Sobre os testes obrigatórios nos restaurantes e noutros locais

Perante o regresso ao estado de calamidade a partir de quarta-feira, o acesso a restaurantes estará condicionado à apresentação do certificado digital Covid-19, que comprove a vacinação completa ou um teste negativo, mas cafés, pastelarias, snack-bares e esplanadas não são abrangidos pela medida. [ECO]

Hoje vou jantar fora, pelo que realizei um teste covid numa farmácia. Irei estar com outras pessoas, a grande maioria vacinados. Todos teremos um certificado válido para podermos estar no restaurante, uns porque realizaram o teste, outros porque estão vacinados.

Como se sabe, estar vacinado não impede que se seja portador do vírus. Portanto, apenas os testados poderão estar certos de não estarem a contribuir para que a doença se espalhe.

Que objectivo se pretende atingir com esta medida? Contenção do vírus não será, já que isso implicaria que todos se testassem. Garantir a protecção dos que não estão vacinados (crianças e outros) também não, pois os vacinados poderão ser portadores do vírus. Resta a medida política. Essencialmente, a continuação da narrativa propagandista a que temos assistido.

Passado todo este tempo, continuamos a assistir à implementação de medidas arbitrárias. E é este arbítrio que lança dúvidas sobre as medidas realmente importantes que são, também, tomadas.

Tomar os portugueses por tolos nunca foi boa opção. O governo, ao o fazer, descredibiliza-se a si mesmo, mina a confiança dos portugueses em relação ao Estado e dá argumentos às alas radicais da sociedade.

Comments

  1. Marta Realejo says:

    “Portanto, apenas os testados poderão estar certos de não estarem a contribuir para que a doença se espalhe.” Diz Manuel Cordeiro, mas esquece-se ou ignora que um teste pode dar um falso negativo e que, portanto, é possível ter feito um teste, ter dado negativo e ainda assim ter Covid e contaminar outros. Ou seja, o seu texto não resiste a uma análise superficial. É conversa de café, que, se fosse só irrelevante e superficial, eu ignoraria, mas que contribui para desinformar e criar ruído numa altura em que estes se devem evitar.

    • j. manuel cordeiro says:

      Mais reforça o argumento sobre a arbitrariedade da medida. Com efeito, pode ser um falso negativo ou até um falso positivo, já que quer ir ao detalhe. Porém, é mais do que ausência de informação sobre se um vacinado está ou não a ser portador do vírus.

    • Tuga says:

      “mas que contribui para desinformar e criar ruído numa altura em que estes se devem evitar.”

      Claro. É esse o objectivo

  2. Paulo Marques says:

    E a dar-lhe. Não só o teste também pode estar errado, como, fora da Ásia, ninguém quis impedir coisa nenhuma ou ficávamos a sério todos em casa. Limita-se.
    Não querem ser tomados por tolos, não tenham dúvidas de crianças, que, de resto, percebem bem melhor.

    • j. manuel cordeiro says:

      E porém, opta por ignorar o ponto central, que é para que serve a exigência do certificado. O teste pode ser falso negativo e vacinado pode ser portador do vírus. Tal como está já referido no post, esta medida nem pára o contágio nem protege os vulneráveis.

  3. Elvimonte says:

    Para ilustrar a inutilidade do certificado de vacinação, uns números retirados do relatório oficial inglês “Vaccine-surveillance-report-week-42.pdf”, onde são apresentadas taxas de infecção de vacinados e não-vacinados. Nomeadamente do que figura na “Table 2. COVID-19 cases by vaccination status between week 38 and week 41 2021” do mencionado relatório, onde constam taxas de infecção por 100000 pessoas.

    (faixa etária, taxa de infecção de vacinados, taxa de infecção de não-vacinados)
    30-39 – 956.7 – 751.1
    40-49 – 1,731.3 – 772.9
    50-59 – 1,075.3 – 528.6
    60-69 – 704.1 – 347.1
    70-79 – 537.9 – 267.6

    =80 – 406.8 – 304.1

    Nestas faixas etárias as taxas de infecção dos vacinados são superiores às dos não-vacinados e em três delas são mais do dobro. Perante estes números e nestas faixas etárias, só pode concluir-se que o certificado de vacinação é inútil.

    Aliás, o observador isento e objectivo pode também concluir que as vacinas promovem a infecção – é isso que os números nos dizem – e quem não deve entrar em restaurantes são os vacinados que não apresentem um teste negativo. A medida racional a adoptar fundada na evidência empírica seria essa.

    “It doesn’t matter how beautiful your theory is, it doesn’t matter how smart you are. If it doesn’t agree with experiment, it’s wrong.” (R. Feynman)

    “If you can’t figure out what someone’s doing or why, look at the outcome, and infer the motivation.” (C. Jung)

    Sendo o certificado de vacinação inútil do ponto de vista epidemiológico, de que servem as restrições impostas com base na sua apresentação? Que interesses é que servem? Quem lucra com essa obrigatoriedade? Estará a classe política a receber “luvas” do lobby das vacinas? Será a demissão de Gladys Berejiklian, na Austrália, apenas a ponta do iceberg?Estas são algumas das questões a colocar para se inferir da motivação das medidas impostas.

    Para melhor se avaliar do carácter discricionário, infundado, coercivo, irracional, anti-científico, discriminatório e eventualmente ilegal das restrições impostas, note-se que a exigência de apresentação de certificado ou de comprovativo de realização de teste é dispensada nos restaurantes e similares aos trabalhadores desses estabelecimentos e eventuais fornecedores ou prestadores de serviços.

    • POIS! says:

      Pois sim mas, para ilustrar ainda melhor e a cores…

      Relato a V. Exa, Dr. Elvimont D’Ordure, um incidente que se passou num congresso mundial de epidemiologistas e afins realizado na localidade alemã de Schweinfurtentugal, que fica próxima de Feiguenbaumund.

      A certa altura, o geneticista alemão Wolfgang Blitzabeliter, que dava uma conferência sob o tema “Das Virus für bekiffte Idioten” confrontou a plateia neste sentido: “será verdade que os hunos aproveitavam a carne de coruja para fazer croquetes?”.

      Na assistência, o professor americano Jonas Chockedup respondeu prontamente: “na Califórnia, volta e meia, já há um terramoto. Devia ser proibido”.

      Por aqui se vê que ainda se está longe em matéria de consensos sobre os assuntos. E ainda querem que se concorde com coisas! Francamente!

    • Paulo Marques says:

      Teoria de Bayes. Paradoxo de Simpson.
      Não merece mais palavras que isso.

  4. Paulo Marques says:

    O cordeiro é que quer ignorar o ponto central; o importante é limitar o uso de recursos, não ter a maior eficácia, quando esta implica medidas que ainda menos alguém queria perceber, quanto mais aceitar.
    Se tivesse perdido o tempo que passa a gritar contra as nuvens a comparar o resultado comparado com nada fazer (noutras alturas e/ou locais), já lá tinha chegado. Mas não querem, vendiam menos peixe.

    • j. manuel cordeiro says:

      O que é que isto tem a ver com o certificado? O que escreve tem a ver com a vacina, é outra coisa completamente diferente.

      • Paulo Marques says:

        É uma medida de contenção da transmissão, igualitária na sua aleatoriedade de falhas, com um determinado valor esperado de eficácia. É a mesma coisa, caramba.

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