Quando todos achávamos que já não havia mais nada para dizer sobre o concerto de Coldplay, tema maior da recta final da silly season, eis que somos confrontados com acusações graves que apontam para a existência de um esquema de tráfico de bilhetes para os concertos da banda, numa loja da Worten, na Lixa.
A denúncia partiu de um lesado, uma criança menor, ainda que com idade para poder entrar no concerto, que levou o mealheiro para a Worten. Estava entre os primeiros da fila, que muito provavelmente ali passaram a noite anterior. O relato é do jornalista Tomás Duran e está na sua página no Instagram. Vale a pena ler. Envolve listas de reservas não permitidas, amigos dos funcionários que saltam a fila e pessoas a comprar o dobro ou o triplo do limite máximo de bilhetes. De maneira que essa criança, o João acabou por ter que comprar noutro lado. Mas parece que se safou.
Em Portugal, até para comprar bilhetes para um concerto se traficam influências. E depois ficamos todos muito surpreendidos porque o discurso populista ganha tracção.






Tanta tracção que até eleições ganha. Com maioria.
Quem gosta, gosta, mas eu não me metia em confusões. Nestas situações e, num país de gananciosos, a confusão instala-se e os aproveitadores do costume aparecem para enganarem o pagode.
Não vejo qual é o espanto. Em Portugal também se trafica bilhetes para jogos de futebol. Se se trafica para jogos de futebol, porque não se haveria de traficar para concertos?
E furam-se filas (ou furavam, agora deve ser tudo online). E alguns que compravam bilhetes eram “convidados” a cedê-los a preços convidativos, para posterior transacção
«E depois ficamos todos muito surpreendidos porque o discurso populista ganha tracção.»
Quando não-populismo é a bovina aceitação de toda a bandalheira…
Ganha tracção, até ganha eleição. Com maioria.
Anda tudo muito chateado por ver o mercado a funcionar com a liberdade que lhe foi permitida.
Ainda por cima por Coldplay.