ILC Recuperar todo o tempo de serviço docente

Parabéns pela iniciativa. Concorde-se ou não com o conteúdo, o regime só tem a ganhar por o seus cidadãos participarem activamente no processo político do seu país – ou isso é conversa só para as eleições? E é uma excelente oportunidade para o Parlamento cumprir o seu papel e para o Governo mostrar que não martelou os números para fazer o habitual spin.

Vai ser giro ver como decorrerá o restante processo. Já haverá gente a fazer contas, tais como em quantos votos se poderão multiplicar as 20 mil assinaturas, mais as que vierem.

Tem graça ver a história recente repetir-se, com os mesmos truques mediáticos e com o antigo argumentário. Nada mudou, excepto os salários que ficaram mais curtos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Eu já assinei e não sou professor. “Porque há coisas que mexem com a minha figadeira”. Uma delas é ver cidadãos mal tratados, ainda por cima “tomam conta dos nossos filhos”, e gente a bater neles como se eles fossem uns párias, apenas e só porque defendem os seus direitos. Eu a isso chamo preconceito, para não chamar inveja. Não tanto pelo que os professores ganham, mas por não terem eles próprios capacidade de lutar por aquilo que acham ser o melhor para si e os seus, tal como os professores fazem.
    Alguém me há-de explicar por que razão qualquer professor que tenha uma janela de oportunidade para integrar o quadro do ensino público, a tempo inteiro e perto da área de residência, não salta logo do ensino privado, onde leciona, para uma escola pública?
    Dizer que os professores não querem ser avaliados é outra grande treta. Os professores querem ser avaliados, mas no pressuposto de que só os maus serão extirpados, e não a maioria, como se na profissão dominassem os incompetentes e não os competentes.
    O poder passa a vida a criar funis, ou será mesmo uma espécie de conta gotas, com o único intuito tornar mais barato o trabalho dos seus quadros.
    Apetecei-me declamar aquele velho poema já gasto, mas sempre atual de Martin Niemöller

    “Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
    Como não sou judeu, não me incomodei.
    No dia seguinte, vieram e levaram
    meu outro vizinho que era comunista.
    Como não sou comunista, não me incomodei.
    …”

    Quando um dia já não houver Escola Publica, SNS, polícia, militares, transportes públicos, infra-estruturais do Estado, etc, etc, descobrirão que continuam na mesma modéstia, e afinal a culpa não era deles.

    • j. manuel cordeiro says:

      Também não sou professor. Mas há um espantoso ódio à classe e têm o meu apoio.

      • Bento Caeiro says:

        Saberão os deuses, a razão de tal desmerecimento?
        País ingrato que tais cidadãos tem, que nem reconhece os grandes professores que tem! Então não reconhecem a qualidade de leitura dos alunos, os seus conhecimentos e o seu grau de disciplina? Gente mazinha que tão maus fígados tem.
        Vá lá dêem-lhes o tempo perdido! Olhem, ponham-nos a todos no berço!


  2. .
    …é que há tanta causa e lutas tão mais gritantes e urgentes a pedir esforços de cidadania a nível geral e global em que ninguém ou tão poucos se entregam – que não estas de interesses $$ corporativos egoístas – que esta luta dos professores, seja ou não justa, já se está a tornar cansativa e banalizada se não rejeitada pela opinião pública … e com razão !

    Juntem-se esforços de cidadania de forma mais abrangente e coerente em nome de uma equidade justa de direitos de todos, e teremos luta política mais séria e eficazmente mais positiva !

    • Rui Naldinho says:

      Isabela, muito do que escreve é verdade. Há lutas tão ou mais justas do que a dos professores. Mas isso não pode ser um impeditivo para que eles lutem pelos seus interesses. E de se manifestarem. Se assim não fosse, então não valeria a pena ninguém lutar, porque há sempre gente muito pior do que nós. Esse é o argumento da direita. O discurso do Banco Alimentar.
      Eu reconheço que há muitos professores que não valem o ordenado. Mas isso é uma minoria. A grande maioria dos professores, hoje, é mal tratada pelos pais dos seus alunos, pouco dados a assumir a sua função paternal ou maternal. Há turmas onde mais de metade dos alunos vive em lares de pais separados. Muitos dos progenitores, homens, não mantém qualquer relação com os filhos. Alguns miúdos vivem com os avós, porque os pais tiveram de emigrar. Noutros casos, os pais são alcoólicos e toxicodependentes.

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