A CP e o colapso programado da linha do Douro

pedido-info-cp

Carlos Almendra Barca Dalva


Uma nota prévia:
a CP deixou de alugar comboios charter às empresas de turismo e excursões no Douro há vários anos. Razão? – não há comboios disponíveis. Há vários anos.

Outra nota prévia: em 2015, e apesar das condições de exploração sofríveis e da vetustez dos comboios disponíveis, as receitas dos bilhetes cobriram as despesas operacionais na linha do Douro. É um caso raro na Europa ter uma linha de cariz regional a pagar a sua própria operação com as receitas. É mesmo o único caso em Portugal.
Explicando melhor: a linha do Douro é única via férrea que “não dá prejuízo”. A linha de Cascais dá prejuízo, a linha de Sintra dá muito prejuízo, só para termos uma ideia do que estamos falar. A linha do Douro cobriu as despesas operacionais num ano em que a CP já não alugava comboios, num ano em que a CP abdicou de transportar 180.000 passageiros em comboios charter. Teria sido uma média de +500 passageiros/dia a um valor nunca inferior a 10 euros/pessoa.

Basta pedir os números à CP.

Mas vamos à situação actual. 
A linha do Douro tem, desde há muitos anos, cinco comboios diários em cada sentido no entre a Régua e o seu terminus, a estação do Pocinho.
Um grupo de amigos pretendia organizar uma viagem no Douro em Agosto. Feita a pesquisa no site da CP, o grupo verifica que, dos actuais 5 comboios, a partir de 5 de Agosto passariam a ser apenas 3. Portanto, um decréscimo de 40% na oferta de comboios, e isto em plena época alta, a mesma época alta em que a GNR é amiúde chamada às estações do Pinhão e Régua para serenar os ânimos dos “clientes” que não conseguem encontrar lugar nos comboios.

Época alta, corte de 40% nos lugares a partir de 5 de Agosto.
No país “melhor destino turístico”. No Douro, “Património da Humanidade”

Mas tudo isto é premeditado.
Se não, atente-se na correspondência trocada com a empresa. O email de resposta, recebido a 12 de Julho, contém um texto que diz que “existiu actualização de horários a partir de 05 de Agosto”. Ora bem, meus senhores, faltam 3 semanas para as alterações!
resposta-cp-douro

É também digno de embaraço o facto de os horários serem alterados no pico do Verão. Não há memória de tal. Será porque as pessoas estão de férias, as empresas estão encerradas, os políticos estão de férias e, como é Verão, ninguém repara?
O problema, meus senhores, é que no Douro repara-se, e muito.

A amigos meus, a CP assegura que o facto de desaparecerem 2 de 5 comboios em cada sentido no Douro e a partir de 5 de Agosto se deve a um “erro de pesquisa”. Então, o email-modelo recebido, já a contar com esse “erro”, é o quê, meus senhores?
Mentir é feio.
Para contextualizar, é de recordar que a linha do Douro padece da falta de comboios há muitos anos. Há mais de 10, há mais de 15, talvez 20.
É, pois, escusado, andarem a empurrar o problema com a barriga.

A CP sem comboios

cp-camionetas-de-portugal

[maquinistas.org]

Em altura de greves é frequente vermos repórteres televisivos de microfone em punho a disparar perguntas frenéticas às pessoas directamente lesadas cuja resposta, sendo tão óbvia, torna o motivo da reportagem burlesco, não pretendendo defender utentes mas sim atacar quem de facto exerce um direito.
É vê-los nas urgências dos hospitais: “então, a greve dos médicos causou-lhe muito transtorno? e agora quando terá nova consulta?”…ou na estação do Cacém: “a que horas vai chegar ao emprego? esta greve traz-lhe muitas dificuldades”… como se as greves tivessem sentido prático se os efeitos não se fizessem sentir.

No último mês foram suprimidos na CP centenas de comboios não por efeitos de greves mas por falta de material circulante, por avaria, falta de mão de obra na EMEF, falta de investimento. Chegamos ao cúmulo do serviço ferroviário ser substituído por camionetas na Linha do Oeste, no Algarve, no Minho, no Alentejo, no Vouga, comboios que deviam ser feitos com Pendulares substituídos por material a cair de maduro sem que isso se reflicta no preço do bilhete, encerram-se troços por não haver comboios a circular como aconteceu na semana passada entre Caldas da Rainha e Coimbra na Linha do Oeste. Milhares de passageiros prejudicados.
Custos acrescidos com o aluguer de camionetas.
Perda de imagem e valor sem que se questionem os responsáveis.

Senhores jornalistas, considerando que o senhor Presidente da CP numa greve em Junho alegou prejuízos de 1,3 milhões de euros , que tal perguntarem-lhe quanto é que a CP já perdeu neste processo de degradação programada ?

A novela Bruno Carvalho acabou, as crianças tailandesas felizmente saíram da gruta, o Benfica ainda não começou a jogar , os incêndios tardam , o Pontal ainda vem longe.
Vamos entrar na silly season com os motivos de reportagem a escassear.

Senhores jornalistas, porque não ir por esse país fora, pelas estações ferroviárias do Algarve ao Minho fazer aquela pergunta sacramental que tanto gostam de fazer em alturas de greve :

“então, a falta de comboios está a causar-lhe muito transtorno???”

InterCidades Lisboa-Évora, a tragédia de uma empresa

ic-lisboa-evora[Rui Elias Maltez]

Desde há uma semana a ser feito com recurso às Automotoras 2240, não as adaptadas para o serviço da Covilhã, mas usando as vulgares automotoras para IR ou Regionais, leia-se suburbanos, que foi para isso que foram construídas em 1977, talvez comprometendo a capacidade do serviço regional de Tomar.
Existem hoje muitas causas possíveis para esta situação, como a falta de locomotivas, falta de carruagens, indisponibilidade da EMEF para libertar o material em intervenção mais cedo, também por falta de recursos humanos nesta empresa.
Um destes factores, ou a acumulação de todos , e o desastre acontece. Mais um desastre decorrente dos poucos recursos materiais de uma empresa que o Estado está a condenar a uma lenta e dolorosa morte, e que não permite à CP ganhar com uma publicidade agressiva e eficaz aos seus serviços e com bons resultados.
A tragédia de uma empresa pública de transporte ferroviário de passageiros que quer vender os seus serviços, angariar clientes através das suas políticas de marketing eficaz e, que no fim, não tem meios para responder à crescente procura.
Uma tragédia portuguesa.
Fotografia de Andrew Donnely, Oriente, 15 de Junho de 2018.

O roubo de um comboio de Lisboa

ute2001-boletim-cp

José de Lisboa

Estamos a ser roubados.
Com intensidade e duração variáveis, o património ferroviário português tem sofrido nas últimas décadas muitos atentados, saques e roubos, uns velados e outros mesmo na luz do dia, como é o caso que quero denunciar.

Está a poucas horas ou dias de desaparecer, sob a forma de sucata de luxo, a primeira automotora elétrica de corrente monofásica 25 kV em Portugal e no mundo inteiro, conhecida como “Unidade Tripla Eléctrica” número 2001, ou seja, UTE 2001. [Read more…]

O legado de Manuel Queiró na CP

comboioregional-cp
Foto Ricardinho Rodrigues
Por Miguel Castro Araújo

Foi oficializada na passada sexta-feira a substituição do Conselho de Administração da CP. Entretanto, correu pelas redes sociais uma petição, supostamente em nome dos utentes e trabalhadores, para a manutenção do eng. Manuel Queiró na presidência da empresa. Pergunta-se, quais utentes?
Os do Alentejo sem comboios ou os do Oeste que passaram a ver os seus comboios suprimidos ou substituídos, quando têm sorte, por autocarros?
Os do Douro que suportam, devido a sanitários entupidos, as cada vez mais mal cheirosas automotoras “camelas”?
Os da linha de Cascais com comboios a caírem de velhos? Quais trabalhadores?
Os da CP Carga, à força privatizados e hoje a viverem tempos de grande incerteza?
Os da CP, casa mãe, que nunca foram tão poucos e nunca tiveram tão más condições materiais de trabalho, pois são eles que têm que fazer o impossível para colmatarem as avarias e falta de comboios, atrasos constantes, as bilheteiras sem condições mínimas de conforto e de equipamento informático?
Vamos lá fazer uma análise cuidada à herança deixada por Manuel Queiró nos quatro anos que presidiu aos destinos da transportadora ferroviária. Assim de memória, é-nos difícil encontrar um presidente, e a CP tem tido uma série deles muito maus, que de uma assentada só, tenha descapitalizado tanto a empresa.
[Read more…]

Menos carruagens nos comboios da linha de Sintra

O número de comboios mantém-se, já que os horários não foram alterados. Mas os comboios parecem “mais curtos”, o que deverá estar relacionando com o encostar de carruagens que deviam ter feito a revisão de meia vida e não a fizeram. É um problema que este governo tem que resolver, nomeadamente pela reversão dos cortes introduzidos por Sérgio Monteiro, secretário de Estado da tutela no anterior governo.

A CP, actualmente liderada por Manuel Queiró, porém, decidiu “encostá-las” (expressão usada na gira ferroviária) porque tal implicaria um investimento de um milhão de euros para cada uma. Dois anos antes, o PET (Plano Estratégico dos Transportes) apresentado pelo então secretário de Estado da tutela, Sérgio Monteiro, reduzira a oferta de transportes públicos no âmbito do processo de ajustamento da troika, pelo que parte do material circulante deixou de ser necessário. [Público]

Fica a nota para os saudosos do anterior governo e para os entusiastas do presente executivo.

Quanto aos comboios compostos por carruagens de dois pisos, que também fazem serviço suburbano na linha de Sintra, estão sempre mais lotados do que os correspondentes compostos por carruagens de um piso. Possivelmente, terão menos capacidade. Mas, mesmo que não seja o caso, há uma enorme diferença entre os dois tipos de carruagens. Nas de dois pisos, os passageiros viajam em pé nas escadas, onde não existem suportes para se segurarem. É uma questão de tempo até alguém cair devido a uma redução de velocidade.

Avaliações por contingentes

jn_besAntónio Alves

Esta notícia prova a ignorância e estupidez generalizada dos gestores portugueses ao mais alto nível. Este sistema de avaliação e gestão dos “recursos humanos”, chamado “stack and rank”, já foi abandonado praticamente em todo o lado. Foi uma moda de gestão, maligna como muitas outras, que contribuiu para a queda e destruição de muitas empresas pela profunda desmotivação e sentimento de injustiça que induzia nos trabalhadores. A Microsoft, que o adoptou, e posteriormente abandonou, admitiu que foi um dos principais causadores da sua década perdida em que se viu ultrapassada pela Google.

Não me espanta que esteja a ser adoptado no Novo Banco. Afinal aquilo agora é dirigido por um tipo que, infelizmente, passou pela CP onde demonstrou que, apesar da verborreia, era completamente oco. Um tal de Ramalho que andava nos comboios a dizer que ia, em 10 anos, transformar a CP na maior e melhor transportadora ferroviária da Ibéria

[Read more…]

Fila indiana na CP

Na estação da CP de Entrecampos pede-se aos estrangeiros que saibam ler inglês para se deslocarem em fila indiana, que é o que se imagina que se pretenda com a expressão “single file”.

À falta de organização da estação e aos WC pagos, mas que às 20:00 já encerraram – como se sabe, as necessidades estão sujeitas a marcação -, soma-se esta pérola, menor, é certo, mas desnecessária. Senhores administradores da CP, quando corrigirem a gafe, aproveitem o balanço e coloquem sinalética decente na estação. E, já agora, se não for pedir muito, evitem fechar o que é suposto estar disponível para quando é preciso.

É disto que se trata quando se fala em esquemas

Pelo relatório de actividade do TdC de 2015, divulgado ontem, ficámos a saber de um esquema que estava em curso pela social-democracia-sempre.

Em Julho do ano passado, o TdC recusou o visto a 11 contratos entre a CP e a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), no valor de 354 milhões de euros, por terem sido negociados num momento em que decorre a privatização da EMEF.
 
O TdC considerou que estes contratos, cuja duração chega aos dez anos, poderiam dar vantagem aos investidores privados que ficarem com a EMEF, conferindo-lhes receitas garantidas por um largo período de tempo.  [Jornal de Negócios, 08 Junho 2016]

No artigo, esqueceram-se de acrescentar que era uma privatização a ser feita em cima da campanha eleitoral. Tudo normal.

Agora é esperar sentado que a insurgência militante explique, com gráficos todos pipi, as maravilhas destes negócios encostados ao Estado. Tal como fizeram com afinco para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e para a TAP.

Vandalismo não é arte…

Infelizmente 3 jovens perderam a vida, o que se lamenta, mas não queiram fazer do revisor bode expiatório. Os “artistas” vandalizavam propriedade que não lhes pertencia, utilizando violência para levar por diante os seus intentos, que um zeloso funcionário terá procurado contrariar. Portugal ainda não está transformado num paraíso de grunhos que se julgam acima de regras ou Leis…

Leitura complementar aqui.

Um mapa do abandono

rede_ferroviaria_1974_2015
Daqui.

Estações de comboios no centro da cidade é regra na Europa

comboios estacoes centrais na europa

Só um país com parolos no poder, suportados por parolos que os elegem, teria a ideia de retirar do centro da cidade uma estação de comboios.

A ver: Santa Apolónia: fora de linhas.

A ler: Santa Apolónia, que Manuel Salgado quer fechar, é a terceira estação do país

Porto Boavista Casa da Música

estacao_porto_boavista_metro_casa_da_musica

Como destruir o Estado em 3 Passos

PRIMEIRO: pega-se num pau-mandado (ou criminoso, é à escolha) e mete-se numa empresa pública em lume brando.

SEGUNDO: aumenta-se a temperatura até ferver, permitindo, deste modo, que o pau-mandado possa torrar todo o dinheiro disponível através de medidas desastrosas previamente delineadas pela máfia.

TERCEIRO: servir o pau-mandado em público onde este irá dizer que essa empresa pública é mal gerida pelo Estado e, como tal, deverá ser privatizada.

Há aqui uma coisita que me intriga. Qual será a parte do crime que as instituições responsáveis não entendem. Mais claro do que isto só a ponte Vasco da Gama. [Read more…]

20 de Abril de 1974

foz-do-tejoFronteira ferroviária de Barca d’Alva, Linha do Douro. © George Woods.

Comboios de Novo Parados no dia 1

linha-sintra-comboioNa terça feira não há serviços mínimos.
Como também já vem sendo hábito, nos dias 31/12, e 2/1, os comboios também não andarão.

Instruções para o ano novo: o manual do perfeito grevista

chaplin

A greve é, só por si, um abuso, tal como o protesto, no fundo. A democracia e produtos derivados, aliás, devem permanecer num recanto da consciência e não devem ser exibidos em público, a fim de evitar atentados ao pudor.

O único grevista bom é, então, um grevista despedido, de preferência antes de chegar a pensar em fazer greve, porque isso já é, no fundo, uma heresia, um ataque à infalibilidade do governo e um desrespeito pelos nossos proprietários que só nos querem bem. E se o caminho for o empobrecimento de cada um de nós, há que aceitar, porque ínvios são os caminhos dos senhores e não nos cabe a nós alcançar os segredos da dívida interna.

Se, ainda assim, alguém sentir um impulso incontrolável por protestar ou por fazer greve, que saiba manter essa tara num recanto escondido do lar, longe na rua, longe, até, do cônjuge ou dos filhos. O cidadão responsável deverá fazer greve às escondidas, como deverá ser às escondidas que se dedicará às reprováveis práticas do onanismo. Aliás, num mundo ideal, em circunstâncias extremas, deveria ser normal a mulher bater à porta da casa de banho e perguntar, indignada, ao homem solitário: “Estás outra vez a fazer greve, grande porco?”

O grevista é, por definição, um milionário que ignora possuir uma fortuna. Assim, o grevista ganha sempre mais do que aquilo que é lícito e tem sempre mais direitos do que deveria ter, pela simples razão de que há sempre alguém que ganha menos, está desempregado ou teve papeira já na maioridade.

A greve deveria ser, no máximo, um direito reservado aos sem-abrigo, na condição de que estejam tão subnutridos que não tenham força sequer para balbuciar. O facto de não terem emprego faz deles, ainda, os grevistas ideais.

Felizmente, o nosso governo tem sabido contornar as maçadorias provindas de uma Lei cada vez menos Fundamental e antevê-se um mundo privatizado em que, por exemplo, os estivadores tenham medo de fazer greve. Já não faltará muito para que Portugal seja um paraíso semelhante à Coreia do Norte, graças à firmeza dos nossos queridos líderes.

Moro No Porto

Sou um privilegiado

Quase todos os transportes públicos da Grande Lisboa vão estar paralisados no dia 25, dia de Natal, em cumprimento da greve aos feriados que se iniciou a 1 de Novembro

No Porto, só os STCP o farão.

Os ferroviários, a CP e uma greve que me chateia

Como muitos outros portugueses que pagam mas não utilizam auto-estradas, pontes tipo Vasco da Gama, e outras parcerias para privados, sou uma queixosa vítima da greve no Natal, às suas horas extraordinárias, dos ferroviários.

Fico mesmo pior que estragado com greves assim. Um deste dias apanhei na TSF um manhoso que se gabava de ter deixado a CP pronta a privatizar. Imaginam o que fez ao serviço público? está feito.

E lá irei, de camioneta, com este governo que não fechou nenhuma das tais auto-estradas inúteis, mas já encerrou uns bons quilómetros de ferrovia, e nunca mais vai de carrinho

Os comboios sobreviverão? duvido, a ordem é fechar, e onde há lucro para todos pagarmos, privatizar, prejudicando o país.

Estou mesmo furioso com esta greve. Furioso com aqueles para quem os direitos dos trabalhadores são trucidáveis. Sem passagem de nível. E também sem paciência para essa malta minúscula que se queixa da greve sem se lembrar da última vez que andou de comboio, há tanto, tanto tempo, eras tu uma criança… alguns nem antes de nascerem, coitados, que comboio é coisa de pobre.

Despedimento Sumário e Colectivo, JÁ!

cpEste governo não os tem nos sítio

É uma verdadeira vergonha. Estes gajos andam a gozar connosco. Agora, e mais uma vez, vão de férias no Natal.

Despejam para cima de nós as mais diversificadas desculpas e razões para esconder um só objectivo:
Prejudicar o País, prejudicando o maior número possível de pessoas.
Um governo a sério já os teria despedido sumariamente e recrutado pessoal no exército até que no mundo do trabalhador existissem já novos formandos, que não estivessem subjugados aos sindicatos que os vão manipulando.
Estes tipos, para não usar um termo que eles mereceriam, não fazem greves, fazem férias, prejudicando quem com o seu trabalho e os seus descontos lhes paga os salários.

Até quando vamos aguentar esta chuchadeira?

Greve da CP

“Até às 8h circularam apenas dois comboios. Num dia normal, teriam circulado 431. Estes dois comboios não pertencem à lista de serviços mínimos. Dessa lista de serviços mínimos teríamos 28, não circulou nenhum”, [Read more…]

Greve do Pessoal dos Recursos Humanos das Empresas com Trabalhadores em Greve

RECURSOS HUMANOS 2FIXE, FIXE, ERA UMA GREVE DESTA GENTE

Fixe, fixe, era que o pessoal dos Recursos Humanos das empresas cujos trabalhadores estão em greve, parcial, às horas extraordinárias, ou total, e que dessa greve resultassem prejuízos para os outros trabalhadores que necessitam dessas empresas a laborar para eles mesmos trabalharem (Soflusa, Transtejo, Carris, Metro, CP, STCP, TAP, etc., etc., etc.), ou cujos prejuízos para a economia nacional fossem por demais evidentes (estivadores dos portos Nacionais), também fizessem greve, nem que fosse por solidariedade.

Era ver se as greves grassavam da mesma forma por esse País fora.
Para quem não sabe ou anda distraído, algumas das funções dos Recursos Humanos são:
– Preparar os dados para o processamento informático dos vencimentos;
– Processar os documentos relativos às horas extraordinárias, despesas de deslocação e ajudas de custo;

Fim dos títulos monomodais STCP

Ex.mo Senhor Ministro da Economia e do Emprego:

A 23 de Janeiro do corrente ano, V.Exa. assinou, conjuntamente com um representante do seu colega das Finanças, um despacho conjunto que trouxe, em geral, um brutal aumento dos preços nos transportes colectivos. A 1 de Janeiro próximo, terá lugar o último e mais dramático episódio dessa lamentável novela, com o fim dos títulos monomodais em diversas empresas. Quero referir aquela que me afecta: a STCP.
Sou actualmente detentor de um título de assinatura combinada CP/STCP; a esta última, por uma assinatura que me permite viajar em toda a rede STCP, pago presentemente 32,50 Euros; com o fim desse título, e para fazer apenas uma pequeníssima parte dos percursos que posso fazer hoje, passarei a pagar 56,00 Euros – se V.Exa. não determinar outro aumento geral.

Com o que pago no comboio (54,05 Euros), em Janeiro conhecerei um aumento superior a cem por cento no custo dos transportes, em apenas cinco anos!

V.Exa. não podia decidir, para a área metropolitana do Porto, o que decidiu para a área metropolitana de Lisboa, porque são realidades muito diversas. Desde logo porque no Porto as zonas Andante são um verdadeiro quebra-cabeças, um disparate e um ROUBO: por menos de três quilómetros pagam-se três zonas Andante, ou seja, trinta e seis euros por mês!
Repare V.Exa. que o brutal aumento do custo da minha assinatura coincidirá com uma drástica redução da oferta nas linhas que uso diariamente, conforme hoje mesmo foi noticiado. Gasto diariamente três horas a chegar e regressar do trabalho, a pouco mais de 20 Kms de casa! E poderia demorar menos de metade, gastando menos, se o Estado cumprisse a promessa feita na altura do desmantelamento da linha ferroviária, construindo os 15 kms de carril que faltam (que o canal já lá está) para ligar o Metro do ISMAI à estação ferroviária da Trofa.

São já conhecidos dados sobre a irreflectida medida de acabar com as assinaturas dos reformados e pensionistas: a STCP viu as suas receitas diminuírem, porque muitos cidadãos nessa condição abandonaram a assinatura. Com a nova medida, a STCP perderá ainda mais receita; mas algumas empresas privadas muito lucrarão com isso!

E até sei, senhor ministro, quem é que, de entre os barões do partido que maioritariamente suporta o Governo, tem assento nos respectivos órgãos sociais…

V. Exa. está ainda a tempo de recuar, pelo menos até que o estúpido zonamento Andante seja revisto, de acordo com princípios básicos como o da proporcionalidade; V.Exa. está ainda a tempo de não infernizar completamente a vida de quem trabalha, subtraindo-lhe mais uma grossa fatia dos seus magros rendimentos, a somar à devastação fiscal que aí vem.

Cumprimentos,

Carlos de Sá
Vila Nova de Famalicão

Os maquinistas da CP, esses malandros!

CP dá carro novo a sete directores

Atraso de vida

Portugal tem uma longa história e uma das suas curiosidades, decerto será a opção pela via férrea como meio de transporte moderno. Há cento e dez anos, tínhamos uma impressionante rede de caminhos de ferro. Assim, os infelizmente cada vez mais improváveis sucessores de Fontes Pereira de Melo, teriam a obrigação de colocar este transporte numa plataforma de primazia, estudando cuidadosamente aquilo que outros países fazem em matéria de mobilidade e poupança. Mas não, por aqui continuamos com a querida e velha mania do cata-piolhos, ou seja, da procura de um homem providencial em todos os escalões da sociedade, seja ele um gestor de fortunas, um “autoador” de multas que interpreta as normas a seu bel prazer, ou neste caso, um revisor que decida acerca dos direitos de um passageiro.

Esta notícia não devia existir, pois cada vez mais nos arriscamos a ficarmos a “ver comboios” em casa, brincando com um ou outro exemplar da Märklin.. De vez em quando, Portugal bem podia rever os conselhos, velhos de décadas, prodigalizados por Ribeiro Telles. Ainda vamos a tempo.

São Miguel da Carreira

A Linha do Minho no concelho de Barcelos. Passou o comboio.

Cerveira (II)

A minha Páscoa

Começava numa caminhada. De Rio Tinto a Contumil onde apanhava o comboio até Vila Meã. Não me lembro do tempo que demorava, mas recordo-me que depois da estação eram mais uns quantos quilómetros a pé até ao destino. Ali bem no meio entre o Pai e a Mãe. Uma vezes para a direita até Real. Outras para a Esquerda até Castelões. 

Imagem de Jorge Lopes (http://www.flickr.com/photos/jsepol/6862954096/)

Depois era tudo tão simples, mas tão perfeito. Os verdes e as flores no chão a chamar o compasso. A sineta que se ouvia ao longe e depois mais perto. Aquele grupo de gente que entrava pela casa a anunciar a boa nova – Cristo Ressuscitou!

O orgulho que havia em ser o Juíz da Cruz, em liderar a festa da aldeia. A alegria que havia em ser família. Depois era a correr de casa em casa “atrás” da cruz – umas vezes à frente, outras, mesmo atrás.

Recordo o presunto e o salpicão na mesa. Que maravilha! Que saudades.

Era hora de partir – mais carregados. Cebolas, ovos, “coisas da Aldeia” para os meninos da cidade.

Que bom que era – não pode voltar a ser?

E o óscar vai para…

… depois de ler o douto artigo do Provedor do Leitor do Diário de Notícias, só posso endereçar o óscar de melhor argumento adaptado aos abrantes. Então os marretas tiveram a arte de enviar mails madrugadores ao Senhor Provedor e este, todo lampeiro, não se fez rogado e de tal conteúdo fez jurisprudência. Eu, ingénuo, olhava para o Senhor Provedor e via-o como uma espécie de blogger do 5Dias. Afinal, enganei-me, ele é mais “corporações“.

A CP é porca!

Eis a vista da automotora onde circulei hoje, num dia cheio de sol, sem uma única nuvem no ceu:

 
[Read more…]