O debate sobre o futuro da Linha do Douro

Luís Almeida

A Associação Vale d’Ouro e a Câmara Municipal da Régua vão promover no próximo dia 15 de setembro a partir das 16h30 no Auditório Municipal da Régua um debate sobre a Linha do Douro com o objetivo de colocar na agenda nacional a exploração da ligação transfronteiriça e chamar a atenção para as oportunidades que esse investimento poderá ter na região que contará com a presença do Secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins.
Apesar de diversos estudos elaborados ao longo dos anos confirmarem uma vocação estratégica deste eixo ferroviário para o país e para a península ibérica, no contexto transfronteiriço, a situação da Linha do Douro tem-se vindo a deteriorar e o seu contributo para a economia tem vindo a ser negligenciado. O turismo é hoje uma das fortes vocações desta linha ferroviária mas o potencial deste corredor está muito longe de estar esgotado.

Em causa não está apenas a eletrificação que, de acordo com os planos do governo português, não será em toda a extensão da linha atualmente em serviço, mas também o potencial económico, de desenvolvimento regional e até operacional da rede ferroviária nacional e ibérica que o restabelecimento da ligação transfronteiriça poderia trazer.
Para esta sessão, além do painel de lançamento do debate que contará com Alberto Aroso, André Pires, Ascenso Simões, Luís Ramos e Luís Tão, foram convidadas todas as autarquias atravessadas pela Linha do Douro até Salamanca, os operadores ferroviários, o gestor da infraestrutura, operadores turísticos e logísticos, diversas associações empresariais e ligadas ao setor ferroviário e diversos deputados além do público em geral. O debate terá a moderação do jornalista Carlos Cipriano. A sessão de encerramento ficará a cargo do Presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro e do Secretário de Estado das Infraestruturas.

O Presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, considera que este é um momento chave para uma discussão que a região precisa urgentemente. O autarca considera que não está em causa apenas o turismo e a operação logística associada a esta linha mas também, e sobretudo, as populações de um vale que tem sido “esquecido” em matéria de investimento. O objetivo deste debate é primeiramente chamar a atenção para a necessidade de um projeto que tem impacto na região mas também no país. Uma visão integrada no território pressupõe olhar para o Vale do Douro em toda a sua extensão, dimensão e potencial. A cidade do Peso da Régua não se poderia alhear de uma discussão que interessa a todos, desde o Porto até Salamanca.

Para Luís Almeida, presidente da Direção da Associação Vale d’Ouro as vantagens da operação da linha do Douro com a reabertura até Espanha são inúmeras e tem impacto não só na região como no país. A Associação Vale d’Ouro entendeu que apesar da pertinência deste assunto, numa altura em que se define o Plano de Investimentos até 2030, a região parecia adormecida para esta discussão e para a relevância de um investimento que diversos estudos apontam como estratégico. Esse foi o principal motivo para, com a autarquia da Régua, lançarem esta iniciativa e colocarem o assunto na agenda nacional.

Comments


  1. é um remake da linha da Lousã, os autarcas conseguiram as barragens e respectivos lagos e parques naturais, e até já têm auto estradas, estão apenas a participar para não parecer mal… e quero mesmo estar enganado, mas este país diz-me para esperar sentado e não ter esperanças para ser pelo menos um corno manso feliz…

  2. Luís Lavoura says:

    Eu fiz bastantes vezes a linha do Douro há umas décadas.
    Sejamos realistas: é uma linha cheia de curvas, ao longo de um vale muito encaixado, em boa parte do seu percurso com via única, e que serve regiões com muito pouca população (e a população que há, raramente está junto à linha, mas sim muito mais acima). Não dá.
    Poder-se-ia modernizar, sim, e aproveitar. Mas viveria sempre a expensas do contribuinte.

    • Jose says:

      Apesar de ser a expensas do contribuinte, convem não esquecer que as empresas de transportes de autocarros, acabam por beneficiar de subsidios do estado. No fundo esta substituído o serviço público pelo privado com as mesmas despesas. A pouca população também paga impostos, e tem direito a transportes publicos que poderiam beneficiar nao só o interior.

    • Paulo Marques says:

      O serviço público vive às custas do estado e dá prejuízo? Tou chocado!

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

%d bloggers like this: