Joana Fonte*
No dia 25 de agosto, António Fernando Nabais recorre à sua liberdade de expressão e publica, no P3, uma resposta ao meu artigo de opinião, citando-me e expondo a sua visão crítica sobre o assunto.
Fernando Nabais envereda por um caminho e uma postura já bastante conhecida por todos nós, a de opor-se a uma mudança cuja necessidade já se torna gritante em todas as salas de aula das escolas. O autor depreende que, por me identificar como mestranda, provavelmente não possuo experiência profissional suficiente para ter feito as ditas afirmações, ou para participar neste debate – engana-se.
Ora, sem me espantar muito, o autor recorre a um primeiro e único argumento já muito utilizado: o de justificar as passagens de índole racista, presente em Os Maias, através da época em que a obra foi escrita.
Façamo-lo, então. Contextualizemos a época.
Tal como Jorge Fonseca de Almeida escreve, “Os grandes clássicos são os que pelo estilo inovador, pelo que revelam da alma humana, pelos temas sociais abordados, pelos sentimentos que provocam, ultrapassam o seu tempo e se transformam em textos intemporais, isto é, capazes de apelar ao leitor de várias eras incluindo a atual. Dizer que Eça é um autor datado é, no fundo, diminuí-lo”.
A tentativa constrangedora de contra-argumentar o facto de querermos que as obras de Eça passem a ter uma nota – assim como a Investigadora Vera-Cruz Lima defende -, com a afirmação de que eram os valores da época, é intelectualmente insultuoso.
Eça publicou Os Maias em 1888. Quiçá Fernando Nabais não saiba – ou ignore conscientemente– que, nessa mesma altura, foi um tempo em que o colonialismo e o racismo eram dominantes no pensamento europeu. Porém, foi também uma época marcada pela abolição da escravatura (1861-1865), pelas publicações de Marx, nas quais escreveu a frase “Trabalho de pele branca não se pode emancipar enquanto o Trabalho de pele negra continuar estigmatizado”, pelas obras de Frederick Douglass (1818-1895), a revolução do Haiti, independência da Libéria (1845) e pela própria Comuna de Paris (1871).
Portanto, no tempo de Eça estavam presentes o colonialismo e o racismo, assim como o outro lado da moeda, os e as que lutavam contra estes ideais. Eça tomou um lado da barricada, lado esse refletido também nas suas crónicas.
É factual que nessa época Portugal vivia sob uma monarquia, todavia as ideias republicanas também já eram conhecidas. Dois dos melhores médicos desse tempo eram negros: Carlos Tavares e Sousa Martins, contudo Eça optou por descrever o povo negro com outra perspetiva. Assim como Almeida afirma, “Não era da época, era dos seus olhos”.
Defender Eça com a desculpa do “seu tempo”, equivale à posição Salazarista de “orgulhosamente sós”.
O autor olvida-se de que a escola é, também, um local de partilha de valores, costumes, crenças. Para quem defende que os textos podem “ajudar os alunos a construir os seus próprios valores”, adota uma posição demasiado intransigente quando apenas é pedido pela Investigadora Vera-Cruz Lima que seja feita uma devida contextualização sobre estas obras através de uma nota, ou quando se pede que os Professores e as Professores adotem uma postura mais ativa.
Deixemo-nos de rodeios: O que realmente se pede é que estes temas sejam discutidos em sala de aula. Que se utilizem estas obras para trazer para cima da mesa temas que não podem continuar guardados numa gaveta.
Como é que o autor tenciona que, um texto com passagens de caráter racista, ajudem os alunos a “construir os seus próprios valores”, sem explicar aos alunos e alunas que essas passagens não refletem os valores dos nossos dias? Sem explicar que a expansão marítima resultou no mercado triangular, no tráfico de seres humanos, na escravatura e no “colonialismo”?
Existe uma estirpe de Professores e Professoras que têm medo que lhes tirem o tapete, que têm medo da mudança, medo de obras novas, de ideias novas, de perspetivas novas. No fundo, um receio desmedido que o seu conhecimento seja posto em causa e lhe retirem a única realidade que conhecem.
Há uma disciplina intitulada de Literatura Portuguesa, quiçá seja melhor o autor focar-se nela e deixar a disciplina de Português evoluir.
Não é esse o caminho.
Pessoalmente, julgo ser um ataque à própria esquerda criar este tipo de situações – quando há espaço para haver este debate de forma interna.
O que eu escrevi no meu artigo foi:
“Assim como Os Maias, obras como Os Lusíadas e Mensagem são exemplos da necessidade de uma posição mais activa por parte dos professores e das professoras de Português. Não basta apenas a existência de uma nota pedagógica referente a estas obras, é imprescindível uma actuação por parte dos e das docentes quando as abordam em sala de aula. Quiçá conseguiremos também aumentar o espírito crítico dos alunos e das alunos ao criarmos uma espécie de debate sobre os valores representados nestas obras.”
Defendo uma nota pedagógica e uma posição mais ativa por parte dos e das docentes. Defendo a criação de um ambiente de debate e troca de ideias em sala de aula.
Não entendo como é que o autor consegue deturpar as minhas palavras e ainda escrever um texto inteiro com uma interpretação mirabolante.
Para além de pôr em causa o facto de eu ter identificado a minha filiação política – sendo que é algo que é pedido aos autores, desvaloriza as minhas habilitações académicas, assim como o meu percurso profissional.
Se isso é o que define ser de esquerda, então não somos da mesma esquerda, pois eu nunca faria semelhante a um ou uma camarada.
- Licenciada em Ciências da Linguagem. Mestranda em Ensino de Português. Militante do Bloco de Esquerda






Texto muito bom! Parabéns, Joana Fonte!
(Pena terem publicado o mesmo texto duas vezes)
Foi erro do Aventar. Retiramos o primeiro texto, publicado antes da hora e com um título errado.
As nossas desculpas.
Boa noite, O que quis dizer foi que publicaram aqui o mesmo texto duas vezes.
Corrigido. E de novo as nossas desculpas.
e o que vão fazer a seguir? deitar abaixo as estátuas? menos
Isso mesmo Joana! Dá cabo dos conservadores
era bonito agora vermos o senhor em causa a pedir desculpa pela desinformação que criou.
até na sua página do Facebook passou a ideia que o BE quer acabar com o texto literário
Esse senhor passou a ideia de que o BE quer acabar com o texto literário? Ai o maroto!
Como o senhor disse, votou no partido. É dito abertamente pelo partido que pretende rever os programas. isto não implica retirar obras. rever não é retirar. para professor de Português deve um pouco à interpretação.
Ó alminha, cite lá a frase em que eu afirmo que o BE quer retirar obras do programa. Muito obrigado.
O Fernando escreveu “A doutrinação nas escolas (eu sou professor há mais de 30 anos e o Fernando faz o quê?) é um mito urbano em que acreditam ou querem acreditar aqueles que, na realidade, só querem censurar – nisso, ficam demasiado parecidos com posições extremistas como a defendida por esta militante do Bloco.” – Afirma que a militante do BE (Joana Fonte) quer censurar as obras.
Está ou não está a propagar falsas informações?
A autora já disse e deixou bem claro no texto no Público que não queria censurar ou retirar as obras.
O que eu sei é que o Bloco de Esquerda não é de Esquerda, é apenas Social-Democrata. São eles que assim se afirmam e ser isso é roçar as raias do fascismo como está a ser cada vez mais entendido. Quanto ao Eça e ao Camões nesse pormenor deixem-nos em paz até porque Marx se serviu dos Descobrimentos para falar sobre o Mundo Novo que se abriu em consequência dos mesmos.
O BE é o quê? vá ler o manifesto fundador do partido e pare de dizer asneiras.
Esta é muito antiga: É pelos frutos que se avalia a árvore.
Uma coisa é servir-se dos Descobrimentos, outra é propagar a narrativa destes.
Marx, assim como Douglass escolheram um lado da história.
Eça escolheu outro.
“O Bloco quer mudar a estrutura da economia e no seu programa escreve que as várias crises que vivemos têm um nome: capitalismo. O Bloco quer acabar com o capitalismo? Quer o quê no seu lugar? Qual é o plano do partido a longo prazo?
O Bloco de Esquerda é um partido socialista. Isso é claro. Quer uma economia absolutamente diferente em que não haja uma minoria detentora dos meios de produção e que, portanto, também se decida como é que a riqueza é distribuída, sempre em benefício de uma pequeníssima elite e com prejuízos da enorme maioria.” – Palavras de Catarina Martins.
Sobre o racismo a postadora deve ter em conta o seguinte:
Referir o racismo ao tempo em que ele existiu – a raça como distinguindo seres humanos como geneticamente superiores/inferiores – estraga todo o discurso progressista que associa uma carga de patacoadas à definição de racismo e não as quer ver perturbadas.
Se no tempo do Eça a ciência ainda andava a tomar o peso dos cérebros das diferentes raças, tinha ele provavelmente boas razões ‘científicas’ para ser racista.
(Ler sobre doutrina frenológica)
Tal como referido: O tempo não é justificação.
O tempo de Eça foi tbm o tempo de Marx, Douglass e muitos outros.
Perpetuar essa justificação é propagar essa narrativa.
A autora que responda então a pergunta:
o Bloco é ou não é comunista?
Negar ‘o tempo’ é o estúpido pressuposto do progressismo.
Ao tempo, o fim da escravatura teve um bem maior fundamento económico (Marx) que humanitário; e do anti racismo das patacoadas, muito menos.
Basear-se especificamente é o estúpido do pressupostos do conservadorismo.
A ‘base’ é o existente, o que está perto, não o que os delírios progressistas põem num imaginário futuro,
Resultado: nem alteram a base, que tudo fazem por ignorar, nem constroem o futuro, que por definição, estando despovoado, se faz a partir da base.
No entanto, asseguram-me, os orgasmos intelectuais associados ao processo são muto gratificantes
É claro que o tempo é justificação. nem poderia ser doutra maneira, sob pena de o futuro nos julgar como nós julgamos o passado. Ou imagina a Leonor que o futuro, se se lembrar de si, não a julgará? E severamente, e pelas palavras e acções que a si lhe parecem mais inocentes?
E qual é o tamanho e a forma da tua caixa craniana, Menos?
A doutrina frenológica tem tanto de ciência como as tuas teses mirabolantes sobre o muito do que aqui escreves.
Enxerga-te Menos. Tu é que escreves patacoadas.
Entre a iliteracia e a estupidez, é a ignorância o teu conforto.
“O que faz um negro a vice-presidente de um partido racista?”
(Questiona o Minorca)
Claro, o Mithá é tão negro que mais parece um branco depois de chegar de férias do Algarve.
E a Simone de Oliveira também é negra?
E a Sofia Aparício?
Sim. E já o botas e o Menos, qual é a desculpa que têm?
Eu já tinha mandado abaixo as pirâmides do Egipto e o Coliseu Romano.
Já que se fala de simbologia, aquela bandeira com uma foice e um martelo, também lembra tempos menos bons para a humanidade, ou tem que ser cancelada juntamente com a estátua do Colombo?
E a cada novo assalto,
cada escalada fascista,
Subirá sempre mais alto
A Bandeira Comunista!
25 de abril sempre, fascismo numa mais!
Liberte egalite fraternite.
Mas nao punha o pescoço no cepo por palavras de ordem.
Não punha a cabeça no cepo por palavras de ordem, já dizia o Robespierre
Punha mais a cabeça no cepo por palavras de ordem fascistas.
Não faça isso, que ainda fica de cabeça perdida.
Ainda agora o fizeram no báltico, e ninguém disse nada.
e cá no burgo?
Ainda não decapitaram o gagarin de oeiras como fizeram ao Baden Powell. Até a barraca abanava.
Não tenho a capacidade de análise literária dos restantes intervenientes, mas fico na dúvida se o Eça era racista, ou os personagens do Eça eram racistas.
E se eu ler um livro contendo personagens e cenários racistas, isso faz de mim um? Só devemos consumir literatura cujos valores se coadunem com os nossos?
Sabe ler? A autora diz isso? Ou diz para fazer a contextualização da obra e uma nota pedagógica? Isso é ser burro ou ser apenas otario?
Nada como um otário para reconhecer outro. Com a diferença de que um deles tem um espelho em casa.
Estamos restritos a comentar exclusivamente a autora e o texto ou podemos alargar o debate um cadinho mais?
De qualquer modo, a autora refere as passagens racistas d’Os Maias (chamar racista ao próprio autor está entre a conclusão e a dúvida), pelo que volto a questionar, ler e gostar do livro faz de mim um racista?
Julgo que não seja esse o intuito.
Pelo que entendi, a Joana, assim como muitos, pertende que se crie debate na sala de aula sobre o tempo. Que os alunos falem sobre o assunto, que se crie uma maior consciencialização sobre racismo.
Tudo para evitar, mais tarde, crianças tornarem-se adultos como Mithá Ribeiro (que pertence a um partido com uma narrativa abertamente racista, mas depois fica surpreendido por ser agredido), ou como Rita Matias (que se diz antifeminista mas defende a imposição de medidas feministas).
A escola e o ensino é o caminho.
Estamos na época das multidisciplinares, o que faz sentido pois nada é estanque, mas a consciencialização sobre o racismo deve fazer parte da História, da Geografia, da Língua, até nas artes visuais… daqui a pouco todo o currículo tem maior vertente social que técnica.
Não sei quem são esses dois (adivinho que serão de extrema direita), mas isso da escola evitar que as crianças se tornem em determinado tipo de adultos não me soa bem.
Mas isso já é o que se faz na sala de aula, Raquel. Sem precisar de notas de rodapé e sem precisar que esteja explícito no programa.
É óbvio que analisar uma obra literária em sala de aula, seja ou não de um autor clássico, pressupõe contextualização e debate! A escola e as aulas de Português (e também as de História, Filosofia…) vão muito além da debitação!
Faltava a contextualização da Raquel.
O que faz um negro a vice-presidente de um partido racista?
Está mesmo a pedir que lhe partam as trombas!
Agora o Mitá Ribeiro, está contextualizado e só tem um caminho: ir pedir um colinho ao Bloco e ao cretino do racista preto que por lá anda, o do nome esquisito, Buá ou coisa assim.
Ricardo Pinto, tem a certeza que isso se faz em todas as salas de aula?
Claro que não. Da mesma forma que não sei se os programas são cumpridos.
Isto é uma não -questão. Os bons professores já o fazem, mesmo que não esteja no programa. Os mais professores nunca vão fazê-lo, mesmo que o programa diga que sim.
Ponham as notas de rodapé que quiserem nos programas. Não é isso que vai mudar o que quer que seja. Quem é professor percebe isso.
A mim, um programa diz-me muito pouco. O programa de História do 8. ano, por exemplo, só apresenta os aspectos positivos dos Descobrimentos portugueses, ao mesmo tempo que acentua a extrema violência da colonização espanhola.
Ora, o que eu faço, porque um programa não é mais do que uma base de trabalho, é acentuar de igual forma os aspectos positivos e os aspectos negativos da colonização portuguesa, incluindo a violência, a escravatura, etc. E ponho os alunos a reflectir sobre o assunto.
Os professores precisam tanto que os mandem contextualizar e debater como precisam que lhes digam que devem manter a disciplina na sala de aula.
Muito bem Ricardo, e ainda bem que existem professores como o Ricardo.
Mantenho: uma nota de rodapé pode não alterar nada, mas também não é assim tão absurda.
Não entendo bem toda esta revolta com o que a autora escreveu. Apenas sugiro mais debate na sala de aula (coisa que o Ricardo parece concordar que aconteça).
Claro que concordo.
Mas não diria revolta. Está a ser uma discussão muito proveitosa.
Eu d´Os Maias não recordo quaisquer passagens racistas. Recordo-me sempre é das referências repetitivas às “espanholas”. Quando li esse livro não percebi – e ainda hoje não percebo – que aparentemente para Eça espanholas era o mesmo que prostitutas.
No texto inicial da autora, no Público, ela apresenta duas ou três passagens racistas, também apontadas por umas Investigadora cabo-verdiana.
Talvez se as pessoas, antes de comentarem o texto triste de António Nabais, tivessem lido o texto da autora, esta não teria tido a necessidade de vir esclarecer o assunto.
É o mal que existe, as pessoas comentam sem lerem e julgam baseados nas interpretações de outros.
No texto inicial da autora, no Público, ela apresenta duas ou três passagens racistas
Eu repito que d’Os Maias não recordo quaisquer passagens racistas, aquilo que recordo são referências às “espanholas”. As espanholas são da mesma raça que as portuguesas, logo, falar de “espanholas” não é racismo.
Devo dizer que a minha professora de Português à (longínqua) época (e que era uma boa professora, em meu entender) não explicou nada aos alunos sobre o que eram as “espanholas”, coisa que me levantou não pouca dificuldade na compreensão do livro. É que, n’Os Maias são repetitivas e constantes as referências a “espanholas”, e quem leia e não esteja ao corrente do contexto cultural da época fica sem perceber do que se trata.
Acresce que um jovem de 17 anos, como eu então era, pode nem sequer saber o que sejam prostitutas.
Então, para si, como aluno, teria sido importante a Professora fazer uma contextualização?
Claro que sim. A professora deveria ter explicado aos alunos que, para Eça de Queiroz, “espanholas” queria dizer “prostitutas de nacionalidade espanhola”. E, já agora, deveria ter explicado o que é prostituição (que jovens de 16 anos não sabem necessariamente o que seja).
Apenas eu acho tolo os cronistas serem obrigados a divulgar a sua filiação política numa assinatura de um artigo de opinião?
Isso já é com o Público.
Curioso: o “Público“ não me pediu que indicasse filiação política.
O Público também pede que os textos não sejam publicados noutros jornais, blogues, sites.
Parece que há muita coisa que o António não sabe.
Durante vários anos, o professor Santana Castilho republicou no Aventar os textos que saiam primeiro no Público.
Se calhar também não sabia.
“Os textos escolhidos para publicação reúnem quase sempre as seguintes características: são escritos com cuidado, inéditos e originais, não podendo ter sido publicados anteriormente noutras plataformas, inclusive blogues e redes sociais; defendem um ponto de vista com uma argumentação fundamentada; têm até 3500 caracteres (incluindo espaços).
Os textos não devem ter sido sugeridos a outros meios de comunicação, podem ser editados pela equipa de edição e, uma vez publicados, não podem ser eliminados do site.”
Talvez a Leonor não saiba que informei o “Público” de que o texto já tinha sido publicado num blogue. Foi-me sugerido que fizesse algumas alterações. De qualquer modo, a Leonor fugiu à questão: o “Público” não me pediu que indicasse a minha filiação partidária ou a minha inclinação ideológica.
“Se depois o texto for seleccionado para publicação iremos precisar de uma fotografia tua recortada (com a devida qualidade, a cabeça e os ombros por inteiro) e de uma breve apresentação descritiva (eventuais filiações partidárias devem ser indicadas).”
Isso é o que o António afirma.
Muito bem, Anónimo: isso é o que eu afirmo. Vê-se que consegue perceber quem são autores dos comentários.
”
(eventuais filiações partidárias devem ser indicadas)
”
A utilidade disso para o leitor é…
(saber à partida se concorda ou não com o que está escrito?)
O António já começa a arranhar na falta de educação.
Escreveu um texto sobre o tema. Podia ter optado por dar a sua opinião. Isso é o que faz um debate. Optou por atacar a outra autora. Pôs em causa até o motivo de ter indicado o seu partido. Pôs em causa as suas habilitações e experiência.
O senhor podia retirar daqui um debate fantástica, muito necessário, até mesmo para o blog. O que conseguiu foi ser absolutamente grosseiro.
A luta vai continuar, consigo ou sem si. E não volte a escrever textos tristes em que diz votar no BE só porque sim. Ficou-lhe mujto mal. Votou num partido e nem sabia que defendem a revisão dos programas, assim como o fim dos exames nacionais. Talvez seja melhor votar no PS, tem mais a sua cara.
Eu, como militante do Bloco de Esquerda, não me revejo em nenhuma das suas palavras, nem na sua atitude de criar uma confusão desnecessária ao tentar humilhar uma futura colega de profissão.
Tal como disse, podia ter criado um debate harmonioso, optou pela agressividade.
O problema da Leonor é outro, tal como de muitos outros, no Bloco e em todos os outros partidos – lidam mal com a crítica e preferem chamar “grosseiro” a quem discorda. Tal como faço aqui, no aventar, há muitos anos, escreverei aquilo que me apetecer e farei referência, se me apetecer, ao meu sentido de voto. Como costumam dizer os meus alunos: temos pena!
Não António. O António está a confundir direito à opinião e saber debater com direito de insultar, que é o que está a fazer à Joana.
Teria de me explicar qual é ou quais foram os insultos. Vou esperar sentado.
o António está constantemente a pôr em causa o motivo da Joana ter partilhado a sua filiação partidária porquê?Esse é um exemplo de insulto. Sabe bem o que está a tentar fazer.
A Joana não quis, e com toda a legitimidade, que a sua opinião sobre este assunto ficasse desligada do facto de ser militante do BE. Com a mesma legitimidade, declarei qual é o partido em que voto há mais de vinte anos. Referi-me a esse facto porque o modo como entendo a esquerda não me obriga a ter a mesma opinião, vendo, até, nisso uma perversão dos próprios ideais de esquerda. O texto da Joana é publicado com a minha anuência, algo de que não tenho de me orgulhar porque não me passaria pela cabeça que fosse de outra maneira. Neste mesmo texto, a Joana limita-se a dizer que eu pus em causa o facto de se ter identificado como militante do BE, quando não pus nada em causa. Lamento, Leonor, o Bloco ou alguns dos seus militantes mostram uma intolerância muito pouco saudável – este debate é uma prova disso. Fica-vos mal, embora, devo dizer, não me desiluda porque nunca tive ilusões: no que se refere a questões profissionais, o BE e o PCP estiveram do lado certo; nas questões pedagógicas e culturais, o Bloco confirma-se como uma madraça fechada. Neste debate, que inclui esta caixa de comentários, entrou muita gente de direita, mas pode ter a certeza de que há aqui outros tantos de esquerda também em discordância com a Joana. Acordem.
O António voltou a fazer o mesmo. A tentar adivinhar o porquê da Joana ter referido a sua filiação partidária.
Eu já escrevi para o Público e sei que pedem isso, principalmente se formos pessoas ativas nas redes sociais a defender o partido.
É essa insinuação que é um insulto.
Sim, tem razão, é um insulto dizer que um militante do BE é militante do BE. Se a Joana quisesse, poderia ter optado por explicar ao “Público” que esta não era uma questão que implicasse a sua militância partidária. Optou por não o fazer, politizando, com toda a legitimidade, as suas afirmações. Para que não haja dúvidas, palavras como “politizar”, “ideologia” ou “partido” não têm, para mim, nenhum sentido pejorativo. As ideias defendidas pela Joana nos seus textos são, na minha opinião, disparatadas e não duvido de que ela se bata por elas com convicção e parece-me igualmente bem que o Bloco opte por defendê-las, porque acreditará nelas. Na minha opinião, no entanto, essas ideias são perniciosas para os jovens. O que me diverte, no pior dos sentidos, é a sua/vossa necessidade de inventar insultos do oponente para desqualificar o oponente. Se o fazem conscientemente, é politiquice. Caso contrário, é surdez. Amanhã, publicarei uma tréplica. Os vossos contributos serão sempre bem-vindos, porque este blogue é melhor do que qualquer partido. Fique bem.
Era óbvio que o António ia responder. O que gosta é do mediatismo e da atenção que está a ter. Eu se fosse à Joana ignorava e não lhe dava mais palco
Muito obrigado, Leonor, aproveito para a informar de que há vários comentadores a usar o mesmo IP, como é o seu caso. Chegam a criar personagens. Na minha ingenuidade, ainda entrevi aqui alguma participação de apoio à Joana, mas estava enganado. A Leonor vai explicar isso, não vai?
Sabe que o mesmo IP pode ser utilizado por diferente pessoas, certo?
Nós já andamos por cá desde o tempo do Sócrates. Não pense mais nisso. Cumprimentos à Joana.
“computadores não podem ter o mesmo endereço IP público (externo), a menos que estejam conectados através do mesmo roteador. Se eles estiverem conectados através do mesmo roteador, eles podem ter (compartilhar) o mesmo endereço IP”. Só para deixar claro e não usar um não assunto como argumento. Serão entregues. Cumprimentos.
“No fundo, Joana Fonte, mestranda em Ensino do Português, consegue escrever sobre textos literários sem recorrer a contributos dos estudos literários e da história literária.” – Ainda não estou em mim em como o Público aceitou publicar algo tão mesquinho e sem nível, a mal tratar outra autora. Meu Deus.
Realmente, constatar é sinónimo de maltratar. Vou maltratar o Fernando: o Fernando escreveu um comentário num blogue.
Só não percebo tanta preocupação pela contextualização das obras antigas. Parece-me obvio que é algo que qualquer professor já faz na sala de aula. A contextualização, o debate de ideias, etc.
Como professor de História, também o faço constantemente.
Nem pensar nisso: a Joana conhece perfeitamente a prática pedagógica de milhares de professores e sabe perfeitamente que nas salas de aula não há contextualizações nem debates, era o que faltava!
Então António? Se já existe porque é que se demonstra tão reticente em colocar isso como obrigação no programa?
um senhor é um dinossauro.
A contextualização já está prevista no programa há muito tempo e é uma prática completamente generalizada, porque os estudos literários assim o impõem e a pedagogia obriga. Só alguém com a sua capacidade de tresler é que pode pensar que me oponho àquilo que pratico, mas já estou habituado a que queiram explicar aos professores que têm de fazer o que já fazem. Aquilo a que me oponho é à obrigatoriedade de fazer leituras ideológicas de obras de arte – oponho-me ao patrioteirismo serôdio de uma direita saudosa da Outra Senhora que insiste em transformar literatura em glorificação histórica e oponho-me a uma esquerda tonta que só quer olhar para os clássicos da literatura com uma lente modernaça de culpabilização de um povo pelos horrores do passado. Sou um dinossauro, com muito gosto, obrigado pelo elogio.
Não, António, a contextualização não está prevista no Programa.
Assim como não pode ter a certeza que todos os Professores façam essa contextualização.
Se quisermos ser rigorosos, caríssimo Anónimo, não há Programa – temos, agora, uma coisa chamada Aprendizagens essenciais. Vou deixar-lhe aqui a hiperligação que lhe permitirá perceber que a contextualização está prevista no que se refere ao Português, mais propriamente no domínio da Educação Literária (se não quiser perder muito tempo, procure o verbo “contextualizar”): https://www.dge.mec.pt/aprendizagens-essenciais-ensino-secundario
Não precisa de agradecer, mas ficava-lhe bem passar por aqui para confessar que, afinal, não sabia de que é que estava a falar.
Ninguém pode ter a certeza absoluta do que todos os professores andam a fazer.
Ocupada que estava em escrever “os” e “as” (“os e as que lutavam”, “os Professores e as Professoras”, “os alunos e alunas”, etc.…), e em espelhar pelo texto uns “quiçás” dignos do Dâmaso Salcede, a autora inseriu vírgulas entre sujeitos e predicados e escreveu “tentativa constrangedora” em vez de “tentativa confrangedora”. Atingida a meia idade, nada me consola como o reforço dos meus estereótipos – no caso, o de que o BE é o covil do burguesito calaceiro, sem média para tirar um curso de jeito e sem a menor vontade de trabalhar, mas que, ainda assim, não prescinde de viver bem. E, de facto, não se sai mal. O português é péssimo, a ignorância histórica é confrangedora (ou, quiçá, constrangedora), mas é publicado num “jornal de referência”. Meia-hora de estudo bastará para evidenciar que a oposição à escravatura não implicava, de todo, a defesa da igualdade entre as “raças” (os líderes políticos ingleses, que foram os grandes opositores da escravatura, foram, simultaneamente, os grandes teóricos do “fardo do homem branco”, conceito inerentemente racista) e que para cada burgesso que alega que Marx acreditava na igualdade das “raças” há outro burgesso que alega que ele era “racista” (resposta: a igualdade entre as “raças” preocupava Marx tanto como as alterações climáticas ou o apocalipse termonuclear) e poucas ideias serão mais racistas do que aquela que presidiu à criação da Libéria (literalmente, a de “mandar os pretos de volta para a terra deles”). A ideia de um (ou uma) nulidade intelectual e cultural deste calibre apor “notas pedagógicas” num livro de Eça de Queiroz é, à falta de outro termo, ridícula. O problema é que, antes, o ridículo matava – agora, dá colunas de opinião no “Público”.
O medo de debater ideias é tanto que é mais fácil recorrer ao insulto. Assim disfarça a falta de capacidade em argumentar o assunto. Disfarça outras coisas também, que nem vale a pena referir.
Não aldrabe. Há “insultos” (sempre preferíveis à insinuação, creio eu), mas também há argumentação. Rebata-a (a histórica, porque a “linguística”, esqueça). Vá ver quem era o Lord Palmerston, e o que ele achava da escravatura e das “raças”. Vá ver o que os líderes negros americanos do século XIX pensavam da ACS, a sociedade que os propunha exportar para a Libéria. Vá ler os nossos liberais e os republicanos do século XIX e inícios de XX, e saber o que eles achavam do povo (a “ralé”, a “corja”, a “escumalha” ignara que a Igreja e a Reacção manipulavam) e extrapole para o que pensavam dos negros. Eça não escrevia ficção científica, pelo que, num mundo em que os negros viviam, em África, num nível de civilização equivalente (os mais avançados) à Idade do Ferro, e, no Novo Mundo e na Europa, na base de uma sociedade estratificada, só a ignorância ou o fanatismo (que nunca andam longe – oiça-se o que o burgesso do Ventura disse ontem sobre os Lusíadas terem sido escritos sob a ocupação espanhola) supõem que ele poderia ter antecipado conceitos que nem 50 anos depois eram universais.
como mulher negra digo lhe q preferia mil vezes q a minha Prof. tivesse abordado este tempo em vez de ler as passagens e ignorar o facto de ter uma aluna negra na aula.
Lamento, mas “abordar este tempo” é história, não é português. E ter de explicar a alunos do terceiro ciclo do básico ou do secundário que, há 150 anos, as pessoas não pensavam como nós agora pensamos, faz lembrar aqueles dizeres nos copos da McDonald’s a dizer “cuidado que o café está quente”. É que, as mais das vezes, nem os nossos pais pensam como nós pensamos. E lamento outra vez, mas a ideia de que os professores devem adaptar a aula à cor dos alunos enquadra-se na minha definição de racismo. Aluno não tem cor.
um dos 3 erros do falso anti racista:
– eu não vejo cor
(quotianodeumanegra no insta: talvez seja melhor ler e ouvir, antes de falar sobre racismo)
Eu, como pessoa negra, revejo-me muito mais nas palavras de Marx e Douglass do que nas de Eça. Mas claro que o importante é demonstrar o quanto a linguagem de igualdade de género o incomoda.
Caramba, como é que alguém que se diz estudioso de literatura vem afirmar que um autor X comungava de determinadas ideias e opiniões só porque as punha na boca de uma personagem.
E sorte temos que a autora se tenha limitado aos Maias. Se tivesse estudado “O Conde d’Abranhos”, Eça de Queiroz seria imediatamente acusado de ter parcos conhecimentos sobre geografia apenas por outra das suas personagens, o fictício ministro das colonias, afirmar que Moçambique ficava na costa ocidental de África.
Será complicado uma licenciada em ciências da linguagem saber interpretar um texto literário?
Vá ler as crónicas do autor e esteja calado.
Já li há muitos anos, obrigado.
Exactamente. No caso de Eça de Queiroz, este não pode ser acusado de racista, levando ou não em consideração “o seu tempo”. Defendeu os chineses em Havana, e conseguiu mesmo resultados junto das autoridades espanholas. O enquadramento histórico de TODA a literatura portuguesa (e não só), para que quem leia saiba interpretar o que lê, é diferente, e fará sentido para uma parte pequena da população. Agora contextualizar um livro ou um autor específico num enquadramento racista porque coloca na boca dos seus personagens ditos racistas que existiam e ainda hoje existem, é apenas ridículo.
como mulher negra preferia que a minha prof. tivesse contextualizado os maias ou os lusiadas em vez de ignorar que tinha uma aluna negra na sala. mas o senhor deve saber mais do q eu o q é o racismo.
Mas Bia, não conseguiu entender que o tal Ega dizia coisas que já seriam consideradas disparates por muita gente dessa época? Uma espécie de “politicamente incorreto” lá do sitio. Quanto aos Lusíadas não comento. Foi daquele tipo de matéria que descartei assim que pude.
Cara Bia, a autora Joana fala da Proposição mas, como é típico de uma leitura reducionista, vê só um bocadinho. Não viu a literatura. Se é que sabe o que é. A proposição é uma convenção retórico-literária do género épico, nisto dependendo Camões dos seus modelos: Homero e Vergílio. E ela esquece muitos episódios em que o narrador interrompe o discurso para dar voz ao Autor. Por exemplo, o Velho do Restelo, considerado um alter ego do Poeta, em que verbera os seus compatriotas e contemporâneos pela vanglória de mandar e pela ambição de dinheiro, conquistas, dinheiro e conquistas.
Quanto ao racismo, acredito e sou solidário se alguma vez foi alvo de discriminação por ser negra. Mas desculpe, terei de ser iconoclasta e repor a verdade toda: também há racismo interafricano, muito. De negros para com brancos. De ciganos para com “pailhos”, os Brancos. Eu senti este último na minha infância e adolescência: o terror dos vizinhos ciganos, que roubavam, batiam, formavam os “gangs” de rua na Amadora. Ninguém me contou. Vivi isso, sabe? Não de Brancos contra Ciganos – mesmo que existe esse sentimento. Há, pois, muito pano para muitas mangas. A realidade não é dualista, a Preto (ou Moreno, Mestiço, Amarelo, Vermelho, etc.) e Branco. A realidade tem muitas matizes. E sobretudo uma coisa: onde há um ser humano, Branco, Preto, Amarelo, etc., há um potencial ou real lobo de outro ser humano. Cumprimentos.
desculpe, está mesmo a dizer que racismo inverso existe?
este blog vai de mal a pior.
e a Joana já referiu que apenas citou as partes que julga necessitarem de notas pedagógicas ou debate.
Este blog vai de mal a pior, Bia? Porque um leitor formula um comentário com o qual a Bia não concorda?
O que é que sugere, censurarmos os comentários consoante as nossas opiniões?
Diga-me quantos blogues é que publicariam um texto a criticar um dos seus autores e abririam a caixa de comentários a todos os que tivessem alguma coisa para dizer? Muitos deles também a criticar um dos seus autores.
Disse alguma mentira, Bia? O que escrevi fere o seu dogma religioso de que só o Branco é racista? É-nos genético, sendo ausente em todos os demais humanos? Sim, há racismo inverso. Há racismo em todas as culturas e tribos humanas. Ponto. Dei-lhe exemplo da minha vida. A minha história. A Bia terá a sua, que é respeitável. Mas a minha também. Mas o facto de ter uma visão a preto e branco, dualista do mundo e do homem não a torna verdadeira. É apenas a vida. Nem que seja racismo em reacção a racismo,não deixa de o ser: qualquer reacção virulenta violenta é racista, como a putativa causa que a originou. E há que lembrar o que foi o regime de Mugabe no Zimbabué contra os Brancos. Gandhi mostrou-nos como fazer e mesmo assim, não foi capaz de vencer os racismos internos ao sistema de castas e entre Hindus e Muçulmanos. Não lamento ter derrubado um credo em que acredita, um dogma como qualquer outro.
Além de que o facto de alguém escrever um conmentário que fere o seu dogma já a leva a considerar que este blog vai de mal a pior. Pois eu acho o contrário: esse seu comentário é que o faz. Aconselho a lidar com a divergência de ideias. Nada pessoal…
Saúdo o debate, como autor no Aventar e militante do Bloco de Esquerda. Mas, aqui, estou do lado da “facção” António Fernando Nabais.
Um abraço aos envolvidos!
Quando se confunde universo literário com universo empírico…; quando se confunde literatura com sociologia ou pretexto para se estudar sociologia, incorre-se numa falácia que reduz a semiótica literária, na sua complexidade de códigos literários (que a escola de Tartu tão bem explorou nesse sistema modelizante secundário, que é a literatura, enquanto forma de nos comunicar a visão do mundo), a uma perspectiva assaz redutora dos códigos literários, confinando-os somente aos semântico-pragmáticos (e apenas a uma ínfima parte destes), ignorando toda a riqueza expressa por todos os outros, que constituem, no seu conjunto, a multiplicidade de sensações a que damos o nome de fruição estética.
Pergunto: esta senhora alguma vez estudou Teoria da Literatura?
Obviamente. Literatura não é soclologia. Não entende o que é fruição estética nem literatura.
E se é para debater, debatamos tudo! Tudo mesmo. Como faço nas minhas aulas de História e Geografia de Portugal do 2.º ciclo, não embarco no viés ideoógico da culpa do branco tão comum em certas esquerdas. Quem começou a escravatura em África? Os negros a outros negros, como resultado de lutas entre etnias, a vencedora escravizava a vencida e trocava esse seres humanos por bugigangas dos Portugueses. Ainda hoje? E a tragédia do Ruanda entre Hutus e Tutsis, há quase 30 anos, foram os Brancos que a provocaram? E os Muçulmanos Mouros, que durante séculos traficaram negros da África subsaariana para o Magreb. E continua a haver esse fluxo de escravos. E a escravatura branca, praticada pelos piratas magrebinos nas costas mediterrânicas europeias, muito apreciada, especialmente elas, para o prazer dos senhores muçulmanos. Porque não se fala disto? Os manuais da disciplina referem a prática inter-negros, e que os Portugueses aproveitaram de algo já existente. Mas dizem do estilo de vida dos nativos sul-americanos como pacífico e em harmonia com a natureza. Que a segunda asserçãos seja verdadeira ainda vá. A primeira não, pelas alminhas. Guerras intertribais, canibalismo, martirização de missionários; e entre os nativos norte-americanos nem se fala: ao derrotado restava deixar como troféus o escalpe. E o que faziam impérios como os Maias ou os Aztecas? E o que fizeram os Russos aos Africanos que iam estudar para a União Soviética ao abrigo de programas de amizade entre povos “socialistas” irmãos? O racismo que sofreram? E o racismo chinês, da etnia dominante, a Han, sobre outros povos do território que é a China? O que é o destino dos Tibetanos senão isso, um colonialismo Han, na verdade do PC chinês? E o que os mesmos Chineses estão a fazer a África, com a chantagem do dinheiro e conivência e (e corrupção) dos líderes africanos, sugando os recursos terrestres e marítimos (matérias-primas e piscatórios) num grau que nem Portugueses, nem Franceses, nem Ingleses todos juntos fizeram?
Quem quiser dar para o peditório da auto-punição do branco, que dê. Como português branco, não dou. Ainda se pode dar de barato que a escravatura de africanos perpetrada pelos Portugueses primeiro, os outros Europeus depois, começou por ser por necessidade de mão-de-obra para indústrias crescentes (o açúcar). Foi uma questão de grau e número, não do fenómeno em si. Juntou-se-lhe o elemento de racismo. Abomino um e outro!
Se o problema é o racismo, então fale-se de tudo, tende santa paciência os cultores da ideia que, como se percebe, está muito entranhada, de que os Portugueses e os Europeus são os maus e os outros são os beaux sauvages. De todo. Gosto do meu Portugual, que tem muitas cores de pele e muitas misturas. Concedo que ainda haja preconceitos racistas. Mas a falar, fale-se de tudo o que um ser humano, qualquer que seja a sua cor, etnia, preferência clubística ou partidária, faz a outro. Em todos os continentes, em todas as “raças”, em todas as eras. Isso é que é ser sério. E porque não explicar quem eram as “espanholas”: em Eça: as cortesãs para prazer dos cavalheiros burgueses lisboetas sa época vinham de Espanha?
O escalpe, convém verificar. Acho que os caçadores de índios é que o inventaram.
Mas o que importa é que a cena do ‘homem naturalmente bom’ pervertido pela sociedade nasceu no séc. XVII, por essa má avaliação do índio sul-americano, e fundou as tretas do Rosseau e outros. Ainda hoje a esquerdalhada vai aí buscar o fundamento das suas balelas do ‘homem novo’ liberto do capitalismo e voltando à sua origem de besta mansa!!!!
Para servir os pastores…está bom de ver.
Já li ou ouvi algures, não me lembro onde, que os Índios norte-americanos, semi-nómadas, instalavam-se num local. Usavam e esgotavam-se os recursos naturais, Uma vez esgotados, mudavam-se. A ter sido assim, foram tão pouco sustentáveie e ecológicos como os demónios brancos ocidentais.
É possível. É também um disparate, conheciam bem os limites da sua terra.
Mas também não era por não ser brancos.
” Foi uma questão de grau e número, não do fenómeno em si. ”
Tanta coisa, e, afinal, percebe bem a diferença. Pena esquecer-se logo a seguir quanto ao Belt&Road, mas enfim.
Conhece a existência da disciplina Literatura Portuguesa?
Porque a estupidez é hoje em dia uma bandeira que se agita para obter reconhecimento de inteligência?
O Ricardo Pinto é suposto saber falar português.
A pergunta é: haveria Descobrimentos sem que aos seus aspectos positivos se somassem os seus aspectos negativos?
(os seus são os do Pinto)
Podia o Vasco da Gama planear as viagens com prévia negociação de vistos consulares, ou qualquer outras das cenas deste tempo?
Não é o tempo dos Descobrimentos que define a valia desse empreendimento?
Acabaram com as aulas de religião e moral e andam a moralizar a História, a Literatura e tudo que lhes aparece pela frente?
Mas falem-lhes em Moral e Ética e logo vos atiram com o Marx e os horrores do capitalismo e da exploração para justificar assaltos e saques (como nos Descobrimentos!).
Cretinos!
(esta última parte não é para o Pinto, que não conheço)
As aulas de Religião e Moral não acabaram. Continuem a existir.
Pois citemos:
“Porque a estupidez é hoje em dia uma bandeira que se agita para obter reconhecimento de inteligência?”
Pois não sabemos. Quando Vosselência parar de agitar a bandeira que tem nas mãos talvez se chegue a uma resposta.
Podia o colonialismo existir sem chacinar quem não contribuía para meter os outros na linha? Não, não podia.
Isto é uma tristeza mesmo.
Dava para haver aqui um debate de ideias civilizado. A partida, nunca iria acontecer isso pela resposta agressiva que António Nabais deu a Joana Fonte.
Quando em vez de discutir ideias se tenra humilhar a outra pessoa, claro que não dá para debater nada.
Sinceramente é o último comentário que aqui faço, porque penso que fizeram esta partilha única e exclusivamente para os likes e partilhas. Assim como acho que o autor deu a resposta que deu com esse intuito. Partilhou aqui primeiro as suas ideias, colocou i link do texto e, indiretamente, mandou para lá toda a matilha comentar (que não foram comentar, foram insultar).
O Público também esteve mal nisto porque aceitou a “resposta” de António Nabais. Quando aceitou sabiam o que iam criar. Sabiam que não estava ali no texto a opinião de uma pessoa que apresenta a sua ideia e visão com argumentos, mas que se põe a citar a outra autora e a tentar ridicularizar tudo o que escreveu.
Claro que o próprio autor, não satisfeito em publicar aqui, mandou para o Público. Não porque queria criar um debate da situação com a sua intervenção, mas para ridicularizar ainda mais e procurar mediatismo.
Espero que todos façam o mesmo e não comentem mais.
Daqui não conseguimos tirar um debate. São apenas insultos gratuitos.
Quando não se quer debater, vê-se agressividade e insultos por toda a parte. É de uma indigência extraordinária! E como é possível humilhar ou ridicularizar uma pessoa que, segundo alguns comentadores, tem toda a razão? A ser assim, seria eu a cair no ridículo.
Para quem vive tão preocupada com insultos, a escolha da palavra “matilha” é reveladora. Esta caixa de comentários teve uma participação muito grande de pessoas que concordam com a Joana e ninguém desceu ao ponto a que a Raquel desceu. Por falar em descer, cresça.
Porque é que colocaram aqui qual o partido da autora? Não foi pelo mediatismo?
Ou foi a autora que pediu que pusessem o partido?
Vocês, assim como o Público, colocaram aqui o partido para ter mais likes, views e partilhas.
Já lhe respondi quando comentou como Raquel, mas posso repetir. O Aventar não precisa de likes, ciews ou partilhas, porque nenhum de nós ganha nada com isto. Só gasta.
Quanto à referência ao Partido, o erro foi meu, porque fui eu que fiz a edição do texto.
Não tinha lido o post do Fernando Nabais, nunca tinha ouvido falar da Joana Fonte e só soube da sua existência quando ela própria contactou o Aventar.
Não sabendo qual era a profissão dela, fui ao artigo do Público e fiz copy-past. Algo que não costumo fazer, mas fiz.
Um bocado à pressa, no telemóvel, durante as minhas férias. Já antes pedi desculpa a uma leitora pelos erros de edição cometidos.
Espero que tenha percebido enquanto comentadora AA, enquanto comentadora Raquel, enquanto comentadora Leonor R, enquanto comentadora Laura, enquanto comentador Anónimo, enquanto comentadora Beatriz C, enquanto comentador João, enquanto comentadora Bia e enquanto comentador LR.
Afinal, são todos a mesma pessoa, não é?
Avassalador contexto o da Raquel!
Uau!
Desculpe, Raquel, mas está a ser injusta. Foi a própria Joana Fonte que entrou em contacto com o Aventar e que solicitou direito de resposta ao post do Fernando Nabais, ficando combinado com ela a publicação do seu texto ontem às 20 horas.
Se não aceitássemos o direito de resposta, que não tinhamos de aceitar porque não somos um OCS, íamos ser acusados de censura. Assim, somos acusados de querer likes e partilhas.
Algo que, de resto, passa -nos ao lado. Em 13 anos de Aventar, nenhum de nós recebeu 1 euro que fosse. Pelo contrário, temos de pagar para escrever. O domínio, a plataforma, o WordPress, etc…
Quantos blogues conhece que, sem terem obrigação nenhuma, publicariam um texto a criticar um dos seus próprios autores?
Se houve excessos nos comentários, houve dos 2 lados. É nossa política não censurar comentários.
Só espero que, a vingarem as notas de rodapé, quando se referirem ao Eça, comentem com lisura o seu papel de lutador, enquanto diplomata, contra a escravatura. É o mínimo para pessoas tão virtuosas.
Mas…Joaninha, “todo o mundo é composto de mudança”. Portanto, veja lá, alguém antes de si aceitou a mudança como princípio universal do facto humano…Ignoro se Camões faz parte da sua sanha revisionista do cânone com os maravilhosos “amanhãs que cantam” que lhe enxameiam o cérebro. Verá que, se ler mais dos autores que refere, eles são mais do que a chapa que lhes cola na testa. Além de que…onde lhe ficaram as aulas de Teoria de Literatura, que ensinam a distinguir entre autor literário e a pessoa que nele vive? “o poeta é um fingidor…”. Durante milénios a arte literária viveu dentro desta liberdade e da dissociação entre autor e ser humano que o ocupa. Querer, à posteriori, e com argumentos revisionistas e anacrónicos, julgar autores e obras com base na pureza moral que reivindica é regressar ao que existia no tempo da velha senhora: censura, “indices” de livros não recomendados, etc. Vindo de alguém de esquerda, esta atitude é, não só perversa, como irónica.
Além de que, em termos literários, o assunto do vício sempre gerou melhores obras literárias do que o assunto da virtude. À 3ª página, boceja-se. Em nome dos leitores, queridos autores, por favor, chafurdem na explanação da imundície e no vício, do preconceito, da maldade e do conflito, que para semi-deuses puros e impolutos, já bastam os da vidinha quotidiana. E o Francisco Louçã.