A passadeira

Fica aqui mesmo em frente à ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, em Coimbra. É uma passadeira para peões accionada pelo habitual botão. Não é um cruzamento, portanto os automobilistas param ao semáforo vermelho – e respectivo boneco verde -, mas as cavalgaduras continuam a marcha sem problemas. Como passo lá diariamente e me apercebi, pelas numerosas transgressões,do crescimento desta segunda espécie cavalar, comecei a fazer a minha estatística. Coisa empírica e sem rigor científico, é verdade, mas o suficiente para constatar que as bestas perigosas estão em crescimento, sobretudo se, ao transgredir numa passadeira, não correrem o risco de levar com outra viatura nos delicados lombos. O resultado foi: em cada 10 situações de semáforo fechado, 5 (!) passavam sem parar – é uma média, já que à noite as coisas pioram. Perguntareis se, dada a localização dessa passagem, os condutores teriam especial atenção quando se tratava da travessia de um cego – perfeitamente identificável, por razões óbvias. Para mal do que resta da vossa confiança na espécie humana, tenho a informar que a situação piora! – os invisuais não podem testemunhar, não é?

Escrevo estas linhas pouco depois de eu próprio quase ter sido passado a ferro quando ia a meio desta travessia. E o alarve ainda se ria. Seria atropelado nos termos da lei, direis; e como tal teria – eu ou os que me sobrevivessem – direito aquela indemnização com que a lei portuguesa mostra o valor – de merda – que dá à vida humana. Dispenso, prefiro ficar por cá.

Não é raro ver aqui amigos que, indignados por razões diversas razões, fazem votos para que os que classificam como “filhos da puta” vão para este ou aquele lugar mais ou menos desagradável. Da próxima vez, não se esqueçam destas bostas de gente nos vossos votos.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Estas atitudes integram-se na incultura social do “tuga”, uma espécie de homem descendente directo dos habitantes das cavernas que não respeitam nada nem ninguém, vivendo numa bolha e fazendo tudo em nome da sua “democracia”. Confunde democracia com libertinagem, sendo esta o princípio que regula a sua vida.
    Mas para além do descrito pelo redactor, é ver os carros estacionados em segunda fila e mesmo, por cima das passadeiras e à frente de portas de garagem.
    E uma coisa que reparei este verão: muitos dos carros têm matrícula estrangeira, onde aparece invariavelmente o distintivo de Portugal ou mesmo, o cachecol com as nossas cores.
    Este ser, que no país onde trabalha respeita a lei, vem para Portugal armado num qualquer “Espírito Santo”, tipo DDT, dando azo à sua “superioridade”.
    É evidente que não são todos os que nos visitam, disso não tenho dúvidas, mas um número apreciável.
    A polícia tem-se demonstrado bastante colaboradora com estes e outros fora da lei.
    E não admira, neste país…

    • anticarneiros says:

      “A polícia tem-se demonstrado bastante colaboradora com estes e outros fora da lei.”

      Policia ? Onde ?

      Ou estão de licença dos sindicatos.
      O movimento zero devia era chamar-se “Movimento Menos 20”.
      O movimento zero é agora. Não se vê um único policia nas ruas

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro anticarneiros.
        A minha alusão à polícia é, naturalmente, em tom de brincadeira e associa-se exactamente à sua ineficácia.

  2. Ana A. says:

    No meu entender não basta saber conduzir e conhecer as regras do código da estrada. Devia ser necessário fazerem testes psicotécnicos, pois nem todos temos perfil para ter em mãos uma arma tão mortífera.

    • Julio Rolo Santos says:

      O que inventam para justificar o injustificável. Testes psicotécnicos para conduzir? inventem outra porque essa não pega. Chamem-lhes antes condutores travestidos para inglês ou inglesa ver.

  3. Anonimus says:

    Vejo muitos automobilistas a queimar o “laranja”.
    Vemos bastantes ciclistas e trotineteiros(?) a passar vermelhos ou a galgar o passeio para fugir ao semáforo.
    Empiricamente.


  4. Não me surpreende nada a estatística, afinal não foi este o país onde um taxista disse que as leis eram como as virgens, em que estamos sempre a fugir aos impostos, onde os chicos espertos são invejados?

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      E um ministro socialista que disse que a lei, não era para ser interpretada “preto no branco”.
      Somos um povo muito sui-generis.
      Logo o taxista e este tipo de “socialista” falam a mesma língua…

  5. Luís says:

    E o estacionamento para deficientes que na prática é apenas para ser usados por chicos espertos?

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