
Querem compreender o que o Guterres realmente disse? Ainda por cima, estando eu convencido que isso foi deliberado quer pela tibieza que sempre demonstrou quer pela configuração ideológica que o sustenta quer ainda pela incapacidade de encarar seriamente o mundo árabe. É muito facil.
Substituam alguns elementos naquele discurso. Por exemplo, “condeno inequivocamente o holocausto nazi; mas o holocausto não surgiu do nada; a Alemanha foi sujeita a enxovalhos e humilhações durante mais de 20 anos”.
Compreendem o alijar de culpa que está implícito? Compreendem o repartir de responsabilidades que se pretende suscitar?
E não venham com considerações que não é possível comparar o 7 de Outubro ao holocausto. 7 de Outubro foi apenas um dia e além de ter implicado 1400 mortos, revelou um nível de bestialidade e selvajaria provavelmente superior à desumanidade nazi. O holocausto durou aproximadamente 5 anos.






Costumo seguir o aventar e não costumo comentar, não sei quem vexa. é. Dou-lhe no entanto os meus parabéns por, neste pequeno texto, ter atingido o grau zero da pulhice.
João Martins
Uma pequena correcção
Um liberocas não é pulha é liberal
Deixe os pulhas em paz
Oh Carlos, a sonsice não lhe fica bem. Mas ainda bem que usou esse belo exemplo: se quiser estudar a história, vai reparar que o que aconteceu no final da segunda guerra foi precisamente o contrário do que aconteceu na primeira porque se percebeu que grande parte dos motivos que a originaram foram precisamente o enxovalho e a humilhação que se impôs.
O que Guterres disse só pode ser reafirmado sem nenhuma dúvida: Os ataques do Hamas são condenáveis, ponto. O ataque do Hamas surge num contexto em que o povo Palestiniano sofre há decadas às mãos de Israel, mas que isto não pode ser usado como justificação para o que o Hamas fez, nem o que o Hamas fez pode ser usado como justificação para aquilo que Israel está neste momento a fazer.
Vá lá ouvir as declarações outra vez para não ficar a meio das frases.
Ouvir é irrelevante quando a conclusão imutável já está definida à nascença.
A petulância da ignorância: mandar os outros estudar quando não se tem o mínimo dos mínimos de conhecimento.
A 1ª guerra mundial terminou com um tratado de paz apesar de só ter sido assinado muitos meses depois do fim das hostilidades. A 2ª guerra terminou com a imposição à Alemanha de rendição incondicional.
Pela teoria deste iluminado tão sapiente, os Alemães tinham começado a queimar Judeus mais ou menos a partir de 1965. Mais que no holocausto porque a humilhação foi bem maior.
Ah, desonestidade ignorante ou revisionista.
Fica assim demonstrada a necessidade de constante exagero, ao nível do absurdo, sobre as acções dos maus da fita. Uma vez estabelecida a desumanização do adversário, nada mais importa, nem as mentiras desmascaradas ou admitidas depois do tempo adequado de investigação e muito menos matar indiscriminadamente, e todos podem ser ameaçados até concordarem. Faz lembrar um certo austríaco.
Até as pessoas no lugar de quem se revoltam passam a nada, nem os seus pedidos de contenção são ouvidos ( mais um exemplo: https://www.972mag.com/israeli-survivors-hamas-massacre-revenge/ ). Como não esperar que o chefe de uma organização não possa apoiar quem lhe mata propositadamente mais de 20 funcionários? Quem não está connosco, está com os terroristas, como disse o grande estadista prestes a iniciar a morte de um mero milhão por outra vigançazinha acabada em derrota.
Superioridade moral é ceder aos instintos mais básicos sem nunca aprender nada, quanto mais compreender; são superiores por definição, e isso basta.
E, obviamente, nem se restringem a Gaza, nem à Palestina. As limpezas na Bósnia, Myanmar ou em Nagorno-Karabakh não se iam fazer sozinhas.
https://www.haaretz.com/opinion/editorial/2023-09-27/ty-article-opinion/israels-fingerprints-are-all-over-the-ethnic-cleansing-in-nagorno-karabakh/0000018a-d331-d13d-a98f-dbb5028e0000
“ Israel x Hamas: número de mortos desde o início do conflito passa de 6 mil
No total, são pouco mais de 4,6 mil palestinos assassinados e aproximadamente 1,4 mil vítimas israelenses”
Isto é a notícia de um órgão de comunicação social. Não é ficção minha. E até ao darem as notícias, a maioria dos órgãos da CS não escondem o seu padrão de comportamento selectivo e xenófobo. Os Israelitas são vítimas. Os Palestinianos já não são vítimas. São só assassinados.
Não, não estamos a falar das vítimas israelitas e palestinianas, numa guerra já longa. Estamos a falar só e apenas das vítimas que estão em territórios controlados pelo Hamas. E o Hamas tem no máximo, 30 anos.
Mas também estamos a falar de um país que não respeita nenhuma resolução da ONU no que aos direitos palestinianos diz respeito, consagrados pelo direito internacional, incluindo a posse dos seus territórios.
Estamos a falar de um governo de extrema direita que prefere a limpeza étnica a chegar a um qualquer acordo, com alguma dignidade para ambas as partes. Estamos a falar de um governo que já ocupou alguns milhares de quilómetros quadrados de territórios, para instalar colonatos, e que nos acordos anteriores estavam supostamente sob jurisdição palestiniana.
Guterres disse o óbvio. Disse apenas aquilo que a maioria dos mortais deste planeta pensam. E é essa maioria que ele deve representar. Não se acovardou como uma boa parte da nossa elite intelectual e económica.
Como dizia e bem, Miguel Sousa Tavares, eu estou muito mais próximo dos valores culturais de Israel, do que dos muçulmanos. Mas isso não invalida que os trate como seres humanos com direitos.
O resto é apenas cultura de barricada. Não vou por aí.
Pronto, já percebemos a cor do cachecol.
o holocausto não surgiu do nada; a Alemanha foi sujeita a enxovalhos e humilhações durante mais de 20 anos
Um tal discurso seria uma mera opinião pessoal.
O que acontece é que Guterres não exprimiu uma simples opinião pessoal: ele exprimiu o consenso internacional, tal como ele está escrito em inúmeras resoluções das Nações Unidas (NU), que têm sido desrespeitadas por Israel.
Guterres, como seretário-geral das NU, não tem nada que exprimir as suas opiniões pessoais. Ele tem que exprimir a posição das NU. E foi isso mesmo que ele fez. O que ele disse foi, basicamente, que Israel tem espezinhado os direitos humanos dos palestinianos, tal como isso foi dito em diversas resoluções das NU.
Guterres cumpriu a sua obrigação, e não tem nada que ser punido por isso. Israel é que deveria ser punido por não cumprir as suas obrigações.
Mais um monte de lixo vomitado pelo Imbecil neoLiberal de serviço. Guterres constatou o óbvio, mas os liberaizinhos e os chunguinhos fazem-se de tontinhos e rasgam as vestes a defender o Apartheid sionista (como antes defendiam o Apartheid Afrikaans)
tipico whataboutism.
Que diabos tem a Alemanha e o holocausto que ver com o discurso de Guterres…
Erro seu anónimo
Os liberocas, como não têm argumentos e têm que escrevinhar qualquer coisa dizem estas bacoradas, com o devido respeito para os TÓs, que não têm culpa nenhuma
Eles é que sabem tal como os outros que podem fazer tudo que lhes apetece, porque são o povo escolhido por Deus, seja lá o que isso signifique
Whataboutism seria sobre a outra parte. Isto é a estrada da Beira porque nada justifica uma política de limpeza étnica que não seja a crença que não são pessoas, e a dissonância não permite.
… se formos a ver, essa de “o holocausto não surgiu do nada; a Alemanha foi sujeita a enxovalhos e humilhações durante mais de 20 anos” tem o seu quê de verdade:
Afinal foram as humilhações do draconiano Tratado de Versalhes, imposta numa nação que nem tinha começado a guerra nem fora derrotada militarmente, que criaram as condições objectivas para o germinar das ideias nazis…
Com efeito, depois da derrota do monstro nazi-fascista, os vencedores tiveram a inteligência de näo repetir o mesmo erro, e deram toda a ajuda possível à esmifrada Alemanha para se reerguer das cinzas e para que os alemäes näo quisessem mais vingança.
…
Por acaso agora até estäo a delapidar essas boas condições de vida, de tal forma que a besta, agora denominada AfD, está a crescer.
O mais cruel nem foi Versalhes, foi exigir que o pagamento continuasse quando a única escolha para arranjar as divisas estrangeiras para o efeito fosse a desvalorização contínua. Sobre isso, nem os liberachos, nem os centristas podem dizer muito, porque defendem o mesmo sobre o manto de contas certas para dar de mamar aos mercados.
Isso contextualiza a necessidade do “espaço vital”, porque a situação só piorava não havendo capacidade productiva interna para alimentar a população; já um suposto judeo-bolshevismo, que ainda vai fazendo as rondas apesar de desmascarado há mais de 100 anos, nem por isso; era só a junção de um alvo fácil e um alvo conveniente.
O AfD, como todos os proto-fascismos modernos, não são bem a mesma coisa; estão perfeitamente bem em deixar parte do poder ao capital, que por sua vez os aceita como meio de continuar a festa.
Marques
“O AfD, como todos os proto-fascismos modernos, não são bem a mesma coisa; estão perfeitamente bem em deixar parte do poder ao capital, que por sua vez os aceita como meio de continuar a festa.”
Bem observado. Esse procedimento foi iniciado no Chile e mais tarde noutros países da America Latina com as forças fascistas a garantir o apoio dos neo liberiais
Pois é evidente! Como é que ainda ninguém se tinha lembrado?
Está provado! A única maneira justa de comparar atrocidades é a média de defuntos por dia!
Que descoberta colossal, meu deus! Desta vez o lado certo da história (o da carochinha) e o da História (o do D. Afonso Henriques) é mesmo o do Holocausto, quer se queira quer não!