0-0 ao intervalo

democracia

De quando em vez, há eleições. Endireitam-se as gravatas, toma-se banhoca duas vezes ao dia, engraxam-se os discursos, escovam-se os sapatos, esgalha-se um amplo sorriso, ligam-se os microfones e os megafones, bota-se uma faladura, sacam-se uns aplausos, levantam-se umas bandeirolas, içam-se a moral e o moral, mais aplausos, três sardinhas, dois copos de vinho, tinto da casa, a mão que acena, o pé que dança, o flash que dispara, bota uma selfie, a multidão que resfolega, o sono que ataca, o café que não vem, o café que vem frio, mão na buzina, eia, eia, eia, passa a caravana, o cão abana a causa de contente, recolhe à casota, a lua se levanta, adormece o cão, sai o gato . Vem o boletim, bota-se a cruz a caneta. É segunda-feira. Toca o despertador. Acabou-se a vaselina.

São quatro anos sempre a rasgar

As cortinas de fumo e os spin doctors de serviço

A agressão de que terá sido vítima uma cidadã portuguesa na cidade do Porto, agressão essa cujo autor foi, alegadamente, um elemento do corpo para-militar privado contratado pelos STCP para efectuar serviço de segurança, suscitou, como não podia deixar de ser, uma reacção imediata dos spin doctors do costume. A função desses spin doctors foi a de reduzir instantaneamente o acontecimento a um fenómeno racista, ocultando, distorcendo e falseando factos essenciais, sendo que o primeiro desses factos é que a responsabilidade pelos acontecimentos cabe, em primeira instância, ao Conselho de Administração dos STCP, que já deveria ter sido exonerado e accionado criminalmente pelo sucedido, procedimento após o qual caberia analisar a responsabilidade solidária da tutela, designadamente dos seis municípios da Área Metropolitana do Porto responsáveis pela gestão da empresa.

Não podendo negar-se, à partida, a possibilidade de estarmos, na verdade, perante um crime com motivações racistas, hipótese que deve ser plenamente investigada, essa seria sempre uma qualidade acessória de um acto muito mais grave do ponto de vista penal, o de ofensa à integridade física qualificada, com a agravante de ter sido perpetrado por um agente ao serviço de uma empresa pública, crime cuja sanção pode chegar aos 12 anos de prisão.

Querer transformar este episódio, de gratuita e bárbara violência, em mais um argumento em favor daqueles que lutam diariamente pela destruição da memória e do legado universalista português e o significado profundo da sua História, comparando-a à de qualquer Reich sanguinário e racista, é uma ignóbil traição, essa, sim, com laivos discriminatórios e até racistas, aos nossos valores civilizacionais autênticos e uma inaceitável falta de respeito pela dignidade histórica dos portugueses e de todos os povos em comunhão com os quais esses mesmos portugueses evoluíram no mundo.

 

Decidam-se:

A pessoa no chão é Nicol Quinayas, 21 anos, nascida na Colômbia, desde os cinco anos em Portugal.
Diário de Notícias, 27 de Junho de 2018

Nicol Quinayas, de 21 anos, nascida em Portugal, mas de ascendência colombiana
Diário de Notícias, 29 de Junho de 2018

O “I” de incompetência do IAVE

A situação não é nova, na verdade é recorrente, todos os anos havendo situações problemáticas com os exames.

Desta vez, o que se passou foi o IAVE, três dias depois da realização do exame Matemática A, ter definido que, numa questão com items em alternativa, quem respondesse aos dois items teria a resposta dada como certa desde que a resposta de um deles estivesse correcta. Isto, apesar de o enunciado dizer explicitamente que o aluno só deveria responder a um dos itens.

[Read more…]