
Imagem AFP
A ocupação de Zaporijjia viola o artigo 56 das Convenções de Genebra, ou seja a letra da lei internacional que regula os conflitos armados.
Artigo 56.º – Protecção das obras e instalações contendo forças perigosas
“1- As obras ou instalações contendo forças perigosas, tais como barragens, diques e centrais nucleares de produção de energia eléctrica, não serão objecto de ataques mesmo que constituam objectivos militares, se esses ataques puderem provocar a libertação dessas forças e, em consequência, causar severas perdas na população civil.
(…)
4- É proibido fazer de qualquer obra, instalação ou objectivo militar mencionado no n.º 1 objecto de represálias.
(…)
6- Para facilitar a identificação dos bens protegidos pelo presente artigo, as Partes no conflito poderão marcá-los por meio de um sinal especial, consistindo num grupo de três círculos cor de laranja vivo dispostos sobre um mesmo eixo”
A URSS ratificou a Convenção de Genebra e de seguida a Rússia manteve-se signatária destes acordos, entre os quais o artigo 56. Como é conhecido a 4 de março, após ter bombardeado a Central Nuclear de Zaporijjia onde um dos projéteis caiu apenas a 150 metros de um dos 6 reatores nucleares, os militares russos ocuparam a central ferindo dois empregados da segurança.
No relatório publicado ontem pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), a equipa de inspetores reportam tropas russas e equipamento de guerra (ofensivo) e ainda viaturas militares estacionadas junto às turbinas. O relatório denuncia ainda que os trabalhadores da central estão a trabalhar “sob constante e intenso stress e pressão”, aumentando o risco de erro humano na operação da central. Sobre as recomendações do ponto 6 do artigo 56 foi feito zero. Sublinho que as equipas da AIEA que estão a trabalhar no dossier de Zaporijjia são constituídas por Russos, Americanos, Franceses, Egípcios, etc. por pessoal de quase todos os países com centrais nucleares.
Não vale a pena virem para aqui transcrever a propaganda putinista (eu leio-a antes de vós) e vir dar um ar de que os soldados russos estão ali numa atividade normal e que não se sabe quem é que bombardeou a central. Se Putin quisesse tomar conta da central sem violar a convenção de Genebra, sem bombardear e sem atacar os seguranças, bastava iniciar um processo de transição de comando da central sob a supervisão da AIEA visto que esse tipo de protocolos estão previstos para um cenário de um conflito e foram assinados pelo próprio regime do Putin. Não o fez, é indesmentível. Aconselho a irem negacionar para outro lado.






Portanto, temos aqui um “Bidenista”.
Quem é que anda a bombardear e a atacar a central, afinal?
Sem comentário:
“Portanto, temos aqui um “Bidenista”.”
Para bandalhos como a cambada que governa a Rússia, lei internacional vale tanto como a nacional que é a das suas vontades e interesses.
E por cá não falta quem os queira servir.
Já para os bandalhos que governam a Ucrânia, a lei é muito importante (assim como as vidas). Vale tudo, desde que agrade aos amigos americanos, que são quem manda o carcanhol com que enchem as contas bancárias.
Isso de ti vale zero.
Rui Curado Silva
Obrigado por ter respondido à minha pergunta sobre qual o tratado que proíbe a ocupação de centrais nucleares.
Entretanto, continuo a afirmar que não percebo como podem os russos ser acusados de estar a bombardear a central de Zaporíjia quando estão simultâneamente a ocupá-la. Se há alguém que anda a bombardear essa central, só podem ser os ucranianos. Os russos não se iriam bombardear a si mesmos, afinal.
Os russo ocuparam a central, atacando os seguranças e bombardeando o interior e o exterior em março. É um facto consumado.
Quanto aos recentes de ataques à central, eles estão lá, as marcas estão nas estruturas e os abuses no terreno. E foi tudo registado pela AIEA que inclui pessoal russo que não engole a propaganda do Putin. O equipamento militar está lá, a violar os acordos.
Obviamente que o Putin está a jogar com a nossa lógica: “não nos atacamos a nós próprios” e além disso neste momento ninguém tem a certeza absoluta se de facto os ucranianos não enviaram para dentro ou arredores da central alguns obuses.
Em próximo post escreverei sobre situações semelhantes em que a lógica diria que “os russos não fazem mal a si próprios”, mas acabaram por fazer mesmo mal e causar desgraças, algumas delas perfeitamente evitáveis. Talvez ajude a responder à situação de ambiguidade que o Putin está a querer instalar na opinião pública.
Nota: acima “russos” quer dizer mandados de Putin (uns coagidos outros nem tanto), não confundo com os russos que não se revém nas práticas deste delinquente.
Isso de não questionar as narrativas da NATO é um mandamento da democracia liberal? É que era uma chatice perguntar se os primeiros a ocupar são os mesmos que ocuparam militarmente uma data de outros locais que a população garante que ocuparam. Mas isso era heresia.
E que fique claro que o problema não é fazerem piores que os nossos amigos; claro que fazem, até porque uma hegemonia facilita muita coisa. O que devia ficar claro, mas tá difícil, é que nada de bom fica a ganhar a insistir no impossível; certamente não no lado de lá, certamente não do lado de cá, e certamente não no local da disputa, mais um abandonado, destruído, e sem grande alternativa a políticas de “estabilidade” do bem.
Portanto soldados russos ocupam uma central nuclear e bombardeiam-se a eles próprios arriscando morrerem todos num desastre nuclear?
Isto é um bom teste de Litmus para averiguar quem é, francamente, estupidamente ingénuo. O exercito ucraniano não está acima de cometer atrocidades e usar truques baixos, assim como o russo.
A Rússia não vai mais parar de lutar até que o Império Anglo-Sionista e as elites terroristas do Ocidente sejam total e completamente derrotadas:
https://toranja-mecanica.blogspot.com/2022/06/a-russia-nao-vai-parar-de-lutar.html
A única coisa que falta agora decidir não é se o Ocidente, ou seja, os EUA/NATO/UE vão capitular, mas sim, quais os termos dessa capitulação que, sem dúvida alguma, vão ser ditados pela Rússia, a China, o Irão e todos os aliados do Eixo da Resistência.
https://www.theamericanconservative.com/the-blobs-perpetual-war/?fbclid=IwAR22_W2TwFuicmeOFYQNxn24I2RbTGEYMWciGysnrAMPF9OuK9kMlu8pkLg