Para ver e reflectir…

O vídeo da polémica música de Valete.

Flocos de neve precisam-se

“De todas as tentativas de desqualificação nenhuma manifesta melhor o medo da direita populista pela liberdade do que a expressão snowflake (floco de neve), que começou por ser utilizada por apoiantes de Trump, caracterizando supostamente uma geração vulnerável, incapaz da competição. Em subtexto essa ideia de que o floco de neve se derrete e é por isso fraco. É uma visão. Outras existem. Os flocos de neve são também elegantes e flutuantes, com uma gama ampla de variações e em condições estáveis até dançam. E não existe nada que chateie mais uma mente conservadora do que corpos em movimento, ondulantes, representando tanto a disciplina, como a oportunidade de a transcender, oferecendo-se a si próprio, e aos outros, alternativas. Em vez da incapacidade de lidar com a mudança, integrá-la, sem receio de questionar comportamentos, reavaliar a forma como nos contamos hoje a partir do passado ou interrogar o neoliberalismo decadente.”

Belo texto de Vítor Belanciano.

Apesar do dilúvio de publicações teóricas significativas e consagradas, de programas políticos ou de simples opiniões que pretendem hoje conhecer o caminho que leva à saída do beco a que nos conduziram os modelos – e sobretudo as práticas – económicas e financeiras seguidas há décadas, não há à vista um modelo económico alternativo consistente e abrangente que, até agora, tenha conseguido eficazmente configurar uma transformação sustentável do sistema – desde o Green New Deal ao Decrescimento, à Economia Pós-Crescimento, ou à Economia do Bem-Comum.

A impedi-lo, a pressão férrea e translúcida do poder do capital – a quem os estados brindaram uma desregulação quase ilimitada – que nos domestica e devasta o planeta. E também a tacanhez, a gritaria, o agarramento a esquemas quadrados (esquerdo/direito encolhe a barriga e estica o peito), o generalizado egoísmo neoliberal.

Enquanto andamos a ver no que isto vai dar, quanto mais flocos de neve, quanto mais nichos de alternativas, quantas mais escolhas responsáveis e solidárias no dia a dia, quanto mais recusa de consumismo, quantos mais protestos na rua em prol do clima, melhor. Não resolvem, mas acabam por ajudar.

Declaração de voto

Decidi votar na Iniciativa Liberal, porque gostaria de ver mais partidos representados no parlamento. Não me revejo na actual Constituição da república portuguesa, não acredito no sistema político, mas é o que temos, não acredito que algo vá mudar nos próximos tempos, porque há demasiados interesses instalados a viverem à sombra do Estado. De empresários a subsidio-dependentes, passando por uma intocável casta de funcionários e políticos, são milhões à sombra do Estado, que se financia à custa do verdadeiro investimento e iniciativa empresarial, ou dos rendimentos do trabalho. [Read more…]

Flutuando sobre um ninho de Tancos

O regresso de Tancos fez mossa. De acordo com uma das sondagens diárias, a da Pitagórica (JN/TSF/TVI), o PS deslizou para os 37,1%, menos 3,5% do que no início da semana. Uma mossa que (ainda) não faz assim tanta mossa, e que mantém os socialistas a 10,7% do PSD, que também termina a semana em queda, ainda que de apenas duas décimas, para os 26,4%. Considerando os 3,6% atribuídos ao CDS, a direita parlamentar vale, neste momento, 30% do hemiciclo. Mas pode valer 33,8%, se lhes juntarmos a IL (2%), o Chega (1,1%) e o Aliança (0,7%). [Read more…]

Greta e a sensatez

Há uma maneira muito portuguesa de desqualificar pessoas que fazem exigências perfeitamente racionais e justas e que, por via disso, se envolvem em situações que podem gerar algum bulício. Não esquecerei nunca de como, ainda adolescente, meia volta tinha o problema de só ter uma nota de 20 escudos na pasta, para pagar o autocarro;  “não tenho troco” ouvia repetidamente do condutor, que, sem quaisquer pruridos, achava que o problema era meu e que, ou eu ficava em terra, ou tinha a possibilidade de perguntar, uma a uma, a todas as pessoas que se encontravam no autocarro, se me trocavam a nota. Se eu contestava que não entendia porque a Carris não garantia aos utentes a possibilidade de pagarem com 20 escudos  e que esse era o verdadeiro problema, era certo e sabido que os passageiros – a quem teria de ir pedinchar que me trocassem a nota – achavam que o problema era de todo meu, e que para estar a discutir com o condutor eu devia ter acordado mal disposta nesse dia. Tipo: “mas que bicho lhe mordeu, não sabe comportar-se?” Isto foi há muito tempo e as coisas entretanto melhoraram um bocadinho. [Read more…]

O diário pessoal de Rui Pinto

rp.jpg

Imagem via Shifter

A forma diligente como o Ministério Público tem conduzido o caso Rui Pinto, faria corar de vergonha o Ministério Público que conduziu certos outros casos, envolvendo indivíduos que, de forma consciente, prejudicaram gravemente os portugueses e o país, provocando ondas de choque por todo o tecido social, imunes ao grosso das penalizações previstas pela lei.

No caso Rui Pinto, tudo é célere. Todos os prazos se cumprem. Todos os recursos existem. Tudo parece ser possível, incluindo violar a lei. Há dois dias, com destaque residual nos órgãos de comunicação social, foi divulgado que o diário pessoal de Rui Pinto foi confiscado pelo MP, à margem daquilo que a lei permite. [Read more…]

A efectiva e ineficaz aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 e o direito de contatar

It’s pretty much what I said before.

— Noam Chomsky

With the communicative paradigm, it has been recognised that the goal of getting foreign/second language learners to have perfect pronunciation may be unrealistic and inappropriate (Jenkins, 1998). Instead, it has been suggested that the goal in teaching pronunciation should be “intelligibility” (Kenworthy, 1987) and “communicative efficiency” (Harmer, 1993).

Gölge Seferoğlu

***

O Acordo Ortográfico de 1990 é efectivamente (ou seja, de facto) aplicado assim:

Isto é, o Acordo Ortográfico de 1990, de facto (ou seja, efectivamente), não é aplicado — se fosse aplicado, perder-se-ia o brilho desta habitacção:

Quanto ao sítio do costume, continuamos sem novidades:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***


 

Estado Novo ou PREC, CDS?

Como notou um notável indivíduo que não sabe estar, Pedro Mota Soares e Assunção Cristas conseguiram, penso que no mesmo dia, fazer o pleno. Numa acção de campanha em Viseu, Mota Soares afirmou qualquer coisa como “parece que se voltou ao PREC de 1974 e 1975”. Assunção Cristas não lhe ficou atrás. Mais a norte, algures entre Vila Real e Miranda do Douro, a líder do CDS agitou o papão fascista.

Como penso que já terão reparado, estamos aqui perante duas situações no mínimo estranhas. A primeira tem que ver com a estratégia de, no mesmo dia, a poucos KMs de distância, altos dirigentes do mesmo partido acusaram o governo (e a maioria de esquerda) de terem conseguido a proeza de fazer o país regressar, simultâneamente, ao PREC e ao Estado Novo. Assim, sem respeito nenhum pelas leis da física. [Read more…]

Viver acima das possibilidades é a senhora vossa mãe!

 

O Novo Banco perdoou uma dívida de 25 milhões de euros à Clínica Maló. O Estado emprestou 850 milhões de euros ao Fundo de Resolução para a injeção de 1.149 milhões de euros no Novo Banco. Pelo meio, há umas histórias que ainda incluem Joe Berardo e Luís Filipe Vieira, entre outros.

Um banco não é menos do que uma pessoa, penso eu, e será, no mínimo, um animal. Não sei se o PAN incluirá os bancos nas pessoas ou nos animais, mas acredito que uma instituição constituída por pessoas (não sei se haverá instituições sem pessoas, mas isso agora não interessa nada) terá sempre qualquer coisa de humano, o que pode não ser bom, porque os humanos estão cheios de doenças. Um banco poderá estar abrangido, portanto, pelos direitos humanos, que um banco também é gente.

Se uma pessoa, mesmo que seja gente, tiver uma dívida, está em condições de perdoar, por sua vez, a um devedor? Imagine o leitor que emprestou uma quantia a um amigo ou a um conhecido (não sei bem se um banco poderá ser amigo de alguém, mas terá conhecimentos, será conhecido) e que esse amigo ou conhecido, não tendo ainda pago o que lhe deve, lhe diz qualquer coisa como “Aqui há tempos, emprestei uns dinheiros a Fulano, mas como o gajo andava um bocado à rasca, perdoei-lhe parte da dívida.” Algumas pessoas são assim; têm um vocabulário limitado, é verdade, ficam-se por um pedestre “gajo” ou um subterrâneo “à rasca”. Os bancos não são melhores, são só pessoas. [Read more…]

Não há regra sem excepção

Desta vez, completamente de acordo com Raquel Varela…

A base legal, Galamba e a EDP

Cartoon de: Letícia Carmo

Os grandalhões da energia estão protegidos pelo Tratado Carta da Energia, do qual a UE é signatária, que lhes garante acesso a uma justiça privada e exclusiva (o chamado ISDS) para processarem governos que arrebitam cachimbo. Por uma passadeira VIP, mandam a soberania e a Justiça dos estados às urtigas e vão decidir o assunto lá no aconchego secreto dos quartos de hotel, onde a luz lhes é mais propícia. São os próprios estados que lhes oferecem de bandeja essa possibilidade, para os mimar. Mesmo em estados que se retirem do tratado, como fez a Itália em 2016, ele permanece em vigor durante mais 20 anos. Que tal? Isto é que é ser querido. As milionárias indemnizações exigidas são pagas por nós.

É à luz desta pouca vergonha que Galamba lida com paninhos quentes com a EDP: “A notícia (do BE) é falsa, porque o Governo não deixou cair o que quer que seja; simplesmente não somos o bloco de esquerda e, nestas matérias, importa avaliar base legal para agir”, escreveu o secretário de Estado da Energia, na rede social Facebook.

A base legal, não tenhamos dúvidas, coloca na balança o ISDS; já há um ano, a EDP tinha ameaçado a ele recorrer.

Enquanto os governos (mesmo que se pomposamente se denominem socialistas) encolherem assim a cabeça perante as multinacionais, a Democracia continuará truncada e a Justiça mais do que injusta.


Contra o ISDS pode subscrever https://stopisds.org/pt/

E se o grupo Cofina pagasse o que nos deve?

O grupo Cofina, dono do Correio da Manhã, CMTV, revista Sábado, Jornal de Negócios e Record, entre outros títulos, prepara-se para comprar a TVI, num negócio que rondará os 181 milhões de euros e do qual resultará o maior grupo de comunicação social do país.

O mesmo grupo Cofina deve 13,5 milhões de euros às Finanças e à Segurança Social, isto após um perdão de 5,7 milhões do anterior governo, e pediu, já este ano, um plano de recuperação, por não conseguir fazer face a essa dívida. [Read more…]

Então o crowdfunding da greve dos enfermeiros era legal?

Segundo notícia recente, a ASAE não detectou nenhuma ilegalidade no fundo de financiamento da greve dos enfermeiros.

O primeiro-ministro classificou as greves dos enfermeiros como “selvagens” e “absolutamente ilegais”. Que me tenha apercebido, não houve um único jornalista que pedisse um comentário ao chefe de governo e jurista sobre as conclusões da ASAE.

Convém, também, não esquecer que o PCP e a CGTP criticaram o modo de financiamento da greve,  integrando esta mesma greve numa possível conspiração contra o Serviço Nacional de Saúde. Na prática, pelos vistos, defendem que um grevista só pode sê-lo perdendo o ordenado e, portanto, a capacidade de luta. Mais uma vez, não me lembro de ver um jornalista a pedir um comentário a um representante de qualquer uma destas duas estruturas. [Read more…]

Madeira, as eleições que todos perderam…

-Bem sei que em eleições há sempre quem interprete os números da forma que lhe convém, procurando exaltar a derrota do adversário, mesmo que não tenha razões para cantar vitória.
-O PSD perdeu a maioria, para governar precisará uma coligação ou acordo pós-eleitoral com o CDS.
-O PS apostou forte na vitória, sonhou que poderia ultrapassar o PSD ou no mínimo construir uma geringonça. Apesar do crescimento, perdeu.
-O CDS viu fortemente reduzida a sua representação parlamentar, apesar de se ter tornado indispensável à formação do próximo governo regional. Perdeu.
-A CDU conseguiu eleger in extremis 1 deputado, o que lhe valeu ainda assim ficar à frente do partido rival à esquerda. Perdeu.
-O BE foi riscado do mapa parlamentar regional madeirense. Foi o grande derrotado, porque além de ter perdido, passou a ser irrelevante.
-O PAN continua irrelevante na Madeira. Perdeu.
-O JPP, partido com expressão na região autónoma, também perdeu 2 deputados.

Os fatos são averiguados? How dare you?

Predictably, people reacted to the late-night tweets (I had misspelled “douche bag”) with how-dare-you outrage and labeled me a hater and a jealous troll.

Bret Easton Ellis, “White

Como vos atreveis?

Greta Thunberg

***

Como vos atreveis (“how dare you?”) a averiguar fatos?

Enfim, podeis retorquir, tal Vieira:

como vos atreveis a pelejar com tal gente?

Efectivamente:

Em suma, tudo como dantes, no sítio do costume.

***

Não é questão de crença, é um facto

As eleições na Madeira e um PSD que já não existe

A Madeira era o último grande bastião de um PSD que já não existe. Talvez volte a existir, mas, de momento, não existe. Está obsoleto, sem rasgo, não transmite a emoção de outros tempos, fragmentado por uma guerra interna de facções que nada têm que ver com a social-democracia, e revela-se incapaz de enfrentar a grande máquina socialista, que ocupa hoje uma posição hegemónica que já foi sua. Que era do PSD, até ontem, no arquipélago da Madeira.

O PSD Madeira ganhou as eleições, é certo, mas perdeu, pela primeira vez, a maioria absoluta. Pela primeira vez, em 43 anos, o PSD terá que entender-se com outro partido, que, tudo indica, será o CDS-PP. Não chega sequer aos 40%. É o pior resultado de sempre no arquipélago que, durante décadas, foi um importante e poderoso baluarte laranja.

Não quero com isto dizer que o PSD Madeira se vai pasokizar. Os social-democratas estão bem enraizados na região autónoma, continuam a deter um grande poder, ocupam todas as posições-chave no sector público, e o CDS-PP, diz-nos o histórico, não será um parceiro problemático. A não ser que o líder do CDS-PP Madeira decida que quer ser vice-presidente do Governo Regional da Madeira e se demita de forma irrevogável, deixando o aristocrata Albuquerque com as calças na mão.

Mas é inegável que o desfecho da noite de ontem é um sinal dos tempos. Um sinal dos tempos que parece indicar o fim do domínio absoluto do PSD sobre a região autónoma, algo que, em certa medida, acaba por ser um reflexo daquilo que está a acontecer no PSD pós-Passos Coelho. Um partido desorientado, sem a chama eleitoral de outros tempos, com correntes internas não-oficiais que, ora empurram o partido para um conservadorismo ultrapassado, ora o encostam a uma espécie de liberalismo predador, enquanto a social-democracia é cada vez mais uma lenda, à deriva no imaginário de alguns militantes mais utópicos, e sem qualquer tipo de aplicação prática.

Com a recente fragmentação partidária da direita, que fez emergir um partido assumidamente conservador e um partido assumidamente liberal, para não falar numa outra experiência, fundada num populismo que também existe no seio do PSD (ou não tivesse sido ali, no PSD, e pela mão de Passos Coelho, que André Ventura desabrochou), pese embora este último esteja mais na esfera da extrema-direita, o PSD caminha para perder o estatuto que ainda partilha com o PS. O estatuto que já perdeu nos grandes centros urbanos e que poderá agora perder no Parlamento. O estatuto de um PSD que, sendo ainda um grande partido, apoiado essencialmente por uma teia de caciquismo autárquico a norte, já não existe.

O Parecer

Será que o Partido Socialista tem como fito distorcer os princípios que regem o funcionamento e a independência do poder judicial, sob inspiração do modelo que o próprio partido tem instituído nas suas comissões distritais de jurisdição, as quais, na generalidade, são uma afronta vergonhosa ao ideário democrático e ao Estado de Direito?

[Read more…]

(mau) resultado da opção ideológica de Costa y sus muchachos

A factura, essa será paga pelos suspeitos do costume, os contribuintes…

E que tal voltarmos à idade da pedra?

-Defende-se a aposta nos carros eléctricos, mas combater em simultâneo a exploração do lítio. São os mesmos que anteriormente combateram a prospeção do petróleo, enquanto defendiam a redução da factura energética. Ao que parece temos barragens a mais, provavelmente o Alqueva nem deveria ter sido construído, bom mesmo era continuarmos a importar azeite, porque isso de exportar é uma opção política discutível… Claro que algumas alminhas mais exaltadas não se ficam por tiradas mais ou menos divertidas, procuram mesmo impor uma agenda, proibindo o consumo de carne e promovendo o veganismo. Nada contra cada um comer o que quiser, mas porque me estou nas tintas para estes talibãs, hoje almocei um excelente naco na pedra e agora se me dão licença, termino o post porque à minha espera para jantar tenho um bacalhau à lagareiro…
Um conselho, vivam a vossa vida, desfrutem, sejam felizes, mas não tentem impor aos outros a vossa agenda, porque nem todos estão interessados. Pela minha parte, ide-vos…

A escolha

“Os novos moradores do venerável Palácio do Loreto, no coração da cidade velha de Lisboa, também vêm da China. Por detrás da fachada do século XVIII residem os empregados do grupo chinês Fosun. O império da empresa na Europa vai desde a antiga companhia de seguros estatal portuguesa “Fidelidade” e o grupo de viagens Thomas Cook até à marca de moda Tom Tailor e ao banco privado alemão Hauck & Aufhäuser.

Não muito longe estão também os escritórios das empresas estatais chinesas State Grid e Three Georges, que são accionistas da electricidade do país. Investimentos de mais de nove mil milhões de euros fazem de Portugal um “parceiro estratégico”, declarou o embaixador da China em Lisboa.

Isto funciona assim em toda a Europa. Caminhos-de-ferro, portos e redes eléctricas, engenharia mecânica, turismo e finanças – as empresas chinesas estão a entrar na economia europeia em todos estes sectores, tendo investido já muito mais de 300 mil milhões de euros.

Os “enormes investimentos da China no exterior dão-lhe um acutilante poder”, que usa para “silenciar os críticos”, alertou o Economist.”

Trata-se de um excerto de um óptimo artigo do „Investigate Europe“, um grupo de jornalistas de nove países que investigam conjuntamente temas de relevância europeia.

Artigo especialmente interessante agora que vai ser lançado o concurso para a concessão do novo terminal de contentores do Porto de Sines – líder nacional na movimentação de mercadoria. Os Estados Unidos entram na corrida para esta concessão que já estava na mira dos chineses. Se ganharem, conquistam uma peça que seria fundamental na estratégia de Pequim para construir uma nova Rota da Seda.

Em declarações ao jornal Público, a ministra do mar, Ana Paula Vitorino, confirma o interesse de chineses e americanos na concessão do Terminal de Contentores Vasco da Gama, que será lançada até ao final do mês. “A proposta vencedora será aquela que melhores benefícios ofereça a Portugal, independentemente da origem do operador”, garante.

Nesta escolha propositadamente encolhida, que venha o diabo e se pronuncie.

Novidades no Diário da República

Some of the others seemed altogether slipping their hold upon speech, though they still understood what I said to them at that time. (Can you imagine language, once clear-cut and exact, softening and guttering, losing shape and import, becoming mere limps of sound again?)

— H.G. Wells, “The Island of Dr Moreau

***

Novidades? Além do aspecto, nenhumas. Aliás, já tínhamos reparado nessas mudanças cosméticas e o próprio Governo fez publicidade ao “novo grafismo“. Efectivamente, o grafismo do Diário da República é novo, mas a grafia caótica mantém-se e já tem sete longos anos. Em vez de combater as *seções, os *fatos e os *contatos e acabar com o instrumento que deu à luz este caos (para quem não souber, trata-se do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990), o Governo prefere mudar de penteado e arranjar as unhas.

Depois do *contato e dos *contatados de ontem, o *contato de hoje:

Não há novidades. Tudo tranquilo.

Como diria o Patrick Bateman, “Listen, John, I’ve got to go. T. Boone Pickens just walked in…”.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

O que é esmagado, que se levante!

[Santana Castilho*]

O ano lectivo inicia-se com um sinal distintivo: o Ministério da Educação aprovou cerca de 50 projectos de inovação apresentados por agrupamentos de escolas ao abrigo da Portaria 181/2019, que lhes confere a possibilidade de ampliarem a celebrada flexibilidade curricular para além dos 25% já previstos para todas as escolas. Segundo o jornal I, em Santo Tirso os alunos vão escolher as matérias e quando querem ser avaliados, em Cascais adoptaram a “Pedagogia do Amor”, algures em Braga vão desenvolver as “oito inteligências da criança” e em Torres Vedras andar de bicicleta passou a integrar o currículo. Digam-me se não é motivo para vermos António Costa aos saltinhos, num qualquer palco de comício eleitoral próximo!

Aquando da publicação da portaria supra referida, mobilizaram-se escolas, directores e professores para a cruzada da elaboração de Projetos-Piloto de Inovação Pedagógica (PPIP), que promovessem a reorganização curricular e redefinissem o calendário lectivo e os momentos de avaliação. Apesar disso, temos apenas 50 (6%) de um total de 813 agrupamentos, com iniciativas aprovadas, o que torna legítimo admitir a existência de um fosso entre o que entendem as escolas e o que queria o ministério. Com efeito, João Costa teve desde sempre um problema existencial de conflito ente a ideologia impositiva que o norteia e as recomendações do marketing político que o assessora. Ou seja, pôr as escolas e os seus directores a fazerem o que ele quer, mantendo nas homilias públicas a abertura caridosa e conciliar do prior do “eduquês” novo. A quadratura deste círculo terá sido conseguida pelo destino dado aos projectos que lhe chegaram: aprovados os que lhe adivinharam os desejos, recusados todos os outros; recompensados os prosélitos, penalizados os que se protegeram da babilónia do esvaziamento curricular. Viva a autonomia domesticadora de quem recita o credo! [Read more…]

Uma espécie de balanço: vitórias do Ministério, derrotas da Educação

Agora que estamos a chegar ao fim de mais uma legislatura, fica aqui uma espécie de balanço da actividade desenvolvida pela actual equipa do Ministério da Educação. Vai em forma de lista, tudo muito simples e muito longe de esgotar o assunto.

O Ministério da Educação conseguiu

  • manter o congelamento salarial dos professores devido ao roubo dos anos de serviço;
  • reforçar a impossibilidade de progressão na carreira para a maioria dos professores, devido a uma falsa avaliação do desempenho;

  • não contribuir para a renovação da classe docente, preparando um futuro em que, tal como já aconteceu, o sistema será obrigado a recrutar pessoas sem formação para leccionar;

  • não reavivar a formação contínua, limitada a acções de doutrinamento, ao mesmo tempo que dificulta a actualização científica dos docentes, o que, de resto, é natural, porque o conhecimento científico é uma variável desprezada;

  • inundar as escolas de medidas novas espampanantes e vazias, cheias de nomes inatacáveis como flexibilidade e inclusão;

  • não resolver o problema da oferta de disciplinas de opções, ao manter a obrigatoriedade de inscrição de número mínimo de alunos para abrir disciplina, ajudando ao empobrecimento curricular;

  • fingir que resolveu o problema do número de alunos por turma, limitando-se a uma diminuição diminuta, o que vai contra o paleio da flexibilidade, da inclusão ou do ensino individualizado;

  • não aumentar o crédito de horas para apoios nas escolas, o que vai contra o paleio acima referido;

  • não modificar ou sequer pensar em modificar o sistema acesso ao Ensino Superior,  servindo, desse modo, os interesses dos colégios que preparam os alunos para entrar na Universidade, o que é diferente de preparar os alunos para a Universidade;

  • deixar tudo como estava no que se refere à presença – ou seja, carência –  de psicólogos nas escolas;

  • fingir que ia resolver o problema da falta de funcionários não-docentes nas escolas, mantendo tudo na mesma, graças ao anúncio de um concurso, que é diferente de um concurso;

Em síntese, o trabalho realizado por todos os que estão nas escolas só pode ser extraordinariamente meritório, tendo em conta que a tutela só serve para atrapalhar. Por outro lado, se nada há a esperar do Ministério, seria bom que a sociedade toda reflectisse sobre a verdadeira importância que dá à Educação, com realce para professores e sindicatos, que andam muitas vezes por maus caminhos ou por caminhos demasiado batidos. [Read more…]

GIGO e AO90: imagens da rentrée

Some meta-analysts have opted to only include published or so-called high-quality research, citing what is known in the meta-analysis literature as the garbage in, garbage out (GIGO) validity threat (e.g., Truscott, 2007).

Plonsky & Oswald

Let’s put it this way: if successful, a CL approach may serve as a high-speed train to Word City, but its terminus is in a suburb. That’s okay, as long as one realises it’s still a bit of a stroll downtown, where the real action is.

Frank Boers

That’s right! Cristiano Ronaldo. He’s that new kid … uh… from Benfica… (Porto…?)

Ian Astbury

***

Ontem, vi um resumo do PSG-Real Madrid e lembrei-me, imagine-se, de uma recente menção ao fato de Zidane, feita pelo jornal A Bola. Efectivamente, no momento em que experimentava sistemas diferentes, Zidane envergava um fato, de acordo com as palavras grafadas nessa ilha ortográfica do Dr. Moreau, nesse maravilhoso espaço de resistência silenciosa cercado por liberdade de expressão:

Aliás, a foto que ilustra o texto mostra Zidane (como Monti, há uns anos) de fato:

Quanto ao sítio do costume…

Ora bem, portanto, vejamos:

Tudo na mesma. OK. Siga.

Nótula: Agradeço a Manuel Monteiro o envio deste engomadíssimo fato de Zidane.

***

A derrota da Huawei

Huwaei Mate 30 Pro

Tal como se antecipava, as dificuldades da Huawei face ao bloqueio americano iriam fazer-se sentir mais ao nível dos serviços (Google Play e Google Apps) do que quanto ao acesso a materiais (processadores, sistema operativo, etc.). Chegou o momento da prova de fogo, com a Huawei a apresentar hoje o seu primeiro modelo (Mate 30 Pro) sem que, até agora, se tivesse sabido se este telemóvel terá acesso a aplicações como Gmail, Maps, demais software e serviços da Google. [Read more…]

Regresso às aulas nos EUA

Este vídeo da Sandy Hook Promise, a associação que reúne estudantes da escola de Sandy Hook (Connecticut) e familiares das vítimas do tiroteio que aí aconteceu em 2012, é um murro no estômago.

Só em 2019, houve 28 tiroteios em escolas norte-americanas.

Ajustes dirigidos

Uma dessas empresas, a Foxtrot Aventura, que fez um contrato de 350 mil euros com a Protecção Civil, tem como proprietário o marido de uma autarca do PS de Guimarães. A outra empresa sugerida foi a Brain One [, a qual] teve desde 2017, ano da sua fundação, cinco adjudicações (ajustes directos e consultas prévias) da associação Geoparque de Arouca e da Câmara de Arouca, onde José Artur Neves foi autarca durante 12 anos. A polémica começou porque as golas eram feitas de um material inflamável, mas depressa se começou a questionar por que razão tinham sido estas as empresas a ganhar o concurso para fornecer os materiais para os kits. [PÚBLICO, 18/09/2919]

Se não tivesse sido o desbocado ministro Cabrita, tudo isto tinha passado despercebido. Tal como a imensidão de negociatas que levam o tutano do imenso dinheiro que descontamos para impostos. É só passar pelo BASE para começar a disparar questões.

Agora, demitiu-se o Secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves. Por “motivos pessoais”, claro está.

Nuno Neves, filho de José Artur Neves, é dono de 20% da Zerca Lda., criada em 2015. Confrontado pelo Observador, o secretário de Estado disse desconhecer “a existência de qualquer incompatibilidade neste domínio”, como desconhecer “também a celebração de tais contratos” [TVI24, 18/09/2919]

Nem sei de quem são as empresas nem faço ideia nenhuma“, afirmou o SE Neves no passado Junho. Tudo “irresponsável e alarmista“, assim classificou o ministro Cabrita o caso das golas.

Chegou atrasado?

Chegou-me isto à caixa de correio. De repente, pareceu-me um programa para eleições autárquicas. Terá chegado atrasado?

Quer conhecer os programas eleitorais de (quase) todos os partidos a votos nas próximas Legislativas? Veio (como habitualmente) ao sítio certo

Usamos todas as desculpas e mais algumas para não votar. E tendemos a julgar pela capa, sem conhecer as propostas dos partidos que se apresentam a votos. Por esse motivo, disponibilizo aqui as ligações para os programas eleitorais às Legislativas que se avizinham. Caso tenha informação sobre o paradeiro dos programas em falta, agradeço desde já o envio dos mesmos, para incluir neste resumo. E não se esqueça de votar!

[Read more…]