Joacine

Há pré-requisitos para todas as profissões. Ninguém imagina um cego a conduzir um camião de mercadorias nem um daltónico como designer. Há limitações bloqueantes, é um facto da vida. Ouvi a intervenção de Joacine Katar Moreira e tive muita dificuldade em seguir a mensagem que ela estava a passar. Num partido que é conhecido pelo trabalho de Rui Tavares, não percebo porque é que, no Livre, colocaram numa posição elegível alguém que terá enormes dificuldades em defender as suas teses. Veremos como correm estes 2 ou 3 anos de governo.

 

Comments


  1. Não percebe? Quanto deputados o LIVRE elegeu há quatros anos, com o governo mais contestado de sempre? Zero! E nas Europeias de Maio? Zero!

    E agora conseguiu o que nunca tinha conseguido. E pergunta-se porquê?

    • j. manuel cordeiro says:

      Deve então ter feito uma campanha fenomenal.


      • Não sei que campanha fez eu não sou eleitor em Lisboa. Mas basta atentar nos números:

        Rui Tavares / 2015: 14 683 votos
        Joacine / 2019: 22 807 votos

        Acho que as conclusões são claras. A escolha de Joacine que, num cenário em que todos os partidos de Esquerda (BE, PCP, VERDES) perderam votos, ter um partido como o LIVRE, pela primeira vez ter conseguido eleger um deputado, que teve mais um terço dos votos é um enorme feito! Foi uma aposta mais do que acertada!

        • j. manuel cordeiro says:

          Talvez… Ou então é a capitalização do trabalho de Rui Tavares.


          • Não acredito nisso. Acha mesmo que os portugueses olham para o conteúdo??? Não seja ingénuo! Acha mesmo que Passos Coelho e Relvas tinham mais conteúdo que Pacheco Pereira e Ferreira Leite? Há anos que eu escrevia que Costa nunca teria maioria absoluta, e nem nem contava com a cagada de PSD e CDS na questão dos professores! Costa é um político brilhante mas não tem cara para maioria absoluta. É tão simples quanto isso. Tal como a maioria dos eleitores se estão a cagar para o Rui Tavares (que até foi considerado o político mais influente no Twitter). Joacine trouxe frescura ao LIVRE. E essa é outra das razões da queda do PCP. O Jerónimo deixou de ser o tipo que criava empatia em campanha e dançava como ninguém e era o metalúrgico que entalava o Cavaco a discutir macroeconomia nas presidenciais de 2006, para parecer agora um avozinho que devia estar em casa a ver o Preço Certo.

      • JgMenos says:

        Atenção que na campanha gaguejava muito pouco,

        Esta é a fase de dar nas vistas.

        • j. manuel cordeiro says:

          Não seja tonto. Uma situação de stress, como o discurso no parlamento, piora a gaguez.

        • POIS! says:

          Pois!

          Até se pensou que o André Ventura se iria apresentar fardado, mas resolveu não dar nas vistas. Como na tese de doutoramento, apresentou-se à paisana!


  2. estou a ver que para ser deputado é preciso ser jurista, se possível de Coimbra, para ter um discurso redondo mas que espremido é tão seco como um bacalhau, e isso claro a bem da nação, nada contra a nação, tudo pela nação, por nossa senhora de fátima e pelo Benfica, cruz credo!

    • j. manuel cordeiro says:

      Diria que colocar o país à frente dos interesses pessoais e do partido é um requisito. Conseguir convencer os restantes disso também.

  3. Julio Rolo Santos says:

    O livre, depois de algumas tentativas com Rui Tavares sempre a liderar, lá conseguiu eleger um deputado (a) para a Assembleia da República. Será mérito de quem? Certamente de Rui Tavares que não tem deixado de ir fazendo passar as suas mensagens em programas televisivos e em cronicas nos jornais de grande audiência. Já era tempo de Rui Tavares ver reconhecido o seu esforço para poder defender as suas ideias no Parlamento e é com estranheza que tenha cedido esse lugar a outro(a). Não está em causa a capacidade de Joacine para representar o partido mas sim a dificuldade que tem em se exprimir e todo o tempo de intervenção conta pelo que a sua mensagem fica sempre incompleta.

  4. Carlos Portugal says:

    Lamento mas a Joacine, por gaguez extrema, não está à altura do desafio. É tão desconfortavel e perturbante ouvi-la que dificilmente se percebe o conteúdo da mensagem que apresenta. Não estou seguro que o Livre tenha feito uma boa escolha. Penso que daqui a algum tempo muito poucos farão esforços para a ouvir e compreender.

  5. Paulo Marques says:

    Em primeiro lugar, não acompanhei a campanha do partido, nem observei muitas intervenções da eleita.
    Fez-me também alguma confusão que seja a primeira escolha para voz (na prática) única do partido, aliado às outras condições que a farão o alvo preferencial de certo tipo de “gente”… mas isso é com o partido e os seus eleitores. Julgo que não é obrigatoriamente impedimento, pelo que sei é algo que melhorará com o dia-a-dia de aprender a lidar com uma situação nova.
    Desejo-lhe sorte, que não precisará com certeza, pois o seu sucesso seria uma lufada de ar fresco no parlamento. Uma coisa é certa, coragem não lhe falta.


  6. Um deputado é alguem que tem que usar da palavra frequentemente. A Joacine, deveria, ela propria, ter recusado o cargo, pois pode fazer um bom trabalho nos bastidores. Mas esta era do politicamente correcto e das minorias e tal, leva a que todos concordem com uma deputada de acentuada gaguez. Um dia destes, aparece um deputado que só fala lingua gestual e pronto, temos que achar muito bem.


    • No Portugal da personalidade jurídica para os animais (ainda que seja só para alguns) eu não acredito que estou aqui a ouvir pessoas minimamente esclarecidas que acham que um alto representante do povo se deveria abster de desempenhar a sua função, para a qual foi eleito (e não nomeado) só porque é um bocadinho diferente dos demais. Não estou mesmo a acreditar no que estou a ler.

      Pois eu prefiro um deputado gago, manco, cego ou qualquer outra incapacidade que muitos dos que lá estão, supostamente com todas as suas capacidade físicas intactas mas com falta de muitas outras capacidades importantes.

      “Olhem, sabem quem gaguejava? O maior orador da Antiguidade, Demóstenes. E sobre o maior filósofo de sempre da política, Aristóteles, as fontes dividem-se: uns dizem que gaguejava, outros que ciciava.” (Rui Tavares)

      (e eu estou muito à em defender a deputada Joacine até porque não votei no LiVRE)

  7. Luís Lavoura says:

    não percebo

    É simples de perceber. O LIVRE optou por uma estratégia de mediatização, em que pretende chamar sobre si a atenção dos media por meio de coisas laterais. Neste caso, optar por uma candidata negra e gaga chama a atenção dos media e ajuda a passar a mensagem. Serve também, colateralmente, uma estratégia de vitimização.
    Outros partidos pequenos seguem ou seguiram estratégias similares. Por exemplo, a Iniciativa Liberal colocou uma lista de candidatos ao distrito de Portalegre que tinha mulheres a mais em relação ao permitido; quando o Tribunal Constitucional rejeitou essa lista, isso permitiu à Iniciativa Liberal aparecer nas notícias e fazer-se de vítima.

  8. rui campos says:
  9. Julio Rolo Santos says:

    Não está em causa a competência de Joacine mas sim a sua gaguez que lhe torna difícil, senão impossível, fazer passar a sua mensagem no Parlamento. Hoje ouvi a sua intervenção e, sinceramente, a sua gaguez quase em cada palavra pronunciada tornou completamente imperceptível o que queria dizer e, entretanto, o seu tempo de intervenção passou sem se perceber o seu conteúdo. Agora, se querem atirar para cima de quem quer apenas expressar o seu ponto de vista, apelidando-o de preconceituoso, por se tratar de uma mulher negra e gaga, OK, está no seu direito.

  10. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Oh malta, eu tb não votei no Rui, embora seja amigo dele. A mim nunca me passaria pela cabeça, se fosse manco, ir à maratona. Isto nada tem a ver com discriminações, como algumas alminhas inspiradas disseram. Tem a ver as capacidades de oratória que a rapariga não tem. As suas tentativas de intervenção são catastróficas e profundamente deprimentes, confrangentes até. A eventual mensagem desaparece por completo. Se é isso que alguns querem, os meus parabéns. Já conseguiram. Porreiro, pá. Depois ainda há o palhaço de saias para ajudar à festa. E tudo isto no melhor dos mundos. E ainda querem que acredite?

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