Política não, credo

“A emancipação dos trabalhadores será obra dos trabalhadores”- dizia Marx.
Se não forem capazes, contratem uma sociedade de advogados ambiciosos, digo eu.

E não, não estou a questionar a legalidade e a legitimidade da greve que se anuncia. Muito menos a subscrever a acção e medidas do governo – que raio de serviços mínimos são aqueles? – que parece ansioso por mostrar músculo político e agradar aos eleitores de direita. Estou apenas a lembrar que esta treta do “novo sindicalismo” – parece que já há 15sindicatos15 a querer contratar o dr. Pardal – não tem nada de novo. O ataque vai-se virando, durante estes eventos, contra o chamado sindicalismo “clássico”. Isto é, o sindicalismo forte e unido com uma forte componente política – não, não tem de ser partidária -, cuja acção não se resuma à reivindicação salarial e a concertações encenadas. É por isso que a direita exulta com este suposto vendaval de neo-sindicalismo. É que, para ela, uma sociedade de advogados a dirigir – generosa e graciosamente, claro – um sindicato, é modernaço e traz a vantagem de as organizações sindicais não se meterem em política que isso é coisa de senhores doutores. Já se um partido tiver forte presença num sindicato, “ai valha-me deus, ti batata, que isto é tudo uma data de comunistas”.
Nós compreendemos.

Pertenço a um sindicato cujos membros são obrigados a habilitação certificada e ao real exercício da profissão. Os advogados que com ele trabalham fazem-no – como acontece com a maioria dos outros sindicatos – como consultores, não dirigentes, nem sequer sócios. No limite, imagine-se o que pode acontecer se esta prática de infiltrar os sindicatos com profissionais que nada têm a ver com eles se generaliza.

E não, nem isto é novo. É só um conceito de sindicalismo que foi, como outros foram, no tempo histórico próprio, rejeitado no nosso país, onde escolhemos outros caminhos.
Reduzir, qualquer que seja o preço, a acção sindical à exigência de mais uns euros e, ainda pior, à pulverização de corpos profissionais enfraquecendo a luta comum em troca da vantagem de uns poucos, é um caminho. Mas o preço final não é pequeno.

Comments

  1. silva resende says:

    A máfia deste país o PS e PCP que sabendo que o Casino Estoril fez um despedimento colectivo 113 trabalhadores com lucros de milhões.

    Sindicalista o Clemente de saiu com uma indemnização choruda com emprego imediato na camera municipal de cascais, deixando os trabalhadores á deriva neste despedimento.

    Advogado do sindicato que fez tudo para que os trabalhadores perdessem a causa, desde atraso das notificações até dentro do tribunal só desfolhava papel, nuca interviu na defesa do tralhador.

    Sindicato sabia disto e nada resolveu.

    ordem dos advogados e seguros dos mesmos, depois da queixa o veredicto foi que é um ilustre advogado e que não se sabe se o tribunal seria a favor dos trabalhadores.

    Este país de corruptos já vem dos partidos dos industriais dos média etç……


  2. ” …E não, nem isto é novo. É só um conceito de sindicalismo que foi, como outros foram, no tempo histórico próprio, rejeitado no nosso país, onde escolhemos ( ?? ) outros caminhos.
    Reduzir, qualquer que seja o preço, a acção sindical à exigência de mais uns euros e, ainda pior, à pulverização de corpos profissionais enfraquecendo a luta comum em troca da vantagem de uns poucos, é um caminho.
    Mas o preço final não é pequeno.” !!!

    …” É por isso que a direita exulta com este suposto vendaval de neo-sindicalismo. É que, para ela, uma sociedade de advogados a dirigir – generosa e graciosamente, claro – um sindicato, é modernaço e traz a vantagem de as organizações sindicais não se meterem em política que isso é coisa de senhores doutores. Já se um partido tiver forte presença num sindicato, “ai valha-me deus, ti batata, que isto é tudo uma data de comunistas”.
    Nós compreendemos . ”

    Totalmente de acordo com esta sua excelente análise, José Gabriel .

    E perdoe a transcrição e a interrogação entre parêntesis, mas é somente com o fim de passar e reforçar palavra, avisar a malta…se é que ainda vale a pena !!

  3. Anonimus says:

    Durante anos ouvi que uma greve só funcionava se houvesse prejudicados.
    Mesmo que estes fossem “terceiros”, tais como os cidadãos que não podem usar transportes públicos ou vêem o Centro de saúde encerrado.
    Agora há o interesse nacional.
    Expliquem qual a diferença entre um Pardal que defende os interesses de uma classe e uma Avoila.
    Custa a muito esquerdista perder o seu nicho de mercado, o liberalismo e mercado livre chegaram aos Sindicatos.

    • Paulo Marques says:

      Só há nove refeições entre a civilização e a anarquia. Alfred Henry Lewis
      É possível defender a greve e os serviços mínimos. E é possível defender os serviços mínimos e que é incompetência defini-los em cima do joelho, até anti-democratico.

    • E o burro sou eu ? says:

      “Expliquem qual a diferença entre um Pardal que defende os interesses de uma classe”

      Isso é o resta para ver.
      Um de bata preta a defender a ferrugem ?
      Pagando é claro sim, mas para já o Pardal é candidato a político, pelo partido do Marinho Pinto.
      O azar para ele é se acontece o mesmo a Pinto que nas eleições para as Europeias. Mas um pardal deveria ir para o PAN

  4. Mário Matos e Lemos says:

    nuca por nunca é lapso; interviu por interveio parece-me que não é lapso

  5. JgMenos says:

    «A emancipação dos trabalhadores…» Há cada caramelo mais treteiro!

    Como se a emancipação não fosse matéria do foro individual, como se um trabalhador não estivesse sempre e por definição tutelado por uma estrutura funcional. Quando emancipado diz-se trabalhador independente.

    A ditadura da classe operária, melhor dizendo, de umas dúzias de coirões armados em queridos líderes, é sempre o que subliminarmente querem dizer.

    • Paulo Marques says:

      Tanta emancipação que há no país com a liberalização dos recibos verdes e da Uber. Ganhamos, camaradas.

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