
Querem-nos atarefados,
querem-nos a esgalhar em auto-estradas,
querem-nos a comprar SUVs ou a desejá-lo
e a fazer até percursos mínimos dentro do nosso carrão,
querem-nos a aderir a pacotes de telecomunicação
que incluem coisas que nem precisamos,
querem-nos a viajar low-cost
com combustível fóssil subvencionado,
querem-nos a comprar em supermercados apinhados
de alimentos importados de longe
produzidos em modo superintensivo
e colhidos por gente precária,
querem-nos a consumi-los todo o ano
ainda que sejam sazonais,
querem-nos a absorver clichés
em programas televisivos bacocos,
querem-nos a comprar roupa incessantemente,
querem-nos a competir, a querermos ser os melhores,
querem-nos à espera de consulta médica,
ou melhor, querem-nos obrigados a ir aos privados,
querem-nos a ir jantar fora e a encomendar pizzas em casa,
querem-nos a engolir publicidade idiota,
querem-nos a aceitar a inoperância da justiça,
querem-nos a aplaudir futebóis,
querem-nos isentos de cidadania e associativismo
querem-nos a aproveitar vales de gasolina,
querem-nos a votar contra nós próprios
em governos rendidos ao investimento estrangeiro,
querem-nos com cifrões nos olhos
prontos a esmifrar seja o que for por um negócio,
querem-nos a rir e posar para selfies,
querem-nos a falar com bots em hotlines,
querem-nos dependentes de smartphones,
querem-nos submissos aos bancos e às suas regras
querem-nos a chapinhar na nossa vidinha
e nas tintas para a destruição do planeta.
E nós fazemos-lhes as vontades todas,
porque….
P.S. – Declaração de interesses: boicoto tudo isso o mais que posso.






… não somos comunistas.
Não será antes, somos quase todos comodistas?
Ou talvez consumistas?
Quem sabe até, contorcionistas, em função das conveniências do momento?
Como diz o velho ditado:
“Só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja.”
Ainda vou ver alguns negacionistas e outros quatro tais, borrarem-se pelas pernas abaixo, quanto a desgraça lhes bater à porta.
Depois, depois como sempre, tal como diz a Bíblia:
És capaz de negar Cristo, por três vezes que seja. O que, traduzindo para linguagem pagã, és capaz de negar que já foste negacionista, tão borrado de medo e assustado estás”.
Vai-te melga!
Se o consumo define o poder…
És o que consomes: princípio fundador da pósmodernidade esquerdalha!
Ora pois!
Oxalá estejam mesmo errados.
De outro modo, Vosselência, que consome toda a trampa…
Politicamente falando, é claro!
Ora bem, quem tem o poder de decidir o é consumível nunca tem culpa nenhuma.
Ou se boicota ou não…
Boicoto as selfies, ainda não boicoto futebois.
Para a linha subir, ora. Se subir que chegue, todos os problemas desaparecem quando os magos investirem, Aninhas, basta ter fé e rezar.