País suporta mal quer o Fisco Brutal quer o trajecto sanguessuga desses pais e herdeiros imorais do Regime. Ordinária, porque não disfarça os seus intentos pessoalíssimos, a busca na secretaria «Demetir, demetir e demetir!» da desesperada reversão dos prejuízos causados pelo recuo governamental dos apoios à Fundação. Habitual, porque o rei intocável, jarra melindrosa do Regime, não se enxerga: olho para o crepuscular Mário Soares e penso no Dâmaso Salcede que Eça pintou: a mesma figura, a mesma ridícula obsessão por si mesmo inexistente e pelos modelos estrangeiros, mas que nem em França hoje encontram guarida e defensor. [Read more…]

Amor em Tempos de Catástrofe

Definitivamente, a amargosa pílula-panorama nacional não se pode dourar. É transversal reconhecermos que, algures no início de Setembro, o Governo Passos rompeu unilateralmente um compromisso tácito e explícito com o Povo Português: havíamos aceitado abnegadamente a nossa quota parte de sacrifícios imprescindíveis para a saída rápida deste buraco monumental-colossal composto por dívida pública, por um défice galopante, a cada passo agravado pelo estalar ora dos juros altíssimos da própria dívida ora pelo início de pagamentos de negócios, contratos, PPP bombas-relógio deixados alegremente para trás em grande número pelos anteriores Governos, bombas suficientes para surpreendentemente tingir de mais incompetência a manifesta incompetência que quase todos atribuem a este Governo de Crise ele próprio em Crise.

A partir daí, o que avulta é um grave divórcio Governo-Povo, a percepção geral do relvismo mega-lobista em todo o seu esplendor baço, intercontinental, tacticista, politiqueiro, e a consciência de que o Executivo se encontra inapelavelmente cindido. Na medida em que, contra todas as promessas, Passos foi surgindo como mais do mesmo, no seu labirinto por cumprir o Memorando, com movimentos perros, dados muito a medo no corte da Despesa Pública, e o peito inflado de sádica ousadia na captação selvática de receita fiscal, muito mais legitimamente toda a gente, cada um de nós, vai enchendo a serena Rua da Liberdade Exasperada. [Read more…]

Nojo Unânime nos Sofás e nas Ruas

Não me apetece atirar-me à jugular de Miguel Relvas, agora no Brasil, em manobras de charme cujo fedor divino ainda não sentimos e talvez não sintamos: nada mais insensível e alheado dos Portugueses e de Portugal que quantos supõem que prosperarão indiferentes à nossa falência e acrescida miséria. Isto é um castelo de cartas. Há muitos pescoços a que nos devemos atirar todos os dias, gente para quem o apoio aos mais desfavorecidos é tão preocupante como arrancar pêlos dos colhões, no sofá sossegado. Relvas e Passos são os capatazes que elegemos. Quanto mais capatazes, mais elogiados são por quem tem o dinheiro e no-lo pode ou não emprestar.

A sua surdez, incivilidade e serviço delegado pela Troyka prestado ao País são iguaizinhos ao serviço, incivilidade e surdez de outro bando de filhos da puta que criou todas as condições para ser possível um tal confisco impune do trabalho de milhões de nós com remissão ao desemprego de outros tantos. Não será por deixar de ser insensível e menos bando de filhos da puta que qualquer filho da puta que venha a ser Governo evitará a redução do salário mínimo. Não a queremos. Não é por ser masoquista que este Governo apanha com a nossa raiva de ânimo leve. É o Mundo, alheio às nossas dores de corno, que quer e fará tudo por que sejamos mais pobres e sem outras ilusões que as que o PIB raquítico permitam e paguem. A Grécia ajoelhou-se e não chegou. Nunca chega. Ou perdemos tempo ou atiramo-nos de bruços, já. Há uma guerra pela sustentabilidade dos estados e pela resistência à supremacia económica chinesa que não nos poupará em nada, iludamo-nos como quisermos. [Read more…]

Um Regime Anal e Corrupto

Soa manso de mais dizer-se apenas e a medo que «este Governo é corrupto». Soa a pouco, também. Lamento imenso, JJC, mas o buraco que devemos violentar fica mais acima e justifica que as bacoradas de um januário qualquer me moam a paciência: nada mais baixo e intelectualmente desonesto que absolver a recente corrupção dilapidadora às mãos contumazes dos Sócra-Xuxas. E é baixo e desonesto concentrar nos herdeiros da batata quente legada por aqueles todo o arsenal disponível de torpezas impróprias de um bruxo, quanto mais de um bispo. Se vamos pela História recente, comecemos pelo espermatozóide ganância xuxa, latrocínio xuxa à pala da política. Comecemos pelo controlo xuxa falsificador dos media, comecemos pelas tropelias e trapaças xuxas com correlata impunidade e teremos mais alvos a apedrejar. Isto era um País a falir. [Read more…]

O Começo do Fim do Governo Passos

Pode ser isto. Ora, não foi na base da covardia e da cumplicidade com o crime das PPP que confiamos ao Governo Passos/Portas o resgate do nosso destino. Se nos não defendem com unhas e dentes, se o povo pode ser esbulhado mas os Ladrões não podem reestruturar as rendas abusivas nem os políticos facilitadores desse Roubo podem ser processados, então rua!

Até um chimpanzé, mesmo recompensado com os amendoins de Merkel, governar-nos-á com mais zelo. Não precisamos de um mero submisso amanuense pau mandado, apavorado com papões.

Contra Duas Formas de Morfinizar Portugal

Dificuldades, sacrifícios, austeridade, quem os sente na carne sou eu e são aqueles que eu vejo pela cidade. Há um limite para o discurso realista, para o anúncio da dor futura, que anestesiam, bloqueiam, morfinizam a nossa paralisia, tal como havia um para a charla escapista, morfinizadora da nossa lucidez, praticada no passado, a mais conveniente quando se estava a burlar largo um Estado e a preparar uma saída airosa para o exílio dourado. Hoje é hoje. Passos deveria complementar o seu realismo consonântico com a má maré Europeia mediante qualquer coisa de mobilizador, especificamente mobilizador de portugueses para portugueses, onde quer que estejam no mundo. Fé em Portugal, confiança nos portugueses e uma linha de retórica positivamente mobilizadora poderiam fazer a diferença. Afinal, o que é que tolhe o Governo Passos?! O fanatismo liberalizador como resposta única?! É pena. Só com um sorriso nos lábios venderemos mais presuntos aos chineses e mais vinho, gastronomia e turismo de altíssima qualidade, enquanto passamos fome. Falta sal e ousadia a Passos, onde havia demasiada parlapatice e fantasia suicidária no filho da puta parisiense. Mobilizar-nos com a verdade e para além dela é algo de que o excelente jornalista económico Pedro Santos Guerreiro parece ser capaz e de que o excepcional Rui Moreira também parece ser capaz e de que mesmo o penetrante Luís Nazaré, pecado de apoiar o labrego de Paris à parte, com certeza é capaz. Chega de choradinho e fatalidade, Passos Coelho. Mobiliza-nos. Se não souberes como se faz, aprende com quem o faz bem: o Pedro, o Rui, o Luís. E não estou a brincar.

Ao Camarada Apóstolo Passos

O camarada primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nem imagina o impacto psicológico da critica que hoje fez aos mais poderosos e favorecidos pela «enorme injustiça» de estarem a criar obstáculos à mudança. Não podia ter sido mais claro: «As escolhas que, no passado, foram privilegiadas e que criaram núcleos de privilégio injustificados, mercados protegidos, rendas excessivas, contratos desequilibrados para o Estado e o contribuinte, terão de ser resolvidos rápida e decisivamente». Sim, é o pescoço do Camarada Passos-Relvas. Saiba o camarada Pedro Coelho o nojo que nos era inoculado pelo até aqui silêncio governamental em face de tal dualidade e arrastada ambiguidade. Óbvia vai a resistência sonsa à respectiva quota de sacrifícios e abdicações precisamente por aqueles que fatalizam forçoso termos de passar fome e dificuldades, vivendo eles bem à larga, como sempre viveram. Mostrar-se o Camarada Passos sensível, ainda que simbolicamente, às nossas expectativas quanto a um sentido de justiça, nesta hora, era de suma importância e, não sei porquê ou talvez saiba, tardou de mais. Ouvimos as palavras. Falta ver operativa a boa-vontade do Governo no sentido da rápida renegociação dos contratos das Parcerias Público-Privadas e da redução das rendas excessivas do sector energético. [Read more…]

Nos Braços da Alforreca Passos

Especialistas honestos acordam neste facto de límpida transparência: à grave crise internacional eclodida em 2008 somou-se a festiva dissolução imprudente, para não dizer amadora, dos recursos públicos perpetrada pelos Governos Socratesianos. Os dois factores conjugados tramaram Portugal. Álvaro Santos Pereira recorda, e bem, que a economia portuguesa começou a padecer de desequilíbrios graves sobretudo a partir do momento em que, sem o nomear, o Coração de Guterres veio distribuir o que não havia e habituar um Povo autónomo e capaz de se desenrascar às delícias da facilidade rendosa e do ócio fácil. [Read more…]

Grande Viveiro de Imbecis

Mário Soares inaugurou os novos tempos pós-moralidade pública salazariana, introduzindo na vida comum a habilidade retórica, o fingimento político e a incompetência técnica, com os resultados e as repetências que se conhecem. Depois dele, tirando Sá Carneiro, vieram trair-nos na governação ou imbecis políticos ou imbecis técnicos, alternando ente si, mas nunca coincidindo na positividade das duas vertentes, a bem da coisa pública. Pelo meio, súcias de carreiristas ávidos, igualmente imbecis, sem outra ocupação conhecida que não o parasitismo partidário, afiaram a experiência política no ataque aos recursos orçamentais. Tudo culminou no mais recente devorismo cretino e, claro, também imbecil, que o mesmo Papa Socialista apadrinhou efusivamente. Deflagra agora, segundo Soares, todo o esplendor da imbecilidade política passos-coelheana. Será. Mas vox populi, no seu clamor espontâneo ou pastoreado, é que a fome e a peste só andam no ar graças a trinta e nove anos de degradação moral e imbecilidade políticas. Não deixa aliás de resultar pitoresco termos de apanhar com o eterno direito de antena dos mesmos imbecis que apadrinharam a falência de Portugal, opinando com extrema lata sobre a suposta ou real imbecilidade política em decurso. Qualquer um já percebeu que, para este Governo, não parece haver outras soluções senão flagelar os flagelados e desproteger os desprotegidos, conservando tudo igual, em proventos e direitos, entre os grandes rendeiros do País, incluindo o PS e a sua escandalosa paz de espírito, viveiro insuperável de latrocínios legais, ricos súbitos e exilados ilícitos, partido onde cresce menos trigo que joio, chusma de vendidos, traidores, ladrões e imbecis, incapazes do exemplo sonso de Mário Soares: social-sensível na retórica; sorna e pragmático no venha-a-nós.

Passos a Medo Sob Assessoria Medrosa

Não sei nem quero saber quem são os assessores amedrontados que não refreiam Passos Coelho da tomada de quaisquer medidas nas costas dos portugueses ou que, pelo contrário, tal sugerem. Mas o medo pela Verdade Toda que nos é devida, seja na Assembleia da República, seja quando apanhado pelos microfones a sair do WC, só pode aterrorizar e confundir mais e mais a Opinião Pública. Nem será o excesso de austeridade o problema, mas o excesso de má e liquidatária austeridade que assassina objectivamente a economia portuguesa sem se perceber para quê. Boa verdade nunca de mais recordar são os 80 000 milhões de euros que correspondem a seis anos de optimismo cretino e que efectivamente conduziram o País ao descalabro, ao buraco em que nos encontramos. Tirando as decisões e as ilusões com dinheiro sem PIB que o pague por que o socratismo se norteou, tais Governos negros pactuaram com toda a espécie de fingimento e encobrimento de dívida própria e alheia, assunto que Sócrates fazia questão nunca comparecesse nos seus célebres monólogos travestidos de entrevistas. [Read more…]

Nulo Silêncio Perante Clamorosa Impunidade

Portugal é o que é. Um país de misteriosa cobardia institucional: aquilo que, no grau e no tom, uma PGR nos faz ou não faz diz tudo da impunidade que o Dinheiro acumulado ilicitamente paga para sua criminosa salvaguarda e dano agudo dos nossos interesses colectivos. Do ponto de vista cívico, Portugal consentiu Sócrates duas vezes. Coisa sem perdão pelos séculos dos séculos, dado o preço altíssimo que todos pagamos por um só charlatão, absolutamente desonesto e insondavelmente dissoluto. Pior ainda: Portugal consentiu um tipo de controleirismo canino, sufocante, através dos media, graças a um sistema tentactular, caro ao Erário, assente em elevadíssimo número de avenças e bocas advocatórias. Portugal consentiu-o duas vezes. As guerras mais estéreis e as confusões mais convenientes vieram por meio dos media, como manobras de diversão relativamente aos negócios e negociatas que se faziam nos bastidores, especialidade e finalidade exclusivas de esse tipo charlatão de Governo. [Read more…]

Austerifornicação

Vivo em austeridade voluntária [não há dinheiro, tudo está pela hora da morte, combustíveis, tudo] e vivo assim muito antes da dita começar para os demais portugueses: em 2008 já andava eu com novos hábitos de contenção espartana e poupança minorca, demasiado sensível aos malefícios trapaceiros, ao rumo desvairado da tirania rapace socratesiana. Mas hoje começamos a ficar demasiado conversados em matéria de utilidade e justiça na austerifoda em decurso, imposta pela Troyka e aplicada pelo tripé de porcelana Passos-Relvas-Portas. Não consigo que as minhas vísceras revolvidas em rejeição de quaisquer fraudes políticas e de quaisquer maus caracteres políticos se descentrem da denúncia e combate à Espessa Mentira Socratesiana que nos trouxe aqui [o Primadonna tem a sua cela prisional vaga, aguardando-o!] para se centrarem na mentira e Covardia dos que dizem querer tirar-nos daqui: qualquer coisa que o Governo Passos faça ou não faça que recorde o modus operandi Sócrates é Sócrates e é, por isso mesmo, o diabo, ainda o diabo!, a começar pelos laivos de arrogância gaspariana, manto com que nos nivelam em totós: a respeito dos cortes nos subsídios, o lixo começa a avolumar-se, a verdade e a transparência esvaem-se, sobretudo quando se pensa nos Interesses Intocáveis e nos Privilégios Vitalícios habituais. Se Passos pensa que pode prosseguir austerifodendo-nos sem nos olhar olhos nos olhos, sem a rocha sólida de uma cumplicidade todos os dias renovada Governo-Povo votante, nem pense!

Dos Excessos Passistas em Decurso

Porque o meu País não é para levar a sério no plano da Justiça e da justa determinação e sanção dos actos que políticos sem escrúpulos praticaram a frio contra o seu povo, ainda me encontro a digerir o charlatanismo socratesiano e é como se ao largar esse filão abominável pactuasse com todas as formas de anestesia e adulteração da verdade que de um modo geral se pratica para melhor a absolver, absolvendo quem dela beneficiou directamente. Não se pense, porém, que não abro os olhos perante os excessos passistas em decurso. São excessos. São passistas. Mas tendo a olhar para eles como inevitabilidades desesperadas num País sem dinheiro e cujo endividamento instrumental pela política ilícita seguida no passado não poderia senão redundar nisto que atinge pequenos, que atinge fracos, que empobrece e desemprega milhares e desprotege impensavelmente outros tantos. É uma loucura imputar esta loucura somente à política que se faz e prossegue e não a imputar, sobretudo, à política baixa e desastrosa que se conduziu por meros critérios mesquinhos de conservação do Poder a todo o transe. Os tempos que vivemos são, por isso mesmo, tempos de guerra. É por pormenores absolutamente indiciadores, como uma licenciatura manhosa, que um povo não pode tolerar perfis daninhos nos que nos tutelam. Não é o caso de Passos, talvez capaz de mentir por Portugal lá, onde outros mentiram a Portugal para maior salvaguarda miserável do Poder e das miseráveis vantagens do Partido.

Aulas de Impotência para Grupos de Trabalho

Devemos olhar para alguma impotência do Governo Passos com uma paciência esperançosa. Sim, já são demasiados grupos de trabalho para estudar e para encher, cujas conclusões depois ficam a marinar à espera que ninguém grite, que nenhum protesto suba, que nenhuma histeria se manifeste por causa de uns meros ventos de mudança forçosa. Mas note-se que, por exemplo, para afrontar as indecorosas rendas que o Estado paga à EDP, e colocar finalmente os interesses das pessoas comuns em primeiríssimo lugar, seria necessário ter por trás toda a gente possível, gente do PC e do BE. Gente! Seria necessário constituir grupos de pressão aliados ao Governo, se é que este não se quer encolher para ser igual a todos os que passaram, quando o escrutínio não era apertado porque também não roçávamos em falência conforme roçamos. Nesse momento, nada ficaria como está.