Ao cuidado de Freud: a inveja da bomba islâmica

O recente ataque à Porta dos Fundos trouxe às redes sociais mais uma enxurrada de excrescências constituídas por várias afirmações tão ridículas como perigosas, o que não é novidade, já que muitos criminosos são também cómicos. Confesso que ainda não vi o filme que deu origem ao atentado e não sei se é bom ou mau, o que, de qualquer modo, é irrelevante.

Os emissários das excrescências são, muitas vezes, membros de uma direita católica que admite brincadeiras – e bem – com os tiques da esquerda, mas que se enxofra com piadas que possam atingir a Igreja, Deus, Jesus ou os crentes.

Uns brandem o célebre “liberdade, sim, mas não à libertinagem”, muito preocupados com a ideia de que um Ser Omnipotente se possa ofender com palavras de mortais desbocados, o que é um enfraquecimento de algo ou de alguém tão poderoso. Em verdade vos digo que se Deus for o de alguns episódios do Velho Testamento, o sentido de humor não é, de certeza, o seu forte. Também vos digo que, se for Esse o existente, não estou interessado em conhecê-Lo e ficarei muito irritado por ter sido criado por alguém ainda mais maldisposto do que o do poema de Caeiro. [Read more…]

O atentado terrorista contra o estúdio da Porta dos Fundos e a farsa da luta contra o politicamente correcto

Há cinco anos, a 7 de Janeiro de 2015, fomos todos Charlie. A sociedade ocidental insurgiu-se em massa contra a intolerância do fundamentalismo islâmico, que tentou silenciar a liberdade de expressão do histórico Charlie Hebdo, e fez ouvir a sua voz.

Cinco anos depois, na véspera de Natal, a sede da Porta dos Fundos é atacada com cocktails molotov, num atentado perpetrado por uma organização terrorista de extrema-direita, que, tal como os seus homólogos islâmicos, justifica os seus actos com a defesa de valores religiosos, ironicamente num dos dias mais importantes e sagrados para o cristianismo.  [Read more…]

Maria Flor Pedroso

Sempre tive uma boa opinião sobre Maria Flor Pedroso enquanto jornalista da Antena 1.
Mas o poder corrompe. Suspender um programa durante a campanha só porque incomoda o Governo, ou fornecer informação privilegiada a uma entidade sob investigação, é a antítese do jornalismo.
Maria Flor Pedroso fez isso tudo, mesmo que o Conselho de Redacção da RTP diga que não há provas.
Se o fez por ter sido pressionada superiormente, como nos tempos de Manuela Moura Guedes ou de Marcelo Rebelo de Sousa, é grave.
Se o fez de moto próprio, é ainda mais grave. Porque mostra uma ausência total de isenção e de imparcialidade. E um jornalista assim não pode ser levado a sério.
Quando foi receber o candidato do PS à entrada da RTP, de forma subserviente, Maria Flor Pedroso mostrou ao que ia. Depois disto, mais vale aproveitar a onda e ir trabalhar para a “Acção Socialista” ou para o “Povo Livre”.
É que, enquanto jornalista isenta e independente, estamos conversados.

O regresso de Esopo

 

Em Julho de 2017 houve um rapaz que citou aqui Esopo da seguinte maneira:

“Os mentirosos conseguem apenas uma coisa: é a de ninguém acreditar neles quando disserem a verdade.”

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A constante

intromissão nas funções do Executivo é escandalosa, mas o próprio acha normal e constitucional.

Personalidade do ano 2019


Os corruptos têm medo dele.
O Ministério Público, os advogados e os juízes. Os Partidos e seus políticos mafiosos. Os banqueiros. Os dirigentes desportivos e seus empresários de mão.
E porque os corruptos têm medo dele – é toda uma sociedade profundamente corrupta – vai passar longos anos na prisão.
Como português, sinto um enorme orgulho em tê-lo como compatriota.
Rui Pinto, preso político, é a personalidade do ano de 2019.

Quem merece (mais) o Piaçaba Dourado?

Pelas possibilidades que têm de fazerem malabarismo com as diferentes jurisdições dos países em que operam, as empresas multinacionais que atentam contra os direitos humanos ou o ambiente conseguem, frequentemente, esquivar-se à responsabilização, garantindo uma impunidade excepcional.

Adicionalmente, as multinacionais têm acesso a um sistema de justiça privada (ISDS) que lhes permite obter indemnizações multimilionárias quando os estados aprovam leis, por exemplo, para proteger o ambiente ou a saúde dos cidadãos, caso essas leis afectem os seus lucros presentes ou futuros.

Algumas multinacionais não têm quaisquer escrúpulos em usar e abusar dessas ferramentas. Vale a pena conhecer estas histórias.

A rede europeia activista que luta pelo fim do ISDS e a impunidade empresarial decidiu criar o Prémio Piaçaba Dourado para a empresa que tiver usado estas ferramentas da forma mais  revoltante. Foram nomeadas 10 empresas finalistas e pode votar aqui na empresa que, na sua opinião, mais abusou destes privilégios injustos.

A eleição irá decorrer até Janeiro e as votações podem ser realizadas na página original (em inglês) ou na página traduzida para português.

O Piaçaba Dourado pretende chamar a atenção para a forma suja como são mantidos estes sistemas injustos e para a necessidade de “limpar” o sistema de comércio internacional. E não será apenas a empresa contemplada com este prémio que precisará de limpezas profundas: é urgente acabar com estes privilégios injustos, pondo fim ao ISDS e à impunidade empresarial.