Vídeo árbitro

Quando vejo um jogo de ténis sei que vencerá o melhor. As bolas atingem elevadas velocidades, por vezes superiores a 200 Km/h, e não é incomum haver dúvidas quanto à bola ter ficado dentro ou fora do campo. As próprias decisões do árbitro nem sempre são consensuais, podendo o jogador pedir para rever até 3 vezes as imagens do momento em que a bola tocou o chão.

No futebol reina o arbítrio, mesmo quando a decisão é polémica. No mundial deste ano foi introduzido o vídeo árbitro, que pode ser usado para rever uma jogada. Mas, contrariamente ao ténis, não é são as equipas que podem evocar essa revisão. Estas, podem pedir, como pedem a marcação de falta os jogadores que se sentem injustiçados, mas é o árbitro que decide se irá ou não rever o lance. No essencial, nada mudou quanto à natureza potencialmente inconsistente das decisões de arbitragem.

Sempre achei que, no negócio do futebol, nunca houve vontade para resolver o problema e vejo o processo escolhido para uso do vídeo árbitro como mais um ponto a reforçar essa ideia.

Comments


  1. O problema não é o negócio, o árbitro, meter seis árbitros como fez a UEFA pensando que muitos olhos resolviam o problema, ou inventar agora o vídeo-árbitro porque tudo se mantém e nada resolverá o problema.

    Quando num jogo Benfica – Sporting, dois ex-árbitros n’A Bola dizem que ficaram dois penaltis por marcar a favor do Sporting; dois ex-árbitros no Record dizem que ficou um penalti por assinalar a favor do Sporting; e n’ O Jogo outros dois ex-árbitros dizem que o Jorge de Sousa esteve muito bem ao não assinalar nenhum penalti, só por aqui já se vê como este jogo (tão aborrecido) é extremamente ambíguo.

    E quando as regras não são claras e extremamente ambíguas, fica tudo no poder discricionário do árbitro.

    Estou farto de dizer, a nível de regras, o futebol é completamente pré-histórico! Começa logo nas medidas do campo! Alguém imagina, olhe, como citou, no ténis, que nuns torneios os campos sejam maiores e noutros os campos já sejam mais pequenos? Não pois não? No futebol é assim. Nem sequer as dimensões do jogo estão definidas! Tal como os descontos, outra anormalidade. Por que é que não há um cronómetro, como em todas as outras modalidades, e sempre que o árbitro apita o jogo para? Porque o futebol é completamente pré-histórico. E continua com regras absurdas. o “Foot Ball” é só jogado com os pés, certo? Então porque raio os lançamentos são feitos com as mãos?

    “Com a mão… Andebol, basquetebol, voleibol, pá… Futebol, com os pés, com as pernas, com a cabeça…”

  2. Paulo Marques says:

    Não foi agora que foi introduzido, senão ainda se corria o risco de se desligar quando fosse conveniente.
    Que o mundial seja mais do mesmo que se passou cá não é surpresa, a FIFA não é menos corrupta que a FPF.

  3. Rui Naldinho says:

    Não sendo eu um expert nessas matérias, assino de cruz este seu texto. Até pela sua simplicidade.
    A honestidade, nomeadamente a honestidade intelectual é muito mais difícil de alcançar no plano psicológico, do qualquer tecnologia virtual que nos mostre 3000 imagens dos “ângulos mais excêntricos”. A ideia de que uma máquina pode resolver as todas dúvidas, é uma falácia. Porque em última instância decide o bicho homem.
    O problema está sempre nos detalhes. E é nos detalhes que a vigarice campea, ou que a honestidade faz os seus ilustres protagonistas mostrarem que ainda há gente séria. Seja nos jogos de futebol, seja nas privatizações dos grandes grupos económicos, seja nas parcerias público privadas, ou até mesmo nas relações entre parceiros da concertação social.
    Como dizia um amigo meu:
    Há umas mãos de Deus, e outras do cara***!


  4. O VAR é uma total inutilidade, salvo para reforçar a ideia de que os erros são mesmo propositais.

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