Cavaco, O Ressabiado

Parece que alguém que ainda não engoliu o sapo das últimas legislativas verteu o ressabiamento em forma de livro. É o retrato do sujeito que condicionou quase 3 décadas da vida dos portugueses, tendo conseguido, com esta lápide de papel impresso, resumir-se ao intriguista que nunca deixou de ser

Por falar em livros e em intrigas, é de recordar outro, o do seu assessor, onde se relata, inadvertidamente, a inventona de Belém.

Seria bem mais interessante ouvir uma explicação do próprio sobre este tema e, já agora, se não fosse maçada, da sua relação com o gangue do BPN. Afinal de contas, andamos todos a pagar o desfalque gigante feito pelos seus companheiros de partido.

Mas, para esse exemplo de honestidade, à qual não se chega nem morrendo duas vezes, importante mesmo é a pequena vingança em forma de adjectivação barata.

Ainda bem que escreveu estas coisas. Assim a História não se enganará no retrato que dele fizer.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Anibal Cavaco Silva nunca disse mal dele a ninguém.
    Possuído de um ego do enorme, acha-nos todos uns incapazes. Assume-se como o mais sério dos eleitos. Mas o seu percurso de vida não demonstra assim tanta probidade.
    Calculista como poucos, não fosse ele economista, sempre deu passos métricos para alcançar o Poder na bonança, tanto nas funções de Primeiro Ministro, como na de PR.
    Só que a vida por vezes prega-nos partidas. Mesmo aos calculistas.
    Quando todos esperávamos perante a maior crise no regime democrático que se abateu sobre nós, que ele, Presidente, fosse uma espécie de farol que nos guiasse no meio da escuridão, o mais alto magistrado da Nação mostrou toda a sua pequenez e incapacidade, face aos acontecimentos que decorriam á sua frente. As suas intervenções no episódio da queda do BES são um bom exemplo. Ele melhor do que ninguém, sabe isso. Mas em vez de se penetenciar, revolta-se contra nós.
    Cavaco Silva, na História de Portugal será sempre um derrotado.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não pretendo ser tão iluminado como Cavaco, mas mal o ouvi à saída do Congresso da Figueira da Foz de 1985, dizer com aquela voz de “cana rachada” que só lá tinha ido porque queria fazer a rodagem ao carro, logo disse para quem me rodeava: “Este homem é, para já, intelectualmente desonesto”.
    Começou, desta forma, um “reinado” onde todos pudemos assistir ao desfile das maiores golpadas que continuam impunes. Se é preciso nascer suas vezes para ser tão honesto como ele, então eu já nasci mil vezes.
    De resto a sua tirada dois ou três dias antes da queda do BES a tentar assegurar a liquidez daquela instituição é demonstrativa, ou de má fé ou de uma profunda incompetência, reconhecido que é um “as” nas áreas da Economia e Finanças, coisa que eu nunca senti, mas enfim, é tema só pare gente verdadeiramente iluminada.
    A sua tirada relativamente ao que ganhava e que lhe não chegava, é um insulto à grossa maioria dos portugueses, demonstrando o seu carácter e percepção do País. Dito de outra forma, a sua postura de homem de estado está três degraus abaixo do nível das águas do mar.

    Posto isto, só faltavam os livros para assegurar a continuidade da sua prosa venenosa, carregada de ressabiamento.

    Tudo isto me recorda o livro de José António Saraiva, ‘Eu e os Políticos’, onde a lavagem de roupa suja foi rainha.
    Saraivas Cavacos e outros “lavadores de roupa suja” é coisa que abunda na corja política, mas nos livros não gastarei nem um tostão, precisamente porque já nasci mais de mil vezes.

    • j. manuel cordeiro says:

      Lembro-me bem desse dia, também. E Lembro-me igualmente da surpresa de ver a miudagem da minha idade a agitar bandeiras e a gritar pelo Cavaco. Muitos desses, hoje, insurgem-se contra o RSI e demais apoios do Estado aos mais carenciados. Uns chupistas, assim lhes chamam entre-dentes. No entanto, todos, como foi norma, beneficiaram do cartão jovem e da compra de votos, perdão, dos diversos apoios aos eleitores, perdão, aos jovens. Como agora são mais velhos, talvez sofram de perda de memória.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Eu, na altura, já tinha 36 anos e já conhecera os efeitos da PIDE que o democrata das vaquinhas tanto acarinhou. As crianças, coitadinhas, também andavam com bandeiras, como eu andei quando o Salazar visitou o Porto em 56, tina eu sete anos e não pude escapar à “manada”.
        Como dizem os ingleses “old loves die hard” e o salazarismo e os salazarentos gostam muito deste cantinho, porque sabem que o povo é sereno (o outro diz manso) …
        Cumprimentos.

  3. Rui Naldinho says:

    Assino tudo o que escreve, sem hesitar. É aquilo que eu penso.
    Cumprimentos

  4. Anonimus says:

    31 de Outubro, boa data para os zombies regressarem à Terra.

    (mas que o outro é artista,…)

  5. antero seguro says:

    Será questionável a autoria do livro. Não terá sido escrito pelo Lima?

    • j. manuel cordeiro says:

      Não apostava. Afinal de contas, o escorpião cavaco mordeu o sapo lima.

      http://visao.sapo.pt/actualidade/portugal/2017-10-15-Manual-da-traicao-em-politica

      O episódio das “escutas” – expressão que Lima sustenta nunca ter usado, por ter falado, penas, em “vigilância” –, surgiu em setembro de 2009, quando o jornal Público faz uma manchete a dizer que a Presidência da República desconfiava que andava a ser vigiada pelos serviços de São Bento do primeiro-ministro (José Sócrates). Com a relação institucional entre Cavaco e Sócrates em cacos, e a menos de um ano e meio das eleições presidenciais de 2011, a notícia caiu como uma bomba, tendo sido bem aproveitada por Sócrates para se vitimizar. O DN acabou por revelar que, na origem da informação do Público, esteve o assessor Fernando Lima. Completamente em pânico devido às consequências que o caso podia ter para a sua recandidatura, Cavaco afasta Lima das relações com a imprensa mas, para continuar a tê-lo controlado, atribui-lhe um vago cargo de analista de informação em Belém. Uma prateleira. No seu livro Na Sombra da Presidência, Lima descreve coloridamente como arranjou um gabinete vago num lugar esconso do Palácio, “num sótão”. Mas as palavras mais reveladoras vêm logo na nona página de um volume de 430: “Verdadeiramente chocante, para mim e para a minha mulher, foi quando Cavaco Silva e a mulher passaram por nós, no fim do almoço do Dia de Portugal em Faro, em 2010, e fizeram de conta que não nos conheciam. (…) Não queríamos acreditar no que nos acabava de suceder. (…) Não deixo de dizer que foi um momento que me encheu de tristeza e muito incomodou a minha mulher. Tivemos de encarar o sucedido como contingências da vida… e das relações humanas!”

  6. lagidiv says:

    este acabado Farroba não se esqueceu de lançar mais veneno para a sociedade portuguesa mas esqueceu-se de lançar o ALHO igual aquele lá da CARRIS de lisboa para amenizar a dor
    que lançou com mais esta FERROADA que lançou. Vá dormir eternamente e Paz Há sua Alma. Amen!!!!!!!!!!!!

  7. ladigiv says:

    este Algarvéu esqueceu-se de nos dizer nesse livro como foi a forma de ganhar tanto dinheiro com as acçõs do BPN e aquele caso do BES em que apareceu na TV a dar confiança ao POVO
    para pôr lá mais dinheiro para amenizar o desfalque que já lá estava instalado.TADINHO!!!!!Esqueceu-se!!!!!!Mas esta inteligência nata esquece-se!!!Não é possível!!!!!!!!!!!!.

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