O debate sindical dos professores

O problema da Fenprof e de Mário Nogueira não é a falta de cobertura mediática. Deve ser dos sindicatos e dos líderes sindicais com mais pegada mediática. O problema da Fenprof e de Mário Nogueira é que ao longo dos anos ocuparam esse espaço com sucessivas cedências, conduzindo os professores de negociação em negociação com os resultados que se conhecem, com um discurso excessivamente corporativo, virado de costas para a restante comunidade escolar e para o resto da sociedade. Décadas de sindicalismo de mínimos, a gerir derrotas ou vitórias de Pirro, levaram ao descrédito e à desmobilização muito antes de aparecer alternativa. Veremos se o STOP tem unhas para o movimento que criou apesar da crise sindical, se está capaz de se articular com a Fenprof como a Fenprof nunca se quis articular com ninguém e se consegue transformar um fogacho num movimento de massas consistente e vitorioso. É esse o debate a fazer, não as diatribes da calúnia sectária. Os direitos dos professores, o combate à precariedade e a defesa da escola pública não têm tempo para continuar à espera.

Sobre a polémica relativa aos fundos de greve, que alguma ortodoxia sectária tem vindo a alimentar, nada como recuperar alguém com créditos firmados na matéria:

“It is true that funds are needed to maintain the workers during strikes, if strikes are to be successful. Such workers’ funds (usually funds of workers in separate branches of industry, separate trades or workshops) are maintained in all countries; but here in Russia this is especially difficult, because the police keep track of them, seize the money, and arrest the workers. The workers, of course, are able to hide from the police; naturally, the organisation of such funds is valuable, and we do not want to advise workers against setting them up.”

Já sobre a calúnia delirante de associar André Pestana e o STOP ao Chega, passo a palavra ao André Leal, do Semear o Futuro, que recupera a trajetória deste dirigente da esquerda, com provas dadas de militância anti-fascista.

Comments

  1. Anonimo says:

    Acabei de ouvir um reconhecido e credível comentador de Esquerda, da verdadeira, cascar no STOP e nos restantes movimentos inorgânicos ou orgânicos ou o que é*. Os sindicatos estão para os partidos como os porcos para os homens no final do livro da Quinta.

    *também aprendi que em Portugal não há corrupção, e isso de dizer que todos andam a roubar é péssimo para a democracia e que tudo é inocente até prova em contrário transitado em julgado. Tudo vai bem.

  2. Paulo says:

    Não vou contestar nada do resto mas…dizer ” a FENPROF nunca se quis articular com ninguém” é no m´nimo injusto. Há quantos anos existe a Platafoerma de Sindicatos?

  3. Antonio Martinho Marques says:

    Entre a Fenprof e o Stop, venha o serviço de “higienização partidária” ajudar a “luta dos professores e correlativos” e equilibrar os interesses de TODOS os… interessados!

  4. Carlos Almeida says:

    Boas

    Não é apenas ” André Leal, do Semear o Futuro, que recupera a trajetória deste dirigente da esquerda, com provas dadas de militância anti-fascista.”

    Raquel Varela diz o mesmo do dirigente do STOP

  5. francis says:

    Com tanta paixão pela Educação, como é que estão tantos de baixa, diariamente ?

    • Paulo Marques says:

      Precisamente pela falta dela, num conluio com os médicos.

  6. JgMenos says:

    Greves e Piquetes a torto e a direito e dizem-no fascista?
    Só um fascista diz semelhante coisa de uma tal Peste!

  7. Paulo Marques says:

    A minha única dúvida, sem prestar muita atenção, era até que ponto era uma luta para ser dos professores ou de todos.
    O currículo responde, siga. Que também não venham outros com sectarismos que não tem.

  8. balio says:

    Portanto, o presidente do STOP não é partidário de Ventura, mas sim de Lenine e Trotski, via MAS e BE. Não sei mesmo se é preferível.

    • POIS! says:

      Ora pois!

      Nestas coisas de sindicalismo, O lema do “balio” passou a ser:

      “P’rá malta cá da costa, é mais seguro um Pastorinho na mão que dois esquerdistas a voar!”

    • Paulo Marques says:

      Qual é a dúvida? Podia ser partidário do Mont Pelerin, mas aí não acreditava na sua própria luta.

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