Ulrich, o político, banqueiro a tempo parcial

O caudal e o tom das declarações políticas de Fernando Ulrich, vice do BPI, sempre em defesa do PSD, tornaram-se em repugnante rotina. Trata-se de mais uma originalidade portuguesa.

Com o célebre “Ai aguenta, aguenta”, o político Ulrich, banqueiro a tempo parcial, passou a encarnar o papel de “picareta falante”, outrora desempenhado por Guterres. A despeito da evasão extemporânea, tinha outra fluência e qualidade no discurso.

Ulrich sofre de incontinência verbal e não se liberta de um sectarismo partidário (PSD), a meu ver nocivo para o próprio BPI. Nem todos os clientes do banco apoiam o governo.

O derradeiro disparate de Ulrich relaciona-se com a eventualidade de Portugal recorrer ou não ao programa cautelar. Confia plenamente no primeiro-ministro, na ministra das finanças e no governador do BdP para decidir sobre o citado programa – se a inspiração vem da Irlanda, o também economista, que jamais se licenciou, teria de ler e analisar com atenção esta entrevista.

Deixemos de lado a amanuense Albuquerque e Carlos Costa, este dependente do BCE e que teria muito a ensinar a Ulrich em matéria financeira e bancária.

Fiquemos, então, pelo PM. Ainda este fim-de-semana se espalhou ao comprido, no habitual estilo do ignorante que é, ao dizer em público que Portugal deveria seguir o exemplo da Irlanda e baixar mais os salários. Veio a concluir-se que, afinal, a Irlanda reduzira menos as retribuições de trabalho do que o nosso País.

Ser português, aqui e agora, com este género de palrantes sem ética, conhecimentos nem decoro, é autêntica e por mim sofrida infelicidade.

Não se calam. Falam, falam, falam de forma disparatada com a conivência da comunicação social. Claramente, esta última actua em desrespeito pela seriedade da situação do País e da vida dos cidadãos. O interesse é o negócio – mercado publicitário – renegando-se as regras e a deontologia a que o sector, por princípios, está vinculado.

Comments

  1. ocni says:

    Também os bancários são pessoas com direitos politicos, podem ter atividade politica, com posições próximas ou afastadas das nosssas.
    a atividade politica está vedada a militares e juizes, não a bancários, como aliás também não está vedada a artistas, a merceeiros, a economistas, a taxistas…

    • Carlos Fonseca says:

      Tem esses direitos – e ele está na função de banqueiro e não de bancário – dentro da continência verbal e sem descarado sectarismo a favor do partido A ou B. Por outro lado, a promiscuidade entre o poder financeiro, que já nos arranjou esta crise a nível mundial, e o poder político é antidemocrática. Já viu o presidente do Barclays, da Banque Nationale de Paris, do Deutsche Bank fazer o mesmo? Por cá, tenho de reconhecer, embora não goste da personalidade, nem o Ricardo Salgado tem tal comportamento público. Ulrich nunca deixou de ser menino mimado que nem o curso no actual ISEG conseguiu terminar. Jamais atingirá a maturidade de um homem com H. Sente o ‘rei na barriga’, a triste figurinha.


  2. O mais… é só palhaços da côrte !
    E é ver cada vez mais crescer programas televisivos humorísticos a desancar nos governantes e afins que vai de vento em pôpa até à humilhação. Mas eles(políticos) não se importam pk têm-no garantido dos partidos. E VENHAM MAIS CINCO (Partido Livre) … emigrar não, nem trabalhar mais vale roubar o povo que a têta é grande e a carne é do Barroso !

  3. Leandro Coutinho says:

    Tomem atenção a todo o CV de Ulrich. Não foi só a licenciatura que ele não terminou.. Toda a vida profissional dele é de menino mimado “bon chic bon genre”.. Começou por deixar a licenciatura a meio e ir escrever (escrevinhar) no jornal do tio Balsemão. Quando Morais Leitão subiu a ministro das finanças (estertores do consulado) o Ulrich segue para chefe de gabinete. Quando tudo cai, ele segue nomeado para Bruxelas. Quando Santos Silva (q tinha sido sec de Estado) dá início á SPI/BPI, “convida” Ulrich para se sentar como vogal da administração.. e, pronto… temos um banqueiro para sempre..! Como menino com vida fácil… ele não mede as coisas e acha-se o máximo (hoje qualquer candidato a trabalhar no bpi nem sequer era chamado a entrevista porq não tinha a licenciatura completa)..

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