O roubo de um comboio de Lisboa

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José de Lisboa

Estamos a ser roubados.
Com intensidade e duração variáveis, o património ferroviário português tem sofrido nas últimas décadas muitos atentados, saques e roubos, uns velados e outros mesmo na luz do dia, como é o caso que quero denunciar.

Está a poucas horas ou dias de desaparecer, sob a forma de sucata de luxo, a primeira automotora elétrica de corrente monofásica 25 kV em Portugal e no mundo inteiro, conhecida como “Unidade Tripla Eléctrica” número 2001, ou seja, UTE 2001. [Read more…]

O legado de Manuel Queiró na CP

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Foto Ricardinho Rodrigues
Por Miguel Castro Araújo

Foi oficializada na passada sexta-feira a substituição do Conselho de Administração da CP. Entretanto, correu pelas redes sociais uma petição, supostamente em nome dos utentes e trabalhadores, para a manutenção do eng. Manuel Queiró na presidência da empresa. Pergunta-se, quais utentes?
Os do Alentejo sem comboios ou os do Oeste que passaram a ver os seus comboios suprimidos ou substituídos, quando têm sorte, por autocarros?
Os do Douro que suportam, devido a sanitários entupidos, as cada vez mais mal cheirosas automotoras “camelas”?
Os da linha de Cascais com comboios a caírem de velhos? Quais trabalhadores?
Os da CP Carga, à força privatizados e hoje a viverem tempos de grande incerteza?
Os da CP, casa mãe, que nunca foram tão poucos e nunca tiveram tão más condições materiais de trabalho, pois são eles que têm que fazer o impossível para colmatarem as avarias e falta de comboios, atrasos constantes, as bilheteiras sem condições mínimas de conforto e de equipamento informático?
Vamos lá fazer uma análise cuidada à herança deixada por Manuel Queiró nos quatro anos que presidiu aos destinos da transportadora ferroviária. Assim de memória, é-nos difícil encontrar um presidente, e a CP tem tido uma série deles muito maus, que de uma assentada só, tenha descapitalizado tanto a empresa.
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Menos carruagens nos comboios da linha de Sintra

O número de comboios mantém-se, já que os horários não foram alterados. Mas os comboios parecem “mais curtos”, o que deverá estar relacionando com o encostar de carruagens que deviam ter feito a revisão de meia vida e não a fizeram. É um problema que este governo tem que resolver, nomeadamente pela reversão dos cortes introduzidos por Sérgio Monteiro, secretário de Estado da tutela no anterior governo.

A CP, actualmente liderada por Manuel Queiró, porém, decidiu “encostá-las” (expressão usada na gira ferroviária) porque tal implicaria um investimento de um milhão de euros para cada uma. Dois anos antes, o PET (Plano Estratégico dos Transportes) apresentado pelo então secretário de Estado da tutela, Sérgio Monteiro, reduzira a oferta de transportes públicos no âmbito do processo de ajustamento da troika, pelo que parte do material circulante deixou de ser necessário. [Público]

Fica a nota para os saudosos do anterior governo e para os entusiastas do presente executivo.

Quanto aos comboios compostos por carruagens de dois pisos, que também fazem serviço suburbano na linha de Sintra, estão sempre mais lotados do que os correspondentes compostos por carruagens de um piso. Possivelmente, terão menos capacidade. Mas, mesmo que não seja o caso, há uma enorme diferença entre os dois tipos de carruagens. Nas de dois pisos, os passageiros viajam em pé nas escadas, onde não existem suportes para se segurarem. É uma questão de tempo até alguém cair devido a uma redução de velocidade.

Avaliações por contingentes

jn_besAntónio Alves

Esta notícia prova a ignorância e estupidez generalizada dos gestores portugueses ao mais alto nível. Este sistema de avaliação e gestão dos “recursos humanos”, chamado “stack and rank”, já foi abandonado praticamente em todo o lado. Foi uma moda de gestão, maligna como muitas outras, que contribuiu para a queda e destruição de muitas empresas pela profunda desmotivação e sentimento de injustiça que induzia nos trabalhadores. A Microsoft, que o adoptou, e posteriormente abandonou, admitiu que foi um dos principais causadores da sua década perdida em que se viu ultrapassada pela Google.

Não me espanta que esteja a ser adoptado no Novo Banco. Afinal aquilo agora é dirigido por um tipo que, infelizmente, passou pela CP onde demonstrou que, apesar da verborreia, era completamente oco. Um tal de Ramalho que andava nos comboios a dizer que ia, em 10 anos, transformar a CP na maior e melhor transportadora ferroviária da Ibéria

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Fila indiana na CP

Na estação da CP de Entrecampos pede-se aos estrangeiros que saibam ler inglês para se deslocarem em fila indiana, que é o que se imagina que se pretenda com a expressão “single file”.

À falta de organização da estação e aos WC pagos, mas que às 20:00 já encerraram – como se sabe, as necessidades estão sujeitas a marcação -, soma-se esta pérola, menor, é certo, mas desnecessária. Senhores administradores da CP, quando corrigirem a gafe, aproveitem o balanço e coloquem sinalética decente na estação. E, já agora, se não for pedir muito, evitem fechar o que é suposto estar disponível para quando é preciso.

É disto que se trata quando se fala em esquemas

Pelo relatório de actividade do TdC de 2015, divulgado ontem, ficámos a saber de um esquema que estava em curso pela social-democracia-sempre.

Em Julho do ano passado, o TdC recusou o visto a 11 contratos entre a CP e a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), no valor de 354 milhões de euros, por terem sido negociados num momento em que decorre a privatização da EMEF.
 
O TdC considerou que estes contratos, cuja duração chega aos dez anos, poderiam dar vantagem aos investidores privados que ficarem com a EMEF, conferindo-lhes receitas garantidas por um largo período de tempo.  [Jornal de Negócios, 08 Junho 2016]

No artigo, esqueceram-se de acrescentar que era uma privatização a ser feita em cima da campanha eleitoral. Tudo normal.

Agora é esperar sentado que a insurgência militante explique, com gráficos todos pipi, as maravilhas destes negócios encostados ao Estado. Tal como fizeram com afinco para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e para a TAP.

Vandalismo não é arte…

Infelizmente 3 jovens perderam a vida, o que se lamenta, mas não queiram fazer do revisor bode expiatório. Os “artistas” vandalizavam propriedade que não lhes pertencia, utilizando violência para levar por diante os seus intentos, que um zeloso funcionário terá procurado contrariar. Portugal ainda não está transformado num paraíso de grunhos que se julgam acima de regras ou Leis…

Leitura complementar aqui.