A esperteza

 

A partir do conforto do seu gabinete ou da sua casa, à esperteza que se senta na cadeira de Ministro do Ambiente e que lançou para o ar umas cretinices sobre as pessoas que vivem em Montemor-o-Velho melhor fazerem em se mudarem para outros locais por causa das cheias, que até têm tido pouca relevância depois das obras na hidráulica do Mondego, feitas nos anos 80, se bem me recordo, não lhe ocorreu aplicar esse mesmo critério ao futuro aeroporto do Montijo, onde, mais cedo do que tarde, haverá problemas devido à subida dos níveis das águas do mar. Ou porque é que nunca se mudaram as populações das zonas ribeirinhas do Porto, por exemplo.

Podia ter aproveitado a ida à televisão para explicar porque é que das seis bombas de água previstas há décadas na hidráulica, só duas foram montadas e porque é que destas só uma delas está em funcionamento. Mas não era a mesma coisa, pois não?

Apesar da incúria, ainda tem o desplante em afirmar que é graças à manutenção que não ocorreu uma tragédia. Tivéssemos jornalistas em vez de porta-microfones, alguém teria colocado uma questãozinha ao xô ministro: quando é que foi feita a última manutenção e em que é que esta consistiu?

Comments

  1. Paulo Marques says:

    O problema não é o ministro estar errado, o problema só pode piorar, apesar de poder ser mitigado, como por exemplo a Holanda não voltar a estar abaixo do mar. O problema, para mim, é quem paga os custos das alterações climáticas ter de ser sempre quem menos pode. Só falta a seguir sugerir um GoFundMe.


  2. Eu só sei que daqui por três anos vou ter um Range Rover de Janeiro de 2019 a diesel porque não vai valer absolutamente nada.

  3. Julio Rolo Santos says:

    Em boa verdade temos um país em que os governantes parecem só terem respeito pelas gentes do Norte (Porto) e pelos do Sul (Lisboa) Borrifando-se pelas gentes do Centro (Coimbra e arredores), porque será? O Sr. Ministro devia ter a coragem de assumir a culpa, por ele e pelos que o antecederam, pela borrada que fizeram ao mandarem construir diques que não tiveram a resistência devida para segurarem o caudal do rio, mesmo em situações mais adversas como as que ocorreram. Foi por insuficiência de verbas? Foi por incompetência da engenharia portuguesa? Foi por falta de manutenção? Algo falhou e as consequências e os custos estão á vista. Mas, enfim, estamos num país que falha quase em tudo, sem que se apurem responsabilidades e responsáveis? O dinheiro dos contribuintes assegurarão tudo.

    • abaixoapadralhada says:

      “Foi por insuficiência de verbas? Foi por incompetência da engenharia portuguesa?”

      A empresa familiar de Amarante que construiu os diques, (Mota e Cª), cresceu muito e passado pouco tempo era a Mota Engil SA

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