O debate sobre o futuro da Linha do Douro

Luís Almeida

A Associação Vale d’Ouro e a Câmara Municipal da Régua vão promover no próximo dia 15 de setembro a partir das 16h30 no Auditório Municipal da Régua um debate sobre a Linha do Douro com o objetivo de colocar na agenda nacional a exploração da ligação transfronteiriça e chamar a atenção para as oportunidades que esse investimento poderá ter na região que contará com a presença do Secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins.
Apesar de diversos estudos elaborados ao longo dos anos confirmarem uma vocação estratégica deste eixo ferroviário para o país e para a península ibérica, no contexto transfronteiriço, a situação da Linha do Douro tem-se vindo a deteriorar e o seu contributo para a economia tem vindo a ser negligenciado. O turismo é hoje uma das fortes vocações desta linha ferroviária mas o potencial deste corredor está muito longe de estar esgotado. [Read more…]

Pensar transmontano

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© Elisabete Figueiredo (01/08/2015)

Um homem está sentado à porta com o seu cão. Passo. Digo boa tarde. E pergunto se o rio é longe. Longe? Isso são duas horas para ir e duas horas p’ra vir! Diz ele. Eia. Isso é mesmo longe! Digo eu. E ele: bem… enquanto vai e vem o caminho não está sozinho.
Não fui. Vou antes à estação abandonada.

Sítios Onde Não Vais de Carro II

Mais devagar se vais mais longe.

“Trás-os-Montes vai ficar deserto em 30 anos”

“Até 2040 o interior do país deverá ter menos um terço da população. Trás-os-Montes é uma das regiões que corre o risco de ficar deserta, caso as taxas de natalidade continuem a baixar.”

Fechar escolas, matar o país

cemiterio03Em Trás-os-Montes, nos últimos dez anos, fecharam quase 800 escolas primárias. Os simplistas que vêem o mundo através de uma calculadora de curto prazo explicarão que é inevitável, que há menos crianças e que não há “sustentabilidade” para manter mais escolas a funcionar. [Read more…]

Jorge Pelicano – Pare, Escute e Olhe

[youtube http://youtu.be/hCN9jk1TYQ0&w=240]

Trás-os-Montes, comboios, uma câmara de filmar.  Um grande documentário.

9 prémios. Ficha IMDB.

Mogadouro

Planalto Transmontano

Alegria de Ver o Comboio Passar

De antologia. Podia ser assim uma estória na história da Linha do Tua e do caminho-de-ferro que foi Portugal; esta fotografia encontrei-a por aí. Assumo ter sido tirada por volta de 1966-67 na passagem de nível da Estrada Nacional 15 junto ao apeadeiro de Rebordãos, uns oito quilómetros a jusante de Bragança. Muito provavelmente, a fotografia ilustra a entrada ao serviço das então novas automotoras CP de fabrico holandês “Allan”, de via estreita, com veículo motor e respectivo reboque.

Passa o comboio, Trás-os-Montes veio ver o comboio passar.

Entretanto, nos dias que correm, e a 35 km da fronteira, passam cada vez mais comboios mais rápidos a ligar a  Galiza a Madrid e Barcelona… como dizia o outro: “virem-se para Espanha”…

ps: avisam-me que estas automotoras vieram para o Tua um pouco antes, em 1955.

Sim é possível deixar tras-os-montes ainda mais isolado

Há uns três anos atrás, aproveitando outra reflexão, sugeri que em vez de se construir uma auto-estrada transmontana que quase a unica coisa que vai fazer é tornar pago o único acesso moderno ao interior, se optasse por reformular as ligações internas às capitais de concelho do distrito de Bragança e ligações a Espanha.

Isto porque me parecia que 310M€ para converter o não muito bom mas relativamente seguro e aceitável ip4 entre Vila Real e Bragança era dinheiro mal gasto, ainda para mais dinheiro que não tinhamos e ainda para mais quando podia ser gasto em investimento (em estradas) mais produtivo.

Agora, com as obras a meio, com cortes sucessivos no ip4 que nos levam a revisitar a EN15 (onde eu demorava umas 5 horas para fazer porto-bragança) resolvem fechar a torneira e suspender as obras por 90 dias.

É justo, como o fecho de vigo/valença para poder comprar carros para os administradores da cp, todos temos que participar na ajuda ao país.
Pena que tenha que se impor isso a quem já não tem ligações ferroviárias (quando há 50 anos eram dezenas de quilómetros), não tem ligações rodoviárias decentes e as que tem são sempre as últimas a ser construídas.

"BARRAGEM DO TUA: os subterrâneos da política"

“(Sócrates veio ao Tua inaugurar a 1ª pedra tumular de Trás-os-Montes.
E veio com segurança, sem oposição dos autarcas mais directamente envolvidos. Porque antes o terreno foi devidamente preparado com eficácia pela máquina regional do PS.
Já agora convém lembrar que a empreitada da barragem foi adjudicada pela EDP de António Mexia, ao consórcio Mota-Engil/Somague/FMS, cuja empresa-mestra é presidida pelo socialista Jorge Coelho, que também está a fazer o túnel do Marão e a A4.

Vamos lá tentar “escavar” estes subterrâneos políticos

Entretanto, o CDS de Alijó acordou agora… talvez ainda vão a tempo de comprar submarinos…

Vila Pouca de Aguiar

Neste troço da Linha do Corgo transita agora uma variante à Estrada Nacional 2, a auto-estrada grátis nº 24 não aparece na imagem que terá sido tirada nos primeiros anos da década de todas as expectativas.

Natureza by EDP…

A “natureza” no vale do Tua na visão da EDP (com o alto patrocínio dos ministérios da  Cultura e Ambiente, várias autarquias locais e alguns deputedos eleitos por Bragança e outros) e na visão da… Natureza.

Nota: as imagens foram obtidas sensivelmente no mesmo localfoto da esquerda e da direita. Sim, sim, aquele paredão, sim, avista-se, sim, do rio Douro – ainda classificado como Património da Humanidade. Resta saber se a única região turística que tem crescido nos útlimos anos estará disposta a abdicar daquele título. Os seus autarcas estão! As suas populações… também! Os deputedos… também!… os governantes também… ansiosamente!

Eu às voltas

Como era bela e única a Linha do Tua…

Estou às voltas com a infantil e deliciosa inocência dos filhos, a prepará-los para uma noite reparadora que amanhã há trabalho. Silencioso, enquanto faço isto e aquilo, penso que eles têm a sorte de ter um pai que lhes vai poder contar na primeira pessoa o que eram aquelas gargantas, aquele serpenteado que vêem na foto antiga de um comboio que mete medo.

Talvez até se interessem por saber mais sobre aquela água vermelha pútrida que estaciona no colo de uma amarra de betão, enquanto nada por lá acontece. Vou poder contar-lhes, fingindo-me culto, que em Portugal há muitos casos singulares de projectos nunca acabados. Vou-lhes referir a ponte (rodoviária) da Régua, aquela que levaria o comboio a Lamego. Vou-lhes mostrar a foto da ponte seguinte sobre o rio Varosa, uma ponte integralmente construída para ficar de testemunho. Vou-lhes referir que Coimbra teve eléctricos e que também acabou com um comboio que trazia, na época, um milhão de pessoas no vai-vem pendular das gentes de Lousã e que também sucumbiu quando se quis travestir de metro de superfície, e os meus filhos decerto nem entenderão que estou a falar de quase cem anos de diferença, como não quererão enquadrar, na inércia de uma noite de tertúlia, que as linhas estreitas nem nunca chegaram ao seu destino, e, quando já amputadas lhes quiseram dar mais segurança, afinal desligaram as máquinas, deixando-as morrer, não cumprindo uma promessa solene. [Read more…]

São Portugueses, Querem o Comboio

Alguns ainda se lembram, outros preferem fazer esquecer; em 1992, o sinal telefónico e de rádio foi cortado em Bragança ao mesmo tempo que a GNR barrava em sua casa o presidente da Junta de Freguesia, ao mesmo tempo que o Governo de Cavaco Silva removia da estação aqueles que foram os últimos comboios a visitar a cidade. Foi em 1992 e Portugal era já um país livre, democrático e a receber chorudo dinheiro da Comunidade Económica Europeia… Estórias da ultra-periferia do Império.

Central de Camionetes de Bragança

Do comboio foi entre 1906 e 1992. Depois vieram os burocratas e escavacaram Trás-os-Montes.

O Meu Amigo Tiago

Às vezes vai à Suiça ver a família e muitos comboios a passar; Alguém que raramente-se-engana-e-nunca-tem-dúvidas foi ontem a Mirandela e sente muito orgulho em tudo o que legou a Trás-os-Montes. A falta de memória é uma coisa verdadeiramente fodida.

Tua, Corgo, Tâmega, Sabor, Vouga, Dão

A Honestidade Intelectual do Expresso…

É pena, chega a ser triste.

Aos poucos, de um jornal de referência que, escrevendo algo logo se acreditava que seria verdade, se vai chegando a um jornal que, escrevendo algo, logo se acredita que muito provavelmente tem gralhas ou omissões. E as omissões não são gralhas ou lapsos…

Aconteceu que o Expresso publicou uma galeria online com o sugestivo título “Viagem ao Douro dos anos 50, sem barragens“.

O título é verosímil. Os autores da peça apenas se esqueceram (terá sido omissão ou gralha?) de referir quer a origem quer a data das fotografias ali publicadas. Não são – de todo! – imagens da década de 50 do século XX. São antes fotografias de Emílio Biel a quem a então Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (legítima predecessora da actual CP EPE) encomendara o acompanhamento fotográfico da valerosa e insana construção da Linha do Douro (1873-1889), Porto a Barca d’Alva, numa extensão aproximada de 200,5 km. Portanto, algumas fotografias têm mais que 60 anos, têm 137 anos.

Com efeito, nos tais “anos 50, sem barragens” a que alude o documento, e ao contrário do mostrado nas fotografias, já toda a linha do Douro tinha balastro (pedra) na via, algumas das estações tinham já sido largamente ampliadas e algumas das pontes ou viadutos tinham sido substituídos: tal é o caso do Viaduto da Pala (na imagem acima) (outra imagem de 1972, máquina a vapor com carruagens metálicas de fabrico suiço Schindler).

Ainda, e ao contrário do que o texto advoga, os “investimentos em barragens” não foram o sinónimo de se terem feito estradas “e melhoram-se as acessibilidades” porque muitas das estradas ribeirinhas (naturalmente sinuosas – são centenárias embora não tão antigas como o caminho-de-ferro). Portanto, se “ficou mais fácil circular junto ao vale do Douro vinhateiro, hoje património da humanidade” tal se deveu muito, e na maior escala, à chegada do comboio e não às barragens. Pormenores! Tanto mais que ninguém vem quotidianamente trabalhar da Régua para o Porto de barco…

E a patranha continua: “com mais energia verde e com novas acessibilidades junto a esses empreendimentos.” Esta afirmação é feita com base nos latos benefícios que o Douro (ele próprio) tem recebido como contrapartida da exploração da sua riqueza?? É que desde os tais anos 50 não se tem notado. Agora andam todos aflitos a dizer que sim, agora é que vai ser progresso para o Douro… já são os jornalistas do Expresso a dizê-lo, deve ser verdade.

Arco Iris – Fotografia

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Mondim de Basto

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Vacas Maronezas Junto ao Rio Poio

Viva o Chaves!


Uma vitória histórica do Desportivo de Chaves na Figueira da Foz e uma alegria para as deprimidas gentes de Trás-os-Montes.
Que saudades do velho Chaves de Raul Aguas e de António Borges. E mais uma festa do norte no Estádio do Jamor.

Como F**** Trás-os-Montes em Suaves Prestações

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A primeira parte deste documento factual está aqui.

Depois vieram os anos-maravilha 1990, Soares dizia que não podia, Cavaco não teve dúvidas,  até vai de comboio para o Algarve. Trás-os-Montes, aos bocadinhos, têm-se transformado numa reserva de caça. Sinto vergonha.

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