Normalizar o ódio

“Facebook e Instagram vão permitir temporariamente incentivos à violência contra a Rússia em publicações sobre a Ucrânia.

Meta vai alterar temporariamente a política relativa aos discursos de ódio. Utilizadores de alguns países vão poder incentivar à violência contra a Rússia em publicações no contexto da invasão da Ucrânia.”

Começo a pensar, seriamente, em sair de todas as redes sociais. O pior é que, no mundo global de hoje, todos nós, mais ou menos, dependemos, directa ou indirectamente, das redes sociais. No meu caso, por causa da Fotografia, uso o Instagram para divulgar trabalho.

Mas isto é o cúmulo dos cúmulos. É a normalização do ódio como um todo (porque, convenhamos, já ele estava normalizado há muito nestas redes). É a banalização da atrocidade. É a apologia da indiferença.

Eu não estou contra a Rússia enquanto país. Eu não estou contra os russos enquanto povo, porque para mim também eles são joguetes e sofrem às mãos do tirano que os governa há décadas. Em meu nome, não. Banalizar os insultos a um povo, seja ele qual for, é não entender nada do que nos trouxe até aqui. É não perceber minimamente o conceito de empatia. Eu sou pela causa Palestiniana, mas não estou contra o povo de Israel.

Sei que a Meta, dona do Facebook e do Instagram, entre outras, é uma empresa privada e, como tal, gere-se da maneira que bem entende. Quem nela está inscrito, ou aceita, ou não aceita os termos a que se compromete quando se inscreve. No entanto, e apesar do facto que supracito, sabe a empresa, e concordaremos todos nós, que quando num mundo global como o de hoje, onde milhões de pessoas se encontram ligadas a estas redes sociais, esta última terá, em última instância, algumas responsabilidades sociais que não pode, em circunstância alguma, deixar de lado. Mas todos sabemos de onde vem o lucro destas empresas. Por isso, por muito que nos escandalize, cá continuamos muitos, senão a maioria. E porquê? Que droga é esta que muitos de nós não conseguimos largar e que cada cada vez nos divide mais? Que instituto do mal é este que nos instiga a, gratuitamente, odiarmos um povo que muitos de nós nem sequer conhece?

Depois do escândalo com a Cambridge Analytica e tudo o que daí veio a público, começa a tornar-se óbvio quais as reais intenções de quem quer este mundo “conectado” ao máximo. E não é para o nosso bem.

Estou na trincheira dos que querem a paz e não desarmam por um mundo sem guerra. Dos que nunca querem a guerra. Nunca estarei na trincheira dos que fazem da guerra lucrativa. Em meu nome, não.

Ao cuidado daquela malta que acha que o Facebook é uma entidade pública eleita por sufrágio universal

Acho muita piada, muita piada mesmo, à malta que se queixa da falta de democracia do Facebook, quando a plataforma restringe ou censura um conteúdo. Como se o Facebook fosse uma entidade pública eleita por sufrágio universal. A coisa torna-se ainda mais engraçada quando este tipo de críticas parte daquela malta que defende, com unhas e dentes, a liberdade absoluta das empresas privadas de fazer o que lhes dá na real gana. Pois bem, meus amigos, não sei se já deram conta, mas o Facebook é uma empresa privada. De maneira que, se não estão bem com as regras do tio Zuck, a minha sugestão é que fechem a conta e mudem de rede. Não é que não se passem as mesmas coisas nas outras redes, também elas – preparem-se para o choque – propriedade de empresas privadas, que decidem em função dos seus interesses, não da democracia ou do bem comum, mas sempre dá aquele arejo virtual. Agora misturar democracia, liberdade de expressão e decisões racionais feitas por empresas privadas no sentido de maximizar o lucro é só parvo.

Desintoxicação

Os Hugos e as Venezuelas

Aos bimbos e às bimbas: fazemos vaquinha para expatriar o Hugo e salvá-lo desta Venezuela europeia?

Portugal não é a Venezuela. Portugal é Portugal, mas o Hugo é dos que acham que o PS, por ter “socialista” no nome, é, de facto, socialista; ou que o PSD, por ter “social-democrata”, seja realmente social-democrata – só isso demonstra que somos, de facto, Portugal. Ao Hugo falta ler mais e ler melhor, ver mais e ver melhor: pois, dizia Francisco Fanhais na sua “Cantata da Paz” que se “vemos, ouvimos e lemos”, então, “não podemos ignorar” – o Hugo aparenta ler pouco, ouvir mal e ver o que lhe convém. O Hugo não tem de pensar igual a uns, nem diferente de outros, mas sim pensar por ele : o princípio democrático aceita de bom grado que pense diferente; mas o princípio democrático também repele os Hugos da vida, que são anti-democracia e manipulam para proliferar: André Ventura…? Quem?

A extrema-direita ganha forma, ganha força e ganha ódio. O Hugo tem 22 ou 23 anos, frequentou exactamente a mesma escola secundária que eu. À época, e usando do clichê, parecia um miúdo normal, como o são tantos outros que, aos 17 e 18 anos, estão ainda na definição do carácter e do seu caminho. Estudou Ciências e Tecnologias, o que, à partida, poderia indicar que acabaria o 12.º ano preparado para enfrentar a vida com o conhecimento científico que nos impede, julgamos nós, de enveredarmos pelo caminho do populismo (um conceito, em si, anti-ciência, mas que terá a sua cientificidade). O Hugo cresceu, no seu contexto, moldou-se. Não privei assim tanto com o Hugo da escola secundária, que apesar de parecer pouco desenvolto para a altura nas conversas que tinha, parecia minimamente empático e nada reaccionário nas suas abordagens.

O Hugo jogou polo-aquático muitos anos e, segundo sei, com bastante sucesso. Deduzo que o esforço físico e o número/nível de pancadas na cabeça tenham prejudicado o crescimento do Hugo e consequente desenvolvimento cognitivo. Poderá ser uma explicação para o desvio do Hugo, neste caso concreto, mas não explica o desvio de outras centenas de jovens, nascidos na década de 90, pois nem todos somos do polo-aquático, mas alguns já são da extrema-direita. [Read more…]

Boa viagem

Uma empresa quer estar acima da lei. Boa viagem.

Censura fake em Viana do Castelo (com o alto patrocínio de Nuno Melo)

NM

O grande incêndio do passado fim-de-semana, no mundo paralelo das nas redes sociais, foi o vídeo de uma escola de dança de Viana do Castelo, alusivo às festas de Nossa Senhora da Agonia, alegadamente censurado pelo Facebook, devido a denúncias de racismo.

Fui ver o vídeo, que me chegou via WhatsApp, sem ponta de racismo por onde se lhe pegasse, e, quando dei por mim, o incêndio já consumia centenas de hectares virtuais no Facebook e Twitter. Impulsionada pela extrema-direita, nas suas versões oficial, dissimulada e “still inside the closet“, a narrativa era objectiva: a extrema-esquerda antifa e anti-católica havia desferido um violento e ignóbil ataque contra as bicentenárias festas minhotas. A intolerância, o comunismo, a Venezuela e até o Estaline tinham subido à Terra para censurar as jovens bailarinas. Mais um episódio de cancel culture, marxismo cultural e mais não sei o quê. [Read more…]

Isto é muito bom

Facebook has taken the EU to court for invading the privacy of its employees,

The social media company claims EU regulators have asked broad questions beyond the scope of two ongoing antitrust probes, and it has requested that the General Court in Luxembourg intervene. The EU is investigating both how Facebook collects and makes money from data and whether its Marketplace business has an unfair advantage over rivals in classified advertising.

É como se o Marques Mendes fosse fazer queixa de alguém por causa de coscuvilhice.

A questão da responsabilidade do que é publicado

Até agora, as redes sociais estavam protegidas pela secção 230 do Communications Decency Act (CDA), que as impedia de serem responsabilizadas pelos actos dos seus utilizadores e as permitia regular livremente as discussões nas suas plataformas. [PÚBLICO, 2019-05-29]

O “Telecommunications Act” de 1996 (EUA) e o “Electronic Commerce Directive 2000” (UE) são pacotes legislativos aprovados com o objectivo de protegerem as plataformas electrónicas alimentadas por conteúdos dos seus utilizadores. Em termos brejeiros, são o equivalente a um café não ser responsabilizados pelos anúncios que os seus clientes afixem ao lado do balcão.

Ou seja, eu posso afirmar que o Trump é um filhodaputa sem que ele possa processar o WordPress, que é a plataforma onde o Aventar está alojado. Se se tratasse de um órgão de comunicação social traditional, este poderia ser alvo de processo pode difamação.

Mark Zuckerberg, o sonso, veio a público criticar Jack Dorsey, CEO do Twitter, por este ter dado o passo de permitir que os seus leitores verificassem, com um clique, a veracidade de conteúdos publicados no Twitter. Em particular, por este juntar a algumas mentiras de Trump uma ligação directa a serviços de fact check.

Zuckerberg, o sonso, a mentir ao Congresso dos EUA

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A piadinha que é uma estalada

“Eu sei que agora não temos exactamente a mais forte reputação quanto à privacidade, para dizer o mínimo [pausa para a gargalhada que não existiu]”, disse Zuckerberg, “mas estou empenhado em fazer isto bem e começar um novo capítulo para os nossos produtos”.

Dito pelo responsável de uma empresa cujo modelo de negócio é vender publicidade com base nos dados pessoais recolhidos, legalmente ou não, com conhecimento dos utilizadores ou não, tenham conta no Facebook ou não, acredita quem quer.

A questão da privacidade no Facebook não é apenas um problema de quem usa o Facebook. É de todos, pois esta empresa constrói perfis inclusivamente de quem não tem conta no Facebook.

Lista de atrocidades do Facebook: Criticism of Facebook.

Miguel Sousa Tavares, o criador de fake news

Antigamente, dizia-se boato, desinformação ou mentira, conforme o emissor ou o emissário; agora, em pleno trumpismo, parece que é fake news. Seja.

Miguel Sousa Tavares (MST), que olha para as redes sociais e para os blogues como a Inquisição olhava para os judeus, escreveu, a propósito da greve dos professores e no último Expresso, o seguinte:

(…) nenhum professor trabalha mais de 35 horas: teoricamente, têm 22 horas de horário ‘lectivo’ (mas só alguns e algumas vezes) e 13 horas ocupadas em coisas de definição ampla, como ‘reuniões’, ‘preparação de aulas’ e ‘formação’

Outra coisa que MST odeia: professores. Está no seu direito. O facto de ser cronista num semanário – segundo dizem – de referência e de ter sido jornalista deveria levá-lo a investigar e a provar aquilo que afirma. Por exemplo:

1 – como é que sabe que nenhum professor trabalha mais de 35 horas? Ou menos? Ou só 35? Como é que sabe?

2 – se alguns têm 22 horas lectivas, quantos são e porquê?

3 – os que têm 22 horas lectivas só têm essas horas “algumas vezes”? E nas outras vezes, quantas horas terão?

4 – um homem tão frontal como MST terá usado um eufemismo? A expressão “definição ampla” quererá dizer “mentira”? Os professores não passarão tempo a reunir, a preparar aulas ou a receber formação ou outras actividades de “definição ampla” como ‘corrigir testes’? MST será daqueles que faz aspas com as mãos, abrindo muito os olhos para explicar que está a ser irónico? E como provará, então, que os professores estão a mentir? [Read more…]

A que sector da sociedade portuguesa se destinam as fake news?

As fake news em Portugal vivem do Facebook e não de blogues. Estes, quando muito, servem apenas de muleta para a página do Face. E desculpem a crueza, nem podia ser de outra forma.
As páginas de fake news têm como alvo um sector específico da sociedade e que não é de distinção tradicional. As fake news não são nem para a classe baixa nem para a média (se é que esta ainda existe em Portugal) nem para a alta.
É para um vasto sector: os pouco informados. Que se encontram em todas as tradicionais classes. E, por isso mesmo, é o Facebook o seu pasto e não os blogues. Por isso, é um erro (na minha opinião) confundir as fake news com os “Corporações”.
O único ponto em comum é a manipulação.
Mas as páginas de fake news são para manipular através dos utilizadores de Facebook que, por opção (seja ela de que teor for) não estão informados e, como tal, acreditam em tudo o que lhes for apresentado da forma mais inverosímil. Pessoas que não consomem imprensa (escrita ou digital), que não gostam de política, que não gostam de pensar para além do natural da sua vida e do seu círculo. Essas pessoas são facilmente manipuláveis – basta apimentar a coisa da maneira mais….inacreditável.
Por exemplo: reparem no elevado número de pessoas que acreditam e partilham como verdadeiras peças de humor do “Imprensa Falsa” ou do “Inimigo Público” como se as mesmas fossem verdadeiras. Reparem no elevado número de pessoas que partilham como verdadeiras “notícias” sobre a morte de famosos. Antigamente, no tempo dos meus pais, compravam o “Incrível” pela diversão, pelo gozo. Se fosse hoje, compravam como se fosse o único jornal com notícias verdadeiras. Mais, as páginas de fake news, seja em Portugal, seja nos EUA, aproveitam este enorme mercado para transmitir a mensagem que pretendem e usam a plataforma que melhor se adapta em cada país. Nos EUA, é melhor o Twitter, como em Espanha. Já em Portugal, é o Facebook.
Ora, um jornalista que pretende fazer uma peça jornalística sobre o tema e escolhe como ponto de vista os blogues demonstra um total analfabetismo sobre o tema. Demonstra que ainda está no passado. Demonstra que não percebe nada do tema a investigar. [Read more…]

Tão pouquinho?

Reino Unido multa Facebook em 560 mil euros após escândalo da Cambridge Analytica

Em relação a um volume de negócios de 41 mil milhões de USD em 2017, isto nem chega a peanuts. Mas ao menos isso. A Alemanha deixou prescrever o prazo. E Portugal?

O problema está mesmo no objectivo

Uma anedota velhinha conta o episódio de um médico estabelecido na vida que resolve tirar umas merecidas férias, deixando o consultório a cargo do seu filho, recém-licenciado em medicina. “Então, como correram as coisas?”, perguntou-lhe o velho médico no seu regresso. “Muito bem papá, até curei um doente.” O embevecido pai quis saber mais e o filho continuou. “Lembra-se do Sr. Itelvino que vinha cá há anos fazer curativo por causa da crosta na perna? Pois bem, arranquei-a, desinfectei e já não precisa de cá voltar mais.” Lívido, o pai exclama “Ai, que me levaste o melhor cliente!”

Vem isto a propósito do Facebook.

Agora, a empresa [Facebook] quer encontrar novas formas de ajudar as pessoas a encontrarem notícias que lhes interessem, assegurando que vêm de fontes seguras. [Slashdot]

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Zuckerberg no Parlamento Europeu

Zuckerberg no Parlamento Europeu hoje das 17:20 às 18:30h (hora em Portugal), para ver e ouvir aqui:

#Livestream: https://www.facebook.com/greensefa
ou no webstream do Parlamento Europeu:
http://www.europarl.europa.eu/ep-live/de/other-events/video?event=20180522-1820-SPECIAL-UNKN

Menos direito a transparência???

Mark Zuckerberg pretende que a sua audição no Parlamento Europeu, marcada para a próxima terça-feira, tenha lugar à porta fechada. Na conferência de líderes dos grupos políticos, a maioria dos democratas-cristãos e populistas de direita decidiram apoiar Zuckerberg, aceitando que a audição seja realizada em segredo. É sabido que nos EUA a audição foi pública. Temos menos direito a transparência do que os cidadãos americanos???

P.S.- Pode dirigir um email ao presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani, requerendo uma audição pública (antonio.tajani@europarl.europa.eu )

Facebook

O fundador do Facebook teve hoje uma audição perante o congresso dos EUA. Ouvi boa parte e posso afirmar que foi interessante. Por um lado, ficou claro para mim que as nossas audiências parlamentares são uma miséria, realizadas por deputados geralmente mal preparados, cheias de salamaleques e das quais nada resulta. Nesta audiência, houve questões duras e Zuckerberg ocorreu em várias mentiras. Por exemplo, afirmou que o Facebook apaga os dados dos utilizadores quando estes apagam a conta, que o Facebook não vende os dados dos utilizadores e que os dispositivos móveis não recolhem dados indevidos dos utilizadores (p. ex. registo das chamadas telefónicas), o que não é verdade. Vamos ver no que daqui resulta.

Por outro lado, foi possível constatar, novamente, que Mark Zuckerberg não passa de um puto que fundou uma empresa para se meter com as miúdas, facto que o tornou multi-milionário. Concretamente, todo o seu discurso maniqueísta, os pedidos de desculpas e as mentiras (que serão agora, possivelmente, usadas contra o Facebook) revelam a personalidade de alguém impreparado para ter o dedo no gatilho de uma arma destas.

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Pulhas Analytica

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Robert Mercer, proprietário da Cambridge Analytica, é um dos homens mais ricos do mundo. E como grande parte dos bilionários norte-americanos, Mercer é um batoteiro, que pratica o tipo de batota que a grunharia liberal-fascista venera, porque a grunharia liberal-fascista vive precisamente da batota, seja manipulando os mercados e a economia através dos seus fundos abutres, seja através da evasão fiscal em massa, seja com recurso à injecção de milhões de dinheiro sujo para distorcer a percepção pública sobre os mais variados temas. Uma cambada de parasitas e filhos da puta. O mundo estaria infinitamente melhor sem eles. [Read more…]

Com que então, não se paga para estar no Facebook?

Vénus de Willendorf (c) Matthias Kabel

Há muito espaço para crítica por parte de quem não concorde com uns tansos armados em vitorianos que não gostam de mamas feitas de pedra com 30 mil anos

No programa Governo Sombra desta semana, João Miguel Tavares insurgia-se a certa altura por causa dos que reclamam contra o Facebook. Por exemplo, há quem critique a censura que o Facebook pratica quanto à nudez, tal como aconteceu recentemente com o bloqueio da foto de uma estátua de pedra feita há cerca de 30 mil anos. Dizia o ilustre painelista que quem não está bem, que se mude, até porque não se paga nada para estar no Facebook. Se bem que houve algum desacordo quanto à tese liberal da livre escolha individual, já sobre a ausência de pagamento para uso da rede social, a posição foi de unanimidade. [Read more…]

Transformando Zuckerberg

Tem sido acesa a discussão sobre o papel do Facebook na sociedade, especialmente depois das fake news se terem tornado assunto banal e de esta empresa, juntamente com a Google, ter capturado a quase totalidade do mercado publicitário online, se bem que este tópico não seja tão falado.

Desde a eleição de Trump que o Facebook tem estado em introspecção, uns porque querem que este seja uma melhor plataforma, onde o tempo é bem gasto, outros, cinicamente, apontado que é o medo de desaparecer que move a empresa. O receio não é infundado. Veja-se a transformação a que a Microsoft foi obrigada devido à guerra dos browsers quando a União Europeia lhe aplicou medidas de defesa da concorrência. Ou repare-se, ainda, como o próprio Facebook levou ao declínio do MySpace e de outras plataformas concorrentes. Zuckerberg tem telhados de vidro, garantidamente.

A Wired publicou um extenso e interessante artigo sobre estes e outros assuntos, realçando os tumultos que o Facebook sofreu nos últimos dois anos. É um notável artigo de análise, com muita informação interna, que coloca em perspectiva reacções e decisões da empresa. Leitura muito recomendada.

Miguel Relvas conclui doutoramento em Marketing Digital

E diz quem sabe que o Zuckerberg não descansa enquanto não o levar para Silicon Valley.

Contribuição do Facebook para manipulação eleitoral nos EUA foi muito além da visualização de anúncios pagos

Páginas do Facebook geridas por russos foram responsáveis ​​por resultados muito mais palpáveis do que os milhões de visualizações de anúncios políticos durante as eleições norte-americanas. Com efeito, traduziram-se em dezenas de eventos políticos no mundo real nos EUA, incluindo uma manifestação ligada ao contra-movimento “Blue Lives Matter” (reacção ao movimento Black Lives Matter contra a brutalidade policial exercida sobre os afro-americanos)  numa cidade e num protesto contra a brutalidade policial noutra cidade – e nos mesmos dias.

Uma investigação do Wall Street Journal revelou que pelo menos 60 marchas, manifestações ou protestos foram orquestrados, divulgados ou financiados por oito páginas do Facebook apoiadas pela Rússia. Estes números parecem indicar um nível de exposição muito superior ao que até agora se estimava.

  • Páginas do Facebook investigadas: 8
  • Número total de gostos: mais de 2 milhões
  • Marchas, manifestações e protestos programados: pelo menos 60
  • Eventos confirmados como ocorridos: 22

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Manual de instruções para rebentar com o mundo instantaneamente

Use-se uma imagem de uma senhora árabe, desnudada de burcas e afins, para ilustrar o Facebook de um americano que esteja a escolher paio de Arganil em Jerusalém. Esta simples combinação,  catalisada pelo horror americano à nudez, desencadeará um efeito de borboleta tão imparável quanto uma cólica no sistema digestivo dos mísseis norte-coreanos.

Isto deve fazer tanto sentido quanto os apelos do Facebook à bufaria vitoriana.

Recusa-se a votar em corruptos, caro leitor? Então esta posta é para si!

Está a ver aquelas molduras de fotografia que, de um dia para o outro, entupiram o Facebook com dizeres político-partidários de ocasião, não raras vezes vazios de conteúdo? Está farto de ver tanto corrupto emoldurado a pedir o seu voto para, de seguida, se dedicar ao compadrio, à distribuição de tachos para abanadores de bandeiras e ao tráfico de influências em geral? Apetece-lhe mandar toda essa gente à merda mas não está para se chatear? Então não perca tempo e diga já a todos os seus amigos virtuais ao que vem: actualize a sua foto de perfil facebookiana com a moldura que pode ver em cima e junte-se ao movimento – acabado de criar neste preciso instante, com forte potencial para se transformar imediatamente num flop – “Eu não voto em corruptos”. [Read more…]

Que mania, sempre a complicar!

Multa recorde de 1,2 milhões de euros imposta pela Agencia Española de Protección de Datos à rede social Facebook, por usar informação privada dos seus utilizadores para fins publicitários sem o seu consentimento.

Usar informação privada??? E isso por acaso é novidade??? E isso por acaso interessa a alguém???

– 2 mil milhões de utilizadores, sempre a subir vertiginosamente.

– Apenas no primeiro semestre de 2017, 7 mil milhões de dólares em publicidade.

Lobby, fuga ao fisco, manipulação? Mas que interessa isso caramba, que mania de complicar!

Mark Zuckerberg prepara-se para destruir o que resta da imprensa portuguesa

O Facebook prepara-se para reduzir a pó a esmagadora maioria da imprensa portuguesa, senão mesmo toda. Como é sabido, a imprensa nacional atravessa uma fase extremamente delicada, caracterizada pela descredibilização, pelos conteúdos manipulados e pela perda de receitas. E o pior poderá estar ainda para vir.

O recente anúncio do grande irmão Balsemão, que se prepara para vender todas as revistas do grupo, incluindo referências com a Visão e a Exame, a par das situações financeiras ruinosas do grupo Newshold (Sol, i) ou do grupo Cofina, que deve milhões ao Estado, ilustram na perfeição o estado a que a imprensa nacional chegou. [Read more…]

A actualização da foto (alternativa) de capa de Carlos Abreu Amorim

Um destes dias, um leitor alertou-me para uma actualização facebookiana peculiar. O deputado Carlos Abreu Amorim tinha uma nova foto de capa mas a dita não era propriamente nova. Ou tampouco uma foto. Era um print screen de uma peça da RTP sobre a emigração pós-troika, de Outubro de 2012, e o jovem na imagem, escolhido pelo social-democrata para forrar o topo do seu perfil no Facebook, tinha acabado de escrever uma carta ao então presidente Cavaco Silva. Uma carta onde afirmava sentir-se expulso do país. Um país governando por Pedro Passos Coelho, que Abreu Amorim apoiou incondicionalmente.  [Read more…]

Beleza americana

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O Facebook bloqueia quem publicar fotos de mamocas, mas não tem problemas com mensagens racistas ou de ódio.

A última onda por cá consiste em publicar uma foto de Mário Soares na praia com uma jovem em topless e ser-se bloqueado pelo Facebook. A ironia tem destas coisas e o falso moralismo americano, mais a sua visão totalitária do mundo, também.

Uma boa oportunidade para ver ou rever o filme Beleza Americana.

Trumpetes, as cornetas que aspiram chegar ao som do clarim

Pergunta-se porque é que metade da população americana acreditou em fantasias como a participação de Hillary Clinton em rituais satânicos? Pois a resposta é simples, o tempo vertiginoso da mentira é imbatível e é isso que valoriza os trumpinhos, quanto mais extravagantes melhor. Olhe à sua volta em Portugal e veja como eles estão tão deslumbrados com Trump, acham que chegou a sua hora.

Como o Facebook permitiu a vitória de Trump

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Um artigo na Wired explica a forma como o Facebook contribuiu para a vitória de Trump. Não foi tanto pelas notícias falsas, isso deve ter sido mais reservado ao Twitter, mas sim pela angariação de fundos e pela observação, em tempo real, do efeito do arranjo das comunicações de campanha (se funcionava melhor um vídeo ou uma imagem estática; se certo destaque devia estar antes ou depois do título; etc.). O grande investimento em propaganda por parte da campanha de Trump foi, precisamente, no Facebook. Leitura obrigatória para os nossos doutores em rotação.

Here’s how Facebook actually won Trump the presidency

Nada a que os pafiosos estejam desatentos, dada a experiência demonstrada no império do click, montado durante o anterior governo (Observador, perfis falsos no Facebook, equipa de produção de fotomontagens, constante produção de “factos” políticos, etc.).

Cuidado com a corrente do Facebook, mas no que respeita aos anúncios de perigo

Roubo de dados pessoais e de endereços de IP, spam, phishing, burla, propagação de vírus e demais sete pragas do Egipto em versão digital foram os perigos que vários órgãos de comunicação social, alguns até dizendo-se como de referência, anunciaram como podendo acontecer a quem aderisse à corrente “Desafio aceite”.

Esta corrente consiste em publicar no Facebook uma foto a preto e branco, como forma de suporte à luta contra o cancro. Obviamente que nem essa luta ganhará com isso, nem os utilizadores do Facebook ficarão mais expostos do que quando publicam qualquer outra foto.

Na verdade, o único truque nesta campanha chama-se clickbait e é praticado, precisamente, pelos órgãos de comunicação social que publicaram no Facebook estas notícias alarmistas para atrair visitas para o seu site.   Onde, naturalmente, vendem publicidade em função do número de visitas.

Posto este esclarecimento, vamos lá começar uma campanha como deve ser. Se acha que o mundo não vai acabar amanhã às 22:53, tome um bom banho matinal e alimente-se bem, pois vai ser um dia longo.