A Era do Cancelamento

Tantos séculos a evoluir, a quebrar barreiras e a tornar as sociedade mais livres. Começamos pelas liberdade grupais, passando para as liberdades individuais. Começamo-nos a perguntar como tornar as pessoas mais livres, um mundo mais justo e menos desigual. Eliminamos preconceitos e fizemos progressos. Consideramos que os nossos antepassados estavam errados, mas não acho que seja certo dizer isso, pois eu espero que os meus netos me considerem retrógrado. É sinal que a geração deles conseguiu tornar as pessoas ainda mais livres.
Isto foi tudo conseguido ao longo de séculos, mas acho que estamos a regredir. Hoje em dia, é banal alguém tentar cancelar uma pessoa pelas suas opiniões. Isto é censurar algo apenas por não gostar ou concordar. Para haver uma verdade é necessário haver contraditório. Só através de um escrutínio constante até ao nosso próprio pensamento podemos chegar a melhores resultados. Faz-me confusão haver pessoas que se dizem em prol da liberdade, mas que fazem da sua agenda colocar mulheres contra homens, minorias étnicas (termo que vocês usam e acho extremamente racista) contra brancos, pobres contra ricos, trabalhadores contra patrões, entre outros. Há quase 100 anos, a Europa foi palco de mais uma Guerra devido a identitarismos bacocos. E por muito que nos pareça não ser possível voltar a acontecer, ainda há uns dias tivemos um assassinato por fanatismo religioso contra um indivíduo. Lemos todos os dias discussões entre pessoas por grupos sociais. Quando alguém defende os homens, os brancos, os portugueses ou os europeus é facho. Quando alguém defende as mulheres, os negros, os ciganos, os estrangeiros ou os africanos, é um defensor da igualdade. Está tudo errado. Estamos a perder tudo o que construímos para aqueles que beneficiam com estas lutas. Os extremos.
Não acredito que partidos como o Chega não tenham imensas pessoas honestas que procuram algo melhor, devido à descrença na classe política. Não acredito que partidos como o Bloco ou movimentos como os Antifa não tenham imensas pessoas que procuram um mundo mais justo.

O debate ideológico mais profundo devia entrar em questões mais pormenorizadas, não na luta por valores básicos, como a liberdade e a democracia.

Comments

  1. há cada um says:

    Olhó o fomentador do bairrismo parolo do Porto a falar de divisão !!! És muito fofinho. Se fosse a ti candidatava-me a presidente da junta. Vá lá, a vereador.
    Há cada um …

    • Francisco Figueiredo says:

      É possível termos orgulho em algo, sem o materializar politicamente ou discriminar outros.

    • Nascimento says:

      Certeiro. Quem quiser que o compre. É só ler as postadas do senhor. Orgulho? Em quê?Saloísmo. Não descrimina? Ai não? Que grande lata. Toca a dizer tudo e o seu contrário. Eu até choro de tanto abraço e carinho expresso na postada.
      O ” debate ideológico”, não é coisinha de ” pormenor” em que todos somos filhos de deus, ” humanos”, no fundo ” bonzinhos” blá,blá,blá… ele assenta e sempre assentou em questões vitais como Liberdade. Sempre. E ainda bem.
      Vá lá ” historiar” mais num bocadinho. Abelha.

  2. Filipe Bastos says:

    Acho que tem razão, Francisco, salvo numa confusão que faz acima. Não está sozinho; muita gente faz a mesma confusão. A começar pela esquerda, ou o que hoje passa por esquerda.

    Ora releia isto e pense se é tudo a mesma coisa: “…mulheres contra homens, minorias étnicas contra brancos, pobres contra ricos, trabalhadores contra patrões”. Não é, pois não?

    Ninguém escolhe ser homem ou mulher, branco ou preto, hetero ou homossexual. Já nascemos assim. E isso pode ainda afectar a nossa vida, infelizmente, mas tal como diz já evoluímos muito.

    Ser pobre ou rico é diferente. Ser patrão ou funcionário também. Claro que há patrões e patrões, há a mercearia da esquina e há a Sonae. Não vamos agora por aí; foquemo-nos na riqueza.

    É esta a grande, a verdadeira divisão do mundo, Francisco. O dinheiro. Haves e have nots. E não é de agora: é de sempre. Dos faraós aos monarcas, da Rev. Industrial à Big Tech.

    Se uma mulher preta, lésbica, estrangeira, deficiente, muçulmana e analfabeta for rica, todo o mundo é dela. Todas as portas se abrem. Se um homem branco, louro e hetero for pobre, é trampa. Todas as portas se fecham. Entende isto, não entende?


    • Então essa de reduzir as Guerras Mundiais a uma questão “identitária” (hã?!) é de cabo de esquadra…

    • Albino Manuel says:

      Essa não…Vamos pôr as coisas de maneira diferente: se o que resta da burguesia novecentista tem dinheiro é um deslumbramento; gente rica, com dinheiro, oh oh. Até os olhos arregalam. Se é um provinciano que ficou rico à conta da inteligência e do trabalho, é um novo rico. Pfff.. ordinários.

      Acontece que essa burguesia novecentista na sua maioria compra papel higiénico marca branca. Dedos sujos..

      E acontece que gente com o nome Galinha – que horror! – tem hoje o dinheiro que falta aos novecentistas.

      Depois há outro tipo de apartheid: a malta paga pela FCT, mestrada e doutorada, que acha que devia ter direito ao repasto que não tem. Conpensam na sobranceria o que lhes falta na conta bancária. Não conseguem perceber que os talentos são muitos e um deles é saber ganhar dinheiro. Mas não, são necessariamente corruptos e ladrões. E não são.

      • Paulo Marques says:

        E as inovações são criadas, por quem, pelas empresas?
        lol

        • Albino Manuel says:

          lol digo eu, não por ti lindinho. Tu só serves para pedires subsídios à FCT. Como se tu tivesses alguma capacidade de criar riqueza. Comer riqueza sim. Ora vai dar uma volta.

          • Paulo Marques says:

            Lá está o Albino a assumir, como verdadeiro asno.
            Esta coisa onde “comunicamos” foi criada por quem?

          • POIS! says:

            Pois tá bem!

            Lá está o vidente Professor Doutor Albimbo a tentar adivinhar atravé das borras de carrascão no fundo de um garrrafão de 5 litros (previamente esvasiado “de penalti”, como mandam as regras).

            Ainda se fossem os números do próximo Euromilhões a gente até agradecia, até lhe pagávamos o próximo garrafão.

  3. Paulo Marques says:

    Pois, mas ainda estamos mesmo nos valores básicos do direito à vida, ao corpo, a não ser assediado constantemente, direito à justiça. e até o direito a votar nalguns casos.
    Além de, como diz o Bastos, os valores básicos de ter trabalho, comida, e habitação, a falta dos quais é usada para culpar quer o outro, quer a mudança, dado a popularidade da propaganda da escassez de recursos.

  4. Rui Naldinho says:

    Bom texto. Não digo mais nada porque concordo basicamente com tudo o que aqui está escrito.
    Espero que o Francisco, agora na República Checa, à qual chamam de Chéquia, esteja mais protegido contra uma infeção do Covid19 do que nós, sabendo eu que por lá os números também dispararam. É tudo uma questão de civismo e bom senso das pessoas.
    Ontem, sentado eu dentro de uma agencia bancária, já para lá das 19h00, esperando que a minha mulher acabasse de preencher uns mapas no computador, relativo às vendas diárias do balcão, observo através da vitrina, uma fulana sem máscara, a tossir de forma persistente, uma tosse seca, na ante câmara, zona reservada ás caixas multibanco. Falava ela ao telemóvel com uma amiga, informando-a que estava provavelmente com Covid 19, uma vez que a filha tinha tido febres altas, ela também sentia algum mal estar e tosse. Trazia um saco de compras da mercearia, bem aviado. Enquanto levantou dinheiro e pagou algumas contas, cerca de 3/4 minutos, foi tossindo sem a máscara para cima do mostrador digital do multibanco. Saiu conforme entrou. A tossir. Vá la, desta vez já com máscara colocada.
    E não querem vocês que neste pais, haja já 3250 casos por dia, 60% no Norte, com tendência para subir.

    • Paulo Marques says:

      Como o civismo não só não paga as contas, como custa dinheiro, tamos tramados.

    • Francisco Figueiredo says:

      Neste momento, está muito complicado. Máscara obrigatória, tudo fechado a partir das 20h, e comida só para fora. Ouvi dizer que o Chega e o PCP não teriam sorte por estas bandas.
      Abraço!

      • Paulo Marques says:

        Não era isso que queriam, tudo a bulir sem rede para podermos trabalhar para os outros, perdão, para exportar, pastéis de nata? A juntar ao “sector social” desregulado que só podia dar nisto? E uma saúde privada que pede cada vez mais rendas num estado mais pequeno? Num clima em que é cada um por si para merecer um emprego?
        Que surpresa, dá merda.

    • Nascimento says:

      Atão não? E Eu? Olha , até tremo quando vejo o anão a esbracejar, a salivar, assim todo debruçado sobre a Clarinha, na Sic aos domingos! E há outros…mas, ai espera lá ; ali o Bicho ali não entra! Um estúdio de Tv , a menos de dois metros,e SEM MASCARA … mas, tudo desinfetado! Inteligente o gajo ,hem? Tudo bem!
      Realmente, como é que não querem … o raio da fulana! Só neste país, pá!

  5. Rui Santos says:

    Apelo ao choradinho e pechisbeque ideológico.

  6. JgMenos says:

    O seu texto tem uma falha monumental: esquece a existência dos grunhos e dos corruptos.
    Grunhos estão largamente representados aí acima; que tenham voz é útil, para avaliarmos o grau de insucesso na formação de uma sociedade decente.
    Corruptos são o perigo maior quando são, não simples transgressores, mas ardilosos efabuladores de ideologias que, pressupondo a privação de liberdade, servem à grunharia a ambição de uma igualdade que só a eles, os corruptos, aproveitará.

    • POIS! says:

      Uma injustiça pois!

      Que se tenham esquecido, quiçá de propósito, da existência de JgMenos. Sim, é uma falha monumental, do tamanho Torre dos Clérigos ou até da estátua do Cargaleiro.

      Tanto esforço para nada! Francamente!

    • Nascimento says:

      Ó escarro , quando te referes a grunhos estás a pensar em quem te fez a cabeçorra? Aos fachos cobardolas como tu? Só pode. Certinho e direitinho… não é ? Pois é.
      Vá, vai lá pra retrete- lugar que tanto aprecias- e não te esqueças de por a mascara porque o Bicho – já me confidenciou- não quer ficar infetado com a tua merdosa presença. Largueza!

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