A questão da responsabilidade do que é publicado

Até agora, as redes sociais estavam protegidas pela secção 230 do Communications Decency Act (CDA), que as impedia de serem responsabilizadas pelos actos dos seus utilizadores e as permitia regular livremente as discussões nas suas plataformas. [PÚBLICO, 2019-05-29]

O “Telecommunications Act” de 1996 (EUA) e o “Electronic Commerce Directive 2000” (UE) são pacotes legislativos aprovados com o objectivo de protegerem as plataformas electrónicas alimentadas por conteúdos dos seus utilizadores. Em termos brejeiros, são o equivalente a um café não ser responsabilizados pelos anúncios que os seus clientes afixem ao lado do balcão.

Ou seja, eu posso afirmar que o Trump é um filhodaputa sem que ele possa processar o WordPress, que é a plataforma onde o Aventar está alojado. Se se tratasse de um órgão de comunicação social traditional, este poderia ser alvo de processo pode difamação.

Mark Zuckerberg, o sonso, veio a público criticar Jack Dorsey, CEO do Twitter, por este ter dado o passo de permitir que os seus leitores verificassem, com um clique, a veracidade de conteúdos publicados no Twitter. Em particular, por este juntar a algumas mentiras de Trump uma ligação directa a serviços de fact check.

Zuckerberg, o sonso, a mentir ao Congresso dos EUA

Vamos ser claros. A preocupação de Zuckerberg nada tem a ver com a limitações à liberdade de expressão por parte dos políticos, tal como ele afirmou. Em causa está o modelo de negócio do Facebook. Trata-se, pura e simplesmente, do pilim. O carcanhol. O vil metal. Nada mais do que a base de decisão da política americana: dollars first.

O Twitter decidiu deixar de aceitar anúncios políticos e o Facebook optou por os continuar a permitir. Esta plataforma permite o micro targeting, com anúncios altamente dirigidos a públicos alvos, apenas visíveis por estes alvos, completamente fora do controlo de fact checking, comunicação social e entidades reguladoras. Inclusivamente, fora do alcance desse inútil conselho criado pelo Facebook, para inglês ver.

É a enorme fonte de receitas de anúncios políticos que o Facebook não quer perder. Quem iria anunciar no Facebook para ver um link adicionado a desmascarar a mentira política, perdoem-me o pleonasmo?

Há ainda outro campo onde o FB não se quer meter. Apenas porque custa muito dinheiro: moderar os conteúdos de quem publica, tal como está obrigada a comunicação social. Esta empresa quer manter o seu estatuto de mural de café, onde cada qual destila o seu ódio pessoal, mas com amplificação mundial. Apenas para que consiga vender publicidade dirigida.

Hipócritas há-os em todo o lado. É só uma questão de se ir apontando o dedo. E com Mark Zuckerberg nem é preciso o usar. Um link basta.

Comments

  1. Pedro Vaz (Nacionalista) says:

    O fantoche da Open Society acha que a censura das redes sociais ainda não é suficiente. É certo e sabido que o Facebook tem um “bias” político enorme e que faz tudo para censurar “populistas” mas o fantoche da Open Society vem para aqui com esta telenovela…lol…a lata do Globalista não tem fim.

    • POIS! says:

      Pois claro, ora essa!

      Mas quando o “Chega” for Governo vai acabar com a bandalheira toda! Vai fechar toda essa porcaria de redes Globalistas. Só ficam o “facechega”, o “tweeventura” e o “instandré”, novas redes bem comportadinhas em que só será permitido mandar beijinhos aos guardas prisionais, convites aos magistrados para o chá das cinco e apelos ao voluntariado para trabalhos de costura nas fardas dos polícias. Já estou a imaginar o Vaz de agulha e dedal, na linha da frente!