Não sei se terei percebido bem

Estando fora do país, chegam-me ecos de uma greve no sector dos transportes de mercadorias que não mereceu a bênção das centrais sindicais do PCP e do PS, tendo o governo estipulado serviços mínimos de 100%, sobre a qual Marcelo afirmou estarem em causa motivos justos mas que não a justificavam e sem que se tenham ouvido palavras de ordem do Bloco e dos Comunistas.

Terá o direito à greve sido abolido nas últimas semanas, numa revolução de direita, sem que disso me tenha apercebido?

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    O direito à greve tanto não foi abolido que a greve vai mesmo ser realizada e, caso raríssimo, já está a ter enorme impacto na vida de muitos cidadãos mesmo antes de se iniciar.

    E ridículo dizer que não há direito à greve quando se está a planear uma greve e tanta a gente está a ser afetada por essa intenção.

  2. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Amigo Cordeiro
    A resposta à sua pertinente questão é simultaneamente SIM e NÂO:
    Formalmente não foi abolido. Mesmo os mais ferozes defensores do neoliberalismo selvagem aparecem todos os dias na TV a declarar que sim senhor, que o direito à greve existe e deve ser respeitado. Neste ponto, Portugal está a derivar um pouco no caminho do Canadá. O direito teoricamente existe, mas é complicado exercê-lo. Se são os camionistas, aqui d’el-rei que falta a gasosa e os medicamentos. O país fica refém deles. Se são os enfermeiros, o que vai ser dos doentes? O país fica refém deles. Se são os professores, o que vai ser dos jovens e das famílias? Se são os estivadores, o que vai ser da Auto-Europa? O país fica refém deles. Se são os oficiais de justiça, o que vai ser dos processos e dos queixosos? Lá fica o país refém outra vez. E andamos nesta balbúrdia. Já foi sugerido fazer greve apenas ao domingo para não ferir susceptibilidades ou então dizer que o direito existe, mas desde que não se faça uso dele. É um pouco como dizia aquele ministro de Salazar: havia liberdade para todos, desde que fosse a favor do regime. Aí a liberdade era total. Hoje é o mesmo. Todos são livres de fazer greve, desde que não a façam. Atão, temos de ser responsáveis, como faz o PCP que diz ser preciso lutar, mas que esta greve “tem motivos obscuros”. Cumpre perguntar: será que a greve tem motivos obscuros ou é a atitude do PCP que é movida por motivos obscuros?

  3. Luís Lavoura says:

    Marcelo afirmou estarem em causa motivos justos mas que não a justificavam

    Marcelo tem toda a razão.

    Os trabalhadores já obtiveram do patronato as concessões que reivindicavam para o ano 2020. Vão fazer greve apenas porque o patronato se recusa a negociar agora as condições que eles reivindicam para 2021 e 2022.

    Ora, parece-me que não se justifica fazer uma greve somente porque o patronato se recusa a negociar agora as condições laborais que começarão a vigorar daqui a 16 meses.

    O futuro a Deus pertence… Sabemos lá como estará o mundo e o negócio daqui a 16 meses!

    • Paulo Marques says:

      Só falta dizer que deve ser a UTAO a decretar se pode haver greves ou não, após consulta ao BCE e à Accenture.


  4. Os trabalhadores estão em greve com os seus patrões. Quem terá que ser prejudicado são… os patrões!
    O resto das pessoas do país não tem que ser prejudicado por causa das reivindicações (justas ou não) de um determinado setor do país.

    O teu direito à greve termina quando estão em causa os direitos de todos os outros! Daí os serviços mínimos.

    Se não, por exemplo, também podemos começar a perguntar a profissão das pessoas nas nossas áreas e começar a atender também de nós de forma seletiva:

    No supermercado:
    -Qual a sua profissão?
    Sou trolha. Leve lá as compras.
    – Qual a sua profissão?
    Sou enfermeiro. Então vá-se foder daqui que não leva nada.

    Na loja do cidadão:
    – Qual a sua profissão?
    Estou desempregado.
    Então leve lá o seu documentozinho.
    – Qual a sua profissão?
    Sou motorista de matérias perigosas.
    Então vá-se queixar ao caralho.

    Esta greve dos motoristas, da forma como se está a negociar, está mais ou menos equiparada à forma como o Fisco do Porto fez parar os contribuintes para lhes sacar os impostos em falta. Falta de senso comum.

  5. Rui Naldinho says:

    Aquilo que me interessa perceber antes de mais, nesta contenda entre camionistas e transportadoras de matérias perigosas, é se o PS e o Governo em particular já resolveram todos os problemas que despoletaram a primeira greve.
    Como é sabido, um dos principais motivos que levou ao início da greve anterior, era o facto de estes profissionais não receberem na sua folha de vencimentos todos os rendimentos auferidos. Logo, não eram declarados à Segurança Social e à AT uma boa parte da “receita” proveniente do seu trabalho. Se bem me lembro, isso é uma ilegalidade. Mais gritante ainda quando carregam com impostos, tudo o que mexe.
    Como é óbvio, hoje mais do que nunca, com a Reforma da Segurança Social muitos trabalhadores já perceberam que se não se salvaguardem, ao aposentarem-se receberão uma pensão miserável, porque mesmo tendo recebido ordenados “aceitáveis” no passado, uma boa parte dele foi “por baixo da mesa”.
    A questões que se deviam colocar ao Poder político, até para se perceberem os contornos desta greve, eram estas:
    1 – O Governo já pôs cobro a essas ilegalidades? Todos os trabalhadores do sector estão neste momento dentro da legalidade, não havendo portanto queixas nesta matéria, de nenhum deles?
    2 – O Governo teve acesso ao acordo entre as partes, se é que o houve, e desenvolveu todas as acções para que ele seja cumprido na íntegra? Ou o Ministro da Tutela apareceu na foto de propaganda, estilo conciliador, como se tivesse ajudado a resolver um problema, mas ficou tudo na mesma?
    Quanto à greve agora agendada, como já se percebeu o PCP não gosta dela, porque esta não é unitária, mas de especialidade profissional. Ou seja, restrita. A direita também “não gosta”, mas fica com um nó da garganta porque nem as “golas ardem”, nem “a chuva para”, e logo nos havia de aparecer um sindicalista, advogado de profissão, formado numa universidade XPTO, de Meseratti nas mãos, ex sócio de uma empresa de transportes, para nos estragar a narrativa habitual, a culpa é da CGTP/PCP.
    O Governo com o beneplácito de São Pedro, este tem dado umas banhadas pelo país fora, achou por bem não se deixar, logo agora, chamuscar por uma greve, que sendo justa, ia por o Verão Tuga ao rubro, e logo no mês de Agosto (Não me estraguem as Féria, porra!), tentando com isso capitalizar votos.
    Os camionistas e os portugueses que não se distraem com o acessório, assistiram a mais um “ensaio sobre a cegueira”, com o PS; sempre ele a abrir a porta de um futuro expediente da direita, a decretar quase 100% de serviços mínimos, esvaziando qualquer sentido à greve.
    Depois não se queixem, seus bananas!


    • “Quanto à greve agora agendada, como já se percebeu o PCP não gosta dela, porque esta não é unitária, mas de especialidade profissional. Ou seja, restrita. A direita também “não gosta”, mas fica com um nó da garganta”

      Percebe-se a posição do PCP e da direita em geral. Completamente óbvias e claras.

      Agora, gostava de saber as posições dos outros partidos do parlamento – BE e PAN. Ouvi algo delicodoce do BE. Do PAN não li nem ouvi nada.
      Help?!

  6. João Paz says:

    Sim Manuel Cordeiro, percebeu bem.
    É, de facto, uma proibição de fazer greve mascarada à “socialista” com serviços “mínimos” que são , para todos os efeitos, máximos ou seja PROIBEM a greve.
    Há muitas formas de mascarar a entrada das ideias fascistas e nazis. Esta é uma medida fascista levada a cabo pelos barões do P”S” o futuro dirá se não é simplesmente a entrada pela porta do cavalo de uma medida nazi por excelência como a proibição do direito à greve.

  7. JgMenos says:

    Já agora os fogueiros faziam greve e paravam uma indústria, os motoristas paravam o país e por aí fora numa abrilada a cada esquina.!
    Juntem-lhe um advogado candidato a figura pública e mais uns sindicalistas tipo bruteza irredutível.

    Tudo porque as leis ideológicas querem antes demais fazer um expressivo contraponto do Estado Novo, e só depois cuidam de tratar os problemas que as motivam.