JM Branco: “Não vemos malta do povão, da ferrugem”

José Mário Branco no Jornal i sobre o Bloco:

Burguês?
Com certeza. Não vemos malta do povão, da ferrugem. É preciso procurar muito bem um operário do Bloco.

Os precários e os desempregados, dois dos principais setores da sociedade que mais sofrem, são um mar de gente no Bloco, quer entre os simpatizantes quer entre os aderentes. Enchem o Bloco de baixo para cima. Entre os quadros eleitos do Bloco, mesmo entre os mais mediáticos, a precariedade laboral é praticamente a regra. Quem conhece bem o Bloco, quem frequenta as suas concelhias da pequena à grande cidade sabe que desempregados e precários é mato.

Não, o Bloco não tem tantos operários como o PCP, é verdade. Mas o Bloco está muito mais implantado entre os setores da pobreza mais profunda do país. Alguns destes setores, o PCP tem vergonha de representar (este bitaite do J.M, Branco é muito colado ao que ouvimos do PCP quando critica o Bloco), como os beneficiários do RSI, as etnias minoritárias e os que nada têm e nada recebem (que não são assim tão poucos). O Comité Central do PCP tem muitos preconceitos sobre estes setores, muitos militantes até revelam em conversas informais que se tratam de malandros, ouvem-se mesmo comentários racistas. Mas o mais chato é que estes setores não são nada práticos para o PCP, não entram bem nas caixinhas controladas pelo Comité Central, nos sindicatos e nas organizações profissionais com e sem ferrugem. [Read more…]

Barroso e o desígnio do diesel

Durão Barroso foi um dos principais responsáveis pela aposta europeia na tecnologia diesel, pela multiplicação de viaturas particulares a diesel e pelos seus efeitos negativos, quer económicos quer ambientais. Durante os dois mandatos de Barrosos como Presidente da Comissão, a tecnologia diesel europeia foi eleita como uma das tecnologias prioritárias a desenvolver e a exportar massivamente para o resto do mundo. Poderia ter apostado no software de utilização livre Linux ou nos telefones móveis quando esta tecnologia era liderada pela Nokia ou pela Ericsson. Poderia ainda, ter apostado no investimento no desenvolvimento científico e tecnológico nas universidades e nas empresas europeias, como o fizeram Bill Clinton e Al Gore nos EUA com resultados conhecidos (Google, Facebook, Youtube, etc.). Em vez, Barroso apostou na estratégia comercial da Volkswagen e de outras marcas alemãs, sob o pretexto do acordo de redução do dióxido de carbono assinado com a Indústria Automóvel Europeia em 1998. Segundo a Comissão Barroso, a emissão de dióxido de carbono seria reduzida pela adoção dos motores diesel em alternativa aos motores a gasolina. Na teoria as contas pareciam bater certas, na prática essas contas escondiam uma estratégia mais lucrativa de venda de carros com motor a diesel e uma fraude na contabilização das emissões que seria desvendada mais tarde. [Read more…]

A diferença entre Fernando Santos e os outros

Com Scolari estaríamos neste momento a discutir porque é que André Silva, substituído por Luís Boa Morte com 40 anos, ou Rui Patrício, substituído por José Sá, não tinham sido convocados. Com Oliveira estaríamos agora a debater a última noitada nas escaldantes casas de passe de Sochi.

Ao contrário dos outros, Fernando Santos não precisa de perseguir jogadores para demonstrar que é ele que manda no balneário. Também sabe que não é levando os jogadores às meninas que conquista o seu respeito. Santos sabe que não é assim que se gere um grupo. Com Santos, os jogadores distinguem bem os momentos de descontração dos momentos em que se exige um máximo de profissionalismo. Sabe que a melhor gestão de um grupo é complexa, nem Pinochet como Scolari, nem Zezé Camarinha como Oliveira.

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France: douze points

A história é simples, a de um bebé chamado Mercy que nasce numa embarcação de refugiados a caminho da Europa. Depois troca-se por ali as voltas ao significado de Mercy em inglês e de Merci em francês. A música é bem esgalhada e com potencial para irritar os governos húngaro, polaco, britânico e todo o refugo xenófobo de Le Pen a Beppe Grillo. Só por isso, mereceria logo à cabeça douze points. Entre as minhas favoritas estão também a da Irlanda e da Albânia.

As várias mensagens políticas da Eurovisão ao longo das décadas são muito bem abordadas num documentário do canal ARTE, intitulado “Eurovisions” (não disponível), onde se refere a canção de Paulo Carvalho que serviu de senha do 25 de Abril, as vitórias de Dana International e Conchita Würst ou a canção anti-Putin de Verka Serduchka.

Pode-se pensar o que se quiser deste que é o espetáculo televisivo mais popular da Europa, mas comparado com o conservadorismo do Super Bowl americano onde uma simples maminha causou escândalo nacional, prefiro a Eurovisão onde as avozinhas e as netas dão a vitória a um grupo de Heavy Metal finlandês, a um travesti israelita ou a uma mulher de barba austríaca.

Sócrates e o financiamento do PS

Agora que a direção do PS está finalmente a demarcar-se das práticas de José Sócrates, avancemos para a questão seguinte que interessa ao PS:

Sócrates financiou ou não financiou o partido e/ou respetivas campanhas com os milhões que circulavam através das contas de Carlos Santos Silva?

Por exemplo, os eventos glamour das campanhas de Sócrates que atraíram tanta gente genuinamente bem intencionada (inclusivamente alguns que agora legitimamente condenam Sócrates), foram ou não financiados pelo esquema de Sócrates e Carlos Santos Silva? As respostas a estas perguntas são seguramente conhecidas ao mais alto nível do PS. E convém que sejam esclarecidas ou, mais tarde ou mais cedo, poderão cair que nem um trovão em cima do PS. É muito estranho que os problemas financeiros do PS pareçam estar correlacionados com a agenda da Operação Marquês. O que parece – sublinho parece – é que a partir da detenção de Sócrates uma torneira deixou de verter dinheiro no PS e de um momento para o outro descobrimos que o PS tinha problemas financeiros graves. Haverá uma correlação entre o caso Sócrates e os problemas financeiros do PS ou será pura coincidência?

Clima: do negacionismo a Trump

Publicado no Esquerda.net

Dados National Centers for Environmental Information

O ano 2017 foi o quinto mais quente desde que se regista a temperatura global. O mais quente foi o ano de 2015, seguido de 2013, de 2010 e de 2004. Durante os 10 anos precedentes, em 7 destes registaram-se temperaturas médias globais que os colocam no top ten dos anos mais quentes (ver figura). O mês de dezembro de 2017 foi o 396.º mês consecutivo cuja temperatura média foi superior à média de temperaturas registadas durante o século XX. Obviamente, a temperatura global está sempre sujeita a oscilações à escala anual. A este período de acentuado aquecimento, poderá seguir-se um período de temperaturas globais mais baixas. No entanto, à escala de décadas, a tendência da evolução da temperatura global não engana. Nas últimas quatro décadas registou-se um período de acentuada subida da temperatura média global.

Durante anos assistimos a discursos em que se negava o aquecimento global pelas mais variadas razões. Em 2008, João Corte-Real, professor catedrático da Universidade de Évora acusava os modelos de simulação do clima de estarem a “ser forçados para aquecer”. Na mesma altura, Delgado Domingos, professor catedrático do IST, assegurava que a temperatura não subia desde 1998 e que os cientistas não conseguiam explicar a descida de temperatura da Terra… Outros produziam discursos mais enviesados pela fé no ultra-liberalismo. Em 2014, Alexandre Homem Cristo garantia no Observador que “o aquecimento global estagnou” que se tratava de “uma derrota política da corrente ideológica que usou a ciência para legitimar o seu radicalismo contra o capitalismo”. Ainda em 2014, Henrique Raposo ia mais longe e afirmava no Expresso que o “aquecimento global está parado desde 2000”. O deputado do PCP Miguel Tiago, ilustrando o desnorte da CDU sobre questões ambientais, apoiava no Avante o discurso negacionista. [Read more…]

O Ministério da Ciência das Boas Intenções

(Publicado no Esquerda.net)

Se há ciência neste ministério, é a ciência das boas intenções. É a ciência de gerar elevadas expectativas de mudança, de recuperação da dignidade e da justiça laboral entre os investigadores, mas que na realidade não tem correspondência na prática governativa. Após a tomada de posse, o Ministro Manuel Heitor pautou os primeiros meses por declarações de rutura com as políticas de Nuno Crato. A transição das bolsas de posdoc para contratos, a luta contra a precariedade e a contratação de 1000 doutores até ao final de 2016, foram algumas das variadas declarações que geraram enormes expectativas entre bolseiros, investigadores e centros de investigação.
Dois anos volvidos, apenas um reduzido número de concursos individuais foi aberto ao abrigo do regime transitório. Atualmente, o ensino superior e a ciência comportam mais de 14 mil trabalhadores precários. Pior, os bolseiros, investigadores e professores convidados não foram incluídos no Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública. Persiste o impasse na abertura de concursos para dar cumprimento à norma transitória (artigo 23.º) do diploma que entrou em vigor em 1 de setembro de 2016, temperado por um clima de passa-culpas entre reitores e ministério. Os reitores queixam-se de o ministério exigir mais contratações para a mesma ou inferior dotação orçamental. O ministério acusa as universidades e os centros de má vontade em contratar novos investigadores. Como ambas as partes têm parcialmente razão, cruzam os braços e quem paga o impasse são os investigadores e todo o sistema científico. Este impasse afeta dramaticamente os bolseiros e as respetivas famílias que continuam a aguardar a abertura de concursos. Para muitos, as bolsas anteriores findaram e os meios de subsistência aproximam-se do fim. [Read more…]

Não há Tourada na CDU?

O PCP juntamente com os restantes partidos com assento na Comissão de Finanças votou contra a proposta do Bloco pelo fim da isenção do IVA para as touradas.
O que fazem os Verdes na CDU? Se não reagem a um assunto deste calibre para que servem? Assumem a condição de muleta?

O original de “Y Viva España” é belga

O país que serve de refúgio a Puigdemont é também aquele que criou o tema que serve quase de hino à Espanha (o verdadeiro hino é uma marcha militar sem letra) e que tem sido cantado durante as manifestações pró-espanholas na Catalunha.

O original intitulado “Eviva España” de 1971 era uma cançoneta para animar programas de televisão e festas para a terceira idade cuja ideia de Espanha remetia para o exotismo das férias de Verão, de letra simples e carregada de estereótipos sobre os povos ibéricos. Os autores são ironicamente flamengos, Leo Caerts e Leo Rozenstraten, e a cantora Samantha interpretava a música em flamengo. Tornou-se num sucesso quase global quando Manolo Escobar interpretou o tema em espanhol em 1973, sob o título “Y Viva España”.

Em Entre-os-Rios a culpa morreu mesmo solteira

Fotografia RTP

Aquando da tragédia de Entre-os-Rios, Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social demitiu-se nessa mesma madrugada, justificando a decisão: “a culpa não pode morrer solteira”. Pois bem, a culpa morreu mesmo solteira. Apesar de a comissão parlamentar de inquérito concluir que as atividades de extração de inertes foram a principal causa da queda da ponte, nem os areeiros, nem os seis técnicos que foram acusados de negligência e de violação de regras técnicas foram condenados. Foram todos absolvidos.

De que valeu aquela demissão espetáculo de “a culpa não pode morrer solteira”? Não valeu absolutamente nada. A carreira política de Jorge Coelho não saiu beliscada e Jorge Coelho não fez o trabalho que lhe competia fazer depois da tragédia, que era bater-se para que as famílias das vítimas fossem devidamente recompensadas e a culpa do acidente fosse exatamente determinada. Pensei assim na altura e penso exatamente a mesma coisa no caso da tragédia dos fogos que acabámos de viver. Considero que os ministros deveriam ficar em funções e levar o seu trabalho até conhecermos as conclusão dos relatórios das tragédias. Se há culpas, então demitem-se e são julgados se for caso disso. Em particular, no caso dos fogos e no caso de Entre-os-Rios, há imensas culpas que residem no passado. O que é irónico é que alguns desses com poucas e muitas culpas no cartório andam por aí desgarradamente a pedir demissões (sim, sim, estou também a pensar em Cristas).

Este frenesim de exigir demissões a todo o transe, remete-nos para os tempos em que se sacrificavam cordeiros, virgens ou patifes para expiar a culpa e acalmar os deuses. No século XXI temos obrigação de fazer melhor.

Sócrates inspirou-se em Sarkozy

 

A resposta de José Sócrates sobre a sua fonte de rendimentos atual, é obviamente inspirada na resposta de Sarkozy ao jornalista Pujadas da France 2 aquando do debate das primárias da direita francesa. Sócrates assistiu ao debate e replicou-a. Ambos, em vez de clarificar os espetadores, decidem atacar o jornalista. Ambos se apoiam na suposta “indignidade” da pergunta para disferir o ataque. O que é dramático nisto tudo é que a fonte de inspiração não poderia ser mais infeliz. Tal como Sócrates, Sarkozy está envolvido num processo cuja narrativa de inocência é tão credível como um conto do Peter Pan.

Mais um grande artigo de opinião do Observador

O Observador publicou mais um memorável artigo de opinião, desta feita da autoria de Maria João Marques. Este é tão bom que entrou diretamente para o Top 3 de grandes artigos de opinião daquele respeitável órgão de comunicação social. Em primeiro lugar continua o artigo de João Marques de Almeida sobre o fim do Bloco de Esquerda. Em segundo está Alexandre Homem Cristo com um artigo sobre o aquecimento global datado de 2014, contudo este tem vindo a ameaçar a liderança de João Marques de Almeida à medida que os dados científicos vão saindo ano após ano. Há uma coisa comum aos artigos de Marques de Almeida e de Homem Cristo: um dia ambos terão razão. Nem que seja daqui a 5 mil milhões de anos quando o Sol terminar o seu ciclo de vida. Ah não, não vai nada terminar, Deus é que manda no Universo, que cabeça a minha, tsk, tsk.

 

Zangam-se as comadres (o pior é que têm armas nucleares)

Quando a amizade entre dois facínoras se quebra sabemos que o pior dos cenários passa a ser possível. Desde a eleição de Donald Trump, a grande amizade com Putin era a vertente mais perigosa do delirante programa de Trump. O potencial de ocorrer um diferendo entre os dois era imenso, a começar pela delicada questão do levantamento das sanções à Rússia. O primeiro diferendo ocorreu mais celeremente que previsto. A Rússia já condenou o ataque dos EUA à base síria do regime de Assad. Quem está ao corrente do percurso de Putin conhece a sua irredutibilidade. A vingança ao ataque de Trump virá mais cedo ou mais tarde, mais patética ou mais violenta a vingança ocorrerá. Por exemplo, não surpreenderia que o video do chichi em que Trump se diverte com prostitutas em Moscovo fosse divulgado nos próximos dias.

Tudo isto não seria muito grave se esta dupla de irresponsáveis não tivesse armas nucleares à sua disposição…

De Dave Granlund.
www.davegranlund.com

Tão f***dos que nós éramos

Era assim. Um fidelíssimo retrato pela Clara Ferreira Alves de Portugal antes do 25 de Abril. Revista E, Expresso, 18/03/2017 (clicar para ler). Assinaturas Expresso Digital aqui.

SubvençõesVitalícias.pt por José Magalhães

José Magalhães poderia ter escrito uma obra sobre como lutar pelas subvenções vitalícias. Foi um entre os 30 deputados do PS e do PSD que pediram ao  Tribunal Constitucional para travar a norma que acabava com as subvenções vitalícias dos deputados com rendimento de outras fontes, superior a 2 mil euros por mês. Relembro que os eleitos depois de 2005 já não têm direito a essas subvenções. Mas não, Magalhães decide brindar-nos com um livro moralista sobre remunerações de eleitos como se não fosse nada com ele, como se não tivesse beneficiado e bem (as subvenções vitalícias são um exemplo escandaloso) durante 30 anos de parlamento daquilo que agora alega denunciar. É giro denunciar depois de beneficiarmos. É extremamente credível…

Mas esta obra tem mais um ponto interessante, que é o associar automaticamente um estatuto de político profissional aos eleitos. Ora, numa democracia, no nosso parlamento, há professores, investigadores, estudantes, advogados, médicos, etc., que são eleitos por 4 anos e depois desses 4 anos muitos deles voltam à sua vidinha anterior. [Read more…]

O primeiro presidente catalão da história

Se Manuel Valls for eleito será o primeiro presidente catalão da história e o primeiro presidente espanhol desde 1939, desde o fim da República Espanhola.

Valls nasceu em Barcelona e naturalizou-se francês em 1982.

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Foto tweeter Manuel Valls

O eleitor não é inocente

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(publicada no diário As Beiras a 10/11/2016)

A propósito das eleições americanas, regressou ao debate uma questão que é um clássico da ciência política. Devemos criticar ou não os eleitores pelos resultados de candidatos com potencial destrutivo para a sociedade, como Marine Le Pen, Donald Trump ou o britânico Nigel Farage? Há quem julgue que não se deve culpar o eleitor. A culpa é remetida exclusivamente para os restantes candidatos e respetivos programas, desculpabiliza-se o eleitor argumentando, por exemplo, que nenhum candidato é bom, logo é aceitável votar num candidato desbocado.
A própria definição de democracia requer que ninguém deve estar à margem da crítica ou do escrutínio, inclusivamente o eleitor. Mas mais do que catalogar negativa e cegamente todos os eleitores deste perfil de candidatos, interessa sim interpelá-los em questões concretas e fundamentais. No caso dos candidatos referidos é especialmente difícil debater diretamente assuntos basilares da sociedade, como a igualdade de género, o respeito pelas minorias, a orientação sexual ou a laicidade. Mas quem não pode fugir a estes debates são as respeitáveis figuras públicas que apoiam personagens deste calibre. Entre os apoiantes de Trump estão veneráveis mecenas, banqueiros e personalidades como Clint Eastwood, Slavoj Žižek ou Rudolph Giuliani. É a estes que deverão ser colocadas as questões que dolorosas que vão do racismo à misoginia de Trump.

O método Felgueiras

Em 2003, a mãe Fátima fez uso do direto televisivo do Brasil para branquear uma fuga inaceitável à justiça quando era acusada de corrupção e de financiamento ilegal da secção local do PS. Fátima Felgueiras chegou a ser acusada de 23 crimes no processo do “Saco Azul” e foi condenada a três anos e três meses de pena suspensa e perda de mandato, sendo absolvida destes crimes em 2011. Mas em Abril de 2011 foi condenada a um ano e oito meses de prisão, com pena suspensa, e a 70 dias de multa pelo crime de participação económica em negócio. Foi obrigada a devolver à autarquia de Felgueiras 16.760 € de honorários pagos pelo município ao advogado brasileiro Paulo Ramalho, quando fugiu para o Brasil.

Em 2016, a filha Sandra que curiosamente trabalha na RTP num programa sobre justiça (adorava ter acesso às atas dos concursos desta contratação), numa jogada de autopromoção, usa a televisão e o direto para dar uma oportunidade de ouro a um suspeito de crimes gravíssimos. Este, obviamente, declara-se inocente e lança suspeitas graves sobre agentes da GNR mortos e vivos criando um desequilíbrio imenso entre a apresentação de argumentos entre agressor e vítimas. Imagino a revolta da família das vítimas quando assistiram àquele espetáculo. Foi um abuso de utilização do serviço público da RTP para promoção pessoal, para um momento de sensacionalismo puro, de reality show, com conteúdo de informação duvidoso ou vago (o que ganhámos ao assistir ao suspeito algemado em direto?).

Independentemente, de algum bom trabalho já realizado no programa de Sandra Felgueiras, este foi um momento de nojo televisivo, de lixo onde crescem os Trumps deste planeta. Este tipo de trabalho não tem lugar no serviço público. A direção da RTP deveria analisar este trabalho e tirar daí as respetivas conclusões, se calhar algumas dolorosas…

Abrigos nucleares a apenas 30 mil dólares

O botãozinho vermelho de Washington vai começar a mexer. Abrigos nucleares Atlas desde 30 mil dólares. Não tenho (ainda) comissão.

Fugiu-lhes o teclado para a verdade :D

No site da UEFA logo após o final do jogo: 1-0 para Portugal. Fugiu-lhes o teclado para a verdade. 😀 Aposto que foi o mesmo amigo que apagou a luz e ligou o sistema de rega quando o Porto foi campeão no Estádio da Luz.

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Buzinão pela liberdade de escolha

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Manuel António Madama, diretor do colégio de São Mamede do grupo GPS, cedeu a sua coleção de 80 carros para a organização de um buzinão pela liberdade de escolha. Um aluno de 12 anos de um colégio privado, que guiava um Lamborghini Diablo amarelo, declarou à Aventar TV que estava ali a lutar pela liberdade de escolha. Não permitiria que o governo lhe tolhesse a liberdade de escolher entre um Lamborghini e um Ferrari. Um professor, participante absolutamente espontâneo do buzinão, declarou-nos que também se manifestava pela liberdade de escolha. Garantiu-nos que escolheu com toda a liberdade entre participar no buzinão ou não participar e ser despedido.

Sampaio pode agradecer à Marisa

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Se por acaso Sampaio da Nóvoa passar à segunda volta das presidenciais bem pode agradecer à Marisa o trabalho que ele deveria ter feito e não fez. E esse trabalho era eliminar Maria de Belém na primeira volta. Sampaio foi incapaz de se destacar de Belém por mérito próprio. Em vez de trabalharem na sua estratégia de campanha, os seus apoiantes (não sei se com mandato seu ou não) andaram a mandar recadinhos para dentro do Bloco para a Marisa desistir… Ironicamente, foi a própria Marisa que fez o trabalho que nem Sampaio nem os seus apoiantes foram capazes de fazer. A Marisa matou a candidatura de Maria de Belém.

Sampaio fez uma campanha fraquinha e sofrível. Foi o mesmo Sampaio (na altura António Nóvoa e ainda sem ambições) que descobri num Prós e Contras de 12/12/2011 sobre o ensino superior com a presença do Ministro Nuno Crato, em que foi insípido, inodoro e incolor sobre o tema, exceto quando se gabou exaustivamente sobre o processo de fusão de universidades em que participou (isso foi positivo obviamente) para gáudio do Ministro. Dito isto, obviamente que votarei Sampaio se este passar à segunda volta sem engolir sapos nem rãs (com tino e sem tino), porque tenho a certeza que será fiel aos valores que tem defendido na campanha, embora eu suspeite que ele será um presidente muito fraquinho. Parece-me claro que a Marisa é de longe a candidata de esquerda mais forte e se isto fosse como nos filmes a Marisa mandava agora um sprint até ao segundo lugar e lixava o Nóvoa (bem merecia). Por mim, vou acreditar em filmes até domingo à noite e vou votar com um gosto bestial na Marisa.

Será Arnaldo Matos um ex-lacaio da CIA?

Arnaldo Matos, um revolucionário de gravatinha.

Arnaldo Matos, um revolucionário de gravatinha (foto Ana Baião).

Nos anos 70 havia fortes suspeições que o MRPP (por onde passou Durão Barroso e outros ilustres do PSD) tinha sido um partido criado pela direita com patrocínio da CIA para minar o PCP. Não sou eu que vou deslindar esse mistério, mas o que é certo é que em posteriores atos eleitorais a sigla PCTP e o símbolo do partido não pararam de roubar votos ao PCP (sou do Bloco, aviso já). Ainda nas últimas eleições, na minha mesa eleitoral, fui abordado por uma senhora com cerca de 40 anos para a ajudar a identificar o seu partido no boletim de voto. “Não consigo ver bem os símbolos”, disse-me. Acompanhei-a à saída onde estava um poster com uma réplica do boletim de voto. Vi-a passar o dedo pelo MRPP e disse “não é este”, e depois pela CDU “é este”. Esta foi a função mais relevante do MRPP na sociedade portuguesa desde que foi a votos: roubar votos ao PCP. Nunca governaram, nunca assumiram responsabilidades políticas, apenas roubaram votos ao PCP, votos estes que nunca serviram para nada a não ser a direita. Parabéns Arnaldo Matos pelos préstimos à direita. Não sei se alguma vez foste pago pela CIA (como muitos infiltrados em partidos de esquerda europeus financiados pela French Connection, essa belíssima criação da CIA), mas parece. O que escreveste no editorial da Luta Popular desta semana poderia ser um texto escrito por um órfão da CIA, ressabiado, confuso sem saber o que mais fazer para destruir a esquerda, na ressaca do fim da Guerra Fria e do fecho das torneiras que alimentavam os lacaios infiltrados nos partidos de esquerda europeus. Não sei se assim foi, mas poderia ser.

Práticas da Fundação Gates a propósito de Zuckerberg

 

Alguns dos leitores muito indignados com o meu post anterior sobre a “doação” de Zuckerberg à caridade mundial, argumentaram que a Fundação Bill & Melanda Gates tem trabalho feito na área da investigação farmacêutica, da educação de crianças no terceiro mundo, etc. Tudo isso é verdade e é positivo. Aliás, se estas fundações se limitassem a essas atividades, como dão a entender na sua propaganda, não haveria muito a apontar-lhes. O problema é que estas fundações servem em primeiro lugar para a evasão fiscal. Isto não é propriamente um detalhe quando as quantias sujeitas a imposto são a ordem das dezenas de milhares de milhões de dólares. O facto de não tocarem no capital transferido pela empresa mãe e apenas se servirem dos juros e dos dividendos da fundação para as atividades caritativas ilustra perfeitamente o grau de genuinidade da caridade. Mas o mais grave é a ética dos investimentos destas fundações em fundos e em produtos financeiros, que envolvem valores mais elevados do que a filantropia, da ordem dos milhares de milhões de dólares. É nesta questão que a reportagem acima denuncia as empresas em que investiu a Fundação Gates, como a Lockheed Martin (armamento), a Lehman Brothers (co-responsável pela crise financeira) entre outras empresas, cujas práticas produzem efeitos no terreno que são contraditórios (miséria, proliferação de armas, exploração social, doenças, etc.) com as práticas filantrópicas da Fundação.

Ler artigo de Charles Piller nos Los Angeles Times, citado nesta reportagem.

Zuckerberg doa a Zuckerberg e foge ao fisco

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É impressionante a falta de sentido crítico dos nossos media na difusão da notícia da “doação” da fortuna de Zuckerberg à caridade internacional, transmitindo a ideia de um filantropo profundamente generoso, completamente desligado da volúpia do clube dos multimilionários norte-americanos, realizando um sacrifício pessoal por “um mundo melhor”.

Quando se lê com rigor a carta de Zuckerberg, percebemos que doará durante os próximos 45 anos (a doação não é imediata) 99% da sua participação na Facebook (cerca de 45 mil milhões de dólares) à fundação Chan-Zuckerberg que pertence à própria família Zuckerberg. Foi registada como uma sociedade de responsabilidade limitada, ou seja uma Chan-Zuckerberg Ltda. e não uma fundação caritativa. Este estatuto não obriga Zuckerberg a aplicar o dinheiro em ações caritativas, permitindo-lhe investir em tudo o que quiser, inclusivamente em investimentos lucrativos. Zuckerberg poderá também transferir para a fundação os lucros da sua participação na Facebook escapando aos impostos, mas ainda mais interessante é a possibilidade da sua família herdar a sua fortuna via fundação sem ser taxada.

Nada disto é novo, a fundação da família de Bill Gates funciona em moldes semelhantes e como já foi denunciado em várias peças de jornalismo de investigação, a sua atividade económica mais importante é o investimento em fundos e em produtos financeiros. A caridade é uma atividade quase de fachada financiada apenas com os juros e os dividendos da sua fortuna envolvendo quantias bem mais modestas que as transações da fundação de Gates nos mercados financeiros.

Cimeira do Clima em ano de temperatura recorde

(Publicada ontem no Esquerda.net)

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Inicia-se hoje em Paris a Cimeira do Clima coordenada pelas Nações Unidas. Espera-se que desta cimeira surjam medidas decisivas para combater o aquecimento global, particularmente para impedir que a temperatura média global se eleve a 2ºC acima da temperatura média do século XX. Acima destes 2ºC aumenta consideravelmente a probabilidade de impactos irreversíveis à escala local e global, bem como o rigor das medidas a implementar para travar as alterações climáticas e para mitigar os seus efeitos. Estas importantes conclusões decorrem dos relatórios elaborados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, o último relatório é de 2014. Estes relatórios compilam as conclusões de milhares de trabalhos científicos (teóricos, experimentais, modelos de computação, observações por satélite, etc.) realizados por centros de investigação distribuídos por todo o planeta, publicados nas revistas científicas mais relevantes e revistos pelos melhores especialistas na matéria. Foi graças a este trabalho colossal que se concluiu com mais de 85% de confiança que o aquecimento global registado tem origem na atividade humana (produção de energia, indústria, agricultura, transportes, etc.).

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Pílula (ou supositório) para a memória

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Estreou ontem na RTBF dividido em três episódios: 1) “Le Possédé“; 2) “L’Homme Rouge“; 3) “Le Maître du Monde“. Mantém-se a qualidade da série Apocalypse, da autoria de Isabelle Clarke et Daniel Costelle, sempre comentado por Mathieu Kassovitz.
Mais uma excelente pílula (ou supositório para outras visões políticas) para a memória.

O João gostava disto e de vocês

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O João era um verdadeiro blogger, gostava tanto disto que por vezes deixava coisas importantes (daquelas realmente importantes) por fazer só para continuar a bombar no Aventar. E o João gostava da equipa do Aventar. Quantas vezes estava a chegar ao 007 para jantar com o João após um dia de trabalho e o João: “temos lá agora um puto no Aventar…” Havia sempre um puto novo no Aventar que fazia maravilhas para o João. Dissertava sobre as novas secções do Aventar, “olha, temos uma nova secção Hoje dá na net“, lembro-me especialmente como ficou radiante com a Rádio Aventar, que o remetia para os tempos da Rádio Universidade. Desafiou-me para entrar no Aventar e, tal como fazia com os restantes membros do Aventar, estava sempre a chagar-me para escrever novos posts. De vez em quando o João escrevia asneira da grossa. Mas o que era notável era a sua humildade. “Olha pá, ontem mandei uma argolada de todo o tamanho no Aventar“. Nunca conheci um blogger capaz de admitir o erro com a franqueza e a rapidez do João. Por vezes enviava-me mensagens muito preocupado às tantas da matina “vê se o que escrevi no meu post de hoje está correto do ponto de vista científico, estou a levar porrada de meia-noite na caixa de comentários“. Obviamente que o João tinha chatices com outros membros do Aventar, confidenciava-me o diferendo com determinado membro, mas atirava logo a seguir “a ver se reconcilio com el@ daqui a umas semanitas“.

O João é um dos meus melhores amigos. Um dos mais imperfeitos. No sábado quando peguei nestas fotografias dei por mim a soluçar descontroladamente e não consegui. Hoje isto já saiu melhor.

Medina Carreira outro amiguinho de Relvas

Escrevemos aqui sobre o beija-mão de altas personalidades do PSD e do PS a Miguel Relvas durante a apresentação do seu novo livro. Mas não nos podemos esquecer da tirada deste passarão num momento épico das suas homilias na TVI quando a boca o traiu, ao ser pressionado pelo Professor Carlos Fiolhais:

Prof. Carlos Fiolhais: o diploma do “doutor” Relvas não vale nada.

Medina Carreira: o quê?

Prof. Carlos Fiolhais: … do “doutor” Relvas, o diploma não vale nada.

Medina Carreira: Nunca falei com ele, não sei…

Com a preciosa ajuda do João José Cardoso

Vaselina ajuda

Vaselina

Deve estar a doer taaaaaanto, até mete dó. Será que acabou o stock de vaselina na Opus Dei?