A Geração do Não Chega Lá

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Nos meus idos vinte anos olhava para os distantes quarentões como aqueles que tinham encontrado o lado estável da vida. Era o achar que nunca se teria uma daquelas barriguinhas dos petiscos, que o cabelo seria sempre viçoso e que a juventude era uma característica pessoal. Mas sabendo que inexoravelmente se lá chegaria e que o conforto da democracia burguesa desculparia alguma coisa.

Alguns anos depois seria o tempo da geração rasca, a dos então miúdos que Vicente Jorge Silva diz não ter alcunhado, antes houvera as geração dos sessenta e dos oitentas, e nós, os que brotávamos idealismo pelos anos noventa? Qual era a nossa geração?

Chegado a quarentão e aperaltado com os sinais a que a mocidade de hoje também se acha imune, eis-me no entanto perante a crua realidade de não ter lá chegado. Ao fim das noitadas porque a experiência valeria mais, ao desafogo económico que uma vez se desenhara, ao meio de uma carreira profissional que se esticou no tempo. Não cheguei lá.

A geração de noventa é a Geração do Não Chega Lá. Não chega aos quadros aonde os anteriores chegaram, não chega à reforma com o correspondente ao que descontou, não chega ao hospital sem pagar, não chega à escola que prepara miúdos para a vida, não chega a um país mais equilibrado economica e socialmente, não chega a ter voto para além da ilusão de democracia, não chega a lado algum sem que não ouça a incansável e derrotista lengalenga de não haver alternativa.

É esta a minha geração, a do Não Chega Lá. Mas também há-de ser a Geração Corremos Com Eles.

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Comments


  1. A não ser que se inscreva na juventude de um dos partidos do arco da desgovernação, e assim talvez lá chegue a hipótese de se governar.


    • NÃO tal não garante nada, de resto numa das muitas reuniões de antigos colegas de alguma cousa havia tantos desempregados nos que tinham militado na juventude socialista e social-democrata nos anos 70 e 80 como nos que nunca tinham estado filiados ou jogavam num dos partidos

      de resto basta ver que tenho dois colegas que vão ser despejados no luxemburgo que já vivem lá desde 1986….logo a geração dos anos 60 e inícios de 70 é das que mais amarga esta crise
      os que estão nos quadros do público também lá chegarão mais tarde

  2. sinaizdefumo says:

    «Era o achar que nunca vez…»!!!

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