A cobardia do ministro Eduardo Cabrita

A culpa é do motorista.

Notícia: PÚBLICO

A culpa não é da prática habitual dos carros do governo andarem sistematicamente em excesso de velocidade, tal como demonstrou a reportagem da SIC.

Sobra Eduardo Cabrita, o ministro que se escondeu por trás do motorista, não se demitiu quando a responsabilidade política é dele e deixou o motorista arcar com a culpa. Mais cobardia do que isto é difícil.

Comments

  1. Alexandre+Barreira says:

    ……..para quem ande nas estradas….até é normal….e nem vale a pena……..”choverem no molhado”….!!!

    • j. manuel cordeiro says:

      Normal atropelar mortalmente numa autoestrada? Não me diga que lhe calhou o dia de serviço hoje.

      • Alexandre+Barreira says:

        ….atropelar….?…..mas quem falou em atropelar……só falei em velocidade…..!…caríssimo….a falta de humor é tramada…!!!

  2. Rui Naldinho says:

    Os titulares de cargos públicos com direito a viatura de serviço, são sempre os responsáveis pelas mesmas, incluindo a tutela sobre a ação e desempenho do motorista, quando viajam juntos.
    Já se o motorista viajar sozinho, sem a presença do titular de cargo público, essa responsabilidade passa a ser só do condutor.
    O ministro Eduardo Cabrita sabe muito bem disso. E ninguém vai acreditar que aquele motorista, com várias viagens em conjunto, viajava a 160km contra a sua vontade. Claro que viajava em excesso de velocidade com a conivência do Ministro.
    O PS continua a cavar a sua própria sepultura. O funeral pode até não ser no final de Janeiro, mas desengane-se quem pensar que com estes métodos aquilo durará muito tempo.

    • balio says:

      Os titulares de cargos públicos com direito a viatura de serviço, são sempre os responsáveis pelas mesmas quando viajam juntos.

      Disparate. Então uma pessoa não tem o direito de ir no carro a trabalhar, a fazer telefonemas, a ver emails, etc, ou então a dormir? Tem que estar sempre – mesmo estando no banco de trás! – a olhar para o que o condutor vai a fazer? Isso não faz sentido nenhum.

      Se uma pessoa tem direito a motorista, é precisamente para não ter que se ocupar da condução, poder usar o tempo de viagem para relaxar e descansar ou então para trabalhar!

      É ridículo dizer que o ministro tem que estar sempre a espreitar a ver aquilo que o condutor vai a fazer.

      O ministro tem as suas tarefas, o motorista tem as dele. Cada um deles não tem que se meter nas tarefas do outro.

      • Carlos Almeida says:

        Balio

        Concordo completamente, embora eu ache que este caso, o ministro devesse ter pedido imediatamente a demissão do cargo, assumindo a responsabilidade politica.
        Se bem se lembram, já houve um ministro que se demitiu quando a ponte de Entre-os-Rios caiu.
        Era isso que o Cabrita devia ter feito e é o que se faz nos países civilizados.
        O resto é chicana politica que chegou até aqui ao Aventar

      • Rui Naldinho says:

        Cabrita não era um passageiro.
        Passageiro é alguém que contrata um serviço de transporte e paga o serviço pretendido. Táxi, barco, avião, autocarro, etc.
        Cabrita é um personagem, titular de cargo público, que tem direito a uma ou duas viaturas do Estado, por norma topo de gama, e no mínimo a dois motoristas. É ele que lhes transmite as ordens. Que lhes marca as horas. Não é o dono da empresa, porque ela não existe.
        Mas ainda que fosse, você então acha que um passageiro vai num carro a 163km e não se dá conta da velocidade a que ele circula. Até as crianças têm essa noção, homem.
        “Cabrita ia tão abstraído que nada se passava à sua volta, na sua óptica.”
        Das duas uma, ou você é ingénuo, ou acha que os portugueses acreditam nessa treta.

        • Carlos Almeida says:

          “Mas ainda que fosse, você então acha que um passageiro vai num carro a 163km e não se dá conta da velocidade a que ele circula. Até as crianças têm essa noção, homem”

          Os carros utilizados pelo Estado, não são Renault Clio ou Fiat Panda ou outras pandeiretas utilizados pelo comum dos mortais. Nesses dá para perfeitamente notar que se vai a mais de 120 ou 130 km até pelos desconforto,saltos e barulho.

          Mas nos BMW ou Mercedes ainda por cima topo de gama que o Estado tem, garanto-lhe que ir a 160 Km em autoestrada não nota, a menos que vá constantemente a ver o velocímetro da viatura, como a pessoa com quem concordei genericamente muito bem assinalou.

          O que aconteceu, pode acontecer a qualquer pessoa, ministro ou trolha, de esquerda ou direita.

          O que é mais importante e aí você “esqueceu-se” de assinalar que na minha opinião o ministro se devia ter demitido imediatamente e não o fez. O resto volto a dizer é lixo politico, aqui também no Aventar

          ““Cabrita ia tão abstraído que nada se passava à sua volta, na sua óptica.”
          Onde é que viu esta frase no meu post .?????

          Nota: Não sou ingénuo, distingo muito bem a vida real da chicana.

          • Rui Naldinho says:

            “ Disparate. Então uma pessoa não tem o direito de ir no carro a trabalhar, a fazer telefonemas, a ver emails, etc”

            Se isto não é uma desculpa esfarrapada para dizer que o Ministro não se deu conta de que o veículo circulava a grande velocidade, é o quê?
            Só você e alguns incautos acham que o ministro não sabe a que velocidade circulam os carros nas múltiplas viagens que fazem, com a sua complacência, a começar logo pelas agendas sobrecarregadas que escolhem para se sobressaírem.
            Fosse você meu motorista, quem lhe dava ordens era eu. A começar logo por limites de velocidade, limpeza e manutenção do veículo.
            É óbvio que o autor material da morte do trabalhador sinistrado é o motorista. Como o autor material da morte de Igor foi o agente do SEF.
            Agora a responsabilidade política só pode ser do ministro.
            Mas deixe lá, o pior cego é aquele que não quer ver.

          • Carlos Almeida says:

            Sr Rui

            O sr coloca na minha boca coisas que não disse nem escrevi, omo por exemplo

            ““ Disparate. Então uma pessoa não tem o direito de ir no carro a trabalhar, a fazer telefonemas, a ver emails, etc”

            Depois escreve

            “Agora a responsabilidade política só pode ser do ministro.” como se eu tivesse dito o contrario

            Mas volto a escrever o que atrás escrevi , e que o sr parece que não viu.

            “embora eu ache que este caso, o ministro devesse ter pedido imediatamente a demissão do cargo, assumindo a responsabilidade politica.”

            Parece que não sou eu que sou cego

          • Rui Naldinho says:

            Eu estou a comentar aquilo que escreveu o “balio”, e não o que escreveu o Carlos Almeida.
            Se me enganei na colocação da resposta, peço desculpa.
            E vou reafirmar, para que não fiquem dúvidas.
            A responsabilidade moral do acidente que envolveu um trabalhador na auto estrada é do Ministro Eduardo Cabrita. A responsabilidade material é como não podia deixar de ser do condutor. O Ministério Público não pode em caso algum acusar uma pessoa baseando-se em pressupostos morais.


    • Lamento ter de discordar, como explano em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2021/12/motorista-de-cabrita-negligencia-ou.html, que o convido a visitar.
      O ministro não mandou o motorista acelerar pelo meio das obras.
      Ainda que, possivelmente, a agir sob ordens para acelerar em todo o trajeto, considero absolutamente inaceitável a opção do motorista de acelerar por uma zona de trabalhos na auto-estrada, onde a velocidade máxima seria de 80 km/h, e não de 120 km/h. Ao assim fazer, pôs, com total indiferença, em risco a vida dos trabalhadores que, inevitavelmente, ali estariam a operar.
      Assim, a acusação ao motorista é, no mínimo, suave. Em minha opinição, não se tratou de um mero caso de negligência na condução, mas de homicídio.
      A pena máxima não deveria ser de três anos, mas de dezasseis, sem possibilidade de suspensão.
      Claro está que não digo que o ‘passageiro’ esteja, inevitavelmente, isento de culpa… Mas não será fácil demonstrar.
      Bom fim de semana.

  3. Filipe Bastos says:

    A resposta adequada seria esta: impedir a passagem a todas as viaturas oficiais de políticos. Ao vê-las em qualquer estrada, rua ou caminho, pará-las ou atrasá-las deliberadamente.

    (Melhor ainda seria malhá-las, as viaturas e os pulhas que lá vão, mas enfim: já seria bom lixar-lhes a viagem.)

    Ao Cabrita em particular, persegui-lo como se fez ao Relvas. Em todos os eventos ou locais onde mostre os cornos, na rua, na praia, num restaurante, num parque de estacionamento, seja onde for, pelo menos chamar-lhe aquilo que ele é.

    Diz o Naldinho que o PS cava a sua própria sepultura. A única sepultura que vejo é a do trabalhador que o Cabrita matou.

    O PS continua alegremente no poleiro e no pote. Impune. Caso percam as eleições, vão alegremente para outros tachos. Impunes. E daqui a 4, 6 ou 8 anos lá estarão outra vez. Impunes.

    Ouçam bem: vocês são cúmplices disto. Vocês toleram isto.

    • Tuga says:

      Filipe Bostas

      “A resposta adequada seria esta: impedir a passagem a todas as viaturas oficiais de políticos. Ao vê-las em qualquer estrada, rua ou caminho, pará-las ou atrasá-las deliberadamente!

      Brilhante bosta, garotão !

      É assim que se resolvem os problemas, sim senhor.

      Continua que vias no bom caminho

    • POIS! says:

      Claro!

      Na China e na Rússia ditadores continuam alegremente no poleiro. Impunes.

      E o Bastos é cúmplice. Tolera isto.

      Podia ao menos ir malhar nos gajos das embaixadas. Ou atrasar-lhes as equipas de “catering” aquando das jantaradas diplomáticas. Já não seria mau.

      Mas nada! Bem, temos de concordar que está um bocado de frio.

      • Filipe Bastos says:

        Até na China e na Rússia há quem proteste, e lá não é fácil protestar; lá leva-se a sério.

        Cá, nesta pasmaceira podre, somos demasiado carneiros, demasiado cobardes até para protestar. Não hão-de o Cabrita e demais pulhíticos cagar-nos em cima?

        • POIS! says:

          Bem…

          Se insistir muito em continuar a passear lá pelas soleiras dos ministérios…dos palácios…das sedes…

          Pode acontecer!

    • Paulo Marques says:

      Nós? Mas também somos guerreiros de teclado como o Bastos.

      • Filipe Bastos says:

        Guerreiros de teclado? Na verdade, nem isso são.

        Alguns parecem avençados ou carneiros do Partido Sucateiro, outros são ainda novos e iludidos, outros velhos e resignados, outros inscientes, outros obtusos, outros apáticos.

        Banalidades abrileiras, bocejos e encolher de ombros.

        Eu aqui até pareço um radical, e o que digo deviam ser as coisas mais evidentes do mundo. Eu devia ser o Captain Obvious.

  4. esteves aires says:

    Tem que haver um culpado, e, é sempre aquele que vende a sua força de trabalho…
    Se o meu saudoso amigo Arnaldo Matos, esteve-se entre nós – diria ; isto é tudo um putedo!!!

  5. João Peneda says:

    Este indivíduo é asqueroso. E não é tarefa fácil neste governo um ministro destacar-se dos outros, ser tão mais asqueroso do que os restantes..
    Perguntamo-nos que raio de podres ele sabe sobre o chefe que lhe peremitem portar-se desta maneira.
    Fotografias ou gravações audio?

  6. balio says:

    Parece-me que o Ministério Público age corretamente ao acusar somente o motorista, dado que não dispõe de quaisquer provas contra o ministro.
    Em tribunal só contam as provas, e não há provas de que o ministro tenha feito seja o que fôr de mal.

    • Paulo Marques says:

      Ora bem, se os intervenientes nada dizem, presumivelmente, não há nada a fazer.
      Outra coisa é aceitar que não há responsabilidade política. A menos que fosse a dormir, é impossível não reparar no excesso de velocidade (e velocidade excessiva) por parte do chefinho.

  7. j. manuel cordeiro says:

    Cabrita. Primeiro o autoelogio e a propaganda, depois a demissão
    Ontem, 21:04
    O ministro Eduardo Cabrita habitou-nos à forma como, tantas vezes, foi infeliz nas suas declarações. Esta sexta-feira foi mais uma. No discurso da sua demissão optou por, primeiro, fazer o autoelogio e a propaganda. Enalteceu os feitos ao longo do seu mandato como ministro da Administração Interna e deu o exemplo da gestão dos incêndios este ano. Depois passou à fase seguinte: fez-se de vítima, chegando a dizer que o carro foi vítima, mas, enfim, deve ter sido um lapso. Esqueceu-se, claro, de todos os episódios que lhe correram mal enquanto desempenhou a importante função de governante, como o caso das golas inflamáveis, a morte de Ihor Homeniuk às mãos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), o caso dos emigrantes de Odemira ou os festejos do Sporting.

    Ao início do dia (antes da demissão), Eduardo Cabrita apresentou-se apenas como “passageiro”, face ao acidente que envolveu o automóvel onde circulava e que provocou uma morte. Se fosse o seu camarada socialista Jorge Coelho, diria “demito-me”, mas de imediato. Foi o que Coelho fez, há 20 anos, perante a queda da ponte de Entre-os-Rios, situação na qual nem “passageiro” era. Mas não, Cabrita precisou de toda a sexta-feira para pensar. Mas já não havia alternativa. As palavras do ministro foram fatais, desresponsabilizando-se do acidente, revelando falta de ética política e deixando a culpa e a pena nas costas do motorista. Para a sociedade, em geral, transmitiram a sensação de impunidade.

    O motorista do carro que conduzia Eduardo Cabrita foi acusado de homicídio por negligência e foram ainda imputadas duas contraordenações: “violação das regras de velocidade e circulação previstas no Código da Estrada e com inobservância das precauções exigidas pela prudência e cuidados impostos por aquelas regras de condução”. Resposta de Cabrita à condenação: “É o Estado de direito a funcionar”. Como é sabido, um motorista cumpre ordens e um governante dá ordens. E, além disso, não se tratava de um ministro qualquer, mas sim da autoridade máxima de segurança no país.

    Costa resistiu sempre a demitir o amigo ministro e a remodelar o governo. Mas, desta vez, não havia saída. Não poderia partir para uma campanha eleitoral para as legislativas com esta carga a reboque. E Cabrita já não tinha condições nem para integrar as listas de deputados às eleições nem para voltar a integrar um governo, pois iria penalizar Costa e o próprio Partido Socialista nas urnas. Ao final da tarde, a demissão foi aceite por Costa, que não poderia mais manter um elemento tóxico na sua recandidatura. Saiu a dois meses das eleições e antes que a oposição usasse essa carga como munição de arma de arremesso político em plena campanha eleitoral.

    https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-dez-2021/cabrita-primeiro-o-autoelogio-e-a-propaganda-depois-a-demissao-14378667.html

    • j. manuel cordeiro says:

      “Eu sou só um passageiro”, referiu Eduardo Cabrita, quando confrontado com a acusação de homicídio por negligência da qual foi alvo o seu motorista esta sexta-feira.

      “É o estado de direito a funcionar, é essa a confiança que sempre tenho nas instituições. As condições do atravessamento de via têm de ser esclarecidas no quadro do acidente”

      “Como sabem, no dia 18 de Junho a viatura que me transportava foi vítima de um acidente no qual se viu envolvida e que tragicamente determinou a perda de uma vida.“

      Eduardo Cabrita ao anunciar a demissão de ministro da Administração Interna

    • j. manuel cordeiro says:

      Eduardo Cabrita apresentou a demissão para que não exista “aproveitamento político para penalizar o Governo, o primeiro-ministro ou o PS”. Note-se bem que a demissão nada tem a ver com a sua própria conduta. É o culto da irresponsabilidade política no seu melhor.

    • j. manuel cordeiro says:

      Eduardo Cabrita: o ministro “passageiro”, mas resistente a polémicas
      Por Francisco Nascimento
      03 Dezembro, 2021 • 20:57

      Desde 2017, Eduardo Cabrita colecionou polémicas como ministro da Administração Interna.

      Amenos de dois meses das eleições legislativas, Eduardo Cabrita apresentou a demissão para que não exista “aproveitamento político para penalizar o Governo, o primeiro-ministro ou o PS”, de um caso que remonta a julho de 2021, quando o carro onde seguia o agora antigo ministro da Administração Interna atropelou mortalmente um trabalhador na A6. Ainda assim, ao final da manha, questionado pelos jornalistas sobre a acusação ao seu motorista, Cabrita respondeu que “era apenas um passageiro”.

      No cargo desde 2017, sucedendo à atual deputada socialista Constança Urbano de Sousa, Eduardo Cabrita colecionou polémicas e sucessivos pedidos de demissão, mas respondeu sempre aos problemas com “os baixos índices de criminalidade em Portugal” e falando em “aproveitamento político”.

      António Costa defendeu o seu ministro da Administração Interna, publicamente, num debate na Assembleia da República, quando Eduardo Cabrita estava debaixo de críticas pelos festejos do Sporting, que juntaram milhares de pessoas em plena pandemia.

      “Quem me dera que o meu problema fosse o ministro da Administração Interna. Significava que não tinha problemas, porque tenho um excelente ministro da Administração Interna e vivo muito bem com o ministro da Administração Interna”, respondeu António Costa.

      Desde 2017, Eduardo Cabrita viu-se envolvido na polémica das golas inflamáveis, a morte de Ihor Homeniuk nas instalações do SEF, os casos de migração em Odemira, os festejos do Sporting e a morte de um trabalhador na A6.

      Golas “antifumo” inflamáveis
      Na época de incêndios, em 2019, a Proteção Civil distribuiu às populações mais de 70 mil kits contra incêndios compostos por golas “antifumo” e coletes refletores feitos com materiais inflamáveis. Os produtos, no entanto, não eram adequados para um cenário real, mas apenas para “sensibilizar” as populações.

      Os kits custaram 328.656 euros, 125 mil dos quais gastos em golas de proteção para o rosto e pescoço que além de inflamáveis não protegem do fumo, podendo constituir um perigo caso sejam utilizadas num incêndio.

      Na altura, Eduardo Cabrita desvalorizou “controvérsias estéreis” e os comentários para gerarem “polémicas eleitorais”. O secretário de Estado da Proteção Civil, Artur Neves, acabou, no entanto, por se demitir.

      Morte de Ihor Homeniuk e reestruturação do SEF
      O caso remonta a março de 2020, quando o ucraniano Ihor Homeniuk foi agredido por inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), e acabou por morrer na sala de isolamento do aeroporto de Lisboa. A indemnização à família da vítima surgiu quase um ano depois, com Eduardo Cabrita a destacar “a mais rápida e maior indemnização” alguma vez feita em casos idênticos.

      Marcelo Rebelo de Sousa chegou a afirmar que se o caso do cidadão ucraniano “não fosse isolado, mas sim uma realidade que não funciona, quem protagonizou a realidade passada provavelmente não tem condições para protagonizar a futura”. Eduardo Cabrita não acolheu a responsabilidade como sua e manteve-se no cargo, com a saída da diretora nacional Cristina Gatões.

      A reestruturação do SEF passou, desde 2020, a ser uma prioridade do Ministério da Administração Interna, mas quase dois anos depois e com a dissolução da Assembleia da República, a extinção da força policial ficará a cargo do próximo Governo, depois de o PS ter pedido o adiamento por seis meses.

      Requisição civil em Odemira
      O Governo determinou “a requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional” do complexo turístico ZMar, na freguesia de Longueira-Almograve, para alojar pessoas em confinamento obrigatório ou permitir o seu “isolamento profilático”.

      Em maio, em pleno pico da pandemia, migrantes em Odemira viviam em casas híper lotadas num “risco enorme para a saúde pública, além de uma violação gritante dos direitos humanos”, como referiu António Costa.

      No entanto, o Supremo Tribunal Administrativo deu razão aos proprietários do Zmar e suspendeu a requisição civil decretada pelo Governo. Os proprietários e o Estado chegaram, depois, a um acordo, que fossem ressarcidos financeiramente.

      Sporting: festejos de um título anunciado
      O Sporting venceu o campeonato nacional 19 anos depois, e os adeptos saíram à rua para festejar o final do jejum, sem máscara e distanciamento social. Apesar de admitir que os festejos “não correram bem”, o ministro da Administração Interna rejeitou responsabilidades.

      Eduardo Cabrita afirmou que não compete à PSP definir o modelo de celebração, mas sim garantir a segurança e, no que a isso diz respeito, “fez aquilo que era adequado num quadro particularmente difícil”.

      Houve ainda trocas de palavras entre o Ministério da Administração Interna e a direção do Sporting, já que o ministro garantiu que o clube “não respondeu” aos pedidos de esclarecimento da IGAI. O Sporting classificou de “extrema gravidade” as declarações, e acusou o ministro de mentir.

      Acidente com carro do Estado a alta velocidade
      Por último, o acidente em junho deste ano, que acabou por levar à morte de um trabalhador que trabalhava na A6, acabou com o motorista de Eduardo Cabrita, acusado de homicídio por negligência, e com a demissão do ministro.

      Identificando-se como “passageiro”, Eduardo Cabrita acrescentou que o atravessamento de via “não sinalizada” tem de ser esclarecido. Ainda assim, a Brisa garante que os trabalhos na estrada estavam sinalizados. De acordo com a acusação, o carro seguia a 163 km/h.

      O PSD revelou ainda, na altura, que o carro onde seguia o ministro não tinha matrícula registada, com o Governo a esclarecer que a viatura estava “na situação jurídica de apreendida” e tinha uma guia para poder circular válida até maio de 2023.

      As polémicas acabaram, no entanto, por levar à demissão de Eduardo Cabrita, com a oposição a “entender que o pedido de exoneração chegou tarde demais”.

      https://www.tsf.pt/portugal/politica/eduardo-cabrita-o-ministro-passageiro-mas-resistente-a-polemicas-14378638.html

    • j. manuel cordeiro says:

      A adjectivação de Francisco Nascimento no artigo da TSF é certeira. Cabrita foi um ministro “passageiro”. Nada do que se passou no seu mandato teve a ver com o próprio. Sempre esteve no lugar de quem não conduz, o que é a antítese de ser-se político. O ministro que sempre se pôs a trás de alguém em vez de assumir que era o número um na hierarquia.

      Tudo estará esquecido em breve, já que fracos não reza a história, excepto para as famílias das vítimas dos casos onde o ministro era o responsável máximo.

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