A esperteza

 

A partir do conforto do seu gabinete ou da sua casa, à esperteza que se senta na cadeira de Ministro do Ambiente e que lançou para o ar umas cretinices sobre as pessoas que vivem em Montemor-o-Velho melhor fazerem em se mudarem para outros locais por causa das cheias, que até têm tido pouca relevância depois das obras na hidráulica do Mondego, feitas nos anos 80, se bem me recordo, não lhe ocorreu aplicar esse mesmo critério ao futuro aeroporto do Montijo, onde, mais cedo do que tarde, haverá problemas devido à subida dos níveis das águas do mar. Ou porque é que nunca se mudaram as populações das zonas ribeirinhas do Porto, por exemplo.

Podia ter aproveitado a ida à televisão para explicar porque é que das seis bombas de água previstas há décadas na hidráulica, só duas foram montadas e porque é que destas só uma delas está em funcionamento. Mas não era a mesma coisa, pois não?

Apesar da incúria, ainda tem o desplante em afirmar que é graças à manutenção que não ocorreu uma tragédia. Tivéssemos jornalistas em vez de porta-microfones, alguém teria colocado uma questãozinha ao xô ministro: quando é que foi feita a última manutenção e em que é que esta consistiu?

Bom natal, óptimo ano novo!

Make the world Greta again – uma bela mensagem para todos, colegas aventadores e comentadores que também fazem o Aventar, encontrada num graffiti, para as bandas de Cacilhas.

Bom Natal, Bom ano!

 

Porfírio Alves Pires (1944-2019)

“Discurso sem verdade e sem ética,
sem razão e sem sentido,
sem princípio e sem fim.
Antes do sempre lá está movente, fluído,
agarrado ao improvável.”

Porfírio Alves Pires
“A Rutura do Improvável
dizia o homem”
2015, Chiado Editora

“Porfírio Alves Pires nasceu em Montalegre.
Fez parte da vaga de emigração clandestina nos anos sessenta.
Trabalhou e estudou e trabalhou em Paris, tendo também ensinado “desenho de observação”.
Depois, em Portugal, coordenou uma equipa de projeto num “bairro da lata”. Nos anos setenta, disso falou nas faculdades de Arquitetura de Genebra e Turim e no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa.
Sobre isso escreveu e publicou.
Nos anos oitenta, regressou à escrita, agora sobre artes visuais, colaborando em publicações periódicas, entrevistando pintores e escrevendo textos de catálogos.
Nos anos noventa voltou ao ensino, nas áreas de desenho e projeto, monitorizando agora aulas de pintura numa Universidade Sénior.
E sempre o desenho e a pintura. Expôs pela primeira vez, coletivamente, em 1966 e regularmente a partir dos anos oitenta.
E sempre a escrita. Publicou, pela primeira vez, num jornal regional, no final dos anos cinquenta e agora vai continuando.”

Óleo sobre tela de Porfírio Alves Pires.

 

O Firo é um dos mais altos representantes da civilização de Montalegre.

Merece, agora que se embrenhou “nas aparências da morte”, que a Nação Barrosã lhe reconheça o incansável labor, o talento, a coragem, a generosidade e o Amor que dedicou à Vida, sob os auspícios do Deus Larouco donde, sussurrou um dia, se via o Mar.

Bruno Santos
24 de Dezembro de 2019