E outros dias

Quinta-feira é o dia de copos e vadiagem aqui por Coimbra. Terça também, mas menos. Ainda há dias, vendo junto à porta de casa um folião que suportava, com auxílio da parede, os ataques da lei da gravidade, confidenciava para quem me acompanhava:

É quinta-feira, nota-se…

Quinta-feira e outros dias!… – atalhou o oscilante etilizado com voz entaramelada, dedo indicador apontado aos céus e a dignidade altaneira dos bêbados.

É para que vejam: mesmo in vino, o estudante tocado não perdeu a oportunidade de uma referência político-literária. Cavaco Silva ficaria orgulhoso!

Cavaco, O Ressabiado

Parece que alguém que ainda não engoliu o sapo das últimas legislativas verteu o ressabiamento em forma de livro. É o retrato do sujeito que condicionou quase 3 décadas da vida dos portugueses, tendo conseguido, com esta lápide de papel impresso, resumir-se ao intriguista que nunca deixou de ser

Por falar em livros e em intrigas, é de recordar outro, o do seu assessor, onde se relata, inadvertidamente, a inventona de Belém.

Seria bem mais interessante ouvir uma explicação do próprio sobre este tema e, já agora, se não fosse maçada, da sua relação com o gangue do BPN. Afinal de contas, andamos todos a pagar o desfalque gigante feito pelos seus companheiros de partido.

Mas, para esse exemplo de honestidade, à qual não se chega nem morrendo duas vezes, importante mesmo é a pequena vingança em forma de adjectivação barata.

Ainda bem que escreveu estas coisas. Assim a História não se enganará no retrato que dele fizer.

O palavra é uma arma

cavaco fisga

E há quem as empilhe em livros, arrumadinhas em parágrafos, reluzentes de mesquinhez em todas as letras.

O escritor apressado que baniu um Prémio Nobel da Literatura

Rui Naldinho

Presidenciais: Cavaco, o genial feiticeiro

Escrever livros é coisa normal em políticos, mesmo “amadores”. Depois de abandonarem os cargos para os quais foram eleitos, após um período de nojo, alguns escrevem as suas memórias biográficas. Outros escrevem ensaios sobre o seu pensamento político e filosófico. Mas em ambos os casos há uma vida para contar, um conjunto de experiências ao serviço da comunidade para transmitir aos mais novos, um estudo para debater e criticar, algo que possamos considerar uma marca cultural do exercício do poder.

O que não é normal em democracia, é vermos um ex-presidente com um passado político no mínimo duvidoso, a escrever um livro que mais parece uma vingança pessoal ou um ajuste de contas com um ex-primeiro-ministro.

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Anibal Cavaco Silva e os dias felizes

Cavaco e os dias felizes

O amor no ar.
Daqui: Manifesto 74.