Selecção de ParaHóquei já em Amesterdão

Já está em Amesterdão, tendo em vista a participação no Campeonato Europeu absoluto de ParaHóquei (Eurohockey ID Championships Amsterdam), a selecção nacional da modalidade, que viajou esta madrugada.

Enquadrada pelos técnicos Hugo Santos e Patrícia Ângelo, pela FPH, e pelo dirigente da ANDDI, Manuel Carvalho, deslocaram-se os seguintes atletas: Diogo Costa, AD Lousada; Joaquim Pereira e Sérgio Areias, Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde; Paulo Nunes e Vasco Vicente, ARCIAL, Oliveira do Hospital; Luís Marcelo Rodrigues e Daniel Freitas, CAVA, Vieira do Minho; Fábio Coelho, Luís Almeida e Renato Oliveira, Clube de Gaia.

Estas prestações internacionais e as provas nacionais que se estendem pelo ano desportivo são fruto de uma parceria em muito boa hora iniciada pela ANDDI – Associação Nacional Desporto para Desenvolvimento Intelectual (versão menos invasiva e mais inclusiva da anterior sigla que referia o Desporto para a Deficiência Intelectual) e a FPH – Federação Portuguesa de Hóquei, sob os auspícios da EHF – Federação Europeia de Hóquei.

Foi no consulado de Joana Gonçalves, que na altura presidia à FPH, e impulsionada por Pedro Ávila, o então DTN, e Hugo Santos, Secretário Técnico, que se passou ao papel esta ideia comum, parceria que se manteve quando liderei os destinos do hóquei nacional e que foi referendada já pelo actual executivo.

Para além do inefável e necessário imperativo social desta parceria, tem sido imensamente gratificante a partilha entre o grupo de trabalho e os agentes da modalidade que com ele convivem, sendo certo que assumo continuar em dívida com esta estirpe de pessoas diferentes, mas tão bem formadas, pelas incríveis lições de dádiva, legado, entrega e partilha nas nossas perseverantes convivências em provas e estágios.

É nesta experiência única que se robustece o pasmo quando assisto, em alguns agentes alegadamente responsáveis, a actos de acrisia abstrusa, aberrante, excludente, perante as lições de altruísmo e abnegação destes atletas a quem a vida não deu tudo (antes, tirando muito) o que deu aos restantes, mas a quem ofertou o que de melhor tem ela própria: a autenticidade, a intensidade, a veemência, a simplicidade e a humildade.

O facto de estarem em desenvolvimento intelectual não os impossibilita de inteligência emocional, eles têm consciência de quem os quer e de quem os quer ver pelas costas, ou porque não aparece ou porque, quando aparece, o faz de forma autocrática, arrogante, pesporrente, passando sem cumprimentar como se estivesse a fazer-lhes um favor. Ora, quem faz um favor são eles à FPH, bicampeões europeus absolutos que foram, vice-campeões absolutos que são ainda. Friso o termo “absoluto” porque nenhuma outra selecção nacional subordinada à FPH pode vangloriar-se de tal currículo desportivo. Por mais páginas de marketing, por mais publicações de encómios, por mais profundas que sejam as diferenças de tratamento e de condições colocadas à disposição nos estágios e em competição, a nossa realidade no hóquei dito normal é bem menos robusta (para empregar um termo na moda) do que a do ParaHóquei. Aqui não há paradoxos, embora a modalidade mereça uma discussão profunda, tendo nós os atletas que temos, os técnicos que temos. O Estado tem o dever de defender o desporto como escola de vida e prática de bons valores e dar ao desporto condições suficientes para a evolução de todos os agentes até ao nível máximo da representação nacional.

É que, na hora dos triunfos, os que menos merecem aparecer, os que deviam ter vergonha na cara, são os que mais se atropelam para chegarem a tempo à fotografia!

Amanhã, Portugal defronta a Itália pelas 09h00; a Holanda, pelas 13h30; a Alemanha, pelas 15h30, nessa maratona que não pára.

Para actualização do que se passa na Holanda, podemos sempre aceder ao portal https://eurohockey.org/event/eurohockey-id-championships-amsterdam-the-netherlands/

 

 

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